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Wolfram von Richthofen seria merecedor
de boa fama mesmo que considerássemos apenas o sobreno-me famoso que
carregava, uma vez que era primo de 1º grau do lendário Manfred
von Richthofen (1892-1918), o Barão Vermelho. Mas Wolfram, que,
assim como seu parente mais famoso, também possuía um título de nobreza
(Freiherr, ou seja, Barão) fez por merecer, com sua carreira exemplar,
seu lugar na história, não só como um grande piloto e comandante, mas
também como o mais jovem Generalfeldmarschall
da Wehrmacht.
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Nascido na localidade de Gut Barzdorf (Silésia), em 11 de outubro
de 1895, Wol-fram era filho do general Karl von Richthofen (1855-1939),
que desempenharia, no iní cio da I Guerra
Mundial, um papel importante na Ofensiva alemã rumo ao Marne
e, depois, em combates na Romênia e Rússia. Por sua vez, após
efetuar seus estu-dos na academia de cadetes de Gross-Lichterfelde,
Wolfram seria designado para servir como Fähnrich
em março de 1913 junto ao 4º Regimento de Cavalaria em Uhlan.
Quando a guerra eclodiu, o já Leutnant
Wolfram von Richthofen foi primeiramente deslocado com sua unidade
para o Leste (Rússia), voltando, posteriormente, para a França,
onde seria ferido por franco-atirador durante uma patrulha em
15.08.1915. Durante sua longa convalescença, ele decidiu ingressar
no recém criado Corpo Aé- reo Alemão, submetendo-se ao longo treinamento
e servindo em unidades da reser va.
No início de abril de 1918, Wolfram foi finalmente designado
para servir junto à anto-lógica Jasta 11, sob comando de seus
famosos primos, Manfred e Lothar (1894-1922) von Richthofen. Sob
a tutela de seus parentes, Wolfram foi sendo iniciado nas táticas
de caça. Ele participaria daquele que seria o último vôo do Barão
Verme lho, quando Manfred perdeu a vida em combate aéreo, em 21
de abril de 1918.
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A despeito do trauma desta perda, Wolfram se mostraria um piloto eficaz,
alcançando, até o final do conflito, a marca de oito vitórias aéreas
à bordo de seu Fokker pintado de prata, com asas púrpuras (as cores
de seu an-tigo regimento de cavalaria) e sendo condecorado com as Cruzes
de Ferro de 2ª e 1ª
Classes.
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Após o Armistício, ele deixaria o exército, dando continuidade
a seus estudos, terminando por se formar em engenharia pela Universidade
de Hannover, sendo que financiou seus estudos com o dinheiro obtido
com corridas e demonstra- ções aéreas, permitindo-o alcançar o
doutorado. Contudo, a situação econômi-ca na Alemanha não era
das mais favoráveis e, em 1923, Wolfram reintegrou-se ao Reichswehr,
com a patente de Oberleutnant.
Em razão de sua experiência prévia como piloto de combate, ele
seria um dos primeiros escolhidos para efe-tuar a reciclagem e
treinamento clandestino de outros pilotos na base secreta mantida
pelos alemães em Lipetzk (URSS), onde chegou munido de passapor-te
falso, em 1925.
Promovido a Hauptmann em 1929,
Wolfram seria designado para servir como adido militar na Itália,
onde rapidamente desenvolveu fortes laços de amizade com os italianos,
em especial com o Marechal Italo Balbo, um dos pioneiros da aviação
de caça daquele país e que lhe seria uma fonte de conselhos importan-tes.
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Com a ascensão dos nazistas ao poder, em 1933-34, Hitler iniciou o
rearma-mento alemão, designando Hermann Göring
como ministro do Ar, e que esta ria encarregado de desenvolver secretamente
a Força Aérea do III Reich. Uma de suas primeiras decisões foi a de
compor o Estado-Maior da nova Luftwaffe com antigos pilotos da I
Guerra Mundial e, no início de 1936, Richthofen estaria à cargo
do Departamento Técnico - onde foi, ao lado de Ernst
Udet, um dos responsáveis pela introdução do Ju87
Stuka.
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Quando eclodiu a Guerra
Civil espanhola, e Hitler decidiu enviar a Legião Condor para
apoiar os nacionalistas de Franco,
o já Oberstleutnant Wolfram
von Richthofen foi designado para servir como Chefe do Estado
Maior de Hu go Sperrle, comandante da Legião. Em janeiro de 1938
ele seria promovido a Oberst e,
finalmente, em novembro daquele ano, ao posto de Generalmajor.
Ele permanece-ria na Espanha até maio de 1939, como con sultor
do Ge neral Franco, aprimorando as técnicas de apoio aéreo à infantaria,
sendo, por fim, condecorado pelo governo na-cionalista com a Medalla
de la Campaña. Ao retornar pa-ra a Alemanha seus feitos como Comandante
da Legião seriam reconhecidos, tornando-se um dos 27 recebedo-res
da Cruz Espanhola em
Ouro com Brilhantes.
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No ano seguinte ele coordenaria sua unidade na exemplar Campanha do
Balcãs, durante a invasão de Creta e, finalmente, durante a invasão
da União Soviética. Por seus feitos no comando, foi condecorado
com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro
em 17 de julho de 1941. Após comandar brevemente a Luftflotte 2 na Itália,
ele seria designado para atuar no apoio à tropas do 11º Exército sob
comando do Generalfeldmarschall
Erich von Manstein (1887-1973), durante a ocupação da península da Criméia
e Cáucaso, no verão de 1942. À bordo de um pequeno Fieseler
Fi 156 Storch, Richthofen sempre sobrevoava os campos de batalha,
mesmo sob o ris co de ser abatido, a fim de realizar ele mesmo o reconhecimento
do terreno.
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Desenvolvendo táticas ousadas e lidando com uma força cada vez
menor, Richthofen não passaria despercebido em Berlim, sendo promovido
consecutivamente a General oberst
(fevereiro de 1942) e à Generalfeldmarschall
(em 17 de fevereiro de 1943), quando tinha 47 anos de idade -
tornando-se o mais jovem oficial a atingir esta patente. E-le
atuou nas batalhas de Kerch, Sebastopol, Voronezh, Kursk e Stalingrado.
Nesta última, coube a ele organizar a malfadada ponte a érea
que deveria suprir as tropas cercadas.
Durante um período de 72 dias, o VIII Fliegerkorps entre-gou
8.350 toneladas de suprimentos ao custo de 488 ae ronaves perdidas
e 1.000 pilotos mortos ou capturados.
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Em junho de 1943 Wolfram retornaria ao comando da Luftflotte
2 na Itália. Mas sua carreira estava próxima do fim: em 27 de outubro
de 1944, Freiherr von Richthofen teve que ser submetido a uma operação
de emergência destinada a extrair um tumor cerebral. Sem condições de
retornar à ativa, ele seria passado à reserva pelo OKL
(Oberkommando der Luftwaffe).
Capturado pelos americanos, ele seria colocado em um campo de prisioneiros
situado em Bad Ischl, Áustria. O Generalfeldmarschall Wolfram von Richthofen,
um soldado da mesma linhagem de Rommel e Guderian, mor reu pouco depois
do término das hostilidades, em 12 de julho de 1945, em razão de uma
hemorragia cerebral pouco antes de completar 50 anos de idade, ainda
em cativeiro.
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