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Não importa a nacionalidade, o conflito
ou o número de vitórias, ninguém se iguala à sua fama na História da
Aviação Militar. A lista de grandes ases existentes é gigantesca mas,
com certeza, não só podemos dizer que nenhum deles têm o mesmo apelo
que o jovem prussiano, mas também que ele foi a sua principal inspiração.
Mas quem era esse homem que, há quase noventa anos atrás, tornou-se
a primeira lenda da aviação e era chamado pelos seus adversários como
o "Barão Vermelho"?
Manfred von Richthofen é um desses heróis cuja vida parece tirada de
um roteiro de filme. Disciplina, orgulho, habilidade para caçar, espírito
nato de liderança e patriotismo teutônico eram características que,
combinadas neste homem, elevaram-no ao um patamar de fama que ultrapassou
sua própria vida. "Maldito seja você, Barão Vermelho" freqüentemente
rosnava o personagem Snoopy, nos desenhos animados da "Turma do Minduim".
Longe de ser um personagem de tira cômica, Richthofen foi o mais eficiente
piloto de caça da I Guerra Mundial, metodicamente derrubando pelo menos
80 inimigos, antes dele mesmo tombar em um desfecho típico das óperas
de Wagner.
Juventude Privilegiada
Manfred Albrecht Freiherr von Richthofen nasceu em 02 de maio de 1892,
no seio de uma família nobre de proprietários de terras, na cidade de
Breslau, Silésia, então parte do Império Alemão (atualmente chamada
de Wroclaw e pertencente à Polônia). As origens de sua família podem
ser traçadas até a Idade Média e seu nome é resultado da germanização
do sobrenome de seu antepassado Johann Praetorius (1611-1664), que passou
a se chamar Richthofen (significando "Corte de Justiça") quando recebeu
o título de Cavaleiro do Reino da Boêmia. O título nobiliárquico hereditário
de Freiherr - que pode ser traduzido como Barão - foi concedido à família
pelo Imperador da Prússia Frederico, o Grande em 1741.
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Crescendo nas propriedades rurais da família, Richthofen aprendeu
e de-senvolveu com seu pai, Albrecht, um oficial do regimento
Uhlan de cavala-ria, suas habilidades de atirador, abatendo tudo
o que poderia caçar nos bosques: javalis, pássaros, veados, alces.
Ao lado de seus irmãos mais novos, Lothar Siegfried (nascido
em 27.09. 1894, também futuro ás) e Karl Bolko (nascido em 16.04.1903),
costuma-vam colecionar e expor seus troféus de caça.
Aos 11 anos de idade, Manfred ingressou no corpo de cadetes prussianos,
onde foi um aluno mediano. Ao concluir seus estudos, em 1911,
ele foi de-signado como Fähnrich (cadete-oficial) para o 1º Regimento
Uhlan de Cava laria, que lhe proporcionava a oportunidade de praticar
outro de seus hobbi-es: a montaria. Contudo, na guerra moderna
que se avizinhava, a cavalaria não teria lugar frente às armas
modernas.
Quando a I Guerra Mundial começou, em agosto de 1914, o Leutnant
Rich-thofen e sua unidade foram enviados para a frente leste,
para lutar contra os russos - o único front que teria algum tipo
de guerra de movimento, pro-
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pícia para o uso da cavalaria em seu principal papel: o de reconhecimento.
Por seus feitos, von Richthofen foi condecorado com a Cruz
de Ferro de 2ª Classe em 23.09.1914.
No entanto, pouco depois, Richthofen e sua unidade foram transferidos
para o Oeste, onde passaram alguns agradáveis meses na retaguarda -
o que desagradou ao jovem guerreiro. "Eu não vim para a guerra para
apanhar queijos e ovos", ele escreveu para seu superior, ao requisitar
uma transferência. Em maio de 1915 Richthofen finalmente conseguiu ser
enviado para uma unidade aérea.
Sobrevoando o Front
Após receber um curto treinamento, Richthofen retornou à frente leste,
efetuando uma série de missões como observador e, depois, como bombardeador.
Durante os meses de junho a agosto de 1915, ele permaneceu com Feldflieger-Abteilung
69 (69º Esquadrão de Vôo), que participou da ofensiva do Generalfeldmarschall
August von Mackensen (1849-1945) de Gorlice em direção a Brest-Litovsk.
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Richthofen tinha a função de observador e não possuía qualquer
especia-lização. Como oficial da cavalaria, seu trabalho consistia
em missões de reconhecimento, para o que havia sido treinado na
academia. Ele até apreciava esse trabalho, e gostava muito dos
longos vôos sobre o front, que ele realizava quase todos os dias.
Mas essa vida passiva não era o que ele imaginava para um soldado.
Ainda insatisfeito, ele reclamou novamente e foi transferido
para Ostend, no front ocidental, ainda como observador em um avião
de reconhecimen-to. Com o piloto Oberleutnant Georg Zeumer, eles
patrulhavam a área do Mar do Norte e, certa vez, avistaram um
submarino, mas não o atacaram por não conseguirem determinar a
nacionalidade.
Seu primeiro encontro com uma aeronave inglesa ocorreu no dia
15 de se-tembro de 1915 e terminou sem qualquer dano sério em
seu avião, mas o então artilheiro Richthofen e o piloto Zeumer,
ficaram insatisfeitos com seus desempenhos.
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Transferido para a região de Champagne, ele passou a voar com o Leutnant
Paul von Osterroth. Durante uma missão, com sua metralhadora de ré,
Richthofen conseguiu abater um avião Farman, mas sua vitória não foi
confirmada, pois o aparelho caiu atrás das linhas aliadas. Mas seu instinto
de caçador tinha sido despertado.
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Ainda determinado a se tornar um grande caçador nos céus, ele
come- çou seu treinamento de piloto em outubro de 1915, fazendo
seu primei-ro vôo solo no dia 10. Ele danificou o avião na aterrissagem
e teve que ter outras aulas em Doberitz.
No Natal de 1915 Richthofen foi finalmente aprovado, recebendo
seu Badge
de Piloto (Flugzeugführerabzeichen). Ele voou para Schwerin,
onde a fábrica da Fokker era situada e, daí, foi para Breslau,
Schweid-nitz, Luben e retornou a Berlim. Durante essa viagem,
ele pousou em muitos locais, visitando parentes e amigos. Sendo
um observador trei-nado, ele não teve muita dificuldade em achar
seu caminho.
Em março de 1916, Richthofen juntou-se ao Kampfgeschwader 2,
sedia do em Verdun, onde aprendeu a comandar um caça de dois assentos.
Pilotando um Albatros B.II, avião de reconhecimento equipado com
um motor de 100 HP que desenvolvia uma velocidade máxima de 100
km/h e tinha teto de 3000m, ele era armado com uma metralhadora
na parte superior da asa disparando para a frente.
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Nos comandos de seu avião, no dia 26.04.1916, sobre Verdun ele avistou
um Nieuport francês e abriu fogo a 60 metros. O inimigo foi atingido
em cheio e caiu em pleno Fort Douamont. Richthofen teve, assim, sua
primeira vitória individual como piloto - que novamente não foi confirmada.
Enquanto estava na França ele teve a oportunidade de voar um caça monoposto
Fokker, o que alimentou seu apetite por esse tipo de avião.
Mais uma vez enviado para a front russo, ele continuou a voar aviões
de reconhecimento. Como os russos tinham poucos aviões, voar e bombardear
eram missões agradáveis e relativamente seguras e, entre seus feitos,
esteve o bombardeio à estação ferroviária de Manjewicze, o ataque à
um regimento cossaco de cavalaria, a destruição da ponte sobre o rio
Stokhod, entre outras. Mas, então, o destino mudou a vida de von Richthofen
e, por conseqüência, da história da aviação.
O Pupilo de Bölcke
Em meados de 1916, o Hauptmann Oswald Bölcke
era o maior ás alemão, ao lado de Max
Immelmann. Famoso por ter criado um conjunto de regras a serem seguidas
por pilotos de caça (o famoso "Bölcke Diktat", ainda hoje ensinado em
todas as Forças Aéreas do mundo), em agosto de 1916, ele havia sido
encarregado de criar uma unidade de caça , o Jagdstaffel 2 (Jasta 2),
e passou a visitar várias unidades em busca de pilotos talentosos. Quando
esteve no Leste, após uma breve entrevista, Bölcke decidiu levar Richthofen
com ele.
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Na manhã de 17.09.1916, enquanto liderava seu esquadrão em um
patrulha, Bölcke avistou aviões britânicos que se dirigiam a Cambrai.
Richthofen aproximou-se de um deles e posicionou-se atrás de seu
inimigo. Ele continua descrevendo o evento:
"Em uma fração de segundo eu estava atrás dele com meu excelen-te
avião. Eu disparei algumas rajadas com minha metralhadora. Eu
estava tão próximo do inglês, que temia colidir com ele. De repente,
eu quase gritei de alegria quando vi sua hélice parar. Eu tinha
despe daçado seu motor, forçando-o a pousar em nossas linhas.
O avião inglês curiosamente oscilava. Provavelmente algo tinha
a-contecido com o piloto. O observador não mais era visível. Seu
as-sento estava aparentemente vazio. Obviamente eu o tinha atingido
e ele tinha caído em seu assento. Ele aterrissou próximo a um
de nos sos esquadrões. Eu estava tão excitado que quase destruí
meu avi- ão ao pousar. O avião inglês e o meu ficaram lado a lado.
Tanto o piloto como o observador estavam gravemente feridos.
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O observador morreu pouco depois e o piloto faleceu enquanto estava
sendo transportado para um hospital próximo. Eu homenageei o inimigo
caído colocando uma pedra em seu bonito túmulo."
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Foi a primeira vitória de von Richthofen que, com isso iniciou
seu costume de apanhar algum
pedaço do avião que abatera como sou-venir, além de encomendar
uma pequena
taça de prata (gravada com o tipo de avião abatido e a data).
Ao longo do mês seguinte, a Jasta 2 teve grandes momentos de "caça"
sobre o campo de bata-lha de Somme. Richthofen acumulou algumas
vitórias nesse período sendo agraciado com a Cruz
de Ferro de 1ª Classe em 04.10.1916.
Ironicamente, Bölcke não viveu o suficiente para apreciar o sucesso
de sua unidade de elite. No dia 28.10.1916, após chocar-se no
ar com outro piloto alemão, Oswald Bölcke morreu quando seu avião
colidiu com o solo. A Richthofen coube a honra de carregar as
condecorações do ás durante seu funeral. Mas ele prosseguiu de
modo que, no dia 09.11.1916 ele já somava dez vitórias.
No dia 23.11.1916 ele foi condecorado com a Cruz
de Cavaleiro da Ordem da Casa Real de Hohenzollern com Espadas.
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A 11ª vitória de Richthofen soaria como uma vingança pela morte de
Bölcke. Sua vítima foi o primeiro ás inglês a ser agraciado com a Victoria
Cross (a mais alta condecoração do Império Britânico), Major Lanoe Hawker,
comandante do 24th Squadron. No dia 23.11.1916, ambos se enfrentaram
em um combate e, enquanto tentava recuar para suas linhas, Hawker foi
atingido na nuca por um dos projéteis de Richthofen. A metralhadora
do inglês (inutilizada por um tiro no ferrolho) foi o souvenir que o
piloto alemão levou para casa, colocando-o sobre a porta de seu quarto.
O Circo Voador
No final de 1916 Richthofen andava ansioso. Antes dele, Bölcke e Immelmann
haviam recebido a mais alta condecoração prussiana por bravura, a Orden
Pour Le Mérite, após abaterem oito adversários mas, até então, ele -
que já contava com 16 vitórias -, não havia sido agraciado com a desejada
condecoração. Na mesma época, ele recebeu a notícia de que fora indicado
para assumir o comando do Jagdstaffel 11, uma unidade criada em setembro
de 1916 e que, até então não havia obtido qualquer sucesso no front.
Finalmente, no dia 12.01.1917, enquanto participava do jantar de despedida
em sua homenagem na Jasta 2, von Richthofen foi informado que acabara
de ser condecorado pelo Kaiser Wilhelm
II com a Pour
Le Mérite.
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Assumindo o comando da Jasta 11, suas qualidade logo se fizerem
presentes: Richthofen era metódico em seus ataques, calculando
os riscos, estimando a posição do inimigo, controle de fogo e
ângulo de ataque com matemática e precisão, tudo para derrubar
sua presa. Ele repassou os mesmos ensinamentos aos seus subordinados,
exigindo que estudassem e seguissem suas táticas. Nessa época,
seu irmão mais novo, Lothar, juntou-se a ele, e rapidamente, estabeleceu-se
como um ás de grande reputação (ele sobreviveria à guerra, abatendo
40 inimi gos). Apenas alguns dias após a sua chegada esquadrão,
em 23 de ja-neiro de 1917, Richthofen abateu seu 17º adversário
- a primeira vitória da unidade.
Ainda em janeiro de 1917, ele tomou a decisão que lhe garantiria
o apeli-do imortal. Como um gesto de desafio, von Richthofen decidiu
pintar o seu biplano Albatros
D.III completamente de vermelho, a fim de ser reco-nhecido
facilmente pelo inimigo. Seus colegas de esquadrão ficaram pre-ocupados,
pois isso o tornava um alvo natural para os adversários e deci-diram
também pintar seus aviões. Mas Richthofen foi claro: o único com-pletamente
vermelho deveria ser o dele. Além disso, para poder ter o di-
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reito de personalizar a pintura de seu avião, o piloto deveria provar
ser um excepcional caçador, para se defen-der dos ataques que viriam.
Mais tarde, o próprio Richthofen escreveria:
"Por alguma razão, um belo dia, eu tive a idéia de pintar meu avião
de vermelho vivo. O resultado foi que absolutamente todos passaram a
conhecer meu pássaro vermelho. Por sua vez, meus oponentes também não
estavam completamente desavisados."
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Ele provaria sua tese, no dia 24.01.1917, quando forçou sua 18ª
vítima a fazer um pouso forçado nas linhas alemãs. Ambos os tripulantes
in-gleses, Captain Oscar Greig e 2nd Lieutenant John MacLenan
do 25th Squadron sobreviveram - embora o primeiro tivesse sido
ferido na per-na - e, mais tarde, tiveram um encontro com Richthofen,
que escreveu:
"Eles foram os primeiros ingleses que eu trouxe para o solo
com vida. Por essa razão eu apreciei muito conversar com eles.
Entre outras coi sas, eu perguntei-lhes se já tinham visto meu
avião no ar anteriormen-te. 'Ah sim!' disse um deles. 'Eu o conheço
muito bem. Nós o chama-mos le petit rouge [o pequeno vermelho]'.
"
Surgia, assim, a lenda do "Circo Voador", apelido dado às coloridas
aeronaves da Jasta 11 em razão de suas cores berrantes, por se
des-locarem constantemente em trens. Logo, seus ensinamentos surtiriam
efeito e sua unidade virou um ninho de ases: Ernst
Udet (62 vitórias), Lothar von Richthofen (40 vitórias), Kurt
Wolf (33 vitórias), Karl-Emil Schäfer (30 vitórias), Carl Allmenröder
(30 vitórias), Hermann Göring (22 vitórias),
Hans Klein (22 vitórias), Wilhelm Reinhard (20 vitórias) e vários
outros passaram pela Jasta 11.
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No dia 09.03.1917, von Richthofen abateu seu 25º inimigo. Promovido
a Oberleutnant em 23.03.1917, ele derrubou sua 30ª vítima no dia seguinte.
Mas ele permaneceria pouco tempo com essa patente, sendo promovido a
Rittmeister (o equivalente a Hauptmann nos regimentos de Cavalaria)
no dia 10.04.1917.
O "Abril Sangrento"
O mês de abril de 1917 ficou conhecido como o Abril Sangrento ("Bloody
April") em razão das pesadas perdas sofridas pelos britânicos diante
dos pilotos do Corpo Aéreo germânico. Naquele fatídico período, a Jasta
11 abateu sozinha 89 aviões - 21 dos quais foram vítimas de Richthofen
(suas 32ª a 52ª). Como o inverno havia acabado, e tempo melhorou e ambos
os lados efetuavam várias missões.
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Os alemães puderam empregar suas táticas de ataque em grupo e
seus Albatros
D.III superavam os aviões britânicos e franceses. Os pilotos
de Sua Majestade ficaram obcecados em destruir Richthofen. Embora
não haja provas, circulou naquela época um boato entre as tropas
aliadas que, quem abatesse o "Barão Vermelho" receberia um prêmio
em dinhei ro e um avião como presente. Mesmo assim, o seu quarto
ficava cada vez mais repleto de souvenirs de suas vítimas.
No dia 29.04.1917, ele abateu quatro adversários e, nesse dia,
recebeu um telegrama do próprio Kaiser Wilhelm
II, lhe congratulando por ter ultrapassado a marca de 50 vitórias.
Ao longo dos meses de maio e junho de 1917, Richthofen esteve
distan-te do front, realizando várias viagens de propaganda dentro
da Alemanha e em países aliados. Encontrando-se com a realeza
e membros do Alto-Comando alemão, como Hindenburg e Ludendorff,
ele ainda pode desfru-tar de alguns dias de licença com seus familiares.
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Quando retornou à frente de combate, várias Jastas - entre elas a 10
(de Werner Voss - 48 vitórias) e a 11 - haviam sido agrupadas no Jagdgeschwader
1 (JG 1), e eram equipadas com o Albatros
D.V. No final de junho, Richthofen já somava 56 vitórias, mas sua
sorte estava para sofrer um sério golpe. Em 06.07.1917, à bordo de seu
Albatros
D.V (número de série 4693/17), ele teve um encontro com a morte,
enquanto perseguia um bombardeiro bimotor F.E.2b:
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"Eu olhava para o observador, extremamente excitado atirando
em minha direção. Eu calmamente o deixei atirar, já que nem o
melhor dos atiradores consegue acertar algo a uma distância de
300 metros. Ninguém consegue! (...) De repente, houve um estouro
em mi-nha cabeça! Eu fui atingido! Por um momento eu fi-quei completamente
paralisado... a pior parte é que o impacto na cabeça tinha afetado
meu nervo ótico e eu fiquei completamente cego. O avião começou
a mergulhar."
Richthofen recobrou a consciência à tempo e, escolta do por dois
companheiros, aterrissou em um campo próximo a Wervicq (Bélgica).
Levado para o hospital St. Nicholas, lá foi operado pelo Majorgeneral
do Cor-
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po Médico alemão, Prof. Dr. Kraske. "Eu tinha um respeitável buraco
em minha cabeça, um ferimento de cer-ca de 10 centímetros de comprimento,
no qual havia um local do tamanho de uma grande moeda, onde podia-se ver
o osso claro de meu crânio. Minha cabeça dura tinha me salvo mais uma
vez."
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A despeito de ter tido o melhor tratamento disponível à época,
o ferimen to de von Richthofen nunca cicatrizou e curou-se completamente.
As ataduras e fragmentos de osso continuaram a atormentá-lo através
de terríveis dores de cabeça pelo resto de seus dias. Mais uma
vez ele foi enviado para casa, a fim de se recuperar. E, durante
os meses de julho, agosto e setembro de 1917, efetuou poucas missões
de combate.
No final de agosto de 1917, os primeiros triplanos Fokker
Dr.I começa-ram a chegar ao JG 1. Embora ficasse a princípio
desconfiado do peque no avião, logo Richthofen acabou se impressionando
com a agilidade do novo aparelho: "ele sobe como um macaco e é
tão ágil quanto o demônio".
Em sua primeira missão com o hoje famoso triplano, no dia 01.09.1917,
ele alcançou a marca, até então inédita, de 60 vitórias. Pintado
de ver-melho (com o leme em branco), o seu Fokker
Dr. I (número de série 425/17) é, com certeza, o mais famoso
avião de combate da história.
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Herói Homenageado até pelo Inimigo
Depois de uma licença no Natal de 1917, que passou caçando com o irmão
Lothar na floresta de Bialowicka, von Richthofen retomou definitivamente
sua carreira de piloto de caça, mas mantendo o "espírito esportivo".
Quando ele abateu o 2nd Lieutenant H. J. Sparks - sua 64ª vitória -
ele enviou para o inglês hospitalizado, uma caixa de charutos.
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Durante os meses de março e abril de 1918, Richthofen abateu
nada menos que 17 aviões inimigos, todos à bordo de seu inconfundível
Fok-ker. Sua última vitória - a 80ª - foi alcançada no dia 20.04.1918
e seu adversário, o Lieutnant D. E. Lewis também sobreviveu ao
encontro, pa ra ser capturado pelas forças alemãs. À essa altura,
além de seu irmão Lothar, Manfred também estava comandando seu
primo Wolfram von Richthofen
que, durante a II Guerra Mundial, chegaria ao posto de Gene ralfeldmarschall.
Na manhã do dia 21 de abril de 1918, o canadense Captain Roy
Brown liderava uma formação de 15 Sopwith Camels, escoltando alguns
aviões de reconhecimento fotográfico. Quando alguns Fokkers e
Albatros mer-gulharam sobre os aviões, um gigantesco combate começou,
com mais de trinta aeronaves virando, disparando e atacando umas
às outras. Um Fokker vermelho posicionou-se na traseira do avião
do Lieutnant Wilford May - era Richthofen. No afã de tentar abater
sua presa, ele não viu quando Brown aproximou-se por trás disparando
sua metralhadora.
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De repente, enquanto voavam a baixa altitude próximo a Sailly-le-Sac
- área controlada por tropas australianas - o avião de Richthofen simplesmente
mergulhou e pousou no chão, quase sem sofrer danos. Os australianos,
chegaram até o avião e encontraram Richthofen morto dentro do cockpit.
Era o fim do Barão Vermelho.
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Seu avião foi praticamente destruído por caçadores de lembranças
e, quase imediatamente iniciou-se uma terrível polêmica, que dura
até hoje, sobre quem efetivamente abateu Richthofen. Embora tenha
sido creditado por essa vitória, Roy Brown nunca clamou tê-lo
abati do oficialmente. Por sua vez, os australianos, afirmam que
efetua-ram vários disparos do solo. Partes de seu avião podem
ser vistos na Austrália e no Canadá, enquanto o motor permanece
no Imperial War Museum em Londres (UK). Outras partes repousam
nas mãos de colecionadores particulares e, às vezes, vêm à leilão.
Os britânicos, após confirmarem a identidade de Richthofen e
efetua rem uma breve autópsia decidiram enterrar o inimigo caído
com hon-ras militares. Escoltado por soldados australianos e conduzido
por seis capitães da RAF, seu caixão foi baixado em uma sepultura
indi vidual no cemitério de Fricourt no dia 22 de abril de 1918
- dez dias antes de seu 26º aniversário. No fim, a guarda de honra
deu uma sal va de 21 tiros em sua homenagem. Fotografias foram
tiradas do fune ral e, alguns dias depois, aviões britânicos as
jogaram sobre a base aérea do JG 1 em Cappy, com a seguinte mensagem:
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"Para o Corpo Aéreo Alemão:
Rittmeister Manfred Freiherr von Richthofen foi morto em combate aéreo
em 21 de abril de 1918. Ele foi enter-rado com todas as honras militares.
Assinado: British Royal Air Force."
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A morte de Richthofen foi um duro golpe para o povo ale-mão,
mas sua lenda cresceu espantosamente nos anos seguintes. A liderança
do JG 1 foi assumida pelo Haupt-mann Wilhelm Reinhard, que morreu
pouco mais de um mês depois, em um acidente de vôo. Foi sucedido
por ou tro ás, que também entraria para a história: Oberleutnant
Hermann Göring.
Ele comandaria o Geschwader Richthofen até o fim da guerra, em
11.11.1918. Já seu irmão, Lothar von Richtho fen, sobreviveu ao
conflito, também recebendo a Pour Le Mérite por suas 40 vitórias,
mas morreu em um acidente em 1922.
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Em 1925, a pressão popular e da família para que seus restos retornassem
à Alemanha surtiu efeito. No dia 14.11.1925 seu corpo foi exumado e
trasladado de volta à sua terra natal. Em Berlim uma carruagem transportando
seus restos e escoltada por uma guarda de honra composta só por ex-pilotos
ganhadores da Pour Le Mérite, o conduziu até seu descanso no Invalidenfriedhoff,
o principal cemitério da capital alemã.
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Seu nome serviu para batizar uma das melhores unida-des da Força
Aérea nazista na II Guerra Mundial, o Jagd geschwader 2. Após
a derrota do III Reich, em 1945, o monumento sobre a sua sepultura
foi destruído pelos soviéticos.
Mas os alemães nunca esqueceram o maior ás da I Guerra Mundial:
quando da criação da nova Bundesluft-waffe no final dos anos 50,
sua primeira unidade de ca- ças foi apropriadamente chamada de
JG 71 "Richthofen" cujo primeiro comandante, numa escolha acertada,
foi o maior ás da II Guerra Mundial, Major Erich Hartmann.
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Nos anos 70, Bolko von Richthofen - que não seguiu a carreira militar,
tornando-se um bem sucedido empresá- rio - conseguiu negociar com o
governo da então Alemanha Oriental para que os restos mortais de seu
irmão fossem enviados para o lado ocidental onde, finalmente, encontraram
seu repouso definitivo. Mas hoje em dia, passados mais de 100 anos de
seu nascimento, o Rittmeister Manfred Freiherr von Richthofen ainda
vive em nossa imaginação.
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