Munições da Luftwaffe

Quando a Luftwaffe foi reestabelecida oficialmente em 1935, o armamento das aeronaves ainda seguia a ten dência da I Guerra Mundial, utilizando metralhadoras que empregavam a mesma munição dos fuzis de infanta-ria. Rapidamente, contudo, percebeu-se que este tipo de munição era muito limitado, mesmo quando utiliza-vam projéteis especialmente desenvolvidos para o combate aéreo.

O passo seguinte, portanto, levou ao desenvolvimento de metralhadoras de grande calibre, como o 13mm e, mais tarde, o 15mm. Por essa época havia alguma dúvida sobre se os projéteis com grande capacidade de penetração seri am ou realmente necessários, já que a política de aperfei- çoar a blindagem dos aviões ainda não havia sido clara-mente estabelecida. Além disso, supunha-se que os com-bates aéreos ocorreriam a grandes distâncias e que a mai oria das aeronaves sucumbiriam diante de munições incen diárias.

Contudo, no final dos anos 30, um novo conceito foi intro-duzido. A nova proposta era destruir a aeronave hostil, de uma distância considerável, com um único tiro de uma ar ma de grosso calibre. Foi então que os canhões de 30mm foram introduzidos mas, quando a II Guerra Mundial come-

çou, descobriu-se que estas armas não eram tão efetivas no combate aéreo. A pontaria era especialmente difícil e a baixa cadência de disparo destas armas não providenciavam uma densidade de fogo suficiente para assegurar um acerto contra o avião inimigo.

A= 7,92X57mm - B=13x64Bmm - C= 15x95mm - D= 20x80RBmm - E= 20x81mm - F= 30x91RBmm

Como resultado, os canhões de 20mm tornaram-se o armamento prin-cipal dos caças no início da guerra, quan do a Luftwaffe estava na ofen siva. Novos projéteis foram desenvolvidos para maximizar a potência explosiva dos mesmos contra as fuselagens dos aviões inimigos e es-forços foram feitos para aumentar a taxa de fogo. As armas de 20mm foram desenhadas especialmente para combates contra caças, mas também eram eficien tes contra bombardeiros.

Mais tarde, quando a Alemanha passou à defensiva, os bombardeiros inimigos eram mais bem protegidos. Tornou-se necessário para a Luft-waffe desenvolver calibres maiores que pudessem ocasionar danos se-veros a um bombardeiro quadrimotor, mesmo com um único tiro. Po-rém, essas armas existiam para serem usadas como metralhadoras, disparando em rajadas.

Ao mesmo tempo, esforços foram feitos para incrementar o efeito das munições de Flak, cujo conhecimento acumulado no desenvolvimento de projéteis auto-explosivos foi depois empregado nas munições das armas embarcadas em aviões.


Próximo ao fim da guerra, a experiência com calibres mai ores tinha de monstrado a eficiência de projéteis com a maior carga de explosivos possível. A fragmentação era bem menos efetiva que a explosão. Paralelamente, a de-manda por uma maior cadência de fogo, levou a aceitação da drástica taxa de desgaste dos canos e raias, ao mes-mo tempo que novas técnicas para prolongar sua vida útil foram implementadas.

De outro lado, durante a II Guerra Mundial, ataques contra veículos terrestres blindados a partir de aviões tornou-se uma prática cada vez mais utilizada, principalmente na Frente Oriental. O uso de armamento disparando à frente, contra um alvo terrestre, faz com que a velocidade do avi- ão some-se à do próprio projétil, aumentando seu poder

de penetração. Mas o grande passo foi dado quando munições encamisadas com tungstênio se tornaram dis-poníveis, sendo que a Luftwaffe passou a empregá-las em canhões de 30mm e 37mm. Embora algumas des-tas armas de grande calibre fossem completamente automáticas, sua cadência de fogo era mais lenta que as típicas metralhadoras e canhões automáticos.

Para identificar o tipo da munição, adotou-se a combinação de cores predefinidas. A tabela abaixo, mostra as cores e os códigos que podiam aparecer nos cartuchos.

Cor
Código
Tipo
Amarelo
(HE)
Explosiva e explosiva incendiária
Preto
(AP)
Perfurante
Azul
(I)
Incendiária
Cinza
--
Treinamento
Faixa vermelho claro
(T)
Traçante
Faixa vermelho escuro
--
Traçante noturna
Faixa verde
SD
Auto-explosiva
Faixa amarelo
(APHE)
Explosiva perfurante
Faixa azul
(API)
Incendiária perfurante
Após 01.05.1942: "M" = Mina "Ph" = Fósforo "E" = Eletron

(Obs. - a nomenclatura das munições, para os países que usam o sistema métrico, seguem o seguinte padrão: diâmetro do projétil em milímetros X comprimento da cápsula em milímetros).

 

a) Calibre 7,92 x 57 mm Mauser

Utilizada como munição padrão da infantaria alemã, o 7,92mm Mauser (também conhecido como 8mm Mau- ser ou Munition 88) foi empregado, na Luftwaffe nas MG15, MG17 e MG81. Esse calibre foi desenhado pelo lendário Peter Paul Mauser (1838-1915) em 1888 especialmente para utilizar a então moderníssima pólvora sem fumaça, sendo adotado naquele mesmo ano pelo Exército Imperial alemão para seu novo fuzil de infanta-ria Mauser M1888. Sua utilização estendeu-se até 1945, servindo à Alemanha em ambas as Guerras Mundiais e sendo disparada por um sem-número de armas.

O primeiro tipo de projétil disponível (chamado "J")era arredondado, pesando 14,65gr e tendo um diâmetro real de 8,07mm, alcançado um velocidade inicial de 640m/s. Em 1905, viria sua modificação mais importante, quando o projétil passou a ser pontiagudo (denominado "S", de Spitzer), com apenas 10 gramas de peso e com um diâmetro real de 8,2mm.

Disparado de um cano de 600mm, o 8mm Mauser com projétil "S" é capaz de atinger uma velocidade de 730 m/s, desenvolvendo uma energia cinética de 330kg, com um alcance eficaz de cerca de 4.000 metros. Os car-tuchos foram fabricas em uma profusão de variações, tais como traçantes, explosivas e incendiárias, identifica das pelos usuários através da cor do projétil e da espoleta.

 

b) Calibre 13 X 64mm

O calibre 13 X 64mm tem sua origem no "Patrone T", uma munição desenvolvida durante a I Guerra Mundial pa ra perfurar os primeiros blindados. O cartucho utilizado pela Luftwaffe era disparado pela MG131, desenvolvida pela Rheinmetall-Borsig, e sua ignição poderia ocorrer pelo sistema de percussão mecânica ou elétrica. Era o equivalente alemão do conhecido calibre .50 Browning americano, utilizado pela maioria dos caças da USAAF.

Para alimentar a MG131 os cartuchos eram fixados em uma cinta metálica desintegrável denominada Gurt 13, sendo que com o projétil alcançava uma velocidade inicial 750 m/s. A variedade de projéteis disponíveis para essa munição - que foi utilizada ao longo de toda a guerra - era muito variada, e a quantidade produzida foi gi-gantesca.

 

c) Calibre 15 X 95mm

A munição 15mm padrão em uso pela Luftwaffe foi desenvolvida para a MG151 aproximadamente em 1934. Os primeiros protótipos utilizavam a percussão mecânica, mas depois a espoleta por acionamento elétrico tornou-se o padrão para produção em massa.

Como era comum, a variedade de projéteis disponíveis para combate aéreo era muito grande. O comprimento completo do cartucho era de 146mm, com o estojo medindo na realidade 95,5mm.

 

d) Calibre 20 X 80mm

Quando a Luftwaffe adotou o canhão MG FF, iniciou, também, o emprego da munição 20 X 80mm, que utiliza-va um aro reduzido. Tanto a arma quanto o cartucho eram fabricados sob licença da empresa Oerlikon, estabe lecida na Suíça.

Posteriormente, no decorrer do conflito, a Luftwaffe decidiu modificar a arma e sua munição, a fim de aumentar seu potencial destrutivo, passando a denominá-la MG FFM. Esta possuía um mecanismo diferenciado (e não intercambiável com o antigo) para permitir a utilização do novo projétil, mais pesado, que totalizava 115 gr.

 

e) Calibre 20 X 81mm

Embora diferisse pouco da munição utilizada no canhão MG FFM, o cartucho 20 X 81mm foi empregado pelo canhão MG 151/20, fabricado pela Mauser e não eram intercambiáveis. Esta munição foi adaptada daquela de 15 X 95mm, e foi fabricada em uma quantidade e variedade surpreendente, abrangendo projéteis perfurantes, explosivos, incendiários, traçantes e encamisados em tungstênio, este último específico para ataques contra blindados. A ignição dava-se, na munição padrão, através de percussão elétrica.


 

f) Calibre 30 X 184mm

Projetado pela Rheinmetall para seu canhão MK103, a munição 30 X 184 possuía uma cadência de 420 dispa-ros por minuto, e foi utilizada em duas configurações básicas: (1) o perfurante, que visava ataques contra veí- culos blindados, que empregava um projétil traçante encamisado de tungstênio (com efeito incendiário adicio-nal), que atingia a velocidade de 960 m/s e era capaz de perfurar blindagens de até 100mm d espessura e (2) o explosivo, voltado para combate ar-ar, que atingia a velocidade de cerca de 900 m/s.

 

g) Calibre 30 X 91mm

Desenvolvida para o canhão MK108, o cartucho 30 X 91mm era muito mais curto que a outra munição deste calibre em uso pela Luftwaffe. Sua ignição se dava através de percussão elétrica e, destinada a combater os pesados quadrimotores aliados, apresentava duas versões básicas: a explosiva e a incendiária, ambas desen volvendo uma velocidade de cerca de 500 m/s.

 

h) Calibre 37mm BK

O cartucho utilizado pelo canhão BK 3,7 - o principal armamento dos Junkers Ju87 Stuka Kanonenvogel - era uma munição que, assim como a arma que o disparava, tinha sido desenvolvida para uso como bateria antiaé rea (chamada Flak 18).

Na versão antitanque, o cartucho de 37mm possuía um peso total de 1,46 kg, utilizando 222 gramas de pro-pelente, enquanto o projétil pesava 623 gramas (com a carga explosiva de 90 gramas). A munição de 37mm atingia a velocidade máxima de 860 m/s, com alcance máximo efetivo de 2.000 metros.




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