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Quando a Luftwaffe foi reestabelecida oficialmente em 1935, o armamento das aeronaves ainda seguia a ten dência da I Guerra Mundial, utilizando metralhadoras que empregavam a mesma munição dos fuzis de infanta-ria. Rapidamente, contudo, percebeu-se que este tipo de munição era muito limitado, mesmo quando utiliza-vam projéteis especialmente desenvolvidos para o combate aéreo.
Para identificar o tipo da munição, adotou-se a combinação de cores predefinidas. A tabela abaixo, mostra as cores e os códigos que podiam aparecer nos cartuchos.
(Obs. - a nomenclatura das munições, para os países que usam o sistema métrico, seguem o seguinte padrão: diâmetro do projétil em milímetros X comprimento da cápsula em milímetros).
a) Calibre 7,92 x 57 mm Mauser Utilizada como munição padrão da infantaria alemã, o 7,92mm Mauser (também conhecido como 8mm Mau- ser ou Munition 88) foi empregado, na Luftwaffe nas MG15, MG17 e MG81. Esse calibre foi desenhado pelo lendário Peter Paul Mauser (1838-1915) em 1888 especialmente para utilizar a então moderníssima pólvora sem fumaça, sendo adotado naquele mesmo ano pelo Exército Imperial alemão para seu novo fuzil de infanta-ria Mauser M1888. Sua utilização estendeu-se até 1945, servindo à Alemanha em ambas as Guerras Mundiais e sendo disparada por um sem-número de armas.
O primeiro tipo de projétil disponível (chamado "J")era arredondado, pesando 14,65gr e tendo um diâmetro real de 8,07mm, alcançado um velocidade inicial de 640m/s. Em 1905, viria sua modificação mais importante, quando o projétil passou a ser pontiagudo (denominado "S", de Spitzer), com apenas 10 gramas de peso e com um diâmetro real de 8,2mm.
Disparado de um cano de 600mm, o 8mm Mauser com projétil "S" é capaz de atinger uma velocidade de 730 m/s, desenvolvendo uma energia cinética de 330kg, com um alcance eficaz de cerca de 4.000 metros. Os car-tuchos foram fabricas em uma profusão de variações, tais como traçantes, explosivas e incendiárias, identifica das pelos usuários através da cor do projétil e da espoleta.
b) Calibre 13 X 64mm O calibre 13 X 64mm tem sua origem no "Patrone T", uma munição desenvolvida durante a I Guerra Mundial pa ra perfurar os primeiros blindados. O cartucho utilizado pela Luftwaffe era disparado pela MG131, desenvolvida pela Rheinmetall-Borsig, e sua ignição poderia ocorrer pelo sistema de percussão mecânica ou elétrica. Era o equivalente alemão do conhecido calibre .50 Browning americano, utilizado pela maioria dos caças da USAAF.
Para alimentar a MG131 os cartuchos eram fixados em uma cinta metálica desintegrável denominada Gurt 13, sendo que com o projétil alcançava uma velocidade inicial 750 m/s. A variedade de projéteis disponíveis para essa munição - que foi utilizada ao longo de toda a guerra - era muito variada, e a quantidade produzida foi gi-gantesca.
c) Calibre 15 X 95mm A munição 15mm padrão em uso pela Luftwaffe foi desenvolvida para a MG151 aproximadamente em 1934. Os primeiros protótipos utilizavam a percussão mecânica, mas depois a espoleta por acionamento elétrico tornou-se o padrão para produção em massa.
Como era comum, a variedade de projéteis disponíveis para combate aéreo era muito grande. O comprimento completo do cartucho era de 146mm, com o estojo medindo na realidade 95,5mm.
d) Calibre 20 X 80mm Quando a Luftwaffe adotou o canhão MG FF, iniciou, também, o emprego da munição 20 X 80mm, que utiliza-va um aro reduzido. Tanto a arma quanto o cartucho eram fabricados sob licença da empresa Oerlikon, estabe lecida na Suíça.
Posteriormente, no decorrer do conflito, a Luftwaffe decidiu modificar a arma e sua munição, a fim de aumentar seu potencial destrutivo, passando a denominá-la MG FFM. Esta possuía um mecanismo diferenciado (e não intercambiável com o antigo) para permitir a utilização do novo projétil, mais pesado, que totalizava 115 gr.
e) Calibre 20 X 81mm Embora diferisse pouco da munição utilizada no canhão MG FFM, o cartucho 20 X 81mm foi empregado pelo canhão MG 151/20, fabricado pela Mauser e não eram intercambiáveis. Esta munição foi adaptada daquela de 15 X 95mm, e foi fabricada em uma quantidade e variedade surpreendente, abrangendo projéteis perfurantes, explosivos, incendiários, traçantes e encamisados em tungstênio, este último específico para ataques contra blindados. A ignição dava-se, na munição padrão, através de percussão elétrica.
f) Calibre 30 X 184mm Projetado pela Rheinmetall para seu canhão MK103, a munição 30 X 184 possuía uma cadência de 420 dispa-ros por minuto, e foi utilizada em duas configurações básicas: (1) o perfurante, que visava ataques contra veí- culos blindados, que empregava um projétil traçante encamisado de tungstênio (com efeito incendiário adicio-nal), que atingia a velocidade de 960 m/s e era capaz de perfurar blindagens de até 100mm d espessura e (2) o explosivo, voltado para combate ar-ar, que atingia a velocidade de cerca de 900 m/s.
g) Calibre 30 X 91mm Desenvolvida para o canhão MK108, o cartucho 30 X 91mm era muito mais curto que a outra munição deste calibre em uso pela Luftwaffe. Sua ignição se dava através de percussão elétrica e, destinada a combater os pesados quadrimotores aliados, apresentava duas versões básicas: a explosiva e a incendiária, ambas desen volvendo uma velocidade de cerca de 500 m/s.
h) Calibre 37mm BK O cartucho utilizado pelo canhão BK 3,7 - o principal armamento dos Junkers Ju87 Stuka Kanonenvogel - era uma munição que, assim como a arma que o disparava, tinha sido desenvolvida para uso como bateria antiaé rea (chamada Flak 18).
Na versão antitanque, o cartucho de 37mm possuía um peso total de 1,46 kg, utilizando 222 gramas de pro-pelente, enquanto o projétil pesava 623 gramas (com a carga explosiva de 90 gramas). A munição de 37mm atingia a velocidade máxima de 860 m/s, com alcance máximo efetivo de 2.000 metros.
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