Walther PP e PPK

Sem sombra de dúvida, as pistolas Walther PP (Polizei Pistole) e PPK (Polizei Pistole Kriminal) eram as preferidas dentre os pilotos da Luftwaffe, sendo aquela mais freqüentemente vista nos coldres e tripulantes de aviões. Mas, mais do isso, quando a Walther PP foi lançada no mercado, em 1929, todas as pistolas semi-au tomáticas então existentes tornaram-se obsoletas praticamente da noite para o dia. Tal afirmação pode pare-cer um exagero aos nossos olhos hoje em dia, mas o fato é que, essa arma representa a aurora do moderno conceito de pistola semi-automática, incorporando todos os recursos que seria padrão nas décadas seguin-tes.

Fundada em 1886 por Carl Walther e situada na cidade de Zella-Mehlis (Turíngia), a Waffenfabrik Walther havia iniciado suas atividades como produtora de fuzis de caça mas, logo na primeira década do século XX, lançou-se na fabricação de pequenas pistolas portáteis nos calibres 6,35mm Browning e 7,65mm Browning, que atingiram um grande suces-so nos anos 10 e 20. O destaque desta época fica por conta do seu "Mo delo 4", que atingiu um total de 250.000 armas produzidas entre 1910 e 1918, sendo que várias foram compradas por oficiais para uso pessoal durante a I Guerra Mundial.

Outro modelo importante foi o chamado "Modelo 8" em calibre 6,35mm Browning, que foi a primeira arma produzida pela empresa após a I Guer ra Mundial e trazendo, pela primeira vez, o sistema de desmontagem que depois seria utilizada nos Modelos PP e PPK: o usuário simples-mente puxa o guarda-mato para baixo e o desloca para a esquerda; em seguida o conjunto ferrolho desloca-se para a frente, liberando a mola de recuperação - o cano é fixo ao chassis da arma. A montagem é simples mente o procedimento inverso.

No entanto, além da qualidade excepcional de suas armas, os projetos da Waffenfabrik Walther em nada se diferenciavam daqueles comercializados pelas dezenas de outros produtores de armas que existiam na Alemanha na década de 20. Mas uma grande mudança estava por vir.

 

Uma arma revolucionária e sua irmã menor

Em 1929, a Walther lança sua pistola modelo PP, lançando as bases do que entendemos ser uma arma portátil ideal e moderna. Projetada por uma equipe liderada por Fritz Walther (filho do fundador), seu nome advinha da abreviação do termo "Polizei Pistole" (pistola da polícia), deixando claro qual era o público-alvo que a empresa tinha primeiramente em vista. Isso se deve ao fato de que, na Europa, desde princípio do século XX, as polícias adotaram armas semi-automáticas de calibres intermediários (principalmente o 7,65mm Browning e o .380 ACP).

Tal era o enfoque da companhia na área de segurança, que apenas dois anos depois do surgimento do Modelo PP, em 1931, era lançada Walther PPK. Sua sigla significava "Polizei Pistole Kriminal" - Pistola da Polícia Criminal - , ou, segundo outros autores, "Polizei Pistole Kurz" (de Curto). Tratava-se de um clone em menores dimensões do modelo PP, e que deve-ria ser mais simples de se portar dissimuladamente.

A Walther PPK era 140 gramas mais leve, quase dois centíme tros mais curta e transportava um projétil a menos em seu car-regador. Contudo, os demais elementos técnicos e estéticos da PP estavam todos presentes em sua irmã menor. Desne-cessário dizer que seu sucesso foi igualmente estrondoso.

As pistolas da Walther eram armas de desenho elegante, utili-zando um gatilho de dupla ação, um sistema de segurança absolutamente confiável e eram extremamente portáteis. Na verdade, essas armas não introduziam nenhum novo conceito, mas incorporavam uma série de ótimas idéias já existentes em um único produto.


A dupla ação trata-se de um sistema onde a arma, para ser disparada, a partir de uma posição de descanso, basta ter o seu gatilho puxado. Isto é, para o primeiro tiro, a arma não mais precisava ser engatilhada (ou ter o "cão armado"). O longo percurso do gatilho necessário para o primeiro tiro tornava praticamente impossível um disparo acidental e, ao mesmo tempo, permitia ao usuário que sacasse e atirasse sem necessidade de qual-

quer movimento preliminar. Essa simples característica - presente na maioria absoluta das pistolas de hoje - permitia que a arma fos se portada com um projétil na câmara de disparo e pronta para uso, com a mais absoluta segurança.

A segurança era outro ponto forte dos Modelos PP e PPK, sendo muito enfatizada nos folhetos promocionais de época. Além do sis-tema de dupla ação, elas apresentavam um indicador de projétil na câmara, que se tratava de um pino que projetava-se três milímetros para fora da parte traseira do ferrolho, logo acima do martelo.

Por fim, existia ainda a trava de acionamento manual, situada na lateral esquerda do ferrolho. Esse atuava de duas formas: a) se a arma estivesse em posição de descanso, ele bloqueava o percursor (ou "agulha"), impedindo que o martelo o atingisse ou b) se estives-se engatilhada, ao se abaixar a trava, o martelo retornava à sua po-sição original, sem atingir o percursor. Esse mesmo sistema seria posteriormente adotado na Pistola Walther P-38, que sucedeu a Lu-ger como arma regulamentar do exército alemão na II Guerra Mun-dial.

Pilotos da Legião Condor na Guerra Civil espanhola. Note o coldre da Walther PP portada pelo oficial de costas para a câmara.

Quando lançadas, a PP e a PPK foram oferecidas em quatro calibres distintos: o .22 LR, o 6,35mm Browning (ou .25 Auto), o 7,65mm Browning (ou .32 Auto) e o 9mm Curto (ou .380 ACP), sendo que a grande maioria foi produzida para disparar os dois últimos tipos de munição. Os cartuchos eram armazenados em um carregador destacável situado na empunhadura da arma, e que era liberado através de um botão situado no lado esquerdo da armação, logo atrás do gatilho. Geralmente, as armas eram vendidas com dois carregadores, apenas um tendo o prolongamento de material plástico, para maior conforto na empunhadura.

A desmontagem era idêntica àquela introduzida no já des crito "Modelo 8": após verificar se a arma está descarre-gada, puxa-se o guarda-mato para baixo e, em seguida, para a esquerda, liberando o conjunto ferrolho - mola de recuperação, que se separa da armação onde está fixado o cano. Os cabos da empunhadura eram confeccionados em material plástico negro ou marrom, trazendo a logo-marca da Walther.

As armas eram produzidas em aço forjado e possuíam um acabamento extremamente bem feito, com ótima oxi-dação aplicada sobre o metal extremamente polido, ge-rando um aspecto visual muito atraente, com um tom azu lado. Esse alto grau de acabamento perduraria até 1941, quando as pressões da produção de guerra forçaram o

seu abandono por métodos mais baratos. O ferrolho trazia a inscrição, em duas linhas, "Waffenfabrik Walther, Zella-Mehlis (Thür.) / Walther´s Patent Cal. 7,65m/m", tendo, ao lado esquerdo a famosa "bandeira" da fábrica e, à direita, a especificação do modelo (PP ou PPK).

Importante destacar que a o número de série das pisto-las Walther eram seqüenciais, começando com o núme-ro 00001 do "Modelo 1" e prosseguindo a partir daí para os demais modelos. Quando a Walther PP entrou em produção, sua numeração começou a partir de 750.000, sendo timbrado primeiramente somente na armação (a-trás do gatilho) mas, a partir de meados dos anos 30, também no ferrolho. A numeração do modelo PPK era al-ternado com o de sua irmã mais velha. Em abril de 1938 a numeração das pistolas PP e PPK atingiu a casa de sete dígitos. Nesse momento a numeração de série pas-sou a ser estampada com seis números seguidos da le-tra "P" (para o modelo PP) ou "K" (para a PPK), come- çando em 100001P. Ele prosseguiu seqüencialmente nesse sistema até 1945.

Os banco de prova presentes nas pistolas PP e PPK fabricadas para o mercado civil ou polícias, eram marcadas com uma letra "N" coroada (prova de Nitro) até o advento do III Reich, quando a marca passou a ser a letra "N" sob uma águia estilizada. Os bancos de prova eram timbrados na armação, cano e ferrolho.

O sucesso comercial atingido pela arma foi muito grande, recebendo encomendas de organismos policiais de vários lugares da Europa e até mesmo atendendo a pedidos do governos da Pérsia (atual Irã) e da Turquia (que posteriormente a fabricaria sob licença, com o nome de Kirikale). Mas a Walther teria no governo alemão, a partir de 1935, o seu grande cliente.

 

A Serviço da Wehrmacht

Com a ascensão de Adolf Hitler ao cargo de Chanceler da Alemanha, em 1933, quase que imediatamente iniciou-se um programa (inicialmente secreto) de expansão das Forças Armadas alemãs, agora chamadas de Wehrmacht. Um de suas primeiras providências foi nomear seu partidário de longa data e ás da I Guerra Mundial, Hermann Göring, para o cargo de Ministro da Aeronáutica.

Oberleutnant Edwin Thiel (ás da JG51 com 76 vitórias) com o coldre de sua Walther PPK. Rússia, 1943.

Caberia a Göring - devidamente auxiliado por Erhard Milch, Ernst Udet (outro herói do Primeiro Conflito) e Walther Wever - reconstruir a Força Aérea germânica, agora chamada de Luftwaffe. Além de coordenar a cons trução de aeródromos, aviões, estações de radar e de meteorologia, tam-bém começou-se a compra de equipamentos para os pilotos, dentre es-tes, um pistola semi-automática que os tripulantes pudessem portar den-tro do espaço reduzido das cabinas.

Embora, por muito tempo, os oficiais não-comissionados ou soldados de baixa patente, tivessem que se contentar em portar a grande Luger P-08 e, mais tarde, a Walther P-38, os oficiais - que tinham liberdade para com prar suas armas de uso pessoal, se assim desejassem - quase sempre optavam por modelos menores. E, em meados dos anos 30, não havia es-colha melhor do que as pistolas Walther PP e PPK.

Deste modo, a escolha das pistolas Walther como armas de dotação ofi-cial das tripulações da Luftwaffe foi um movimento natural. As armas ad-quiridas oficialmente pelas Forças Armadas alemãs (o Exército foi outro

grande comprador) traziam estampadas os famosos Waffenamts no ferrolho, chassis e cano, e se constituíam em águias estilizadas sobre o número do inspetor militar da fábrica Walther (geralmente o número "359").

Mas armas adquiridas diretamente da fábrica pelos pró- prios usuários não trazem essa marca mas apenas aque las de origem comercial, já descrita anteriormente. Como a posse de armas por civis era extremamente restrita no III Reich (é curioso observar como todo regime de aspira- ção autoritária sempre procura desarmar a população ci-vil...), a maioria da produção comercial dos modelos PP e PPK foi absorvida pelos militares.

Somente no final dos anos trinta é que surgiriam concor-rentes à altura das pistolas da Walther, notadamente a Mauser HSc e a Sauer 38-H. Mas, o advento dessas ar-mas coincidiu com o início da II Guerra Mundial, quando o mercado consumidor civil já não tinha tanta importância

diante da incrível demanda da Wehrmacht. Mesmo assim, pouco antes do conflito, a Walther ousou mais uma vez, ao lançar uma variação da PP e PPK com armação de duralumínio - algo inédito até então - chamado co-mercialmente de Dural (reconhecida pelo sua coloração púrpura). Contudo, o mercado ainda não estava pronto para tal inovação e, posteriormente, a necessidade de se economizar ligas leves para a manufatura de aviões, levou à descontinuação desse modelo, hoje muito raros.

A princípio, o início da guerra não afetou a qualidade do acabamento das PP e PPK, sendo que, até meados de 1941 as armas ainda apresentam alto grau de polimento e oxidação de tom azulado. Mesmo assim, toda e qual-quer Walther PP ou PPK que tenha esse acabamento e apresente marca de dotação militar oficial (Waffenamts) deve ser considerada rara. Isto porque, em novembro de 1941, a partir do número de série 215.300P (ou K), o poli-mento foi abandonado, sendo que armas adquiriram um tom azul escuro acinzentado fosco, sem o brilho previa-mente existente. Ao longo da guerra, os cuidados estéti-cos (mas não mecânicos) foram sendo deixados de lado, e os últimos exemplares, tendem a apresentar marcas de fresa e uma oxidação bem leve, cuja cor tem um tom cinza claro ou púrpura.

Outra característica típica das pistolas PP e PPK produzidas durante a guerra é que, ao contrário do que aconteceu com as P-38 e Lugers, elas continuaram a ostentar as marcas do fabricante ao invés de um código secreto. Embora isso tenha finalmente mudado em 1944, o mais comum é que essas armas tragam os dados do fabricante no lado esquerdo do ferrolho. Quando presente, o código secreto "ac" (exclusivo da Walther) era timbrado abaixo do número de série, no lado direito do ferrolho.

 

Variações incomuns

Antes da guerra, as compras efetuadas pela Wehrmacht para suas tropas ficou concentrada no Modelo PP, sendo que, somente a partir de 1940 (com o conflito já em curso), é que lotes do modelo PPK também passa-

ram a ser adquiridos oficialmente pelas forças armadas germânicas, ostentando os Waffenamts. Mesmo assim, as Walther PPK com marcas de aceitação militar são mais incomuns que as PP.

Contudo, além do mercado civil, o modelo PPK foi adota-do como "Arma de Honra" - arma de uso em desfiles e para defesa pessoal - por um grupo muito mais infame: o próprio Partido Nacional-Socialista de Trabalhadores Ale-mães (NSDAP - ou Partido Nazista) de Adolf Hitler. Es-sas armas eram destinadas aos Líderes Políticos, como Ministros, Governadores de Distritos Políticos (Gaulei-ters) e demais burocratas da gigantesca máquina parti-dária da Alemanha Nazista. Estima-se que cerca de 30.000 PPK´s foram adquiridas para esse fim.


Oficiais americanos examinam uma Walther PP lavrada capturada após a ocupação da fábrica, abril de 1945.

Normalmente, as Walthers PPK adquiridas para uso por membros do Partido Nazista, tinham duas características que se apresentavam jun tas ou separadas. A primeira era o timbre "RZM", dentro de um círculo estampado no lado esquerdo do ferrolho, junto da marca do fabricante. Esta era a sigla para "Reichszeugmeisterei" (Controle Nacional de Ma-teriais), órgão do NSDAP criado em 01.04.1929 para supervisionar a manufatura, qualidade e preço dos itens que compunham o uniforme e indumentária dos membros do Partido Nazista.

Na prática, as funções básica do RZM eram verificar se os contratos do NSDAP fossem para firmas arianas e assegurar que os produtos fornecidos estivessem dentro dos mais altos padrões de qualidade e com preço acessível para seus membros.

A segunda característica que também poderia estar presente nas ar-mas destinadas ao Partido Nazista eram os cabos de plástico marrom -avermelhado e que poderiam trazer a águia nazista, assim como o col dre, também na mesma cor da empunhadura. Aliás, foi usando uma pistola Walther PPK que Hitler deu um fim à sua vida, no Bunker sob a

Chancelaria na Berlim sitiada pelos russos, em 30.04.1945. O paradeiro dessa arma é desconhecido e, como Hitler não gostava de objetos personalizados ou mesmo com gravações ou incrustações, seria impossível iden tificar sua arma.

A produção de pistolas Walther PP e PPK prosseguiu até a fábrica ser ocupada por forças americanas, em 09 de abril de 1945. À essa altura, a numeração estava na casa do nº 397.728P. Entre 1935 e o fim da guerra, a Wehrmacht havia adquirido mais de 200.000 PP´s e 150.000 PPK´s mas, se computada a produção desde sua introdução em 1929, o total de armas manufaturadas até 1945 supera a marca de 500.000 exemplares.

 

Sucesso Cinematográfico

Após a derrota da Alemanha, a fábrica da Walther situada em Zella-Mehlis ficou na zona de ocupação soviética e seu maquinário foi desmontado e enviado para URSS, onde desapareceu. No entanto, em junho de 1945, Fritz Walther deixou a Alemanha levando consigo todos os projetos de suas armas, cujos direitos sobre as patentes ele conseguiu de algum modo manter.

Em 1950, proibido de fabricar armas em seus país, Fritz conseguiu firmar um acordo com a empresa francesa "Manufacture de Machines de Haut-Rhin" - conhecida co-mo MANURHIN - para a produção licenciada do modelo PP. A produção começou em 1952 e o sucesso foi tama-nho que, vinte anos depois, já haviam produzido nada me nos que 700.000 pistolas. A produção continuou até o fim dos anos 80.

Os royalties pagos pela MANURHIN ajudaram o financia-mento de uma nova fábrica para a Walther, que reiniciou suas atividades ainda em 1950, agora sediada na cidade de Ulm, então Alemanha Ocidental. Eles voltariam ao ra mo de armas após a reconstrução do exército alemão em 1956, que adotou a Walther P-38 (rebatizada de P-1)

como sua arma regulamentar. Nos anos 70 eles obtive-ram mais um grande sucesso ao criar a PPKS, que se tratava de uma arma com o cano e ferrolho da PPK e com o chassis da PP.

Além disso, nos anos 60 a Walther PPK teve sua fama internacional reforçada ao ser escolhida pelo escritor Ian Fleming para ser a arma de defesa pessoal de seu espião James Bond. A PPK seria a co-estrela do agen-te 007 até meados dos anos 90, quando foi substituída pela mais moderna (e potente) Walther P99. Após o fim da produção pela MANURHIN, a fabricação concentrou-se na Alemanha em uma fábrica situada nos EUA e as armas produzidas atualmente continuam a apresentar um soberbo padrão de acabamento.

Projetadas há mais de 70 anos atrás, as pistolas Walther PP e PPK ainda são fabricadas nos nossos dias e estão entre as mais interessantes e influentes armas da história. Concebidas para o uso policial - função que cumpriram com louvor por mais de 50 anos - essas armas influenciaram o desenho de praticamente todas as outras modernas pistolas semi-automáticas desde então.

 

Dados técnicos
(para modelo PP calibre 7,65 mm do III Reich)
Fabricantes: Carl Walther Waffenfabrik
Comprimento total: 170 mm
Comprimento do cano: 98 mm
Calibre: 7,65 mm Browning
Peso (descarregada): 700 gramas
Capacidade: 8 cartuchos
Cabos: Plástico
Miras: fixas

Dados técnicos
(para modelo PPK calibre 7,65 mm do III Reich)
Fabricantes: Carl Walther Waffenfabrik
Comprimento total: 148 mm
Comprimento do cano: 80 mm
Calibre: 7,65 mm Browning
Peso (descarregada): 587 gramas
Capacidade: 7 cartuchos
Cabos: Plástico
Miras: fixas




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