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A despeito deste site ser dedicado ao estudo da Força Aérea alemã entre 1939 e 1945, a compreensão adequada das razões que levaram ao surgimento das correntes totalitárias de direita (nazi-fascismo) e de esquerda (comunismo) e da própria II Guerra Mundial, torna imprescindível que se faça uma breve exposição do acontecimento histórico que, nas palavras do historiador Eric Hobsbawn, inaugurou o século XX: a Primeira Guerra Mundial. Na verdade, o primeiro conflito mundial tem uma importância tão grande quanto o segundo, embora, muitas vezes não tenha sido objeto de tantos estudos. No entanto, a despeito de ter terminado há mais de oitenta anos, aquele foi um conflito que contribuiu decisivamente para destruir uma ordem mundial política, econômica e cultural que prevalecia desde 1789. Inovações tecnológicas - o tanque de guerra, o avião, as armas químicas, a metralhadora e o submarino - fizeram com que a visão romântica e heróica da guerra acabasse de modo brutal. Também destruiu impérios seculares e gerou na Europa uma instabilidade política que permitira o surgimento de doutrinas radicais de esquerda e de direita, que seriam as principais forças vertentes do conflito seguinte. Mas, ao contrário da II Guerra, o conflito de 1914-1918 não possuí um "vilão" determinado e claro como foi o III Reich. Todas as nações estavam empenhadas em uma corrida armamentista e em uma disputa por colônias - alimentadas por um nacionalismo exacerbado - que, com certeza, levaria à guerra. Sem ter medo soar fatalista, o fato é que a guerra era inevitável. Mas ninguém tinha sequer uma vaga idéia de suas dimensões e de suas conseqüências.
PrecedentesA Primeira Guerra Mundial decorreu, antes de tudo, das tensões advindas das disputas por áreas coloniais. Além disso, dos vários fatores que desencadearam o conflito destacaram-se o revanchismo francês, a questão da Alsácia-Lorena, a "Questão Balcânica" e a corrida armamentista anglo-germânica.
b) Disputa colonial: a concorrência econômica entre as nações industrializadas teve como importante conseqüência a disputa por colônias na África e na Ásia (ver tabela). O domínio de colônias era a solução do capitalismo monopolista para os problemas de excedentes de produção e de controle das fontes fornecedoras de matérias-primas.
b) O Pan-germanismo: Liderado pela Alemanha, pregava a união de todos os povos de cultura germânica da Europa Central, sob sua liderança. c) Revanchismo francês: com a derrota da França na guerra contra a Alemanha, em 1870, os franceses foram obrigados a ceder aos alemães os territórios da Alsácia e da Lorena, regiões ricas em minérios de ferro e em carvão. A partir dessa guerra, desenvolveu-se na França um movimento de cunho nacionalista-revanchis ta, que visava desforrar a derrota sofrida contra a Alemanha e recuperar os territórios perdidos. Um de seus maiores instigadores foi o jornalista - e depois Primeiro-Ministro - Georges Clemenceau (1841-1929).
Nesse contexto de disputas entre as potências européias, podemos destacar duas grandes crises, que provocariam a guerra mundial:
A crise balcânica: No continente europeu, um dos principais focos de atrito entre as potências era a Península Balcânica , onde o enfraquecimento do Império Otomano cedeu lugar ao nacionalismo da Sérvia e ao expansionismo da Áustria-Hungria. Em 1908, a Áustria anexou a região da Bósnia-Herzegovina, ferindo os interesses da Sérvia, que pretendia incorporar aquelas regiões habitadas por eslavos e criar a Grande Sérvia. Por último, duas guerras na região em 1912 e 1913 acirraram mais ainda os ânimos naquela área. Os movimentos nacionalistas da Sérvia passaram a reagir violentamente contra a anexação austríaca da Bósnia-Herzegovina. Foi um incidente ligado ao movimento nacionalista sérvio que serviu de estopim para o inicio da guerra.
Política de Alianças e o Estopim da GuerraAs ambições imperialistas associadas ao nacionalismo exaltado fomentavam todo um clima internacional de tensões e agressividade. Sabia-se que a guerra entre as grandes potências poderia explodir a qualquer momento. Diante desse risco quase certo, as principais potências trataram de estimular a produção de armas e de fortalecer seus exércitos. Foi o período da Paz Armada. Característica desse período foi a elaboração de diversos tratados de aliança entre países, cada qual procurava adquirir mais força para enfrentar o país rival. Ao final de muitas e complexas negociações bilaterais entre governos, podemos distinguir na Europa, por volta de 1907, dois grandes blocos distintos:
28.07.1914: O Império Austro-Húngaro declara guerra à Sérvia;
A Guerra de MovimentoEssa fase foi marcada pela imensa movimentação dos exércitos beligerantes. Na madrugada do dia 4 de agosto de 1914, cinco poderosos e bem equipados exércitos alemães, totalizando um milhão e meio de soldados, penetraram através do território belga, considerado até então neutro. A poderosa ala direita do exército alemão tinha a função de realizar uma ampla manobra de envolvimento, levando de roldão os exércitos franceses estacionados na fronteira franco-belga. Sua distribuição era a seguinte:
Um grande erro de comunicações entre as tropas do I Exército, sob comando de Alexander von Kluck (1846-1934) e do II Exército, liderado por Dietrich von Bülow, permitiu que os franceses detivessem o ataque sobre sua capital. O General Joseph Galliéni (1849-1916), percebeu a falha dos alemães e solicitou reforços de emergência para o General Joseph Joffre (1852-1931). Deslocados rapidamente pelas vias férreas, as tropas francesas contra-atacaram na região do Rio Marne, entre os dia 6 e 9 de setembro. A chamada "Batalha do Marne" teve duplo significado: não só salvou a França de uma derrota, como alterou as regras da guerra. Todos os Altos Comandos deram-se conta da impossibilidade de se manter a guerra de movimento devido às extraordinárias baixas. Com o fracasso da ofensiva alemã, Moltke cedeu seu lugar ao General Erich von Falkenhayn (1861-1922).
Da guerra de movimento à guerra de trincheirasBem poucos generais e políticos haviam se dado conta do mortífero desenvolvimento das armas modernas. Em 1898, um banqueiro de Varsóvia, Ivan Bloch - já havia alertado para os terríveis efeitos que as armas de fogo cada vez mais poderosas fariam sobre a infantaria, obrigando esta a refugiar-se em trincheiras ou então estaria sujeita a terríveis massacres. Seu livro "The Future Of War In Its Technical Economic And Political Reation" contemplava a guerra do futuro como enormes sítios em que a fome atuaria como juiz decisivo.
Após a batalha do Marne, o recuo alemão para regiões mais afastadas de Paris combinou com o surgimento das trincheiras - "os soldados se enterraram para poder sobreviver". No inverno de 1914-1915, 760 quilômetros delas haviam sido escavadas, partindo do Canal da Mancha até a fronteira suíça. Em alguns pontos, distanciavam-se apenas de 200 a 300 metros uma da outra, e em outros chegavam a quatorze quilômetros. Durante os quatro anos seguintes, milhões de homens iriam viver como feras atormentadas pela fome, frio e pelo terror dos bombardeios. Em todas as batalhas que se sucederam, as linhas não se alteraram mais do que 18 quilômetros. Nunca, em toda a história militar da humanidade tantos pereceram por tão pouco.
As condições nas trincheiras eram igualmente imprestáveis: "Os efeitos produzidos (do bombardeio) são bastante lamentáveis. O recruta recém-chegado recomeça a inquietar-se, sucedendo o mesmo com os outros dois. Um deles escapa, desaparecendo a correr. Os dois outros nos dão trabalho. Precipito-me atrás do fugitivo sem sabem se lhe devo dar um tiro nas pernas. Ouço neste momento um assobio; deito-me no chão e quando me levanto vejo a parede da trincheira coberta de estilhaços de obus, ensangüentada por pedaços de carne e de restos de uniforme. Volto para o nosso abrigo." - Erich Maria Remarque (1898-1970), escritor alemão veterano do conflito em sua obra-prima "Sem Novidades no Front".
No primeiro semestre de 1916 (21 de fevereiro/21 de julho) foi a vez dos alemães tentarem romper com as fortificações francesas em torno de Verdun. Comandados por Falkenhayn, lançaram-se com uma cobertura menor de artilharia que a usualmente utilizada. Os franceses conseguiram deter o poderoso ataque. Em pouco mais de cinco meses, os alemães tiveram baixas de 336 mil soldados enquanto seus inimigos, 362 mil. Foi a mais sangrenta batalha da Primeira Guerra Mundial, tornando célebre a determinação da infantaria gaulesa - "NE PASSERON PAS"; eles não passarão! Os aliados, depois do fracasso alemão em Verdun, tentam por sua vez afastá-los de suas posições na região do Somme. De 24 de junho a 26 de novembro de 1916, os anglo-franceses tentam romper as linhas alemãs e um novo fracasso se repete, com perdas assombrosas. Foi a maior batalha da História em número de perdas (mesmo quando comparada aos combates da II Guerra).
Fonte: Alistair Horne; Verdun e Somme, In "História do Século 20"
O Bloqueio Naval e a Guerra no MarDada a impossibilidade de dobrar o inimigo por batalhas terrestres, os ingleses trataram de bloquear as ligações marítimas dos alemães. Esses, decretam então a guerra submarina. Em maio de 1915, afundam o transatlântico "Lusitânia" onde perecem 120 cidadãos americanos, fazendo com que a opinião pública nos Estados Unidos se volte contra a Alemanha. No ano de 1916, intensificam a guerra comercial ordenando o afundamento sumário inclusive de navios neutros que se aproximem do litoral britânico. Essa medida terminará por levar o Presidente W. Wilson a declarar guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, e à Áustria-Hungria em 7 de dezembro do mesmo ano. Mesmo assim, a campanha submarina germânica foi extremamente bem sucedida, quase levando à Inglaterra ao colapso. Somente com a introdução dos sistema de comboios, em 1917 é que conseguiu-se retomar o abastecimento regular das ilhas britânicas. Ainda assim, as perdas aliadas foram gigantescas:
Como comparação, as potências dos Impérios Centrais (Alemanha, Turquia e Áustria-Hungria), perderam apenas um total de 263.976 toneladas ao longo de todo o conflito.
Enquanto isso, na Europa, novas armas entraram em uso na tentativa de romper a estagnação que havia tomado conta do front ocidental. Dentre estas, destacamos o uso dos aviões e das armas químicas.
A Guerra AéreaQuando o Arquiduque Francisco Ferdinando foi assassinado em 28.06.1914, faziam menos de dez anos desde o vôo pioneiro do brasileiro Alberto Santos-Dumont e seu "14-bis"em Paris. Nesse pequeno intervalo, os avanços obtidos com a autonomia e a confiabilidade provou que o avião era um viável, embora ainda exótico, meio de transporte. Em 1909, o francês Louis Bleriot completou a primeira travessia do Canal da Mancha e, em 1913, Roland Garros realizou o primeiro vôo de travessia do Mediterrâneo entre o sul da França e a Tunísia.
Quando a I Guerra Mundial eclodiu, em agosto de 1914, o número de aeronaves em todos os frontes era muito pequeno. A França, por exemplo, tinha menos de 140 aeronaves. Ao fim do conflito, os franceses dispunham de 4.500 aviões, mais do que qualquer outro protagonista. Embora este seja um indicativo interessante, não serve para demonstrar a quantidade de aeronaves empregadas na guerra: em quatro anos os franceses haviam fabricado nada menos que 68.000 aviões! Destes, 52.000 foram perdidos em combate - uma taxa de perda de 77%! O mesmo período entre 1914 e 1918 não viu apenas o aumento da produção, mas também um grande desenvolvimento tecnológico no campo da aviação. Um típico avião britânico do início da guerra, o multi-uso BE2c, tinha uma velocidade de 116 km/h, impulsionado por um motor de 90 H.P., e tinha uma autonomia de vôo de três horas. Já no final da guerra, existiam aviões desenhados para tarefas específicas: desenhado para ter rapidez e manobrabilidade, o caça SE5a de 1917 possuía um motor de 200 H.P. e velocidade máxima de 222 km/h.
Além disso, a Primeira Guerra Mundial viu o apogeu e o fim de outro veículo aéreo como arma de guerra: o ba-lão dirigível rígido. Usado principalmente pela Marinha Alemã, esses gigantescos "barcos voadores" (Luftschiff) produzidos pelo Conde Ferdinand von Zeppelin, espalharam o terror sobre a Inglaterra entre 1915 e 1917 ao e-fetuar os primeiros ataques de bombardeios sobre Londres e outras cidades. A altitude em que voavam era tal que nenhum caça aliado tinha teto de serviço com capacidade de atingi-los, o que lhes assegurou a invulnerabilidade por um bom tempo. Seu fim somente veio com o desenvolvimento de projéteis de metralhadora revestidos de fósforo incendiário, que se revelou fatal para os invólucros do Zeppelin, que continham gás hidrogênio - altamente inflamável.
Com a crescente importância e influência dos aviões, as necessidades do domínio do espaço aéreo surgiu e, com ele, a aviação de caça. Sua função era a de estabelecer a superioridade sobre os aviões adversários, abatendo-os ou inutilizando-os. Surgiram, aqui, as primeiras e heróicas figuras lendárias da I Guerra Mundial: os ingleses Edward Mannock (73 vitórias), William Bishop (72), James McCudden (57) e Albert Ball (44); os franceses René Fonck (75), Georges Guynemer (54) e Charles Nungesser (44), os americanos Eddie Rickenbacker (26) e Frank Luke (21); o italiano Francesco Baracca (34) e os alemães Ernst Udet (62), Erich Löwenhardt (54), Werner Voss (48), Josef Jacobs (48) e Oswald Bölcke (40 vitórias e responsável pelo desenvolvimento das técnicas de caça ainda ensinadas hoje em dia). Isso para ficar apenas em alguns nomes mais conhecidos. Mas foi neste conflito em que o avião se firmou como artefato bélico, que a aviação militar viu surgir sua maior lenda: Manfred Freiherr von Richthofen, o Barão Vermelho. Com oitenta vitórias, foi o maior ás da Primeira Guerra Mundial, e simboliza, ainda hoje, o ideal do piloto de caça. Com seu triplano Fokker vermelho, ele habita o nosso subconsciente como nenhum outro antes ou depois dele...
Guerra QuímicaCom o advento da poderosa indústria química no século XIX, foi inevitável que a Guerra de 1914-1918 usasse o gás venenoso como uma arma de combate. Depois de duas experiências de poucos resultados, feitas no fronte ocidental ainda em 1915, o exército alemão, seguido dos franceses e ingleses, fizeram largo uso do gás de cloro e de mostarda a partir de 1916. Assim, os soldados conheceram mais um abominável instrumento de morte. O pavor dos atingidos foi total. Desde então, nada provocou no homem moderno tamanha fobia do que vir a morrer inalando gás venenoso. a) O gás no fronte de batalha
O pânico fez com que os soldados, deixando as armas e as mochilas, corressem como loucos para as linhas da retaguarda em busca da salvação. Tiveram que improvisar algumas máscaras na hora mas sem grandes resultados. Nas trincheiras e nos campos, jogados ao léu, encolhidos, espumando, ficaram os que não conseguiram escapar. Psicologicamente foi um sucesso. O inimigo desertara em massa. A notícia logo espalhou-se de boca em boca pelos corredores das trincheiras e dos valos onde milhares de homens se encontravam - um diabo em forma de nuvem fétida estava solto nos campos da Europa. b) Banalização do uso do gás
Foi a partir do ano de 1916, especialmente durante a longa batalha de Verdun, travada entre alemães e france-ses, que o gás entrou em cena de vez. E, desta vez, foi a estréia de um novo gás, muito mais tenebroso em seus efeitos do que o cloro - o chamado "gás mostarda" (dicloroetilsulfeto). De cor amarelada forte, ele mos-trou-se capaz de devastar as linhas adversárias mesmo em meio às tropas equipadas com máscaras antigás. Em contato direto com qualquer parte da pele da vítima, de imediato, ele levantava bolhas amareladas, atacan do em seguida os olhos e as vias respiratórias. Além disso, tinha a capacidade de permanecer fazendo efeito durante um tempo bem superior do que os outros, como o gás lacrimogêneo (lachrymator), e o de cloro, seja ele fosgênico ou difosgênico. Deste então, a paisagem da guerra das trincheiras foi toldada pela presença sistemática dos vapores do gás de mostarda que, utilizado por ambos os lados, passou a ser o manto sombrio e enfumaçado que cobria os soldados em seus últimos momentos de vida. Tamanha foi sua presença nas batalhas que no ano final da guerra, em 1918, ¼ dos obuses lançados pela artilharia eram de gás venenoso. O gás cloro (Cl2) foi a primeira delas. Desde então, muitas outras substâncias já o substituíram e suplanta-ram. Podemos classificar as armas químicas de acordo com o modo como atuam. Nesse critério, os princi-pais tipos são os seguintes:
Agentes causadores de feridas: provocam irritações nos olhos e na pele. Dependendo da quantidade, causam feridas, náuseas e vômitos. A irritação dos pulmões pode matar por asfixia. Exemplos: gás mostarda; mostarda de nitrogênio; Lewisita. Agentes lacrimogêneos: provocam uma forte irritação nos olhos. Exemplos: H3CCOCH2Cl (cloro-acetona) H3CCOCH2Br (bromo-acetona) H2CCH-COH (acroleína). Agentes nervosos: das armas químicas são as mais perigosas. Normalmente não têm cor nem cheiro. Atuam sobre o sistema nervoso, bloqueando a transmissão dos impulsos nervosos de uma célula (neurônio) para outra. Matam em minutos por parada cardíaca ou respiratória. Exemplos: gás tabun, gás sarin e agente VX.
A Guerra na Frente OrientalEm agosto de 1914, aproveitando-se da intenção dos alemães em atacarem o Ocidente, os russos, antes que a mobilização total estivesse completada, iniciaram uma poderosa ofensiva sobre a Prússia Oriental. Depois de obterem uma vitória em Gubinnen penetraram na direção dos Lagos Mansurianos e da cidade de Tannemberg. A rapidez da ofensiva, obrigou os alemães a retiraram tropas do fronte francês e rapidamente recambiá-las para a Prússia.
No ano seguinte, em 1915, os exércitos austro-alemães ocupam a Polônia Ocidental e Varsóvia cai em 5 de agosto. As sucessivas e desastrosas derrotas do Exército russo terminam por levar o Czar Nicolau II a assu- mir o comando geral do Exército. Mas a crise era muito mais ampla do que a simples troca de comandos ine-ficientes ou incompetentes, era toda a estrutura político-administrativa e industrial do país que começou a ruir.
O Governo Provisório, liderado por Kerenski ainda tenta infrutíferas investidas contra os alemães, até ser finalmente deposto pelo golpe de estado bolchevique. A Rússia retira-se da guerra pelo Tratado de Brest-Litovsk, onde Lênin faz enormes concessões territoriais (3 de março de 1918). Os alemães no entanto, não podem mais tirar proveito de suas tropas que combateram no Oriente. Mesmo com sua transferência maciça para o fronte Ocidental, teriam agora que se defrontar com as recém-chegadas tropas americanas cujas reservas humanas eram infindáveis.
Outras CampanhasItália e Balcãs: inicialmente comprometida em lutar com o aliado das Potências Centrais, a Itália adota uma posição neutra. Sabe-se no entanto, que havia assinado um acordo secreto com a Inglaterra para poder preservar seu império colonial. Em maio de 1915, os italianos resolvem declarar guerra a seus antigos aliados, os austríacos. Os exércitos italianos realizam sua ofensiva no fronte Nordeste, onde combatem os austríacos na região do rio Isonzo. De junho de 1915 a setembro de 1916 travam onze batalhas e avançam apenas 11 quilômetros com perdas terríveis.
Turquia e Oriente Médio: os aliados ocidentais preparam um desembarque de tropas na península de Galípoli, em 25 de abril de 1915. Seu objetivo era a ocupação dos estreitos turcos (Bósforo e Dardanelos) assim como enfraquecer o flanco das Potências Centrais num ataque indireto. Os turcos depois de uma obstinada resistência fazem com que as forças anglo-francesas sejam obrigadas a retirar-se (9 de janeiro de 1916). No Oriente Médio, dominado parcialmente pelos otomanos, a situação se deteriora. Os ingleses estimulam levantes árabes. Destaca-se nesse papel o oficial Thomas Edward Lawrence (1888-1935), o "Lawrence da Arábia". As guerrilhas árabes terminam por enfraquecer as posições turcas na região da Palestina e Cisjordância, facilitando a ofensiva britânica do General Edmund Allenby (1861-1936), que ocupa Jerusalém e Damasco. Na Mesopotamia, depois do desastre inglês de Kutel-Amara, retomam a ofensiva e Bagda é ocupada em março de 1917. No após guerra, a região é partilhada entre Franceses (Líbano e Síria) e Ingleses (Palestina, Jordânia e Iraque).
O Fim da GuerraDesde o início da guerra, os Estados Unidos mantinham uma posição de "neutralidade" em face do conflito. Ou não intervinham diretamente com suas tropas na guerra. Mas, em janeiro de 1917, os alemães declararam uma guerra submarina total, avisando que torpedeariam todos os navios mercantes que transportassem mercadorias para seus inimigos na Europa.
Em julho de 1918, ingleses, franceses e americanos desferem sucessivos golpes sobre as divisões alemãs as obrigando a recuar até a fronteira belga. O Alto-Comando alemão - Hindenburg e Ludendorff - aconselham o governo a solicitar um armistício. Sucessivamente, a Bulgária, a Turquia e o Império Austro-Húngaro depuseram armas e abandonaram a luta. A Alemanha ficou sozinha e sem condições de resistir ao bloqueio, liderado pelos Estados Unidos, que privaram o exército alemão, não de armamentos, mas de lubrificantes, borracha, gasolina e sobretudo víveres.
A Alemanha havia assinado uma convenção de paz em condições bastante desvantajosas, mas o exército alemão não se sentia militarmente derrotado. Terminada a guerra, os exércitos alemães ainda ocupavam os territórios inimigos, sem que nenhum inimigo tivesse penetrado na Alemanha. Surgia a teoria da "punhalada nas costas", que seria muito bem explorada por Adolf Hitler.
O Tratado de Versalhes e o fracasso da Liga das NaçõesNo período de janeiro a junho de 1919, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, uma série de conferências com a participação de 27 estados nações vencedoras da Primeira Guerra Mundial. Lideradas pelos representantes dos Estados Unidos, da Inglaterra e da França, essas nações estabeleceram um conjunto de decisões, que impunham duras condições à Alemanha.
Os alemães finalmente se viram obrigados a assinar o Tratado de Versalhes, no dia 28 de junho de 1919 - exatamente cinco anos depois da morte do Arquiduque Francisco Ferdinando. Se recusassem a assinar o documento, o território alemão poderia ser invadido. Contendo 440 artigos, o Tratado de Versalhes era uma verdadeira sentença penal de condenação à Alemanha. Estipulava, entre outras coisas, que a Alemanha deveria: a) Entregar a região da Alsácia-Lorena à França;
Posteriormente, em 1923, os próprios Freikorps tiveram que ser finalmente dispersados pelo Governo Federal alemão, após terem efetuado algumas tentativas de derrubar o governo social-democrata de Berlim. Muitos veteranos dos Freikorps ingressariam, então, no Partido Nazista de Hitler e formariam a primeira geração da infame SS. Além do Tratado de Versalhes, foram assinados outros tratados entre os países participantes da I Guerra Mundial. Através desses tratados, desmembrou-se o Império Austro-Húngaro, possibilitando o surgimento de novos países, como a Polônia, Checoslováquia e Iugoslávia.
Deste modo, o tratado de Versalhes, ao impor punições humilhantes aos alemães, semeou o revanchismo que desencadearia, depois, a Segunda Guerra Mundial. A Primeira Guerra, provocou uma alteração profunda na ordem mundial: os EUA surgiram como principal potência econômica mundial, houve o surgimento de novas nações, devido ao desmembramento dos Impérios Austro-Húngaro e Turco e surgiu um regime de inspiração marxista na Rússia. |
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