Frente Oriental
(A Tempestade no Leste)

As preparações para a Operação Barbarossa, isto é, a invasão da União Soviética (ver mapa), tiveram iní- cio em setembro de 1940, enquanto a Luftwaffe ainda lutava na Batalha da Inglaterra. De acordo com a Diretiva nº 21 de Hitler, datada de 18.12.1940, o seu papel na invasão eram muito familiares: “Será dever da Força Aé- rea paralisar e eliminar o poder da Força Aérea Russa na maior extensão possível (...) também deverá apoiar as operações principais do Exército”.

Assim como tinha ocorrido na Polônia, Escandinávia e França, os pilotos de Göring deveriam conduzir ata-ques preventivos contra a armada inimiga, buscando a superioridade aérea que lhes permitiria utilizar seus bombardeiros e caças para atingir as linhas de comunicação e de suprimento, sem qualquer interferência.

Um Bf 109 do II/JG54 é reabastecido no início da Operação Barbarrossa sob os olhares de Dietrich Hrabak e Hans Phillip (com óculos). Contudo, no caso da União Soviética, era uma ordem des-comunal. Hitler insistia em uma campanha curta e eficaz: pretendia a captura de Leningrado no Norte, de Moscou ao centro e da Ucrânia no sul, antes que o inverno limitasse as operações. Para tanto, o Führer reconheceu a necessi-dade de aumentar as forças da Wehrmacht em 40 novas divisões. Com isso, a demanda de materiais para a Infanta ria aumentou drasticamente, significando que a Luftwaffe ficaria em segundo plano no que dizia respeito a novos a-viões (tanto de reposição como novos e mais modernos a-parelhos). Desta forma, em junho de 1941, os aviões dispo níveis na frente de batalha eram poucos mais do que no a-no anterior: 3.340 caças e bombardeiros. Mas sobre esta força, pesava um fardo muito maior: deste total, 780 apare
lhos tinham que ser obrigatoriamente mantidos no Oeste, fora outros 370 enviados para o teatro do Mediterrâ- neo. Portanto, mesmo quando somada a esta força os aviões de transporte, reconhecimento e outros forneci-dos pe los seus aliados, a Luftwaffe podia colocar em campo apenas 3.900 aviões, contra uma força adversá- ria estimada em 7.500 aeronaves (sem contar 2.500 no Extremo Leste). Embora a maioria fosse obsoleta, o balanço numérico era encarado com preocupação pelos oficiais alemães.

As unidades foram organizadas em três Luftflotten (ver mapa), espalhadas em um front que ia do Mar Báltico ao Mar Negro, assim dispostas: no norte estava a Luftflotte 1 (comandada pelo General Alfred Keller), empre-gando 480 aviões como parte do Exército do Grupo Norte, cujo principal objetivo era a cidade de Leningrado, a Luftflotte 2 (comandada por Albert Kesselring) que utilizava 1.080 aviões, integrando o Exército do Grupo Cen-tral, encarregado de avançar até Moscou e, finalmente, a Luftflotte 4 (sob as ordens do General Alexander Lohr), com 690 aviões que apoiariam o Grupo Sul do Exército, cujo alvo era a Ucrânia e Stalingrado.



Frente russa 1941/42 - A Operação Barbarossa

O Ataque à União Soviética começou pouco antes do amanhecer de 22.06.1941. Como sempre o objetivo prio-ritário da Luftwaffe era assegurar a supremacia aérea. À despeito da disparidade de números quando compara-da à Armada Aérea Soviética, a operação foi um sucesso estrondoso. Como as principais bases inimigas havi-am sido previamente identificadas por aviões de reconhecimento semanas antes, a Luftwaffe já sabia precisa-mente os alvos que devia priorizar.

O resultado foi avassalador: estima-se que cerca de 1.800 aeronaves inimigas foram destruídas no primeiro dia em 29.06 o Alto Comando da Luftwaffe (OKL) já clamava (corretamente, como se descobriu após a guerra) a destruição de mais de 4.000 aviões soviéticos, tudo isso face a uma perda de apenas 150 aparelhos alemães. Somente a Luftflotte 2 afirmava ter destruído 2.500 aviões russos na primeira semana.

Mesmo assim, a superioridade aérea não foi atingida - com uma linha de frente estendendo-se por mais de 1.600 km do norte ao sul, sempre era possível a existência de bolsões - e muitos pilotos Soviéticos sobreviveram para dar embate com aviões substitutos. De qualquer forma, a eliminação da vantagem soviética, permitiu que a Luftwaffe liberasse mais aviões para atuar no apoio às tropas terres-tres. Aviões como o Messerschmitt Bf 110 e o Junker Ju 87 Stuka, que tinham se revelado excessivamente vulnerá veis na Batalha da Inglaterra, descobriram-se novamente impunes e, mais tarde, junto com o Henschel Hs129, tor-naram-se visões comuns sobre o campo de batalha.
Um Polikarpov I-16 destruído pela Luftwaffe

Ao contrário de campanhas anteriores, onde a ênfase tinha sido a destruição de alvos estratégicos como pon-tes e ferrovias, a Luftwaffe logo descobriu que seus ataques poderiam ser mais eficazes ao atingirem os rus-sos diretamente na frente de batalha. Além disso, como a Rússia ainda era um país essencialmente agrícola àquela época, não havia muitas ferrovias e estradas para serem destruídas, sendo que se voltaram para as massivas concentrações de tropas inimigas. Ao final do mês de Junho, 60% das missões conduzidas pela Luftwaffe eram de apoio “direto” aos respectivos Grupos do Exército.

Um Bf 109F da JG54 ao lado de um Polikarpov I-16. Nesta nova função, a Luftwaffe também foi extremamen te bem sucedida. Ao norte, onde o Exército Alemão a-vançava ao longo do Báltico (Letônia, Estônia e Lituâ- nia) visando aproximar-se de Leningrado, as missões mais importantes eram aquelas de transporte: tanto os Ju52´s quanto os Ju 88´s foram utilizados para abaste-cer com combustível as unidades que encabeçavam o avanço. Ao centro, a Infantaria dependia dos Stuka pa-ra abrir seu caminho ao longo do Rio Bug em direção a Brest-Litovsk, atacando as tropas soviéticas que tenta-vam recuar ou contra-atacar, e eliminando os bolsões
que ficavam para trás do avanço alemão. Ao sul, ações similares foram feitas durante o avanço pela Ucrânia, culminando em setembro com o gigantesco cerco de Kiev. O “bolsão de Kiev” continha mais de 665.000 solda dos soviéticos, 884 tanques e aproximadamente 4.000 peças de artilharia, tudo capturado pela Wehrmacht.

Paralelamente, bombardeiros Ju88, He111 e Do17´s efetu-avam missões atrás das linhas inimigas procurando por pontes, ferrovias e depósitos de suprimentos. Embora a freqüência não fosse como nas Campanhas anteriores, o sucesso foi plenamente satisfatório. Hitler tinha insistido em não tentar destruir a indústria soviética, pois compreen dia que esta era por demais dispersa e difícil de se locali-zar - o que dispersaria o efetivo aéreo alemão, reduzindo sua efetividade. Mesmo assim, o Fliegerkorps II (parte da Luftflotte 2 de Kesselring), destruiu 356 trens, 14 pontes e incontáveis concentrações de tropas entre 22.06.1941 e 09.07.1941. Logo a 09.07 foi reportado que o tráfego ferro-viário a oeste do Rio Dnieper estava paralisado, o que neu-tralizou qualquer tentativa de contra-ataques.
A população de Moscou cava valas antitanques em torno da cidade, 1941

Com tamanha vantagem, os avanços dos Exércitos alemães até Outubro de 1941 não foram surpresa. Ao nor-te, Leningrado estava sitiada no final de setembro; ao centro, Smolensk fora capturada e os panzers avança-vam em direção a Moscou; ao sul, depois da queda de Kiev, o Exército avançou para cercar Karkhov e, tempo-rariamente Rostov. Tudo levava a crer que “Barbarossa” havia funcionado.

 

O Impiedoso "General" Inverno Russo

Mas as coisas começaram a dar errado no início de outubro. Embora tenham feito mais de 670.000 prisionei-ros em Vyazma e Bryansk, os alemães estavam literalmente afundando em um mar de lama, à medida que as chuvas de outono começaram. Os tanques, de repente, não podiam se mover e a Luftwaffe não podia fazer di-ferente em seus aeródromos. Com o resfriamento no início de novembro, o solo endureceu e permitiu que os Panzers chegassem a apenas 30 quilômetros de Moscou, mas as temperaturas continuaram a cair até -30º Celsius, e tempestades de neve varreram o front.

Aquecedores montados em torno dos motores de um Ju88 no Inverno de 1941/42

As equipes de manutenção da Luftwaffe descobriram que simplesmente não conseguiam fazer os motores dos aviõ- es funcionarem nestas condições, pois o óleo dos moto-res congelou. Mesmo quando decolavam, visibilidade era tão ruim que as missões tornaram-se inúteis.

Em dezembro, mesmo Hitler teve de admitir que outros a-vanços eram impossíveis, e a campanha foi suspensa du-rante o inverno, enquanto que os soviéticos, mais acostu-mados a estas condições, montaram furiosos contra-ata-ques próximos à sua capital. A Luftwaffe podia fazer pouco para evitar uma retirada.

De qualquer forma, a Luftwaffe podia se orgulhar de seus feitos durante os cinco meses anteriores: com ape-nas 1.400 aviões funcionais no máximo, suas tripulações haviam voado mais de 180.000 missões, destruindo 15.500 aeronaves inimigas, 3.200 tanques, 57.600 veículos, 2.450 peças de artilharia e 1.200 locomotivas.

As perdas não foram altas (2.093 aviões) e podiam ser repostas. Em 27 de dezembro de 1941, a Luftwaffe ti-nha à disposição 1.332 bombardeiros, 1.472 caças e 326 Stukas. Mas a Operação Barbarossa falhou em le-var a União Soviética ao colapso total, o que forçava no vas campanhas em 1942, o que era preocupante, princi palmente com outras operações também sendo condu-zidas no Oeste e no Mediterrâneo.

Ao final de 1941, as tripulações e o pessoal de manu-tenção estavam esgotados , a introdução de aparelhos mais modernos estava atrasada e a Luftwaffe precisava

Junkers Ju87D Stukas paralisados em um aeródromo durante o inverno de 1941/42.
desesperadamente de tempo para descansar e repor as perdas. Mas este tempo não estava disponível. Seria um longo e duro inverno...

O Inverno de 1941-42 foi excepcionalmente duro para os soldados alemães que tiveram que enfrentá-lo. Não apenas as condições físicas eram piores do que qualquer previsão - temperaturas de -30º Celsius pareciam ainda mais gélidas com os ventos que sopravam da Sibéria - mas também os soviéticos provaram estarem mais bem preparados e se adaptavam mais rápido a estas condições. Os contra-ataques russos ao redor de Moscou, que se iniciaram em dezembro de 1941, podem ter ocasionados muitas baixas entres os soviéticos, mas eles não pareciam estar sendo afetados pela situação.

Infantaria alemã em marcha pela neve. Levaria até fevereiro de 1942 para que os contra-ataques fossem detidos. À esta altura, dois baluartes alemães ti-nham sido cercados, um em Demyansk e outro em Cholm ambos à noroeste de Moscou. À Göring foi dada a missão de fornecer os suprimentos a estes dois bolsões através de uma ponte aérea e, contra todas as expectativas, ele foi bem sucedido.

Em Demyansk, cerca de 100.000 homens, pertencentes ao 16º Exército alemão, tinham sido isolados. A partir de 20 de fevereiro, Ju52´s retirados de todas as outras frentes - incluindo escolas de treino na Alemanha - voaram o mai-or número de missões possíveis para entregar os tão ne-cessários suprimentos para manter os soldados vivos. A despeito de terem de sobrevoar cerca de 160 km sobre ter
ritório soviético, a frota de quase 600 aviões conseguiu fornecer cerca de 300 toneladas por dia, encontrando pouca resistência de aviões inimigos. Em Demyansk, o cerco acabou sendo rompido por tropas terrestres em 18 de maio.

Na mesma época o muito menos bolsão de Cholm tam-bém havia sido libertado. Ele continha cerca de 3.500 ho-mens - concentrados em um perímetro não maior que dois quarteirões - e os suprimentos entregues por aviões (que os lançavam de pára-quedas) ou por planadores. Em am-bos os casos (Demyansk e Cholm), as tripulações da Luft waffe tinham desempenhado uma tarefa perigosa e arrisca da de forma espetacular - mas seu sucesso acabaria sen-do sua cruz. A perda de quase 300 Ju52´s implicou na re-dução do período de treinamento e, mais grave, Hitler ago-ra acreditava que exércitos cercados poderiam ser manti-dos por uma ponte aérea - independentemente das cir-cunstâncias.
Um Junkers Ju52 prepara-se para abastecer tropas cercadas em Demyansk - Fevereiro de 1942.

Com o início da primavera em abril de 1942, os pilotos alemães voltaram sua atenção para sua próxima cam-panha. Hitler havia decidido que a prioridade estava no setor sul do Front Russo, determinando que suas tro-pas deveriam avançar até o rio Don, para proteger um ataque maior que visava os campos de petróleo do Cáu-caso - a Operação Blau (Azul).

Um Heinkel He111H-6 armado com dois torpedos.

Em maio os alemães iniciaram ataques para eliminar os pontos mais avançados das tropas soviéticas enquanto, mais ao sul, buscavam “limpar” a Criméia. A Luftwaffe foi escalada para dar suporte a todas estas operações, dan-do mais preferência ao suporte direto às tropas terrestres do que ao ataque a alvos na retaguarda. A superioridade aérea nunca foi atingida mas, ao concentrar seus esforços em postos chave, seus pilotos ainda conseguiam superar seus inimigos.

Isto foi demonstrado na Criméia, onde o Fliegerkorps VIII, comandado por Wolfram von Richthofen (1895-1945), pri-mo do lendário Barão Vermelho), teve uma contribuição de cisiva para a tomada de Sebastopol, onde despejaram ma-

is de 20.000 toneladas de bombas e destruíram mais de 140 aviões inimigos entre 02.06 e 04.07. A esta altu-ra, iniciou-se a Operação Blau, mas a Luftwaffe estava encontrando uma dificuldade cada vez maior de prover os aviões e tripulações necessários, particularmente agora que as campanhas estavam sendo conduzidas em locais tão diferentes.

Para complicar ainda mais a situação, a Luftwaffe teve de deslocar aviões para bases na Noruega a fim de se-rem empregados em uma nova missão: interceptar os comboios de navios de suprimento vindos, na sua gran-de maioria, dos E.U.A e cujo destino eram os portos de Murmansk e Archangel (URSS). Em junho de 1942 mais de 100 Ju 88´s e 40 He 111´s (adaptados para carregarem torpedos), mais Ju 87´s, Fw 200´s e Bv 138´s passaram a ser empregados contra os comboios, com razoável sucesso. Por exemplo, em agosto de 1942, o comboio PQ17 perdeu 24 (de um total de 34) navios mercantes, sete dos quais unicamente devido a ataques aéreos. Era um bom retorno para a Luftwaffe, mas isto significava que havia menos aviões disponíveis na frente russa.



Em direção à Stalingrado

Quando o “plano Azul” começou, em 28.06.1942 (ver mapa), as unidades de Göring estavam esgotadas. Es-quadrões foram arrebanhados por todo o front, para formar uma respeitável força de 1.600 aviões, mas haviam poucas reservas disponíveis e muitas tripulações, recém advindas das campanhas de Demyansk, Cholm e Criméia, estavam simplesmente exaustas.

Ainda assim, a Luftwaffe obteve um considerável sucesso inicial. Suas missões eram as mesmas: suporte aéreo às tropas terrestres, busca da supremacia nos céus e ata-ques às tropas inimigas no front. Em 06.07.1942, o Grupo Sul do Exército já havia cruzado o rio Don e o Voronezh, cercando e destruindo as tropas soviéticas nesta região.

Alguns historiadores afirmam que neste ponto, os alemã- es deveriam ter suspendido o ataque e transferido seus es forços para o avanço no Cáucaso, outros dizem que a for-ça principal deveria concentrar-se em direção ao Volga, pois a região do Cáucaso estava fracamente defendida, u-ma vez que os valiosos poços pretrolíferos seriam incen-diados e levaria cerca de um ano para que fossem apaga-dos.

Soldados alemães avançam pelo Cáucaso.

Mas na realidade o que aconteceu foi que Hitler interferiu, dividindo o Grupo de Exércitos do Sul, transforman-do-o em dois grupos (A e B), devendo apenas o primeiro deslocar-se para o outro teatro, enquanto que o se-gundo deveria perseguir os russos até Stalingrado

A situação ficou pior ainda quando, em 30.07.1942, Hitler deu outra de suas ordens absurdas, desta vez para insistir que o 4º Exército Panzer e o 6º Exército (que faziam parte do multinacional Grupo B, composto ainda pelo 3º e 4º Exércitos romenos, 8º italiano, 2º húngaro e 2º alemão) deveriam capturar Stalingrado. Foi um erro fatal: ao invés de concentrar seu ataque em um único objetivo, os alemães estavam agora separados, ten-tando manter dois avanços distintos - e que levavam os seus recursos próximos de um colapso e o que ainda era pior, os flancos seriam defendidos pelos dois exércitos romenos pouco confiáveis.

Em meados de julho, os aviões operacionais da Luftwaffe somavam apenas 1.300 aparelhos. As tripulações tinham que manter as operações sobre um front que se estendia por mais de 4.320 km, enquanto tinham que satisfazer as ordens de Hitler de conduzirem ataques em linhas de suprimentos tão distantes quanto o Mar Cáspio. O sucesso foi considerável, a despeito de todas estas desvantagens: em 09.08.1942, o Grupo A (for-mado pelo 1º Exército Panzer e o 17º Exército) tinha avançado quase 320 km dentro do Cáucaso graças ao apoio da Luftwaffe (ver mapa).

Reservatórios de combustível é atacado pela Luftwaffe em Stalingrado Duas semanas mais tarde, o 6º Exército, comandado pelo General Friedrich von Paulus (1890-1957), alcançou o rio Volga, ao norte de Stalingrado (ver mapa) com o suporte da Força Aérea. Mas estes encargos não poderiam durar. À medida que aeronaves eram perdidas - mais por aciden-tes do que por fogo inimigo - as reposições não eram fei-tas rápido o suficiente, enquanto que a falta de suporte pa-ra manutenção e bases aéreas implicava que o mais sim-ples reparo poderia demorar muito tempo. Para piorar, os pilotos eram obrigados a aceitar uma carga de missões im possível de ser cumprida, muitas vezes voando quatro ou cinco missões por dia contra um inimigo que se fortalecia cada vez mais. A situação começava a mudar: era o início da Guerra de Atrito ou Kriegschlacht

Isto se tornou mais aparente à medida que a Batalha de Stalingrado se desenvolvia. A tentativa de tomar a cidade feita por Paulus havia sido paralisada pelos soviéticos em setembro, mesmo com o apoio da Luftwaffe. Os combates degeneraram para um pesadelo de lutas urbanas, para a qual os aviões eram de pouca valia: as posições alemãs e soviéticas eram simplesmente muito próximas para permitir o ataque de bombardeiros. Mesmo assim, os poucos ataques levados a cabo haviam reduzido a cidade a um monte de entulho e ruínas.

Em outubro Paulus continuava firme mas, no mês seguin-te em 19.11.1942, os russos avançaram com sucesso so-bre os seus flancos (defendidos pelo 3º e 4º Exércitos ro-menos) (ver mapa) e, em uma brilhante manobra, cerca-ram a cidade em 22.11.1942. Cerca de 300.000 soldados alemães estavam presos em um bolsão que media 48 km quadrados (ver mapa), enquanto o inverno se aproximava.

Hitler não permitiu que as tropas sitiadas tentassem rom-per o cerco e as tentativas de tropas exteriores também fracassaram. Mas, relembrando os sucessos de Cholm e Demyansk, o Führer ordenou a Göring que conduzisse u-ma operação de abastecimento do 6º Exército por ar. (ver mapa)

Tropas russas avançam em Stalingrado.

Era uma tarefa impossível. As estimativas afirmavam que, para manter o Exército de Paulus como uma força combativa seria necessário que se entregassem 750 toneladas de suprimentos por dia. Mesmo reduzindo es-sa quantia para 500 toneladas - o era suficiente apenas para a sobrevivência básica - isto estava além da capa cidade da Luftwaffe. Um Junkers Ju 52 podia carregar apenas duas toneladas de suprimentos por missão, mas o aparentemente simples cálculo aritmético de que algo em torno de 375 e 250 aeronaves seriam suficientes,
Soldados alemães congelados em suas posições numa trincheira em Stalingrado.

provou não ser possível de se aplicar em termos práticos. Isso porque a maioria das unidades de transporte na Frente russa mal podiam manter 35% de seus aparelhos em condição operacional, no inverno.

Dessa forma, embora o Fliegerkorps VIII - a quem foi dada essa mis-são inicialmente - pudesse dispor de 320 Ju 52, tão poucos eram fun- cionais que o General Wolfram von Richthofen viu-se forçado a utilizar toda e qualquer aerona ve grande disponível - e isso incluía os bombar deiros He 111 e os Ju 88, bem como Fw 200´s Condor, He 177´s - poucos dos quais sobreviveram àquele inverno. Pior ainda, enquanto os alemães estavam conduzindo essas operações, os ataques sovié- ticos se tornaram mais violentos e as bases de onde partiam os aviões se tornaram mais distantes de Stalingrado, de forma que no início de Janeiro de 1943, alguns aviões tinham que realizar missões de 800 km de extensão, enfrentando uma Força Aérea Soviética cada vez mais forte (inclusive equipada com caças Spitfires e alguns modelos ameri- canos como o P-39 Airacobra, P-40 Curtiss e outros). Diante disso, em um dia de sucesso, a Luftwaffe conseguia entregar 300 toneladas, mas a média estava em torno de 200 toneladas diárias. Claramente, isto não era suficiente.


Enquanto isso, os homens de Paulus sofriam com os constantes ataques soviéticos, que se somavam à fome e ao frio. Em 16.01. 1943 os alemães perderam o controle do aeroporto de Pitomnik den tro do bolsão (ver mapa), e passaram a operar na pista de Gumrak, que era muio menor. Quando esta também foi perdida em 21.01. 1943, pouco havia o que a Luftwaffe pudesse fazer.

Alguns suprimentos foram lançados de pára-quedas mas, a esta al-tura, o bolsão era tão pequeno que muitos caíram em mãos soviéti- cas. Em 31 de janeiro de 1943, Paulus rendeu-se com os remanes centes de seu Exército; alguns grupos ainda resistiram por mais 48 horas (ver mapa) mas, então, tudo estava acabado. A ponte aérea mantida pe la Luftwaffe durou oficialmente 70 dias (25.11.1942 a 02. 02.1943), durante os quais foram realizadas 3.500 missões de trans porte que conseguiram enviar tão somente cerca de 6.500 toneladas de suprimentos e evacuar cerca de 34.000 feridos. O custo para a Luftwaffe foi assustador: apenas o Fliegerkorps VIII perdeu um total de 488 ae ronaves, dos quais 266 eram Ju 52.
Feldmarschall Friedrich von Paulus (primeiro à esquerda) após se render aos soviéticos.

 

Frente Russa 1943/45 - Derrotas, retiradas e a destruição

Mesmo antes de Paulus se render, os exércitos soviéticos estavam avançando sobre as linhas alemãs, empurrando-as para além de Kharkov. Contra-ataques conseguiram estabilizar o front em março de 1943 mas, pela primeira vez, a Luftwaffe não poderia garantir o necessário suporte aéreo. As perdas daquele inverno não tinham sido ainda repostas e as condições das pistas eram tão ruins - principalmente durante o degelo da pri-mavera - que os aviões enfrentavam grandes dificuldades de decolagem.

Fábrica de aviões Il-2 Shturmoviks

Mais preocupante era que a força Aérea soviética começa-va a se impor sobre o campo de batalha, operando novas
e mais poderosas aeronaves e, mais importante, em núme ros assustadores. Embora os ases alemães derrubassem inúmeros aviões - só a JG 52 derrubou cerca de 11.000 ao longo da guerra - sempre haviam muitos mais. Um dos re-sultados diretos desta nova realidade era que o Ju 87 Stu-ka, que era a principal arma de apoio aéreo, tinha se torna do extremamente vulnerável. Como se demonstrou na Ba-talha da Inglaterra, o lento e já obsoleto bombardeiro de mergulho não poderia sobreviver muito tempo em um céu infestado de caças inimigos. Para piorar a situação, o aviã o designado para substitui-lo estava atrasado - o Henschel Hs 129 ainda não tinha sido testado em batalha - e os so-

viéticos aperfeiçoavam suas técnicas de ataque ao solo usando o Ilyushin Il-2 Shturmovik, especialmente de-senvolvido para esta função.

Esta situação que começava a se tornar clara para os pilotos da Luftwaffe ficou também notória para os de-mais soldados durante a chamada Operação Zitadelle (Cidadela, ver mapa), em julho de 1943, quando Hitler ordenou que dois de seus exércitos, o 9º e o 4º, atacassem os flancos de uma saliência soviética, procurando juntar os exércitos alemães na cidade de Kursk. Se isto tivesse sido feito em março de 1943, quando os ale-mães conseguiram atingir este objetivo pela primeira vez, as chances de vitória teriam sido boas, mas naquela ocasião a Wehrmacht ainda se recuperava do choque de Stalingrado. As Divisões Panzer estavam sendo ree-quipadas com os novos tanques Panther e Tiger I e a Luftwaffe precisava desesperadamente de descanso e de novos equipamentos. Assim, o ataque não começou até 05 de julho, o que deu tempo aos soviéticos de mon-tar defesas sólidas.

Como sempre, Hitler reuniu uma força considerável de: 900.000 soldados, 10.000 peças de artilharia e 2.700 tanques. Dando suporte a eles havia 1.800 aviões da Luftwaffe assim divididos: 1.100 aviões da Luftflotte IV ao sul (atuando junto ao 4º Exército Panzer) e 700 apa relhos da Fliegerdivision I ao norte (dando suporte ao 9º Exército Panzer). Este combate marcaria o debut de uma nova aeronave da Luftwaffe: o destruidor de tan-ques Henschel He 129B. Organizados em uma unida-de comandada pelo Hauptmann Bruno Meyer, estes aviões se mostraram muito efetivos contra tanques so-
Henschel Hs 129
viéticos - os projéteis encamisados em tungstênio de seus canhões de 30mm, paralisaram o avanço de toda uma brigada blindada soviética e os forçaram a recuar em 09 de julho.

Lt. Max Stotz (189 vitórias, KIA 19.08.1943) em frente ao seu Bf-109F do II/JG54. Inverno de 1942-43.Mas isto não foi o suficiente. A despeito do grande com-prometimento da Luftwaffe (alguns pilotos voaram seis ou sete missões por dia na primeira semana da batalha), as defesas soviéticas mostraram-se muito bem estruturadas e impenetráveis. Por fim, o alemães tiveram que recuar - esta foi sua última ofensiva na frente russa e ficou conhec-ida como a maior batalha de tanques da história. Em 23 de julho a Wehrmacht estava de volta às suas posições originais.

Após o fracasso de Kursk, a Luftwaffe concentrou seus maiores esforços em apoiar as unidades do exército na tentativa de manter o front estabilizado na linha do rio Do-netz. No entanto, com seus homens absolutamente exaus tos, tais tentativas foram, também, ineficazes e os ganhos
territoriais russos foram substanciais no fim de 1943: ofensivas empurraram os alemães para além do rio Dnie-per, a pouco mais de 320 km das fronteiras existentes antes da guerra.

Se este fosse o único front dos alemães, eles talvez pudessem ter se recuperado mas, ao final de 1943 o pe-sadelo estratégico de Hitler de uma guerra em duas frentes havia se tornado realidade: muitos esquadrões, além de serem transferidos para o Mediterrâneo, estavam sendo retirados da frente russa para defender os céus da Alemanha contra os bombardeiros aliados, cada vez mais intensos. Começava a Defesa do Reich.

 

A Tempestade Vermelha

Em 1º de janeiro de 1944, a Luftwaffe possuía uma força total de pouco mais de 5.500 aviões, dos quais cerca de 1.700 estavam sendo empregados na frente oriental. Não era uma força desprezível - era até mesmo uma melhora se comparado aos números de um ano antes - mas ocultava uma série de fraquezas.

Devido à decisões tomadas ainda em 1941, a produção de aeronaves tendia a se concentrar em projetos já con sagrados, negligenciando o desenvolvimento de novas idéias. Alguns aparelhos novos já estavam se tornando disponíveis, como o há muito esperado He 177 e o Ju 188, embora nunca tenha existido um número suficien te deles para influenciar suficientemente o curso das batalhas.

Com isso, as Geschwaders situadas na linha de frente tinham que operar os valentes Bf 109 e Ju 88, enquan to que o Fw 190 tinha provado ser, além de um caça espetacular, uma aeronave muito versátil. Mas, quando observa-se que a Luftwaffe ainda estava modificando e empregando o Bf 110 e o Ju 87 Stuka - a despeito da desesperadora obsolência destas aeronaves - a nature

Tanques T-34 soviéticos são apoiados pelos temidos Il-2 Shturmoviks, junho de 1943.
za dos problemas do descaso e despreparo com que Göring havia tratado sua Força Aérea, tornam-se eviden-tes.

No entanto, estes problemas eram muitos mais profundos. De um lado, os ataques dos bombardeiros Aliados estavam começando a se tornar duros no início de 1944, atingindo pontos chave da indústria aeronáutica ale-mã, como fábrica de motores e depósitos de combustível. De outro lado, todas as forças Aliadas estavam pro duzindo agora aviões iguais ou superiores àqueles empregados pela Luftwaffe.

Yak-3

No Leste, os soviéticos não apenas tinham desenvolvido aeronaves especificamente para ataque ao solo, como o Ilyushin Il-2 e o Petlyakov Pe-2, mas também estavam tra-balhando no desenvolvimento da sua mais nova geração de caças, como o Lavochkin La-7 e o Yakovlev Yak-3 - am bos mais do que capazes de enfrentar de igual para igual as últimas versões do Bf 109 e do Fw 190.

Pior ainda, no início de 1944 a Força Aérea Soviética esta va superando em números a Luftwaffe na proporção de seis para um, dando-se ao luxo de ganhar a superioridade aérea onde e quando quisessem.

Assim, embora 1.700 aeronaves parecesse um bom número no papel, a Luftwaffe tinha uma frente de batalha de quase 3.200km de extensão para cobrir e isso era impossível de se obter com a mínima chance de suces-so duradouro.

Isto tinha ficado aparente nas campanhas do fim de 1943, quando ataques soviéticos ocorreram, primeiramen-te ao sul, onde eles nunca tinham perdido a sua superioridade aérea. O que estava surgindo era uma nova filo-sofia de combate soviética, baseada nas lições aprendidas entre 1941-43 e na teoria da “batalha profunda” da década de 30

Enorme ênfase tinha sido dada à “maskirovka”: técnicas de despiste para assegurar a surpresa do ataque, através de métodos que faziam os alemães acreditarem que o a-taque ocorreria em outro lugar. A força aérea vermelha fez sua parte ao concentrar aviões em um lugar para desfe-char seus raids em outro. Uma vez surpreendidas, as for- ças alemães não eram capazes de resistir e grandes avan ços - apoiados por tanques e aviões - eram feitos pela in-fantaria, geralmente resultando em vários cercos contra formações alemãs que ficavam isoladas.

Os níveis de forças russas eram tais que eles puderam dar continuidade à esta técnica logo no início de 1944, montando ofensivas de Leningrado (norte) à Criméia (sul).

Fábrica de tanques T-34

Com menos de 350 caças disponíveis ao longo do front, pouco havia o que a Luftwaffe pudesse fazer para con-ter a sangria. Mesmo suas tentativas de concentrar suas forças em um local específico, deixaram de surtir e-feito quando os ataques passaram a ocorrer simultaneamente em vários locais distintos.

Algum sucesso podia ser obtido - em meados de janeiro de 1944, a Luftwaffe conseguiu enviar cerca de 2.000 toneladas de suprimentos para tropas alemãs sitiadas em Cherkassy e, dois meses mais tarde, uma opera- ção similar permitiu ao 6º Exército sobreviver a um cerco - mas os custos eram altos. Mais de 650 aviões de transporte foram perdidos durante os primeiros cinco meses de 1944, em uma época em que a produção des-te tipo de aeronave era deixada em segundo plano em relação a caças e bombardeiros. Além disso, a força da Luftwaffe também estava sendo corroída com a perda de pilotos e tripulações já experientes.



Göring tenta reconstruir seus esquadrões

Felizmente para os alemães, a frente russa se estabilizou em abril de 1944, enquanto os soviéticos prepara-vam sua próxima série de ofensivas. Göring aproveitou a oportunidade para reconstruir as suas Geschwaders, tirando vantagem também do fato de que os ataques dos bombardeiros aliados passaram a se concentrar nos preparativos para a Operação Overlord - a invasão da Normandia.

Fw 190F-2 durante o inverno de 1944-45

Os resultados foram impressionantes: em 01.06.1944 as três Luftflotten no Leste estavam equipadas com um total de 2.000 aviões, a maioria dos quais eram de ataque ao solo e bombardeiros. A ênfase recaiu sobre a Luftflotte 4 ao sul: nesta região 850 aviões foram concentrados para proteger os vitais campos de petróleo da Romênia, onde esperava-se que a principal ofensiva soviética fosse ocor-rer.

No entanto, a região central do front não foi negligenciada e a Luftflotte 6 passou a contar com 770 aviões disponí- veis. O ponto fraco ficava ao norte, onde a Luftflotte 1 pos-suía menos de 400 aparelhos, sendo que nenhum dos quais era bombardeiro e apenas 70 era destinados ao ata-

que ao solo - números inadequados para parar os russos. Mas, tendo em vista as perdas recentes, eram nú- meros incríveis.

Contudo, não era o suficiente. Os soviéticos lançaram sua ofensiva em junho de 1944 (ver mapa) mas, surpreenden-temente, concentraram-se no norte atacando a Finlândia (aliada dos alemães), onde as forças da Luftwaffe eram mais fracas. As forças aéreas alemã e finlandesa foram esmagadas por uma superioridade aérea monstruosa, o que forçou a Luftwaffe a enviar reforços - retirados da Luft-flotte 6. Isso era o que os russos queriam e, em 23 de ju-nho iniciaram seu ataque principal na frente central, onde haviam concentrado mais de 6.000 aviões. Como o Grupo Central do Exército alemão passou a lutar por sua própria sobrevivência, Hitler autorizou que se retirassem aerona-ves de outros teatros - 40 caças da defesa da Alemanha, 85 da Itália e 40 da Luftflotte 3 no Oeste - mas era muito
Tanques T-34 soviéticos penetram por uma brecha nas linhas alemãs.
pouco. Em menos de três semanas os Soviéticos tinham aberto um buraco gigantesco nas defesas alemãs, o que lhes permitiu avançar quase 800 km até o final de julho, alcançando a fronteira da Prússia Oriental. O Gru-po Central do Exército deixou de existir, juntamente com 400 aviões da Luftwaffe.

Tropas soviéticas rompem as defesas alemãs no Vístula, 1945.

Mas este não era o fim do pesadelo, já que a esperada ofensiva no sul começou em 20 de agosto, quando a maioria dos comandantes alemães acreditava que a região estava segura. Nesta época, a Luft-flotte 4 tinha sido reduzida a menos de 200 aviões devido aos reforços enviados para o norte. A isso se combinou o colapso da Romênia - que se retirou da guerra - e os soviéticos puderam avançar com rela-tiva facilidade.

Em 31 de agosto a maioria da Romênia tinha sido ocupada e, em me ados de setembro, a Bulgária tinha abandonado o Reich e se juntado aos Aliados. Isso permitiu que tropas russas entrassem no norte da Iugoslávia e no leste da Hungria.

Os esquadrões da Luftwaffe continuavam a voar, mas estavam encon trando extrema dificuldade em garantir a existência de bases seguras e enfrentavam uma superioridade numérica avassaladora do inimigo.


À medida que o ano chegava ao fim, os remanescentes da Luftwaffe no Leste estavam sendo empurrados para dentro da Alemanha, onde passaram a se juntar aos seus camaradas, agora lutando contra os Aliados ociden-tais, as duas frentes haviam se encontrado. Era uma tarefa sem esperança.

A nova trégua que ocorreu na frente oriental enquanto os soviéticos repunham suas perdas para a próxima ofensiva não durou muito tempo. Mesmo que a situação tivesse sido outra, a Luftwaffe estava rapidamente se aproximando de uma situação na qual não mais podia ser revitalizada. Mais de 13.000 aviões tinham sido perdidos em todos os teatros ao longo de 1944 e a produção estava sofrendo sob os incansáveis ataques dos bombardeiros Aliados. Com isso as fábricas de aviões conseguiram entregar apenas 3.000 aparelhos em de-zembro de 1944.

Para agravar a situação, á medida que os soviéticos avan- çavam do leste, eles destruíram as bases de treinamento da Luftwaffe estabelecidas na frente oriental, onde esta-vam fora do alcance dos ataques dos aviões da RAF e da USAAF; com a sua retirada para dentro da Alemanha o treinamento de tripulações para repor as baixas ficou irre-mediavelmente prejudicado. Finalmente, os bombardeiros americanos passaram a atacar as refinarias de combustí- vel, o que diminuiu substancialmente o número de missõ- es da Luftwaffe e reduziu o suporte aéreo disponível para as tropas terrestres alemãs.

Aviões Il-2 Shturmoviks sobrevoam a "cidade" de Berlim, 1945

O próximo ataque soviético começou em 12 de janeiro de 1945 e foi surpreendente tanto quanto aos objetivos quanto ao impacto. Empregando a técnica de “maskirovka”, os russos levaram os alemães a pensar que a on-da principal do ataque ocorreria ao redor de Varsóvia; na realidade o ataque ocorreu bem mais ao sul, a partir das cabeças-de-ponte situadas na margem oeste do rio Vistula. A Luftflotte 6, enfrentando o centro do avanço inimigo podia colocar em campo cerca de 1.000 aviões e conseguiu manter certa vantagem nos primeiros dias mas, com a maciça superioridade soviética, não houve muito o que fazer.

Soldados do Exército Vermelho penduram a bandeira soviética nas ruínas da Chancelaria do Reich, tendo a sua frente, como testemunha, uma Berlim totalmente destruída e arrasada. Em 19 de janeiro as divisões do Exército Vermelho já esta vam nas fronteiras da Alemanha e, ao final do mês já havi-am atingido as margens do rio Oder, a menos de 80 km de Berlim, criando cabeças-de-ponte na margem oeste, das quais eles poderiam fazer seu ataque final sobre a ca-pital do Reich. A Luftwaffe providenciou aviões adicionais na tentativa de estancar o avanço mas, embora tenha con-seguido reunir mais 800 aeronaves, seus pilotos eram inex perientes e não foram páreo para os russos. Embora o E-xército Vermelho tenha suspendido seus ataques em feve-reiro quando, após ter avançado quase 800km, devido sua cadeia de suprimentos chegor a um limite, o fim do Reich estava claramente à vista.

Um resultado direto foi que, enquanto os soviéticos retomavam seus avanços em todo o Front Oriental, eles encontraram pouca oposição de uma Luftwaffe abatida e em frangalhos. Ao sul, por exemplo, a Luftflotte 4 tentou defender uma área que ia do Mar Adriático aos Montes Cárpatos com uma força de pouco mais de 500 aviões, a maioria dos quais foram desperdiçados quando Hitler ordenou um contra-ataque para libertar a guar-nição alemã emboscada em Budapest.

A resposta soviética foi imediata, com a aniquilação dos alemães na Hungria no final de março e com a toma-da da capital austríaca, Viena, em 13 de abril de 1945. A esta altura a Luftflotte 4 tinha, simplesmente, deixa-do de existir. Ataques similares, tendo como objetivo Berlim, começaram no final de abril. A despeito da luta violenta no solo - quando Berlim finalmente caiu em 02.05.1945, os russos tinham sofrido mais de 100.000 bai-xas - a Luftwaffe praticamente teve uma participação nula nos dias finais do Reich de Hitler.

 

História da Luftwaffe
Organização e Estrutura