| Embora a Batalha da
Inglaterra tenha sido relativamente curta - 10 ou 20 semanas, dependendo de como
você a definir - para os pilotos parecia não ter fim, e as várias fases não eram
bem definidas. A simples luta pela sobrevivência impelia os dois lados. Algumas
vezes voava-se várias surtidas em um único dia e para a maioria dos que estavam
na batalha permanecia incerto quem, se alguém, venceria. A Batalha da Inglaterra
não terminou com qualquer fanfarra, ela simplesmente cessou depois que o tempo
de outono forçou Hitler a abandonar a Operação Seelöwe (Leão Marinho), seu plano
de invasão do Reino Unido. Somente quando o inverno se aproximou, os ingleses
se aperceberam de que tinham sobrevivido à batalha.
| Com a queda da Noruega, Dinamarca e França
em junho de 1940, a Luftwaffe havia ganho importantes bases aére as para se lançar
no maior combate aéreo da sua histó- ria até então: a Batalha da Inglaterra, que
tinha como obje-tivo a destruição da Royal Air Force (R.A.F.), pavimentan-do o
caminho para a Operação Seelöwe (leão marinho), que era a invasão do Reino Unido.
Mas antes tentariam impor um bloqueio ao comércio com as ilhas britânicas. A
vitória parecia possível partindo da costa francesa do ca-nal da Mancha (ver
mapa). As forças aéreas alemãs havi-am se tornado invencíveis desde a conquista
da Polônia e da França; além disso, tinham o Messerschmitt
Bf 109E, um dos mais formidáveis caças do mundo, tinham ótimos |
|
pilotos, comandados por ases da I Guerra Mundial e, entre eles, muitos
jovens aviadores que haviam experi-mentado o novo caça nos céus da Espanha
durante a Guerra Civil, também podiam considerar-se os melhores do
mundo. Estavam envolvidas nesta operação (ver
mapa) a Luftflotte 5 (sediada na
Noruega, sob comando do General Hans Jurgen Stumpf),
a Luftflotte 2 (ao norte de Le Havre, sob comando do General Albert
Kesselring) e a Luft-flotte 3 (ao sul de Le Havre, sob as ordens do General
Hugo Sperrle). No começo de julho estavam concentra-dos
cerca de 2.800 aviões, entre os quais se contavam 1.300 bombardeiros Heinkel
He 111, Junkers Ju 88A e Dornier
Do17; 280 bombardeiros de mergulho Junkers Ju 87
Stukas; 790 caças; Messerschmitt Bf 109;
260 ca ças pesados Messerschmitt Bf 110 e 170
aviões de reconhecimento de vários tipos. Desse total, só metade estava pronta
para entrar em combate imediatamente.
 | A
RAF por sua vez, contava com 347 caças monopos-tos Hawker
Hurricane, 199 Supermarine Spitfire, 69 ca-ças
noturnos Bristol Blenheim e 25 Boulton
Paul Defiant, metade dos quais estava dispersa pelos aeró-dromos do sul da
ilha. As bases-chave de Biggin Hill, Kenley, Croydon, Hornchurch, Manston e Tangmere
for mavam um anel defensivo em torno de Londres e do estuário do Tâmisa. Também
era importante o fato de as costas meridional e oriental estarem cobertas por
uma rede de estações de radar (a "Chaim Home") que podiam detectar as
incursões aéreas a uma distancia de quase 160 km. Além disso, havia sido desenvolvida
uma rede de controle que permitia o melhor uso possível dos caças disponíveis.
|
No início da Batalha, que durou todo o mês de julho e início de agosto, os
alemães adotaram a tática de dire-
|
cionar pequenos grupos de bombardeiros, operando
dia e noite, contra alvos selecionados (pontes, aeródro-mos, quartéis militares),
enquanto grupos maiores, es-coltados por caças, atacavam comboios de navios no
Canal da Mancha. Nas seis semanas seguintes a 1º. de julho de 1940, a Luftwaffe
efetuou 3000 missões de bombardeio despejando 1900 toneladas de explosivos. Contudo,
embora tenham afundado cerca de 70.000 ton. de navios, os alemães perderam 279
aviões, con-tra apenas 142 da RAF. A principio, os caças britâni-cos efetuaram
patrulhas sobre comboios e receberam ordens para não combater os caças inimigos, a não ser em caso absolutamente
necessário, isso devido à escassez de caças que tinham ao seu dispor. | |
Voando em formações abertas de quatro (Schwarm)
e dois (Rotte) aviões, já experimentadas na
Espanha, os Bf 109´s levavam vantagem sobre
os caças da RAF, que voavam em formações rígidas de três aviões: normalmente os
pilotos ingleses estavam tão preocupados em manter a formação que não davam pela
aproximação dos 109s. Além disso os caças britânicos sofriam
de um grave problema técnico, por não possuirem injeção
direta de combustivel, como os caças germânicos, o motor dos Spitfires
e Hurricanes "pipocava" quando estes
entravam em mergulho, obrigando os pilotos ingleses a efetuarem sempre um half
roll antes.
O dia da Águia - A RAF por um fio No
início de agosto, Hitler interveio para redirecionar os objetivos da Batalha,
determinando que a RAF deveria ser completamente destruída. A Luftwaffe lançou,
então, o plano Adlerangriff (Ataque da Águia). De acordo com este plano, as Geschwaders
sediadas nos Países Baixos e na França, passariam os cinco dias seguintes atacando
aeronaves, aeródromos, estações de radar e outros alvos terrestres nas regiões
a oeste e sul da Inglaterra. A esta altura, as três Luftflotten possuíam um total
de 3196 aeronaves contra cerca de 2.500 aviões britânicos.
 |
A ofensiva principal às bases aéreas britânicas come- çou dia 8 de agosto,
com o ataque dos bombardeiros, escoltados por Bf
109, contra estações de radar, cen-tros de controle e aeródromos. Os Bf 109
eram, em muitos aspectos, superiores aos Hurricanes
e, por is-so, quando era possível, os controladores aéreos man-davam os Spitfires
enfrentá-los, enquanto os Hurricane atacavam os bombardeiros. Os Bf109 atravessavam
a costa a altitudes superiores a 9.000 m, muito acima das formações de bombardei-ros,
na tentativa de atrair os Spitfire e os Hurricane pa- ra o combate manobrado
a grande altitude, onde os a-parelhos alemães eram indiscutivelmente superiores.
No entanto, os defensores sabiam que deviam atacar os bombardeiros e ignoravam
as escoltas, pelo que as | formações de caças eram obrigadas
a descer ao nível dos bombardeiros. Nessa situação, os Bf 109 sofriam uma dupla
desvantagem. Privados da superioridade das suas performances em grande altitude,
só podiam esperar a chegada dos caças britânicos que escolhiam o momento do ataque
e a forma de atuar.
| Além disso, os 109 também sofriam de alguns proble-mas
técnicos: por incompatibilidade das freqüências de rádio, os caças não podiam
comunicar-se com os bombardeiros que deviam escoltar, e nem podiam per-manecer
junto deles durante todo o ataque. Após 30 minutos sobre solo britânico, os indicadores
do nível de combustível assinalavam que era hora de voltar à base, então, era
preciso voar o mais baixo possível sobre as águas hostis e geladas do Canal da
Mancha. Muitos não o conseguiram, afundando nas ondas quando os seus tanques ficavam
vazios ou sucumbiram por danos sofridos durante os combates. Outros eram obrigados
a fazerem pousos forçados nas praias do litoral frances com o tanque totalmente
vazio. | |
O Pior Dia da Luftwaffe e o Dia Negro do Fighter Command
 |
A operação aonde a Luftwaffe sofreu o maior número de perdas
de bombardeiros não ocorreu em um ataque à Londres, como seria esperado. Em
15 de agosto de 1940, às 10h00, uma força de 72 Heinkel
He 111H-1 da KG 26 (Kampfgeschwader
26) rumou para um ataque múltiplo à Dishforth, Usworth e Middlebrough,
com Newscastle e Sunderland como alvos opcionais. Em um terrível lance de má sorte,
os alemães, devido a um erro de navegação, foram condu-zidos para uma emboscada
ao rumarem para uma for-mação composta de quatro esquadrilhas de Hurricanes
e Spitfires da RAF. Sem escolta alguma, os He 111´s
tornaram-se alvos fáceis para os pilotos britânicos. | Se
não bastasse esta fatalidade, outra força de bombardeiros - também sem escolta
- composta por 50 Junkers Ju 88A-1 da KG 30, enfrentou
sorte semelhante ao tentar um ataque contra Driffield, onde duas esquadrilhas
de caças do Fighter Command exterminaram a força de ataque germânica. Ao fim deste
dia, a Luftwaffe deparou-se com aquele que seria o seu pior resultado durante
toda a Batalha da Inglaterra: 79 aviões alemães perdidos, contra apenas 34 caças
da RAF abatidos.
|
Às 4h45 da manhã do dia 31 de agosto de 1940, mais de 100 aviões alemães dirigiram-se
à Eastchurch e bombardearam Detling; algum tempo depois do alvorecer, vieram novos
ataques maciços contra Duxford, North Weald e Debden. Os caças iniciaram os embates
quase de imediato, e até conseguiram rechaçar o ataque a Duxford, mas Debden foi
violentamente castigada ao ser atingida por bombas incendiárias e explosivas.
Mas o pior ainda estava por vir. Por volta do meio-dia, duas grandes ondas
de bom bardeiros da Luftwaffe sur-giram, protegidos por uma decidida escolta de
Messerschmitts Bf 109E´s e até mesmo alguns
Bf 110C´s. Em fração de minu-tos, o céu tornou-se
uma arena gigantesca de vários dogfights, com os caças alemães duelando com as
esquadrilhas de Spitfires e Hurricanes
do Fighter Command. A estrutura de defesa dos britânicos, contudo, já estava se
mostran do afetada pelo cansaço e o empenho dos caças da RAF não foi bem sucedido
em evitar que os bombardeiros germânicos atingissem duramente seus alvos - Croydon,
Biggin Hill, e Hornchurch - todas bases de caças da RAF e as esta- ções de radar
localizadas em Rye, Pevensey, Foreness e Whitstable. Apesar da defesa composta
de radares e do limitado fogo defensivo dos bom-bardeiros alemães, o dia terminou
com um saldo amargo para os britânicos (o pior da RAF durante a Batalha): 39 caças
perdidos em face de apenas 41 aviões alemães abatidos. |
|
As Vantagens Decisivas e as Fraquezas Fatais
 |
Contudo, os ingleses possuíam algumas vantagens im-portantes. Em primeiro lugar,
eles lutavam sobre o seu próprio solo; em segundo, operavam com autonomia máxima,
enquanto que seus adversários (e, principal-mente, os caças Bf 109), possuíam
uma autonomia li-mitadíssima sobre a Inglaterra. Além disso, os britânicos
montaram uma eficiente rede de radares (a "Chaim Home") que podia prever onde
os ataques da Luftwaffe ocorreriam, e direcionar os pou-cos caças disponíveis
para aquele local. |
| No entanto, a Luftwaffe enfrentava problemas muito mais
sérios, decorren- tes da própria forma como fora concebida. Como vimos, a Força
Aérea Ale-mã fora criada para servir de suporte às tropas terrestres e nisso foi
muito bem sucedida. Mas, a tarefa que se impunha dependia de bombardeiros estratégicos,
para o que eram necessários aviões quadrimotores de grande autonomia e capacidade
e fortemente armados para sua defesa. E a Luft-waffe nunca chegou a dispor de
nada semelhante durante toda a Batalha, e mesmo durante toda a guerra! Porém,
os sucessos foram acontecendo, como o ataque às bases de ra-dares da Ilha de Wight
em 12.08 (que abriu uma brecha na Chaim Home). Os heróis também começavam a surgir:
Helmut Wick (42 vitórias durante a Batalha), Walter
Oesau (38), Adolf Galland (37), Werner
Mölders (30), Hermann-Friedrich Joppien
(25), Herbert Ihlefeld (24), entre outros,
logo se destacaram durante os ferozes combates sobre o canal. Entre 19.08
e 06.09 a Luftwaffe chegou a voar 1000 missões por dia, levan-do a RAF quase ao
colapso: ao fim deste período os britânicos tinham per-dido 273 caças que não
conseguiam repor, para os ingleses, o fim da RAF estava iminente. Mas neste ponto,
o Reichsmarschall Hermann
Göring cometeu um erro fatal. | |
As Bases "Para Qualquer Tempo" Coube
à Luftwaffe, durante a Batalha da Inglaterra, a primazia de criar e desenvolver
sistemas para que suas bases aéreas fossem capazes de operar não apenas em condições
climáticas favoráveis mas, literalmente, também com "qualquer tempo", de dia ou
de noite. Assim, foram os alemães que, com suas bases "24 horas", criaram todos
os conceitos básicos das operações aéreas noturnas e com mau tempo, não só para
ações militares mas, inclusive, para o tráfego aéreo comercial de hoje em dia.
 |
O esquema básico das bases da Luftwaffe era com-posto por duas ou três pistas
de concreto, com largura aproximada de 35 metros e extensão de 1.400m, com todas
as instalações e alojamentos necessários, além de uma estação ferroviária próxima.
As comunicações eram feitas na faixa de 300 a 600kHz, tendo um canal de emergência.
Ainda existia uma rede de radiofaróis para orientação da navegação, operando entre
200 e 500 kHz. Nas operações noturnas e com tempo ruim (ou nevo-eiro),
os técnicos da Luftwaffe se utilizavam de tecno-logias sem igual em nenhum local
do planeta àquela época. Para aproximações finais e pousos, utilizavam equipamentos
Lorenz EBL-1 e EBL-2, que permitiam o cálculo da distância da aeronave à base
através do rá- | dio. Além disso, o controlador de vôo em
terra contava com um sistema denominado ZZ, que lhe permita guiar uma aeronave
com segurança até a base, mesmo em condições de visibilidade zero. Por fim, um
último sistema de auxílio ao piloto atuava no momento final e era visual, tratando-se
de luzes de aproximação colocadas de modo a se cruzarem em 90º.
| Mais importante - e perigoso para os adversários - era
o fato de que a Luftwaffe contava com um sistema ca-paz de guiar, através de rádio,
um bombardeiro em vôo cego até o seu alvo. Eram três os sistemas empregados:
o Knickebein (que utilizava dois feixes de rádio de VHF, sendo um para determinar
a direção e outro a altitude), o X-Gerät (que requeria tripulações especializadas
e empregava quatro feixes de rádio, entre 65 e 75 mHz) e o Y-Gerät (o mais preciso,
empregando ondas de rádio entre 42.1 e 47.9 mHz, requerendo tripulações especializadas
mui-to bem treinadas). Tais equipamentos se mostraram importantíssimos no decorrer
do conflito. | |
Mudança de planos - O erro fatal
 | Se
o OKL tivesse insistido
na tática atual, teriam ani-quilado as defesas britânicas em pouco tempo. No en-tanto,
o rumo das operações iria mudar radicalmente. Em 24 de agosto, quando a ofensiva
alemã começou a concentrar-se sobre os aeródromos do Comando de Caças da RAF,
um único bombardeiro alemão, que se dirigia para instalações de petróleo no estuário
do Tâmisa, desviou-se do curso e deixou cair suas bom-bas num subúrbio de Londres.
Em represália, o pri-meiro ministro Winston Churchill ordenou que a RAF bombardeasse
Berlim. Por sua vez, Hitler ordenou a Göring que mudasse de objetivo: em vez de
atacar a RAF, deveriam atacar as cidades inglesas, até então a Luftwaffe tinha
se concentrado em alvos militares. Es-sa mudança concretizou nas primeiras horas
da tarde de 7 de setembro, com ataque aos bairros orientais de |
Londres, e foi decisiva, pois o alívio da pressão sobre os caças britânicos
e toda a agonizante RAF permitiu-lhes recuperar as forças, dando-lhes
tempo de repor suas perdas materiais e de pessoal. Além disso, as perdas
da Luftwaffe começaram se mostrar preocupantes: em 07.09, uma força de
650 bombardeiros e 1000 caças esteve envolvida em um ataque que durou
11 horas, ao custo de 36 aviões perdidos.
| O dia mais lembrado da Batalha da Inglaterra, no entanto,
é o dia 15 de setembro de 1940. Neste dia, no meio da manhã, uma formação de mais
de 40 aeronaves foram localizadas sobre a costa francesa em Dieppe, rumando em
direção a Newhaven. Pouco depois, outras formações detectadas, desta vez compostas
por mais de 120 atacantes. Em pouco tempo, o 11º e o 12º Fighter Groups da RAF
enviaram todos os seus aviões para o céu para defenderem a capital Londres - nenhum
avião restou na reserva. A primeira onda de bombardeiros alemães chegaram
à Londres por volta do meio-dia, e depararam-se com cinco esquadrilhas de caças
do 12º Group. Por problemas de autonomia, após meia hora de combates, os caças
Bf 109E tiveram que rumar de volta à França,
deixando os bombardeiros alemães para se defenderem sozinhos dos caças da RAF.
| |
 |
Mas, às 14:00hs, chegava a segunda leva de bombar-deiros da Luftwaffe. À esta
altura, a RAF havia enviado para o combate sobre Londres toda a elite do Fighter
Command: 23 esquadrilhas do Grupo 11, cinco do Grupo 12 e três do Grupo 10. Entretanto,
já um pouco debilitados por um esforço de mais de duas horas de combates, os caças
da RAF não conseguiram evitar que Londres fosse alvo das bombas alemãs. Uma delas
chegou a atingir até mesmo o Palácio de Buckingham, danificando os apo-sentos
pessoais da Rainha. Os últimos atacantes somente se retiraram por volta
das 16:00hs. Ao final deste dia, a Luftwaffe havia perdi- | do
nada menos que 60 aviões, contra 26 aparelhos da RAF. Nos dias seguintes, entre
16-30 de setembro, a RAF derrubou 199 aviões alemães contra a perda de 115 dos
seus. Fim da Batalha - Quem venceu?
| Nesse momento, Hitler, que já pensava na
invasão da União Soviética, cancelou a operação Seelöwe, en-quanto Göring,
lentamente começou a diminuir os ata-ques diurnos sobre a Inglaterra. Mas a "vitória"
britâ-nica não significou que os ataques cessariam. Os 109 ainda tentaram
outra tática: um terço das uni-dades de caça dispunham de aviões equipados para
levar uma bomba de 250 kg. No mês de outubro, estes aviões foram usados para efetuar
ataques diurnos, rea-lizados a uma altitude de quase 7.000 m, enquanto os seus
companheiros os cobriam 3.000 m acima. Po-dendo aproximar-se muito mais rapidamente
que quan-do escoltavam bombardeiros, com freqüência consegui |
|
am iludir as interceptações. Os danos que causaram não foram muitos, mas
os esquadrões da RAF encon-traram-se em má situação.
 |
No entanto, como salientou Galland, as formações
de caça alemãs sentiam-se "como um peixe fora d'água". Combatendo sobre
território inimigo, no limite de sua autonomia e circunscritos a complicadas formações
de bombardeiros, mas sem poder se comunicar com elas pelo rádio, obrigados a travar
constantemente batalhas desesperadas com os indicadores de combustível na viagem
de volta através do Canal, os caças da Luft-waffe tiveram que enfrentar obstáculos
excessivos. Na noite de 14/15 de novembro, 439 bombardeiros ale-mães utilizando
novos equipamentos de orientação no-turna, despejaram 500 toneladas de explosivos
e 30.000 bombas incendiárias sobre a cidade de Conven-try, matando 568 pessoas
e destruindo ou danificando | cerca de 60.000 edifícios. Até
o Natal daquele mesmo ano, Birmingham, Sheffield, Liverpool e Manchester sentiriam
a fúria da Luftwaffe, bem como Londres ainda sofreria um pesado ataque na noite
de 29/30 de dezembro de 1940. Mas os britânicos resistiram. Logo aprenderam
a embaralhar o novo sistema de orientação noturno - um prelúdio dos violentos
combates noturnos que se desenvolveriam nos cinco anos seguintes. Este foi o primeiro
fracasso da Luftwaffe e de Göring, o qual nunca foi esquecido por Hitler. Com
a invasão da União Soviética em junho de 1941, as operações
diminuíram, permitindo que as ilhas britânicas se tornassem a porta de entrada
das forças aliadas para a "Fortaleza Europa" em 1944.
Obs: Se considerarmos
que os pilotos germânicos combateram exclusivamente contra os modernos caças
(Spitfire e Hurricane)
da RAF, além de não poderem permanecer por muito tempo sobre território
inimigo devido ao problema de autonomia, a superioridade dos ases da Luftwaffe
e seu equipamento (Messerschmitt Bf 109) é
ainda maior, uma vez que os pilotos do Fighter Command além de lutarem
sobre seu próprio solo, tinham como principais alvos as grandes formações
de bombardeiros (Heinkel He 111, Dornier
Do 17, Junkers Ju 88 e Ju
87) que eram demasiados lentos e mal equipados para sua autodefesa.
| Balanço
- Julho/1940 | |
Avião |
Destruídos |
Avariados |
Mortos |
Desaparecidos |
Feridos |
| Hurricane |
33 |
17 |
23 |
00 |
11 |
| Spitfire |
34 |
24 |
25 |
00 |
09 |
| Blenheim |
04 |
01 |
09 |
00 |
01 |
| Defiant |
06 |
01 |
10 |
00 |
02 |
| Do 17 |
39 |
13 |
30 |
74 |
19 |
| Ju 87 |
13 |
11 |
10 |
12 |
03 |
| Ju 88 |
39 |
11 |
52 |
67 |
11 |
| He 111 |
32 |
03 |
52 |
85 |
06 |
| Bf 109 |
48 |
14 |
17 |
14 |
13 |
| Bf 110 |
18 |
04 |
13 |
17 |
02 |
| Balanço
- Agosto/1940 | |
Avião |
Destruídos |
Avariados |
Mortos |
Desaparecidos |
Feridos |
| Hurricane |
211 | 44 |
85 | 01 |
68 |
| Spitfire |
113 | 40 |
41 | 03 |
38 |
| Blenheim |
13 | 10 |
06 | 03 |
00 |
| Defiant |
07 | 03 |
07 | ?? |
04 |
| Do 17 | 71 |
30 | 70 |
129 | 57 |
| Ju
87 | 57 |
16 | 35 |
58 | 19 |
| Ju
88 | 89 |
32 | 94 |
182 | 19 |
| He
111 | 89 |
15 | 113 |
204 | 35 |
| Bf
109 | 217 |
45 | 54 |
91 | 39 |
| Bf
110 | 119 |
40 | 80 |
113 | 22 |
| Balanço
- Set/Outubro - 1940 |
| Avião |
Destruídos |
Avariados |
Mortos |
Desaparecidos |
Feridos |
| Hurricane |
294 | 77 |
107 | 02 |
10 |
| Spitfire |
195 | 76 |
67 | 01 |
?? |
| Blenheim |
12 | 04 |
26 | 03 |
55 |
| Defiant |
-- | -- |
-- | -- |
-- |
| Do 17 | 82 |
36 | 147 |
94 | 50 |
| Ju
87 | 01 |
03 | 01 |
?? | ?? |
| Ju
88 | 175 |
85 | 251 |
227 | 74 |
| He
111 | 131 |
78 | 203 |
184 | 67 |
| Bf
109 | 326 |
96 | 77 |
159 | 36 |
| Bf
110 | 124 |
26 | 91 |
109 | 17 |
|