Rudolf Hess era o imediato de Hitler, nacional-socialista de primeira hora e homem de absoluta confiança do Führer. Filho de mãe inglesa, nutria pela Inglaterra, da mesma forma que Hitler, uma grande simpatia. Nas Olimpíadas de Berlim, em 1936, Hess manteve contato intenso com o duque de Hamilton, de quem se tornou amigo pessoal.

Atendendo as insistências de Hess, que acreditava ser capaz de conseguir a paz com a Inglaterra se tivesse a oportunidade de fazer uma exposição séria e amiga, tanto ao Duque de Hamilton como ao próprio rei George VI, além das demais autoridades britânicas, eles acertam um plano de grande audácia e impacto mundial para conseguir essa paz. Hess aprendeu a pilotar perfeitamente o novo avião de caça Messerschmitt Me 110. Identificaram nos mapas a localidade de Dungavel na Escócia, onde se achava a residência do duque. Estudados todos os detalhes, até como se desviar das baterias antiaéreas britânicas, ficou faltando apenas o ensaio de como saltar de pára-quedas; seria seu primeiro salto.Uma missão comparável à de um kamikaze japonês. Antes de partir, Hess deixou uma carta a Hitler, dizendo: "Caso meu projeto fracasse, e reconheço que são muito poucas as possibilidades de êxito, e o destino se mostrar adverso, declare que estou louco".

A data escolhida não poderia ser melhor: dia 10 de maio de 1941 primeiro aniversário do governo de Churchill e primeiro aniversário do início do ataque alemão, que lançou as forças inglesas ao mar.

Nessa mesma noite, Adolf Galland (então Kommodore da JG26), recebeu um intempestivo chamado telefônico do Reichsmarschall Göring: - Deve levantar vôo imediatamente com toda a sua unidade! - gritou Göring, do outro lado da linha. - Hess enlouqueceu e está voando para a Inglaterra, num Messerschmitt 110. Precisa derrubá-lo!

Imediatamente Galland transmitiu a seus subordinados ordens para que interceptassem o aparelho de Hess. As esquadrilhas levantaram vôo e, durante horas, patrulharam sem resultado o espaço aéreo em torno das costas da Inglaterra, sem achar o rastro do Messerschmitt. A presa tinha conseguido escapar.

Hess, escapulindo com seu avião, ao abrigo da noite, conseguiu alcançar as costas da Escócia e continuou voando para o interior. Finalmente, quando acabou o combustível, lançou-se de pára-quedas. O Messerschmitt, sem controle, entrou em vertiginosa picada e foi espatifar-se num campo semeado. Um camponês, armado com um ancinho, foi ao encontro do pára-quedista alemão Hess, que vestia o uniforme de piloto da Luftwaffe, entregou-se sem resistência e se identificou como sendo o Leutnant “Horn”. Foi conduzido, rapidamente, a Glasgow, onde , finalmente, foi reconhecido pelas autoridades militares.

A notícia da captura de Hess foi manchete mundial e chegou ao conhecimento de Churchill na tarde de 11 de maio. O Duque de Hamilton, com quem o alemão tinha pedido uma entrevista, dirigiu-se para a casa onde estava repousando o primeiro-ministro e comunicou-lhe o extraordinário acontecimento. Churchill ordenou que Hess fosse condignamente tratado como prisioneiro de guerra.

Nessa mesma noite, os funcionários do Foreign Office, entrevistaram Hess e receberam do dirigente nazista uma insólita declaração. Havia viajado para a Inglaterra por sua própria vontade, a fim de atuar como emissário de paz junto aos britânicos. Hitler não tinha participação nenhuma naquilo.

Em Berlim, o Führer ordenou aos seus assessores que anunciassem que Hess havia enlouquecido. A notícia não demorou a ser divulgada por todas as rádios da Alemanha: “O membro do Partido Nazista Rudolf Hess, apoderou-se recentemente de um avião, contrariando as estritas ordens do Führer que o proibiam de voar, em razão da doença de que sofria, a qual tinha-se agravado nos últimos tempos. No dia 10 de maio, às 6:00, Hess empreendeu um vôo de Ausburg, e até agora não regressou...”

O que foi tratado entre Hess e as autoridades britânicas é segredo de Estado e, de acordo com o decreto do Parlamento inglês, o teor dessas conversações somente poderá ser revelado no ano de 2.016, isto é, 75 anos após o acontecido, quando o fato não mais terá valor. Essa missão totalmente detalhada, encontra-se nos Diários de Adolf Hitler, que foram declarados falsos pelas autoridades alemãs. Nesse diário, nas páginas que descrevem a missão, o próprio Rudolf Hess autentica com sua rubrica os fatos que antecederam o vôo.

Louco ou não, o que sabemos oficialmente é que o homem que foi pessoalmente propor a paz à Grã Bretanha ficou preso na Inglaterra até o fim da guerra, sendo transferido para a Alemanha por ocasião do julgamento de Nuremberg, quando o condenaram à prisão perpétua, como criminoso de guerra!

Rudolf Hess morreu em 17.08.1987 aos 93 anos de idade. Era o único prisioneiro na prisão de Spandau em Berlim onde passou seus últimos 41 anos de vida.

"Não me defendo de meus acusadores, aos quais nego o direito de me acusarem, a mim e aos meus compatriotas.
Não me defendo das acusações que competem aos assuntos internos da Alemanha, e que nada importam aos estrangeiros.
Não protesto contra as declarações que afetam a minha honra e a honra de todo povo alemão. Durante longos anos de minha vida me foi concedido viver ao lado do homem mais poderoso produzido por seu povo em sua história milenar. Mesmo se pudesse, não desejaria apagar esse tempo de minha existência.
Eu me sinto feliz por haver cumprido com o meu dever como alemão, como nacional-socialista e como fiel do Führer.
Não me arrependo de coisa alguma. Se tivesse de começar tudo de novo, trabalharia da mesma forma, mesmo sabendo que ao final me aguardaria uma fogueira para a minha morte. Pouco importa o que podem fazer os homens. Comparecerei diante do Todo-Poderoso. A Ele prestarei minhas contas, e sei que me absolverá."

Rudolf Hess ante o tribunal de Nuremberg em 31.08.1946