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A área do Mediterrâneo, abrangendo os
Bálcãs, a costa do Norte da África e as ilhas de Malta, Creta, Sicí lia,
Sardenha e Córsega nunca foi uma região importante nos planos de Hitler.
O Führer considerava que, aque la região encontrava-se sob responsabilidade
e influência direta dos italianos, cujo governo fascista de Benito
Mussolini era seu aliado. Assim, qualquer ameaça aliada nesta área
deveria ser repelida pelos italianos.
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Contudo, essas expectativas não foram preenchidas. Mussolini só declarou guerra
à França e à Inglaterra em Junho de 1940 (quando os franceses já estavam
derrotados), e as ofensivas de suas tropas nos Bálcãs e no Norte da África foram
desastrosas. Em setembro de 1940 o 10º Exército italiano atacou as tropas inglesas
no Egito (visando alcançar o Canal de Suez mas, no mês seguinte, Mussolini determinou
a desnecessária invasão da Grécia. Em ambos os casos as ofensivas não apenas foram
detidas, como as con-tra-ofensivas quase levaram as tropas italianas ao colapso.
Assim, em fevereiro de 1941, pouco após a rendição dos remanescentes do 10º
Exército italiano aos ingleses em Cirenaica (Líbia), Hitler viu-se obrigado a
intervir com suas tropas a fim de evitar algo pior. Desta forma, foi criado o
hoje lendário Deutsches Afrika Korps (ou DAK), sob comando
do General der Panzertruppen (e depois Generalfeldmarschall) Erwin
Rommel (1891-1944), a “Raposa do Deserto”.
A Luftwaffe começou a deslocar-se para o leste em janeiro de 1941.
Em março, cerca de 500 aviões (40 bombardeiros, 120 Stukas,
120 Bf 109, 40 Bf
110 e 170 aviões de transporte e reconhecimento) foram reunidos
na Romênia e Bulgária (aliados do Eixo) preparando-se para
o planejado ataque à Grécia. A esta força somou-se o Fliegerkorps
X, do General Hans
Geisler,
| com 390 aeronaves (a maioria
Stukas e Bf 109’s). Foi justamente o Fliegerkorps X, estacionado na Sicília,
que atuaria junto ao DAK de Rommel,
em suas campanhas da Líbia e Egito. Além disso, também cabia a esta uni dade a
tentativa de neutralizar a guarnição aliada na ilha de Malta, importante base
naval e aérea dos ingleses. Para reforçar ainda mais a Luftflotte
4 nos Balcãs, outros 600 aparelhos foram transferidos do Ocidente para lá. O fato
de uma força tão grande poder mover-se para bases situadas a 1.600 km de distância
das anterior-mente ocupadas, na França, e entrar em ação com metade dos seus efetivos
estimados dez dias depois da ordem de transferência, é outro exemplo da mobilidade
da Luftwaffe.
A invasão da
Iugoslávia, Grécia e CretaOs alemães haviam tomado como
certo que a Iugoslávia concordaria com seus planos e foi com surpresa que viu,
em março de 1941, um golpe de Estado expulsar o governo pró-alemão daquele
país. Hitler decidiu que teria de ocupar a Iugoslávia e a Grécia, para garantir
seu flanco meridional, antes da ofensiva na URSS. O ataque à Iugoslávia iniciou-se
em dia 6 de abril de 1941, com violento bombardeiro naquela manhã bem ce-do contra
a capital, Belgrado. Uma força de 150 bombardeiros de nível e de mergulho, com
poderosa escolta de caças, superou facilmente as fragílimas defesas de caças e
antiaéreas, e passou a destruir Belgrado sem quase ser molestada. Tendo desfechado
seu golpre destruidor contra a força aérea adversária e a capital, a Luftwaffe
voltou-se para solopar os pontos de apoio ao exército: concentrações de tropas,
linhas de comunica- ção e alvos na área de combate. Como acontecera antes, a combinação
de apoio aéreo concentrado e podero
| sas penetrações blindadas em terra mostrou-se
irresistí- vel. Os iugoslavos renderam-se doze dias após o início da campanha.
O ataque simultâneo à Grécia foi igualmente bem sucedi-do. Na primeira
noite, Ju 88s da KG 30 (Kampfgeschwader
30) atacaram o maior porto do país, Pireu, próximo à Ate-nas. Uma bomba certeira
atingiu o navio de munições Clan Frazer, atracado a um dos cais para descarregar,
e a explosão resultante das 250 toneladas de explosivos exis-tentes em seus porões
destruiu o porto grego de ponta a ponta. Num só golpe as forças britânicas e gregas
foram privadas da única baía bem equipada para desembarque de suprimentos. |
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Com o apoio cerrado da Luftwaffe, as forças de terra alemãs avançaram
rapidamente pela Grécia e dois dias depois entraram em Salonica. Uma a uma, as
linhas defensivas nas montanhas foram derrubadas e logo tornou-se evidente que
a posição Aliada estava ficando rapidamente insustentável. A 24 de abril, enquanto
as tropas britânicas travavam prolongado combate para atrasar os alemães, os primeiros
homens da força expedicionária eram evacuados pelo mar. Três dias depois os invasores
entraram em Atenas e a 28 de abril - passadas apenas três semanas do início da
campanha - as últimas das forças britânicas ainda no território continental grego
renderam. A maquinaria alemã da Blitzkrieg
estava funcionando regularmente.
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Ainda antes da captura final da Grécia, os estrategistas alemães estavam estudando
o último objetivo da limitada campanha dos Balcãs: a estratégica ilha de Creta,
a 96 km ao sul do continente grego. A 25 de abril Hitler assinou sua 28ª diretiva
de guerra, que dizia: " Como base para guerra aérea contra a Grã-Bretanha
no Mediterrâneo Oriental, temos de nos preparar para ocupar a ilha de Creta (Operação
Mercúcio)...O Comando desta operação é confiado ao Comandante-Chefe da Luftwaffe,
que empregará para esse fim, primeiramente, as forças aerotransportadas e as forças
aéreas estacionadas na área do Mediterrâneo..." |
Ao contrário do que ocorria com outras nações, as tropas aerotransportadas alemãs
eram parte integrante da força aérea, e não do exército. Daí a responsabilidade
da Luftwaffe pelo ataque à Creta. Para a invasão aerotransportada
(Operação Merkur), comandada pelo general Kurt Student (1890-1978), reuniu -se
uma força de 493 transportes Ju 52s, mais uns 100
planadores de assalto DFS 230, nos aeródromos
dos arredores de Atenas. A tarefa de prestar o apoio aéreo necessário coube ao
Fliegerkorps VIII, do General Freiherr
von Richthofen, que compreendia 650 aparelhos assim distribuídos:
| Bombardeiros de nível (Ju 88 e He 111).............. |
280 | | Bombardeiros de mergulho
(Ju 87)...................... | 150 |
| Caças monomotores (Bf 109)............................. |
90 | | Caças bimotores
(Bf 110)................................... | 90 |
| Reconhecedores (Do 17 e Hs 126)...................... |
40 | Os alemães só precisaram de quatro
dias para eliminar a fraca oposição aérea britânica e, por volta de 18 de maio,
a Luftwaffe controlava totalmente os céus de Creta. Agora os bombardeiros começavam
as operações sistemáticas de "debilitação" das defesas terrestres.
| O assalto aerotransportado à Creta iniciu-se,
de manhã bem cedo, no dia 20 de maio de 1941, precedido de uma hora de ataques
aéreos intensos contra as defesas em torno das zonas de salto. A seguir vieram
os transportes Ju 52s e as primeiras levas de pára-quedistas
e planado-res desceram sobre Máleme, Canea, Rétimo e Heráklion. Em todos os casos,
os desembarques foram sincroniza-dos com o fim dos bombardeios, para que as tropas
ale-mãs pudessem aproveitar as recém-criadas crateras de bombas para proteção.
Mas, a despeito de tudo isso, as tropas aerotransporta-das a princípio
sofreram pesadas baixas e progrediram muito pouco. Só gradativamente, e com o
apoio amplo das unidades aéreas disponíveis é que os alemães pude- |
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ram arrancar as tropas britânicas, neozelandesas, australianas e gregas
das suas posições. Para os invaso-res, o momento decisivo ocorreu na tarde do
dia 21, quando finalmente conseguiram tomar o aeródromo de Máleme. Muito embora
a pista ainda estivesse sob fogo de artilharia, dezenas de Ju 52s aterrisaram
com novas tropas e suprimentos muito necessários. Entrementes, o Fliegerkorps
VIII impedira efetivamente que os defensores recebessem quantidades necessárias
de suprimentos. As coisas pioraram para as forças Aliadas, e a 28 de maio a Marinha
Real começou a evacuar os homens da ilha.
 | Durante
a batalha terrestre pela tomada de Creta, a Mari-nha Britânica, desafiando
a ameaça dos bombardeiros de mergulho, conseguiu repelir quase todas as tentativas
ale mãs de desembarcar tropas na ilha pelo mar. Mas a for- ça de von
Richthofen reagiu violentamente e, nas bata-lhas aeronavais que se seguiram,
afundou dois cruzado-res e quatro destróires e danificou um porta-aviões, três
couraçados e um destroier. Agora a preocupação era im pedir a retirada dos britânicos
e, ao custo de um cruza-dor e dois destróires afundados e de três destróires avari-ados,
os navios britânicos retiraram 16.000 homens da ilha, antes que os restantes fossem
obrigados a render-se, em 1º de junho. | As tropas aerotransportadas
alemãs também sofreram sérias baixas. Dos 13.000 pára-quedistas empenhados cerca
de 4.500 foram mortos ou considerados desaparecidos. No decorrer da ação, 272
dos aviões de trans-porte foram destruídos ou seriamente danificados - mais da
metade da força . Malta - O Bastião da Grã-Bretanha no MediterrâneoDesde
o começo da guerra no Mediterrâneo, a pequena ilha de Malta, pertencente à Grâ-Bretanha
e situada a 100 km ao sul da Sicília, foi um tormento constante para o Eixo.
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O primeiro ataque à ilha ocorreu em 09 de janeiro de 1941, quando foram
atingidos instalações portuárias e aeródro-mos. Durante os meses de fevereiro
e março, o Flieger-korps X e algumas
unidades da Regia Aeronautica (Força Aérea Italiana) desfecharam violentos ataques
aéreos con-tra a ilha, visando principalmente à baía de Valetta e aos vários
aeródromos. Quase toda a força de bombardeiros de Geisler, compreendendo 120 bombardeiros
de nivel e 150 de mergulho, esteve empenhada nessa tarefa. A intervalos
regulares, eles desfechavam ataques sincroni-zados de bombardeio de mergulho e
de baixa altitude u-sando Ju87s e Bf
110, enquanto os Ju 88 e He
111, com escolta de caças, realizavam ataques a médias altitudes, |
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de 1.500 a 2.400 m. Mas durante a primavera de 1941, os olhos de Hitler
estavam firmemente voltados para o objetivo principal: a União Soviética. Então,
em abril, os ataques começaram a diminuir, à medida que as exigências das outras
frentes de batalha começavam a afastar da Sicília unidades de combate da Luftwafffe
que eram enviadas para bases em Creta e Grécia. Uma vez eliminada a ameaça bolchevista,
a pequena ilha de Malta poderia ser atacada tranquilamen-te. Para Rommel
restaram pouco mais de 150 aviões.
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Aliviada um pouco, a ilha pôde aumentar seu potencial co-mo base para destróires,
submarinos e aviões que ataca-vam as rotas marítimas de abastecimento do Afrika
Korps. Por volta do outono, as perdas infligidas estavam assumin-do proporções
sérias: em setembro, quase 40% dos supri-mentos alemães ou italianos enviados
pelo Mediterrâneo se perderam no caminho; no mês seguinte, as perdas su-biram
para 60% e, em novembro, quase 80% dos supri-mentos não chegaram; a maior parte
dessas perdas foi causada por unidades aéreas e navais estacionadas em Malta.
| Evidentemente, era preciso fazer alguma coisa contra
a ilha, bastião da Grã-Bretanha no Mediterrâneo. A des-peito das necessidades
da frente russa em fins de 1941, os alemães transferiram cerca de 200 aviões dali
pa-ra o Fliegerkorps III, baseado na Sicília e destinados a atacar Malta. A força
continuou aumentando; por volta de março de 1942, ela dispunha de mais de 400
aparelhos (incluindo 190 bombardeiros e 115 caças Bf
109), e a presença desta poderosa força de ataque sobre Malta, logo se fez
sentir. Nesse mês, a Luftwaffe realizou 2.800 missões sobre a ilha e despejaram
2.200 toneladas de bombas ao custo de 60 aviões perdidos. As coi-sas atingiram
o ponto culminante nos meses de abril e maio, quando realizaram 11.000 surtidas
contra a ilha. As bases aéreas e navais britânicas sofreram danos muito sérios,
e os destróires e aviões usados no combate à navegação mercante tiveram de ser
retirados.
| Todas as tentativas de levar abastecimentos
à ilha sitiada foram violentamente repelidas pela Luftwaffe. Em março, de 1942,
a Marinha Britânica foi obrigada a empregar um navio antiaéreo para escoltar um
comboio de quatro navi-os mercantes até Malta. A despeito da poderosa proteção
a Luftwaffe afundou um dos navios, obrigou outro a enca-lhar, danificado, na própria
ilha e atingiu os dois restantes quando estes descarregavam na baía de Valetta.
Somente um quinto das 26.000 toneladas de suprimentos extrema-mente necessários
foi desembarcado com segurança. | |
Em fins de maio de 1942 a situação parecia estar inteiramente controlada
pelos alemães. A maior parte da for ça de bombardeiros de longa distância retornou
à URSS, para apoiar a ofensiva de verão naquele local. Mas, a despeito disso,
a Luftwaffe conservou-se na Sicília suficientemente forte para reagir com vigor
a qualquer tenta-
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tiva de reabastecer Malta. O esforço seguinte, realizado em junho, envol veu
dois comboios separados: um do Egito, no leste, e outro de Gibral-tar, no oeste.
A marinha italiana obrigou o primeiro comboio a voltar, en-quanto que a do oeste
- compreendendo seis navios mercantes escolta-dos por um couraçado, três cruzadores
e 17 destróires, foi seriamente hostilizado por aviões alemães e italianos, e
somente dois, dos seis navios mercantes, chegaram a Malta. Em agosto de
1942, mais outro comboio partiu para a ilha, desta feita com 14 navios mercantes
escoltados por três porta-aviões, dois coura- çados, um navio antiaéreo, seis
cruzadores e 24 destróires. Nessa épo-ca, contavam os alemães com cerca de 220
aviões baseados na Sicília além disso, os italianos tinham 300 ali e mais 130
na Sardenha. Dos 14 navios mercantes que partiram para Malta, somente cinco
che-garam lá, e dois destes cinco estavam seriamente danificados. Mas as 32.000
toneladas de carga que conseguiram entregar manteriam a ilha em ação até que a
situação no Norte da África melhorasse para os Aliados. | Com
as forças britânicas que defendiam Malta bastante debilitadas, e mais longe que
nunca da ajuda externa, os alemães e os italianos examinaram seriamente a idéia
de uma invasão aerotransportada: a Operação Hércules. Todavia, o medo da repetição
do ocorrido em Creta - quando as unidades aerotransportadas alemãs sofreram pesadas
baixas - e o sucesso da ofensiva de verão de Rommel,
que prometia tornar supérflua tal operação, finalmente convenceram a Hitler a
não realizá-la.
Norte da África
- A Guerra no DesertoNeste meio tempo, no Norte da África, por volta da
primavera de 1942, a Luftwaffe criara uma força de 260 aviões, além do contingente
italiano de 340 aparelhos. Combinada, esta força tinha o dobro dos efetivos da
RAF na área; além disso, os recém-chegados caças Bf
109F eram superiores aos Hurricanes e aos P-40
Tomahawks dos Aliados.
| A 26.05.1942 o Afrika Korps de Rommel
passou para a o-fensiva. Com vigoroso apoio aéreo, ele atacou para o sul e depois
para leste, flanqueando a linha defensiva britânica em Gazala. O ponto mais meridional
da linha, em Bir Ha-kim, tornava-se agora o centro de gravidade da batalha. Fa
zendo um total de 1.400 surtidas contra essa posição, te-nazmente defendida pelos
homens da Brigada de France-ses Livres, a contribuição da Luftwaffe para a sua
queda a 11.06.1942 foi considerável. Uma vez cruzada a linha de Gazala, Rommel
continuou avançando e, valendo-se nova-mente do poderoso apoio aéreo, os alemães
conseguiram assaltar e capturar a fortaleza birtânica de Tobruk em 20 de junho
de1942. | |
Mas na parte restante do avanço alemão, que penetrou profundamente
no Egito e foi detido em Al Alamein, a Luftwaffe estava já esgotada; durante o
período intenso de vôo, ela acabara com os estoques de combustível tão cuidadosamente
acumulados nos meses anteriores. Enquanto os britânicos se esforçavam valentemente
para manter Malta a-bastecida, os alemães e os italianos tinham seus próprios
problemas de abastecimento. Com a colocação de número cada vez maior bombardei-
ros norte-americanos e britânicos de longa distância no Egito, o castigo aos
navios do Eixo no Mediterrâneo tornava-se cada vez mais sério. Além disso, o bombardeio
aéreo aos portos de chegada em Bengazi e Tobruk causava sempre outras perdas.
Durante o verão de 1942, o bloqueio Aliado do Norte da África foi quase total
e, desesperados, os alemães tiveram de recorrer à ponte aérea para trazer suprimentos
de combustível. Assim, o poder de combate da Luftwaffe na área diminuiu rapidamente,
numa época em que o contingente britânico no Egito passou a receber reforços
em grande escala, criando a DAF (Desert Air Force), composta
por unidades da Royal Air Force, Royal Australian
Air Force, e South African Air Force.
 | Calor,
areia e tempestades, somados aos baixos esto-ques de combustível disponíveis (os
aliados continua-ram a atacar os suprimentos destinados ao Norte da África), tornaram
a situação gradativamente desespera dora para os alemães. Foi neste teatro e nestas
condi- ções que se destacou o Hauptmann Hans-Joachim
Marseille. Nos dezoito meses em que combateu no de-serto (Abril/1941 a Setembro/1942)
Jochen - como era chamado pelos colegas - destruíu nada menos que 151 aviões da
DAF (147 caças), sendo considerado por mui tos especialistas no assunto, não somente
o maior ás do Norte da África como também de toda a Segunda Grande Guerra. |
| Quando os britânicos desfecharam sua ofensiva, em El Alamein,
em 23.10. 1942, era a RAF que imperava. Um rastro de aviões destruídos, largados
nos aeródromos abandonados à medida que o Afrika Korps recuava cada vez mais para
oeste, esta a visão da Luftwaffe naquela área. Rommel fez suas forças recuar de
tal modo, que a grande retirada não se transformou em derrota. No início de 1943,
as forças alemãs e italianas haviam sido expulsas do Egito e da Líbia, ela estava
lutando tenazmente para manter um ponto de apoio na Tunísia. A velocidade
do avanço britânico e os desembarques anglo-americanos si-multaneamente feitos
na Argélia e Marrocos colocavam os alemães em po-sição muito difícil; a menos
que se fizesse alguma coisa rapidamente, eles e seus aliados italianos seriam
empurrados para o mar. Quando tudo estava perdido, Hitler decidiu que os
esforços há muito solicita dos seriam enviados para o teatro de guerra do Mediterrâneo,
a despeito da necessidade vital de levar unidades de combate para a frente russa,
a fim de estabiliza-la, após o cerco do 6º Exército em Stalingrado. |
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 | Assim,
unidades da Luftwaffe no Norte da África, agora reunidas sob um só comando de
operações, o Flieger-korps Tunis, foram
subitamente revivadas. Entre esses reforços haviam duas unidades equipadas com
o caça Focke-Wulf Fw 190, transferidas da costa
do Canal da Mancha. Como resultado, os alemães conseguiram superioridade aérea
temporária sobre as forças aéreas britânica e norte-americana no Norte da África.
A parte a vantagem de ter os caças mais modernos à disposi- ção, a Luftwaffe estava
operando de bases bem prepa-radas e com linhas de comunicação curtas, ao passo |
que seus adversários eram obrigados a valer-se de pistas improvisadas
e enfrentar o problema da extensão de suas linhas de abastecimento.
| A 14.02.1943, Rommel desfechou sua ofensiva
na Tunísia, a O-peração Fruhlingswind (Brisa de Primavera). Seus objetivos e-ram
as recém-comprometidas unidades americanas na área do Passo de Kasserine e, para
essa operação, o Fliegerkorps Tu-nis engajou uma força composta de 371 aviões.
A princípio tudo ocorreu bem para os alemães, mas, depois de uma semana de ataques
violentos, suas penetrações foram contidas pelas for- ças britânicas, francesas
e americanas. Outra ofensiva alemã, em fins de fevereiro, desta vez contra o aguerrido
8ª Exército de Montgomery, no leste, foi repelida com pesadas baixas. Apesar
de todos os esforços, os alemães só podiam adiar o ine vitável. Enquanto as forças
de terra Aliadas envolviam paulatina-mente o bolsão da Tunísia, suas forças aéreas
- cujo equipa-mento agora incluía as versões mais recentes do Spitfire
- esta- | |
vam recebendo suprimentos adequados e se tornando cada vez eficientes.
Ao contrário, a situação do Flieger-korps Tunis piorava à medida que as forças
de bloqueio aéreo e marinho americanas e britânicas estrangula-vam as linhas de
abastecimento do Eixo. Em meados de abril de 1943, a Luftwaffe no Norte
da África estava à beira do colapso total; os poucos aeródro mos que lhe restavam
eram continuamente martelados por bombardeiros Aliados, enquanto caças americanos
e britânicos patrulhavam com muita regularidade o local. Diante da pressão ininterrupta
das forças terrestres Aliadas, a linha defensiva final dos alemães rompeu-se totalmente.
Sem terem para onde recuar, as tropas alemãs e italianas começaram a se render
em grandes números, e a 13.05.1943 todo continente africano esta va nas mãos dos
Aliados. Quase 250.000 soldados do Eixo depuseram armas na Tunísia, num desastre
até então apenas superado pelo que os alemães haviam sofrido em Stalingrado. A
Batalha pela ItáliaEm 03.07.1943, os efetivos da Luftwaffe no Mediterrâneo
totalizavam 1.280 aviões. Foi então que as forças aéreas Aliadas começaram a atacar
os aeródromos da Sicília, nos preparativos para o assalto marítimo à ilha. Quando
os primeiros soldados Aliados desembarcaram, o número de aviões à disposição da
Luftwaffe estava reduzido em mais de uma centena. Como seus aeródromos haviam
sido bombardeados a ponto de torná-los inúteis, os caças Fw
190 restantes tiveram de ser retirados para bases localizadas na área de Nápoles,
de onde não podiam combater os desembarques Aliados. Nesse meio tempo, os efetivos
da proteção de caça Aliada eram tais, que a força alemã de bombardeiros de nível
pouco realizava e os Gruppen eram destruídos
sempre que tentavam alguma coisa.
 | A
17 de agosto de 1943, as últimas tropas alemãs que estavam na Sicília se renderam,
e os Aliados ocidentais se preparavam para a invasão da Itália Continental. A
Luftwaffe sofrera sérias perdas no mês anterior, mas, devido à existência das
frentes interna e russa, nem todas puderam ser repostas. Assim, quando as tropas
Aliadas desembarcaram na ponta da Itália, em 03.07.1943, os efetivos alemães no
Mediterrâneo haviam caído para uns 800 aviões de todos os tipos. O comandante
da Luftwaffe na Itália, Generalfeldmarschall
von Richthofen, decidiu prudentemente
conservar suas forças minguantes para os combates mais decisivos que por certo
sobreviriam, por isso que a primeira reação alemã aos desembarques foi fraca.
| Em 10.07.1943, os italianos, já inteiramente fartos da
guerra, anunciaram sua capitulação que, na realidade, fora assinada a 5 de setembro,
tropas Aliadas assaltaram a costa de Salerno, perto de Nápoles. Era este o momento
para o qual Richthofen estava preparando
sua força, lançou suas unidades contra a cabeça-de-pon-te. Ademais, a concentração
de navios mercantes, ao largo, era o tipo de alvo para o qual se projetara o Fritz
X, e os Do 217 do III/KG 100, comandados pelo
Major Bernhard Jope partiram para o ataque. Sob a asa de es-tibordo, entre o motor
e a fuselagem, cada um dos nove Dornier transportava uma única bomba Fritz X.
Esta ar |
ma, altamente secreta, era uma bomba-voadora de 1.500 kg, tendo na cauda um
dispositivo que permitia o controle pelo rádio de toda a parte final de sua trajetória.
Na sema-na que se seguiu, eles atingiram o couraçado HMS War-spite e os cruzadores
HMS Uganda e USS Savannah, ava-riando seriamente os três navios. O III/KG
100 manteve-se em ação contra os navios mer-cantes, em conjunção com outras unidades,
lançando ou-tra arma teleguiada, a bomba planadora Henschel 293. Mas durante a
batalha de Salerno esta última não realizou | |
muita coisa, pois já então havia proteção de caças nos céus sobre a cabeça-de-ponte,
vindos de bases situa-das em terra, e as unidades de bombardeiros alemães começaram
a sofrer grandes baixas. A Luftwaffe travou combate até 20.07.1943. Então, as
tropas britânicas que avançavam do sul ameaçaram as bases alemãs na área de Foggia
e as unidades ali situadas tiveram de se retirar.
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Os Aliados ocidentais, por fim, estavam firmemente esta-belecidos na Europa
Continental. O relevo italiano não per-mitiria, porém, progressões muito rápidas,
porque monta-nhoso, e disso tirou Kesselring o partido que pôde para in-fligir
à tropa de invasão duro castigo. Em 22.01.1944, foram encontrados reforços
depois que os Aliados tentaram romper as defesas alemãs perto de Cas-sino, quando
desembarcaram mais ao norte, em Anzio, mas a quantidade ainda era inadequada.
Ao final de janei-ro, 140 bombardeiros tinham sido trazidos da Grécia, Fran ça
e Alemanha. | No entanto, a falta de caças impediu que
a Luftwaffe ganhasse a superioridade aérea e, com isso, os Aliados conseguiam
destruir quantos bombardeiros encontrassem voando. Mesmo o envio de uma força
de 50 caças
| no início de março foi insuficiente para
permitir às tropas terrestres a cobertura necessária para um contra-ataque contra
as cabeça-de-ponte em torno de Cassino. No final de março de 1944 era óbvio que
o poder aéreo estava sendo desperdiçado e vários esquadrões foram deslocados daquele
front. Daí em diante, a Luftwaffe teve um papel sofrível na Campanha da Itália,
deixando as unidades terrestres à mercê do poderio aliado, passando a lutar pela
própria sobrevivên-cia. A Wehrmacht não
havia sido treinada para isso. Nesta época era aparente que o desembarque
Aliado na costa noro-este da Europa não demoraria a acontecer. A partir de 1º
de abril um número significante da frota de bombardeiros anglo-americanos passou
a se concentrar em alvos estratégicos para o desembarque. A Luftflotte
3, que era responsável pela França e os Países Baixos, foi reforçada, parcialmente
às custas das forças situadas na Itália, e de parte das forças empenhadas na defesa
do Reich - já que os bombardeios à Alemanha haviam diminuído de número como refle-xos
dos preparativos para o Dia D. | 
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Dessa forma, quando os bem treinados esquadrões de suporte terrestre
do Fliegerkorps II foram transferidos
do norte da Itália para a Luftflotte
3 em fevereiro de 1944 e quando, um mês mais tarde, os experts de táticas contra
navios, do Fliegerkorps X, juntaram-se a eles; a superioridade aérea dos Aliados
na Itália era tal que po-de-se afirmar que a Luftwaffe na Itália havia deixado
de existir como força de combate.
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