Até 1942
a necessidade de se empregar um grande número de caças ou canhões
antiaéreos (conhecidos como Flak - flug-abwehr kanone), na defesa
da Alemanha, parecia ser algo desne cessário. Os ataques dos bombardeiros
da RAF em 1940 e 1941 eram esporádicos e, na maioria dos casos, infligiram
poucos da-nos. Além disso, o sucesso das defesas alemãs então existentes
fizeram com que os britânicos passassem a optar por ataques noturnos,
o que acabou prejudicando a navegação e a precisão dos bombardeiros.
Em agosto de 1941, o Comando de Bombardeiros da RAF foi obri gado
a admitir que, nos ataques conduzidos contra as indústrias situadas
no vale do Ruhr, apenas um terço das bombas caíam dentro de um raio
inferior a 8km dos alvos designados. Em uma época em que as forças
alemãs estavam cercando os Bálcãs e varrendo as estepes da Rússia,
havia pouca necessida-de de se manter uma grande força nos céus da
Alemanha. Isso era indica-
| |
do pelo número de aviões mantidos na Alemanha: no fim de 1940 havia apenas
165 aparelhos, o que foi au-mentado para pouco mais de 300 um ano depois.
Mas os alemães não negligenciaram completamente as defesas de seu espaço
aéreo. Ainda em julho de 1940, o General Josef
Kammhuber foi indicado por Göring
para desenvolver a defesa noturna e suas inovações tornaram-se a base
de uma operação importante no futuro. Seu sistema ficaria conhecido como
Linha Kammhuber, estendendo-se da Dinamarca até o sul da França. Apelidado
de Himmelbett, ela dividia as áreas onde estavam as principais rotas dos
bombardeiros em “caixas”, cada uma das quais era defendida por uma mistura
de radares, caças, holofotes e Flaks.
 | Os
radares de longo alcance “Freya” eram posicionados para apanhar sinais de qualquer
força que se dirigisse ao Reich; assim que os bombardeiros se aproximas-sem, eles
seriam rastreados por radares de curto alcan-ce “Wurzburg”, que eram conectados
às bases dos caças noturnos. Este sistema de contato entre as ba-ses e os Wurzburg
guiariam individualmente cada caça em direção aos inimigos, deixando aos pilotos
a tarefa de identificá-los visualmente. Se isto se tornasse impos sível, os caças
seguiriam os bombardeiros até as zonas clareadas pelos gigantescos holofotes e
então os ata-cariam. Ainda assim, se todos esses meios falhassem, | as
armas antiaéreas situadas na região “iluminada” entrariam em ação. Para aquela
época era, realmente, um sistema muito sofisticado. Além disso, por
insistência do então Major Wolfgang Falck (1910- ) os alemães criaram a primeira
unidade de caças noturnos, a Nachtjagdgeschwader 1 (NJG1) ainda em julho de 1940.
Equipada com os bimotores Bf 110 e com sua tripulação
recrutada entre os Zerstoresgeschwaders,
os caças noturnos se mostraria, nos anos seguintes, como uma das mais acertadas
decisões da Luftwaffe e revelaria grandes ases como Heinz-Wolfgang
Schnaufer, Helmut Lent, Werner
Streib, Prinz zu Wittgenstein, Hans-Joachim
Jabs, Martin Drewes, entre outros. Os bombardeios
noturnos da RAF
 | Contudo,
no início de 1942, a RAF aperfeiçoou seus ataques. Os primeiros bombardeiros pesados
quadri-motores começaram a ser empregados e, sob a lide-rança do objetivo Marechal-do-Ar
Arthur Harris, uma nova estratégia foi introduzida,
baseada no conceito de “área de bombardeamento”, onde cidades inteiras pas-saram
a ser visadas ao invés de concentrar os ataques apenas em indústrias ou refinarias.
Isto reduzia a nece ssidade de uma grande acuracidade nos ataques, mas aumentou
drasticamente o número de mortos e feridos entre os civis. Por exemplo, na noite
de 28/29 de março de 1942 a cidade de Lübeck foi arrasada e, um mês depois, foi
seguida por Rostock. Em ambos os casos, os bombardeiros voaram em um fluxo contínuo,
simplesmente inutilizando a Linha Kammhuber. |
Hitler ficou furioso. Imediatamente após o ataque sobre Lübeck,
ele ordenou à Luftflotte III que iniciasse ataques retaliatórios sobre a Inglaterra.
O primeiro ocorreu na noite de 23/24 de Abril, quando 45 Dorniers
Do 217´s atingiram Exeter, repetindo o ataque no dia seguinte. A
cidade histórica de Bath foi atingida na mesma noite que Rostock - e isto levou
Hitler a afirmar, em um discurso ao povo alemão, que ele havia comprado uma cópia
do Guia Baedeker sobre a Grã-Bretanha e que as cidades listadas neste guia seriam
liquidadas uma a uma. A partir de então, até o final de julho, no que
ficou conhecido como os “Raids de Baedeker”, os bombardeiros da Luftwaffe atacaram
Norwich, Exeter, York, Hull e Birmingham. No caso de Exeter - atingida pela terceira
vez em 3/4 de Maio - os resultados foram terríveis. |
| Mas a
Luftflotte III não podia manter essa campanha. As perdas cresciam e a ausência
de um bombardeiro pesado alemão fizeram com que os raids fossem diminuindo. Com
a exceção de uma breve série de ataques em Londres no início de 1944, este foi
o “canto de cisne” da Luftwaffe sobre as Ilhas Britânicas.
 |
Enquanto isso, a RAF continuava a aperfeiçoar seus ata-ues, montando o seu primeiro
“Ataque de 1000 Bombardei ros” em 30/31 de maio de 1942, contra a cidade de Colô-
nia. Os danos não chegaram a ser substanciais mas tor-nou evidente a necessidade
de se melhorar as defesas aé reas da Alemanha. Outras cida-des atingidas durante
este período incluíam Hamburgo, que foi bombardeada duas ve-zes pela RAF em Julho
de 1942. No primeiro ataque os de pósitos de água foram destruídos e a Luftschutz
(defesa ci | vil) entrou em colapso; no raid seguinte bombas
incendiárias foram jogadas sobre a cidade e uma série de incêndios irrom
peram. Estes incêndios acabaram se unindo, transformando a cidade em uma grande
fornalha; à medida que o ar quente subia, criava-se um vácuo e mais ar era sugado
para alimentar as chamas. Esse processo se repetiu de modo contínuo, gerando temperaturas
de 1000º Celsius e ventos de 240 km/h, numa área aproximada de 24 km2. A população,
encurralada em abrigos antiaéreos, acabou sendo cremada viva. A
| tempestade de fogo que se seguiu matou
milhares de pessoas e le-vou o prefeito da cidade a pedir a evacuação de todos
os civis não-es senciais. Nunca se conseguiu calcular o número total de mortos
mas estimativas cautelosas citam cerca de 50.000 mortos e 38.000 feridos. Embora,
à luz da guerra estes ataques fossem considerados como mero “ato de guerra”, historiadores
vêm, nos últimos anos, questio-nando com veemência a violência deste método, que
atingia principal-mente os civis, e sua brutalidade sistemática vem sendo equiparada
ao ataque atômico sobre Hiroshima e Nagasaki. A justificativa dada por Harris
durante e após a guerra era a de que estes ataques visa-vam aniquilar a capacidade
industrial inimiga e minar a moral da po-pulação civil - mas, em ambos os casos,
nada foi comprovado: os alemães continuaram combatendo com vigor até 1945 e sua
indústria (sabiamente descentralizada pelo Ministro Albert
Speer) continuou sua produção até semanas antes do colapso. Mas, à
época, estes ataques eram vistos apenas como uma forma de vingar os ataques da
Batalha da Inglaterra e, para os alemães, ou- |
|
tros sinais da catástrofe que estava por vir surgiram em Agosto
de 1942, quando os primeiros bombardeiros americanos começaram a operar a partir
de bases na Inglaterra. Seus ataques diurnos
(com os B-17 Flying Fortress e os B-24
Liberators) concentraram-se, a princípio, na França ocupada, Bélgica e Países
Baixos, forçando os alemães a defenderem seus territórios 24 horas por dia. Mas,
as defesas existentes eram insuficientes.
Fortalecimento das defesas alemãs Em resposta, a Luftwaffe fortaleceu
suas unidades situadas no Oeste, passando a operar cerca de 400 caças noturnos
e 200 caças diurnos, apoiados por cerca de 1100 canhões antiaéreos. Os efeitos
foram sentidos em todas as frentes, já que estes aviões foram retirados de unidades
preexistentes e em serviço em vários teatros de operações. Milch fez grandes esforços
para aumentar a produção e desenvolver novos aviões, mas isto levaria tempo -
o que eles não possuíam.
 | A
esta altura a guerra estava em seu quarto ano e a Luft-waffe ainda operava as
mesmas aeronaves que estavam em serviço em 1939. Algumas, como o Bf
109 e o Ju 88 tinham sido - e continuariam
a ser - desenvolvidos e refina dos em termos de velocidade, armamento e durabilidade,
mas outros, como o Bf 110 e o Ju
87 Stukas, já eram obsoletos. Seus substitutos - o bombardeiro He
177 Greif e o caça de longa distância Me 210/410
- estavam encon-trando sérias dificuldades em seu desenvolvimento e, mes mo após
sua introdução, seus problemas intrínsecos e-ram tantos que seu impacto foi quase
nulo. | Em tais circunstâncias, é um feito notável verificar
o quão efetiva era a defesa aérea alemã em 1943 e início de 1944. Em uma época
em que os Aliados ficavam mais sofisticados (os ingleses haviam introduzido seus
radares “Oboe” e H2S que eram instalados em seus bombardeiros, e os americanos
desenvolveram sua formação em “caixa”), a Luftwaffe conseguia impor ainda pesadas
baixas, tanto de dia como de noite. À medida que os americanos passaram a penetrar
o espaço aéreo do Reich para atacar as bases de submarinos no início de 1943,
Bf 109´s e Fw 190´s armados com canhões de 20mm
e mísseis ar-ar começaram a ser usados para quebrar as formações americanas e
atacar os bombardeiros isolados que ficavam vulneráveis. Quando os americanos
tentaram atingir as fábricas de aviões situadas em Regensburg e Schweinfurt em
ataques ocorridos em Agosto e Outubro de 1943, eles perderam cerca de 60 aviões
em cada missão. As perdas passaram a ser tão grandes que a 8ª Força Aérea do Exército
Americano viu-se obrigada a repensar sua estratégia.
Os “Javalis” da Luftwaffe A resposta da Luftwaffe para a campanha noturna
da RAF foi mais complexa. A Linha Kammhuber ainda era relativamente efetiva no
início de 1943, embora sua capacidade tenha sido minada pela adoção dos ataques
contínuos de grandes formações e pelo uso do sistema chamado “Window” - pequenos
pedaços de alumínio que eram jogados pelos bombardeiros e que acabavam “cegando”
os radares alemães - que foi utilizado pela primeira vez nos ataques à Hamburgo.
A primeira estratégia adotada foi o “Wilde Sau” (Javali Selvagem). Em 27.06.1943,
o Major Hajo Hermann (1913- ), conseguiu permissão
de Göring para formar um pequeno comando de caças noturnos monomotores (a
JG300). Hermann era um condecorado piloto da força de bombardeiros da Luftwaffe
(ganhador da Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho
e Espadas) e estava atuando neste momento como Inspetor de Técnicas e Táticas
de Bombardeiros.
| O “Javali Selvagem” era de uma simplicidade
espantosa. A idéia era de que os caças defensores se concentrassem na área do
alvo, onde os incêndios causados pelas bombas permitiam a localização e o ataque
visual aos bombardei-ros. Para aumentar sua autonomia, os caças eram dotados de
tanques suplementares de combustível e eram, pre-ferencialmente, aviões monomotores,
como os Bf 109 e os Fw 190. A estratégia não era perfeita, posto que já
pres-supunha que o alvo estives-se sob ataque e ainda dependia dos radares terrestres
para guiar os caças até as for-mações inimigas. Além disso, muitas vezes a situação
se tornava extremamente caótica para as outras forças de-fensivas envolvidas na
ope-ração, como os Flaks, que encontravam grande dificuldade em diferenciar os
inimigos de seus próprios aviões. Por fim, os pilotos destes caças monoposto tinham
pouco ou nenhum treinamento de vôo por aparelhos e os acidentes eram freqüentes.
Mas, ao menos, o “Wilde Sau” serviu para dar alguma proteção às cidades alemãs
enquanto novos equipamentos de radar eram desenvolvidos, a fim de superar o efeito
“Window”. | |
 | Uma
técnica mais refinada surgiu pouco depois e foi denominada de “Zahme Sau” (Javali
Manso). Nela em-pregavam-se bimotores como o Bf 110 e o Ju 88, que se mostraram
mais adaptados à caça noturna. A idéia era que a rede de radares, inutilizadas
pelo Window, orientassem os caças de modo a conduzi-los para a área de maior concentração
de tiras de alumínio, onde, em algum lugar, estavam os bombardeiros da RAF. Uma
vez nesta região, caberia aos pilotos alemães a busca e interceptação do inimigo.
Mas, logo, os aviões alemães ganhariam “olhos”. | Uma corrida
tecnológica começou entre os ingleses e alemães para ver quem desenvolveria o
melhor sistema de radar a ser operado à bordo dos aviões. Os caças noturnos alemães
passaram, então, a ser equipados com radares de baixa freqüência que os tornava
imunes ao Window e independentes das bases terrestres. O melhor equipamento germânico
era o SN-2 Lichtenstein, cujo conjunto de quatro antenas situadas no nariz da
aeronave, tornou-se a marca registrada dos caças noturnos. Algumas aeronaves também
foram equipadas com canhões especiais que disparavam perpendicularmente à sua
fuselagem - conhecidos como “Schräge Mu sik” ou música Jazz - que lhes
permitia disparar de baixo para cima, o que os deixava fora da visão dos artilheiros
dos bombardeiros, e que se revelaria uma técnica altamente eficaz.
Em defesa do solo pátrioDurante o ano de
1943, Hitler ordenou que unidades de Flak fossem retiradas de outros teatros de
operação e trazidas de volta à Alemanha, em uma tentativa de repelir os bombardeiros
aliados, concentrando as baterias em posições chave, como o vale do Ruhr e Berlim.
Isto aumentou o nível de fogo defensivo mas, por outro lado, privou as unidades
da Wehrmacht situadas nas frentes de combate da Itália e da União Soviética de
qualquer defesa antiaérea. Como uma grande proporção destes canhões era composta
do famoso 88 mm, que também era utilizado eficazmente como um canhão anti-tanque,
os problemas se tornaram mais graves.

| De qualquer forma, a combinação de artilharia antiaérea,
holofotes e melhores táticas de combate noturnas, impuseram aos bombar-deiros
aliados perdas colossais. Durante a chamada Batalha de Berlim, entre 18/19 de
Novembro de 1943 e o final de Janeiro de 1944, a RAF perdeu 384 aviões em apenas
14 raids contra a capi-tal alemã; e, na noite de 30/31 de Março de 1944, durante
um ata-que contra Nuremberg os ingleses perderam 95 bombardeiros (de uma força
total de 795). Tinha-se o sentimento de que as defesas aéreas estavam em vantagem.
Mas era uma falsa impressão. Em julho de 1943 o número de aero-naves comprometidas
com a defesa do Reich era de cerca de 800 caças diurnos e 600 caças noturnos -
o que enfraquecia a Luftwaffe em outras frentes. Mais importante (e dramático)
era que muitos dos melhores pilotos alemães estavam envolvidos na batalha para
proteger a Alemanha e, como as perdas cresciam assustadoramen te, a Luftwaffe
começou a ver a morte de seus melhores homens. Walter
Oesau, Josef Würmheller, Wolf-Dietrich
Wilcke, Prinz zu Wittgenstein e, mais
tarde, Walter Nowotny, morreram enfrentando
| infinitas levas de bombardeiros que varreram os céus da Alemanha
em 1944. A maioria destas baixas era causada por uma nova arma americana: os caças
de escolta, principalmente os P-47 Thunderbolt e os lendários
P-51 Mustang, que haviam sido desenvolvidos especialmente
para este fim, após as lições aprendidas em Schweinfurt. O surgimento
destes novos aviões fez com que os alemães dividissem seus aviões em “caças-pesados”
(equi
| pados com as pesadas armas anti-bombardeiro,
como os canhões extra de 20mm sob as asas e os foguetes Gr 21, que os tornavam
mais lentos) e “caças-leves” (que atua-vam com o equipamento padrão), cuja função
era a de manter ocupados os aviões de escolta enquanto que os caças pesados atacavam
os bombardeiros. Mas, normal-mente, o número de caças de escolta era tão grande,
que eles davam conta dos dois grupos, indistintamente. Os resultados foram
catastróficos para a Luftwaffe. O en-tão General
der Jagdflieger, Adolf Galland afirmava
em seus relatórios que “entre janeiro e abril de 1944 nossa força de caças diurnos
perdeu mais de 1000 pilotos. Entre eles estão incluídos nossos melhores comandantes...”.
| |
Com as forças aliadas ganhando a superioridade aérea, ao menos de
dia, e a Luftwaffe levada aos limites, Galland não estava equivocado quando previu
que “chegou o dia em que nossas forças estão em vias de entrar em colapso”. Assim,
a despeito da incrível bravura de seus pilotos e de sua fantástica capacidade
de improvisação - que levou a uma das mais efetivas (embora de vida curta) campanhas
de defesa aérea da guerra, a Luftwaffe estava chegando ao fim de sua capacidade
como força combativa. Como ela não mais podia controlar os céus do Reich, seus
inimigos ficaram livres para concentrar seus recursos monstruosos de destruição
sobre os parques industriais e linhas de suprimento. E estas fábricas destruídas
incluíam, obviamente, os fabricantes de caças.
 | Outro
problema foi aquele que atingiu o promissor avião a jato Messerschitt
Me 262. Embora fosse a única aeronave capaz de enfrentar e superar os aviões
de escolta aliados, sua produção foi deliberadamente atrasada para que ele fosse
adaptado para desempe-nhar a função de caça-bombardeiro, sob as ordens expressas
de Hitler. Embora seu projeto não tivesse de ser alterado, isto acabou desvirtuando
este incrível avião, que era um caça nato - justamente o que os pilotos da Luftwaffe
precisavam naquele momento. | De agora em diante, os homens
de Göring estavam lutando simplesmente para sobreviver, contra um inimigo
que parecia ter recursos ilimitados. Os dias de glória da Blitzkrieg
e da Luftwaffe já pertenciam à História. Mas uma longa e desesperada agonia ainda
precederia seu fim. |