Comandante-em-Chefe da
Luftwaffe, Presidente do Reichstag (Parlamento Alemão), Ministro
do Interior da Prússia e, como sucessor direto de Hitler, o segundo homem
na hierarquia do III Reich, Hermann Wilhelm Göring nasceu em Roseheim,
Bavária, em 12 de janeiro de 1893, filho de um Juiz que havia atuado nos
governos das colônias alemãs na África.
|
Göring ingressou na Academia Militar de Karlsruhe aos doze
anos, sendo designado para um batalhão de infantaria em 1912,
após con-cluir o curso na Academia Central Militar de Berlim.
Quando irrompeu a I Guerra Mundial,
Göring destacou-se por sua bravura muitas vezes temerária,
sendo que, em 1915 - após um período internado devido a uma artrite
- transferiu-se para o recém-formado Corpo Aéreo do Exér-cito,
atuando como observador de outro ás, Bruno Lörzer (1891-1960).
Após o devido treinamento, tornou-se piloto de caça abatendo
sua pri-meira vítima em 16.11.1915. Ele serviria em vários esquadrões
(então chamados Jastas) nos três anos seguintes, sendo que, ao
final da guerra em 1918, tinha abatido um total de 22 aviões inimigos
e assu-mido o comando da lendária Jagdgeschwader 1 “Richthofen”
- o cha-mado “Circo Voador” do Barão Vermelho. Pelos seus feitos,
Göring re-cebeu a Orden
Pour Le Merite(1), ambas as classes da Cruz de Ferro (2ª
e 1ª)
e a Medalha
de Cavaleiro da Ordem da Casa Real de Hohen-zollern.
|
|
 |
Após a guerra, Göring ganhou a vida como acrobata
e pi-loto de táxi aéreo na Dinamarca e Suécia, onde ele en-controu
sua primeira esposa, Baronesa Karin von Fock-Kantzow, com quem se
casou em Munique em fevereiro de 1922.
As origens aristocráticas de Göring e seu prestígio como herói
de guerra o tornaram uma figura atraente para o jo-vem partido nazista,
ao qual se filiou em 1922. Hitler rapi-damente o apontou como líder
das S.A. (Sturm Abtleilung - tropas de assalto). Em contrapartida,
o movimento de Hitler oferecia à Göring a promessa de ação,
aventura, companheirismo e a perspectiva de poder. |
Em 1923 Göring tomou parte na tentativa de golpe fracassada dos nazistas
(o Putsch de Munique), durante o qual ele foi gravemente ferido, sendo
forçado a fugir da Alemanha por quatro anos, até que uma anistia geral
fosse decretada. Nesse período ele viveu na Áustria, Itália e Suécia e
chegou a ser internado em um asilo psi-quiátrico devido ao vício por morfina
que desenvolvera.
 |
Retornando à Alemanha em 1927, ele novamente juntou-se ao Partido
Nazista e foi eleito deputado do Reichstag no ano seguinte.
No Parlamento, ele se encarregaria de pavimentar o cami-nho de
Hitler para o poder, usando de seus contatos nos círculos conservadores.
De outro lado, procurou assegurar sua eleição para Presidente
do Parlamento em 31 de julho de 1932.
Com a ascensão de Hitler ao cargo de Chanceler em 30. 01.1933,
Göring se tornou o ministro do Interior da Prús-sia, o Comandante
em Chefe da Polícia e da temida Ges-tapo (Geheime Staats Polizei
- Polícia Secreta do Estado) e Comissário da Aviação. Como criador
da Gestapo - que
|
depois seria entregue ao comando de Heinrich Himmler -, foi Göring
que criou o conceito de campos de con-centração para aprisionar os “inimigos
políticos” do Reich, mostrando formidável energia em aterrorizar toda
a oposição.
|
Em 1º de março de 1935, Hermann Göring foi nomeado
Comandante em Chefe da Luftwaffe e, com a ajuda de Erhardt Milch
(1892-1972) e do tam- bém ás da I Guerra Ernst
Udet (1896-1941), foi o responsável pela organi-zação e rápida
expansão da indústria aeronáutica e do programa de treina mento
de pilotos. Em 1936 seus poderes foram aumentados com sua indi
cação para a função de Plenipotenciário para Implementação do
Plano de Quatro Anos, que dava a Göring um controle ditatorial
sobre a economia a lemã. A criação da estatal Hermann Göring
Werke, um gigante industrial que empregava 700 mil operários e
tinha um capital de 400 milhões de marcos, permitiu a ele acumular
uma enorme fortuna pessoal.
Com o dinheiro veio a luxúria, e Göring passou a viver ora
em um palace-te, ora em uma casa de campo construída por ele e
batizada com o nome da primeira esposa: Karinhall - ela havia
morrido de tuberculose em 1931. Neste local, ele organizava festas,
caçadas, exibia seus tesouros particu-lares (roubados de judeus
ou de países ocupados) e procurava atender aos seus gostos extravagantes:
mudava de roupas pelo menos cinco ve-zes por dia, cultivava um
guarda-roupa espalhafatoso (chapéus de caça medievais, capas de
couro verde, etc.), brincava com suas medalhas e jó- ias e com
os presentes que recebia de seus ricos amigos. Tudo isso aca-
|
|
bou por corromper seu senso de julgamento, sendo que ele chegou a se considerar
“o último homem do Re-nascimento”, o que deixava clara sua egomania que
se confundia com o mundo real. Já entre o povo alemão permaneceu popular
já que consideravam uma pessoa mais acessível que o Führer.

|
Mas Göring ainda era frio e calculista
quando necessário: boa parte dos créditos decorrentes da Anexação
da Áustria (Anschluss ) em 1938 devem-se aos seus esforços. O mesmo
papel chave ele desem penharia na submissão da Tchecoslováquia no
ano seguinte.
Indicado por Hitler em 1º de setembro de 1939 como seu sucessor
di-reto, Göring dirigiu a Luftwaffe na Blitzkrieg
que varreu a Polônia, a Bél-gica, a Holanda e a França no primeiro
ano da guerra. O estrondoso sucesso de seus pilotos o levou a ser
promovido à Reichsmarshall
e a receber a Grã-Cruz da Cruz de Ferro.
Em agosto de 1940 ele confiantemente lançou-se na grande ofensiva
contra a Grã-Bretanha, convencido que a sua Luftwaffe exterminaria
a RAF dos céus e asseguraria a rendição dos britânicos. Contudo,
Gö- ring perdeu o controle da Batalha
da Inglaterra e a tornou um erro tá- tico fatal ao trocar o
bombardeamento das bases aéreas por cidades, o que deu à RAF tempo
precioso para recuperar suas perdas e virar o conflito. A falha
da Luftwaffe (que Hitler nunca esqueceu) levou ao aban |
dono do plano de invasão da Inglaterra e marca o início do declínio do
Reichsmarshall.
|
Outras derrotas se seguiram na frente Russa
e no norte da África, cul minando com
a completa incapacidade da Luftwaffe em defender
os céus da Alemanha contra os bombardeiros aliados a partir
de 1943. Tais problemas só ressaltaram a sua incompetência como
Supremo Comandante e o distanciou ainda mais de seus pilotos.
Göring rapidamente afundou na letargia e em um mundo de ilusões
tornando-se desacreditado e isolado da cúpula nazista a partir
de 1943.
O vício da morfina retornou com mais força à medida que sua influên-cia
decrescia e sua personalidade se desintegrava.
No final de abril de 1945, quando Hitler declarou que ficaria
em Berlim até o fim, Göring que já tinha se refugiado na
Bavária entendeu esse gesto como uma renúncia e requereu que o
cargo de chanceler fosse transferido para ele. Hitler respondeu
furiosamente demitindo-o de to-dos seus postos e expulsando-o
do partido.
|
|
 |
Em 09 de maio de 1945, Göring se
entregou ao 7º Exército Norte-Ame-ricano, ocasião em que foi despojado
de todas suas condecorações e feito prisioneiro e, para sua surpresa,
levado a julgamento no Tribunal Internacional de Nuremberg em 1946.
Durante seu julgamento, Göring (que no cativeiro livrou-se
das drogas e perdeu boa parte de seus 126 Kg) conduziu sua própria
defesa habil-mente e com vigor, freqüentemente superando o conselho
de acusação. Com Hitler morto, ele assumiu a personalidade dominante
sobre os de-mais réus - voltara a ser o Göring dos velhos tempos
conforme observou um dos juizes aliados : “Cortês, arguto e hábil
ele via rapidamente to-das as alternativas da situação (...) seu
auto controle era notável...”
Contudo, Göring falhou em convencer os juizes que o consideraram
cul-pado de todas as acusações e o condenaram à morte por enforcamen-to.
O Reichsmarshall, entendendo que a forca não era um fim glorioso
para um soldado requereu que fosse executado por um pelotão de fuzi-lamento,
o que foi negado. Em 15.10.1946, duas horas antes de sua execução
ocorrer, Göring cometeu suicídio em sua cela ao ingerir uma |
cápsula de cianureto que ele tinha conseguido esconder de seus guardas
durante o cativeiro. Seu corpo foi cre mado e suas cinzas jogadas ao vento.
|