| Ao contrário do que podemos supor,
as condecorações por atos de bravura entregues durante o III Reich - em especial
a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro - não possuíam critérios
muito objetivos ou mesmo rigorosa-mente definidos, sendo que o parâmetro para
o deferimento destas condecorações variou muito ao longo do conflito.
Para os pilotos da força de caça (Jagdwaffe)
da Luftwaffe, adotava-se, via de regra, o número de vitórias devidamente confirmadas
como o critério mais simples e efetivo para entrega das medalhas. Ainda
assim, a estas vitórias eram atribuídos pontos que, à medida que iam sendo somados,
habilitavam o piloto a ser agraciado com alguma das classes da Cruz
de Ferro ou, ainda, com a Cruz Germânica ou o Troféu
de Honra. Esse sistema de pontuação da Luftwaffe era racional e
realista, e era resu-mido na máxima "Um piloto - uma vitória". Vislumbra-se aqui
o primeiro fa- tor que diferenciava o sistema germânico de pontuação daqueles
que eram utilizados pelos aliados ocidentais: não existia a mínima possibilidade
de dois ou mais pilotos compartilharem uma mesma vitória. Como conseqüência,
na Luftwaffe, se uma vitória não fosse devidamente esclarecida, confirmada e atribuída
a um único piloto, então era simples-mente creditada apenas para respectiva unidade.
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Outro fator crucial de diferenciação entre os critérios adotados pelos alemães
e aqueles utilizados pelos ingleses e america-nos, era a questão da confirmação
de uma vitória. Para a Luft-waffe a destruição de um avião inimigo no ar tinha
que ser ob-servada por uma testemunha ou registrada através de fotos ou filme.
Essa testemunha podia ser tanto um companheiro da própria unidade que participava
do combate, como um observa-dor em terra. Sem esta testemunha ou sem qualquer
prova ma terial, o piloto não tinha condições de confirmar sua vitória. Lo-go,
não era possível que sua reivindicação fosse atendida ape-nas com o seu próprio
relato.
Portanto, ao contrário do que acontecia com os pilotos da
RAF e USAAF, onde valia a máxima de que "um oficial é um ho-mem de palavra", o
regulamento da Luftwaffe estabelecia que "sem testemunha - sem vitória". |
Assim, os pilotos alemães passaram a adotar estratagemas que lhes
permitissem assegurar que houvesse, ao menos uma testemunha para cada vitória.
Um dos métodos mais empregados era aquele onde o piloto que conseguia abater um
avião inimigo gritava "Horrido" pelo rádio.
Agindo assim buscava-se atingir dois objetivos:
1º.) comemorar a vitória sobre o inimigo
e 2º.) atrair a atenção de seus co-legas de combate para que pelo menos um
deles acompanhasse e teste-munhasse a queda ou a explosão do avião inimigo e,
dessa forma, a vitória pudesse ser mais facilmente confirmada. Além
disso, o anúncio também se prestava a avisar os operadores de rádio em terra,
que anotavam o(s) horário(s) do(s) abate(s), que também contri-buía na sua confirmação.
Este sistema era imparcial e inflexível e, muitas vezes, os pilotos tinham que
esperar por mais de um ano para que uma vitória fosse confirmada pelo Alto
Comando (OKL) e devidamente creditada a seu favor. As maiores dificuldades
ocorriam quando a vitória era alcançada sobre ter-ritório ocupado pelo inimigo,
que impedia a verificação dos destroços do adversário - o método mais rápido e
certo de ver uma vitória ser confirma-da. Vários pilotos, aliás, tinham o hábito
de visitar o local de queda de su-as vítimas, buscando não apenas a confirmação
e crédito pelo seu suces-so, mas também conhecer melhor o equipamento de seus
adversários e, com isso, estudar novas técnicas de abordagem do inimigo. |
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Critérios para as Condecorações Como dito no início,
os critérios para entrega de condecorações sofreu uma série de mudanças durante
a II Guerra Mundial. Isto porque o método de condecorações da Luftwaffe era diferenciado
para as frentes ociden-tal e oriental, pois os alemães julgavam ser mais fácil
abater um caça ou bombardeiro soviético do que o seu correspondente da RAF ou
USAAF. Da mesma forma, para os caças noturnos, foi estabelecido um método de pontuação
distinto, onde uma vitória atingida na escuridão eqüivalia, a grosso modo, a três
vitórias diurnas. Desta forma, para a frente ocidental adotou-se um
sistema de pontuação na qual eram creditados pontos aos pilotos com base em valores
preestabelecidos, de acordo com o tipo e a destruição imposta ao avião inimigo
A vitória era creditada ao piloto somente se o avião inimigo fosse completamente
destruído, caso contrario es-te ganharia apenas os pontos. Com isso, a contagem
de pontos e o número de vitórias faziam parte de duas estatísticas distintas.
Já para a frente oriental usava-se um sistema mais simples, onde
as condecorações eram agraciadas de acor-do com o número de vitórias obtidas.

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Tabela de condecorações - Frente
Oriental | |
Condecoração | Vitórias |
| | 2-3 |
| | 8 |
| | 30 |
| | 45-50 |
| | 100-120 |
| | 200 |
| | 250 |
Com o início da Defesa do Reich,
buscou-se estabelecer um sistema que reconhecia o fato de que conseguir avariar
um bombardeiro era uma tarefa muito mais difícil que a destruição final de um
já avariado. Dessa forma, valorizava-se a habilidade dos pilotos de caça em separar
um bombardeiro Aliado dos demais de sua formação original.
| Sistema
de Pontuação (Frente Ocidental e Defesa do Reich) |
| Tipo
de avião | Abschuss
(Destruído) | Herrausschuss
(Avariado) | Entgültige
Vernichtung Destruição (já avariado) |
| 1 x motor | 1 | 0 | 0 |
| 2
x motores | 2 | 1 | 1/2 |
| 4
x motores | 3 | 2 | 1 |
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No início, principalmente nos dois primeiros anos da guer-ra, os alemães reintroduziram
parâmetros muito semelhan tes àqueles da I Guerra Mundial.
Com isso, quando um pi-loto alcançava a marca de 20 vitórias confirmadas, ele
se tornava automaticamente elegível para receber a Cruz de
Cavaleiro (enquanto que no primeiro conflito o prêmio era a famosa Pour
Le Merite ou Blue Max). Tal critério permaneceu até o início da Operação
Barbaros sa - a invasão da URSS - quando, diante do número astro-nômico de
vitórias atingidas pelos pilotos alemã es nas pri meiras etapas da invasão, o
Alto Comando da Luftwaffe foi obrigado a rever
suas normas. Tais "revisões" (que não e-ram oficiais, no sentido estrito do termo),
tornaram o rece-bimento da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro (e seus de- |
mais graus) um feito sempre difícil. Pode-se dizer que, com isso, buscava-se
manter o prestígio da condecora- ção, evitando que se banalizasse.
Essas diferenças se mostraram relevantes. Por
exemplo, o então Leu tnant Egon
Mayer (que somente lutou na Frente Ocidental) recebeu sua Ritterkreuz
em 1941, após atingir a marca de 20 vitórias confirma das; por sua vez, Otto
Kittel (cuja totalidade de abates se deu na Frente Russa) somente viria a
receber a mesma condecoração em 1943, após derrubar seu 123º adversário. Já Walter
Nowotny teve que derrotar 189 adversários antes de receber as Folhas
de Carvalho em 1943, enquanto Adolf Galland
e Walter Oesau receberam a Eichen-laub
após derrubarem "apenas" 40 adversários em 1940. Por fim,
todo este sistema de condecoração, tanto o utilizado na fren-te ocidental como
na frente oriental, podia ser substituído por um úni-co feito de grande importância,
desde que o futuro ganhador já houve-sse recebido as condecorações anteriores,
no caso da ordem da Cruz de Ferro.
Esta situação aconteceu com a maioria dos ganhado-res dos Diamantes,
quando o número total de vitórias obtidas atingia, pela primeira vez uma
determinada contagem. Isto ocorreu, por exem plo, com a 100ª vitória de Werner
Mölders, a 150ª vitória de Gordon Gollob,
a 172ª de Hermann Graf, a 250ª de Walter
Nowotny, a 300ª vi- | |
tória de Erich Hartmann, as 100ª vitórias
noturnas de Helmut Lent e Heinz
Schnaufer, entre outras. Já o lendário Hans-Joachim
Marseille, recebeu sua Brillanten
por derrubar 17 caças britânicos num único dia.
 | Quando
um piloto era condecorado com a Cruz de Cavalei ro, a
comemoração não era apenas sua, mas também de toda a sua equipe de apoio em terra
e de toda a sua unida de. A entrega da medalha era seguida de um desfile dian-te
da guarnição e de um jantar com o Geschwaderkommo
dore e outros convidados, regado por um bom vinho ou mesmo a tradicional schnapps.
Interessante ressaltar que, para muitos dos ases alemã es, as altas condecorações
mostraram-se uma forma de ascensão social. Um ganhador das Folhas
de Carvalhos ou das Espadas, por exemplo, recebia
uma grande publi-cidade da imprensa e nos cinejornais, tornando-se ídolos populares
- algo semelhante ao que acontecia com os as-tros de Hollywood na mesma época
ou os jogadores de fu- | tebol hoje em dia. Com isso, muitos homens
de origem humilde viam as portas da alta sociedade e da elitista aristocracia
germânica se abrirem o que, de outra forma, jamais ocorreria. Foi assim que homens
como Wer-ner Mölders (órfão de pai e origem
católica), Josef Würmheller (que foi
um mineiro de carvão), Theodor Weis-senberger
(filho de um jardineiro) e tantos outros deixaram o plano dos simples pilotos
para ingressarem no panteão dos heróis da Luftwaffe. Já para os pilotos de
bombardeiros convencionais, bombardeiros de mergulho e de ataque terrestre, o
principal critério de condecorações era baseado no número de missões efetivas
sobre alvos inimigos (Feindflüge) efetua das. Tal critério, assim como aquele
descrito para os pilotos de caças, foi se alterando ao longo do conflito. De todo
modo, o critério em vigor em março de 1943 era o seguinte:
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Tabela de condecorações - Unidades
de bombardeiros | |
Condecoração | Missões |
| | 15 |
| | 20 |
| | 25-40
| | | 60 |
| | 80 |
| | 110 |
| | 140 |
| | 200-400 |
Deve ser ressaltado que esse critério era flexível, tendo em vista
que a dificuldade da missão a ser executada, duração, êxito atingido e avarias
sofridas também eram consideradas para o recebimento de certa condecora- ção.
Regulamento
para Utilização de Condecorações
Embora as
condecorações (badges, clasps,
Cruz de Ferro, etc.) não fossem
parte do uniforme, sua utiliza- ção era regulamentada oficialmente como parte
da vestimenta do soldado da Wehrmacht
seguindo uma ordem preestabelecida. Era costume dos militares alemães,
desde os tempos do Império, utilizar condecorações suspendidas em tor- no do pescoço,
além de outras presas ao uniforme através de pinos situados em seu reverso. Tais
medalhas deveriam ser utilizadas em todas as ocasiões, não importando qual o uniforme
utilizado (com exceção para os destinados à prática esportiva). Deste modo
a forma de utilização era a seguinte:
| - | Altas
decorações ("neck decorations"): utilizadas em torno do pes coço, as condecorações
deste tipo, dadas em tempo de guerra, ocu-pavam esta posição como sinal de superioridade
hierárquica sobre as demais. Não mais do que duas condecorações deste tipo deveriam
ser utilizadas simultaneamente, com algumas notáveis exceções sendo observadas,
como o próprio Hermann Göring. A fita que mantém a
condecoração nesta posição deveria ficar embaixo do colar, sendo a gravata freqüentemente
deixada de lado.
Além da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro e da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Mérito de Guerra,
apenas a Pour
Le Mérite (da I Guerra Mundial) deveria ser utilizada.
Condecorações estrangeiras eram apenas utilizadas quando o recebedor estava em
visita àquele país ou para homenagear algum visitante nativo. Uma ordem (LV39A,
nº 338) de 13.11.1939 determinou que a Cruz de Cavaleiro
da Cruz de Ferro deveria ser utilizada com todos os tipos de uniforme enquanto
outra determinação oficial (LV 40, nº. 868), de 24.06.1940, determinou que esta
condecoração deveria ficar acima de todas as demais, inclusive a Pour
Le Mérite e, posteriormente, a Cruz de Cavaleiro
da Cruz de Mérito de Guerra. | |
| - |
Badges (Abzeichen): os badges
deveriam ser utilizados sob o bolso esquerdo do uniforme, ou na posição correspondente,
na ausência deste. Condecorações por mérito em combate - como a Cruz
de Ferro de 1ª Classe - tinham precedência sobre todas as outras (de qualificação,
de ferido, esportivos, etc.), mas isso nem sempre foi observado. Certas condecorações
presas por método similar (Cruz Germânica e Cruz
Espanhola), deveriam ser utilizadas no lado direito do uniforme. Não mais
do que seis badges deveriam ser utilizados ao mesmo tempo, de acordo com os regulamentos,
mas isto também nem sempre era obedeci-do. |
| - | Clasps de Vôo (Frontflugespange):
os clasps operacionais de vôo deveriam ser utilizados
também do la-do esquerdo, acima da barra
de medalhas, independentemente do número de missões realizadas e do pen-dante
presente. |
 |
- |
Barras
de Medalhas (grosse Ordensschnalle e kleine Ordens-schnalle): as barras
de medalhas eram fixadas através de passado res costurados logo acima do bolso
esquerdo do uniforme ou posi- ção equivalente (ver
exemplo), alinhados com a parte superior deste. A "grosse
Ordensschnalle" era a barra de medalhas que apresentava as condecorações
completas e não apenas a indicação, sendo raramente utilizadas, a não ser em ocasiões
formais e sociais mas, jamais, em serviço ou combate. Já a "kleine
Ordensschnalle" con-sistia na utilização de uma barra de cerca de 1,5 cm de
largura con tendo apenas um pedaço das fitas que indicam o recebimento de certa
condecoração (adicionando, se fosse o caso, uma miniatura do complemento cabível,
como no caso do Spange da Cruz de Ferro ou as espadas
da Cruz de Mérito de Guerra. A ordem de precedência
também era disciplinada, devendo iniciar-se pela Cruz de
Ferro de 2ª Classe, seguida pelas condecorações de tempo de guerra, me dalhas
de tempo de paz e, finalmente, condecorações estrangeiras. Trata-se do modo mais
popular e usual de demonstrar quais as con-decorações recebidas, sendo que o seu
uso era vedado apenas para uso nas Fliegerblouse o que, também, nem sempre foi
observado. |
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