Oswald Bölcke
(1891 - 1916)


Oswald Bölcke, um dos grandes nomes da aviação, é o responsável pelo desenvolvimento das mais bem sucedidas táticas de combate aéreo empregadas pelos alemães na I Guerra Mundial e que, uma vez consolidadas em seu famoso "Ditado Bölcke", ainda hoje servem de base para o treinamento dos pilotos de caça ao redor do mundo. Além disso, ele foi o primeiro piloto - ao lado de Max Immelmann - a ser agraciado com a maior condecoração prussiana de então, a Pour Le Mérite e, muito provavelmente, foi o único soldado alemão a receber uma condecoração dos inimigos franceses.

Filho de um professor, que havia residido por um bom tempo na Ar-gentina, Oswald Bölcke nasceu no dia 19 de maio de 1891 na cida-de de Giebichstein, Saxônia (Alemanha). Um ótimo estudante e um atleta destacado na juventude, Oswald rapidamente demonstrou u-ma grande aptidão para a matemática e física, além de praticar nata ção, tênis, remo e ginástica.

Influenciado pelo espírito nacionalista e militarista da época de Wilhelm II, aos trezes anos de idade, Oswald ingressou na acade-mia militar. Após a conclusão de seus estudos, ele ingressou em um regimento de infantaria, situado em Darmstadt, onde estava ser vindo como Leutnant, quando do início da I Guerra Mundial, em agos to de 1914.

Embora tenha participado de alguns combates terrestres - pelo que foi agraciado com a Cruz de Ferro de 2ª Classe em 10. 12.1914 - Bölcke caiu doente com pneumonia e, após sua recuperação, foi transferido para o Feldflieger-Abteilung 62 (Batalhão Aéreo 62) no início de 1915, então sediado em Döberitz, onde conheceu seu ami-go (e rival), Max Immelmann (1890-1916).

Naquele ano, Bölcke foi escolhido como o piloto responsável para testar o novo sistema de sincronização de Anthony Fokker, que permitia o disparo da metralhadora através da hélice. Nos comandos de um monoplano Fokker E.I (o chamado Eindecker), era equipado com uma única metralhadora Spandau, de calibre 7,92mm e, com ele, Bölcke e Immelmann tornaram-se os primeiros pilotos de caça alemães a serem considerados ases. Foi o que os ingleses chamaram de "o flagelo de Fokker".

Até o fim de 1915, Bölcke já havia abatido um total de cinco aviões inimigos à bordo do Eindecker, sendo condecorado com a Cruz de Ferro de 1ª Classe em 01.08.1915. A despeito deste sucesso, os pi lotos alemães nunca gostaram muito deste avião de Fokker e, quan-do os melhores e mais modernos biplanos Halberstadt e Albatros en traram em serviço no início de 1916, eles rapidamente substituíram seu antecessor.

Contudo, à essa altura, os ingleses e franceses já estavam operan-do aviões mais modernos (notadamente o Nieuport 11), que davam muito trabalho aos alemães.

Bölcke buscou, então, concentrar-se no desenvolvimento de táticas de combate para enfrentá-los - e, com isso, ganharia seu lugar entre os grandes nomes da aviação. A primeira foi a concepção do Jagd-staffel (ou Jasta), uma unidade independente composta unicamente por aviões de caça - algo inédito até então no Serviço Aéreo alemão. A segunda foi a condensação de seus ensinamentos no "Ditado Bölcke" (Bölcke Diktat):

Regra nº1. Sempre tente assegurar uma posição de vantagem antes de atacar. Suba antes para que sua aproximação surpreenda o inimigo e mergulhe sobre ele rapidamente de sua traseira, quando o momento do ataque chegar.

Regra nº 2. Tente colocar-se entre o Sol e o inimigo. Isso coloca o brilho do Sol nos olhos do inimigo, tornando para ele difícil a sua localização e impedindo que atire com precisão.

Regra nº 3. Não dispare suas armas até o inimigo estar dentro do alcance e perfeitamente enquadrado em sua mira.

Regra nº 4. Ataque quando o inimigo menos espera ou quando ele estiver ocupado com outros afazeres, como observação, fotografia ou bombardeamento.

Regra nº 5. Nunca dê suas costas ao caça inimigo e tente fugir. Se você foi surpreendido por um ataque atrás de você, vire-se e enfrente o inimigo com suas armas.

Regra nº 6. Sempre mantenha os olhos no inimigo e não o deixe enganá-lo com truques. Se seu oponente parece estar danificado, siga-o até chocar-se contra o solo, para ter certeza que ele não está fingindo.

Oberleutnant Alfred Keller (esq) e Hauptmann Bölcke.

Regra nº 7. Atos tolos de bravura apenas levam à morte. O esquadrão deve lutar como uma unidade com forte trabalho em equipe entre todos os pilotos. O sinal de seus líderes sempre deve ser obedecido.

Hauptmann Bölcke em seu Fokker D.III 352/16 - França, setembro de 1916.

No início de janeiro de 1916, Bölcke derrubou outros quatro inimi-gos e, no dia 12.01.1916, foi condecorado, junto com Immelmann, com a Pour Le Mérite - os primeiros pilotos a receberem essa hon raria.

Naquele mesmo mês, durante um vôo de rotina sobre o território francês ocupado, Bölcke avistou um garoto que se afogava em um canal. Ele pousou sua aeronave e saltou nas águas frias, retirando com vida o menino. O fato foi noticiado pela imprensa e, alguns meses mais tarde, ele foi informado que o governo francês o havia condecorado com a Medalha de Salvamento - um caso ainda hoje único na história da aviação de guerra.

Nos meses seguintes, Bölcke e sua unidade operaram em mis-sões preparatórias para a grande ofensiva sobre Verdun. Durante o mês de março, ele abateu vários aviões inimigos, elevando seu to-tal para 13 vitórias e acirrando a competição com Immelmann. Es-sa rivalidade somente acabaria por ocasião da morte deste último, em junho de 1916.

Após a morte de Immelmann, o Alto-Comando alemão não quis arriscar a perda de Bölcke, o que seria demais para a população germânica. Nos meses seguintes, ele seria enviado a uma série de visitas em países aliados da Alemanha, como a Bulgária e a Turquia, somente retornando ao serviço no front em setembro de 1916, quando lhe foi dado o comando de um novo esquadrão de caças, a Jasta 2.

Mesmo assumindo uma série de deveres administrativos e estando envolvido na solução do problema tático gerado pelos aviões de dois lugares biplanos (cuja metralhadora disparando à ré dificultava sua aproximação), Bölcke abateu nada menos que onze aviões britânicos ao longo do mês de setembro de 1916, chegando à marca de 30 vitórias.

Nesse mesmo período, Bölcke ainda achou tempo para efetuar uma viagem à frente leste, recrutando pilotos para a Jasta 2. No início de setembro de 1916 ele encontrou e escolheu um piloto um ano mais novo que ele, então servindo em um esquadrão de bombardeio e reconhecimento, cujo nome se tornaria o mais conhecido da História do combate aéreo: Manfred von Richthofen, o futuro Barão Vermelho.

Equipados com o novo Albatros D.II, eles começaram voar sobre o campo de batalha de Somme a partir de 17.09.1916. Esse avião tinha um nariz em formato de tubarão, era leve mas resistente, impulsiona-do por um motor Mercedes de 160 HP e carregava duas metralhado-ras Spandau sincronizadas calibre 7,92mm. Bölcke e seus homens

Hauptmann Bölcke em frente a entrada do Q.G da Jasta 2
apenas voavam em grandes e bem organizadas formações. Qualquer avião aliado que se encontrasse no setor que eles estivessem patrulhando era virtualmente exterminada - como resultado, Bölcke elevou seu total para 40 vitórias confirmadas. Mas ele se importava pouco com seu sucesso pessoal, como ele explicou: "Tudo depende em permanecermos juntos quando o Staffel entra em combate. Não importa quem na verdade consegue abater o inimigo, desde que o Staffel vença."

Hauptmann Bölcke (esq) e Leutnant Erwin Böhme - França, outubro de 1916.

No dia 28 de outubro de 1916 Bölcke estava liderando uma formação de seis Albatros em um ataque contra alguns D.H.2 ingleses - von Richthofen e Erwin Böh-me (outro futuro ás que chegaria à marca de 24 vitóri-as) estavam com ele. Enquanto manobravam para evi tar um choque com uma aeronave inimiga, o avião de Böhme acabou colidindo com o de Bölcke - cuja es-trutura da asa superior acabou dobrando-se e o avião mergulhou em direção ao solo.

O corpo de Bölcke foi recuperado dos destroços da aeronave por forças alemãs e foram enterrados na Ca tedral de Cambrai, com a presença de altos oficiais e membros da realeza germânicos. Mesmo os prisionei-

ros de guerra britânicos que se encontravam em Osnabrück, enviaram um cartão de condolências.

Cinqüenta anos depois de sua morte, a Força Aérea americana enfrentava uma série de dificuldades sobre as selvas do Vietnã. Embora tivessem aviões muito mais modernos que os poucos MiG-17 e MiG-19 nor-te-vietnamitas, estes acabavam forçando os F-4 Phan tom a combaterem em dogfights próximos e a baixa velocidade, para o que os pilotos americanos estavam completamente despreparados.

Na verdade, com o aumento do uso de mísseis ar-ar, as antigas técnicas de combate foram deixadas de la do, sendo que os táticos da USAAF sequer tinham re
comendado a instalação de canhões nos aviões. As

O corpo de Bölcke jaz inerte diante dos destroços de seu avião.
baixas aumentaram mas, então, um oficial redescobriu algumas regras básicas que um certo piloto alemão ha via escrito na I Guerra Mundial. Em plena era do jato, as normas ditadas por Oswald Bölcke no tempo dos aviões de madeira e lona, salvariam, mais uma vez, as vidas de inúmeros pilotos.


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