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Johannes "Macky" Steinhoff é considerado
por muitos de seus companheiros de batalha e pelos estudio-sos da aviação
como um dos mais efetivos líderes da Luftwaffe durante a guerra, sendo
um dos raros ases a-lemães que combateu durante toda a guerra e que
sobreviveu a ela para, nos anos 50, retomar sua carreira na nova Bundesluftwaffe.
Ele arriscou sua vida dia após dia para defender seu país e enfrentou
não apenas os ini-migos mas o Alto Comando da Luftwaffe e suas ordens
suicidas, colocando em jogo sua carreira.
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Steinhoff nasceu em 15 de agosto de 1913 em Bottendorf (Turíngia),
filho de um empregado de moinho e de uma tradicional dona-de-casa,
convivendo com outros dois irmãos e duas irmãs em uma região rural.
A despeito de sua origem humilde, ele freqüentaria o Gymnasium
onde estudou literatura clássica e várias línguas como o latim,
grego, fran-cês e o inglês - formação esta que se mostraria extremamente
útil nos anos seguintes.
A princípio o jovem Steinhoff pretendia tornar-se professor,
mas a pre-cária situação econômica da Alemanha (em razão da crise
mundial o-casionada pela quebra da Bolsa de Nova York em 1929)
o impediu de exercer o magistério. Sem desejar ficar desempregado,
Steinhoff alis-tou-se na Marinha (Reichsmarine) em 1934, onde
ele permaneceria por um ano e se tornaria amigo de outro futuro
ás, Dietrich Hrabak. Devido ao interesse
de ambos por aviões, tornaram-se cadetes da aviação na-val. Contudo,
ainda devido às imposições do Tratado de
Versailles, a Alemanha estava proibida de possuir uma aviação
militar.
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Mas, a essa altura, Hitler já havia assumido o poder e determinou que
Göring (ajudado por Erhardt
Milch e Ernst Udet) começasse a reconstruir
a Força Aérea - agora como uma Arma totalmente independente - que se
ria chamada de Luftwaffe. Logo no início desta mobilização (que seguiu
discreta até por volta de 1937), Macky foi transferido para a Luftwaffe,
sendo aceito e incorporado ao treinamento de pilotos de caça, onde estudaria
ao lado de outros grandes nomes da aviação militar germânica como Hannes
Trautloft, Adolf Galland e Gün-ther
Lützow.
| Embora não tenha participado da Legião
Condor, o que o impediu de combater na Guerra
Civil Espanhola, Steinhoff tornou-se um dos primeiros pilotos
alemães a alcançar u-ma vitória confirmada no conflito, logo no
início da Guer-ra, em setembro de 1939. Nessa ocasião, o jovem Ober-leutnant
estava lutando junto a JG 26 (Jagdgeschwader
26), atuando como Staffelkapitän
do 10/JG26, unidade de signada para proteger o espaço aéreo do litoral
alemão de prováveis investidas britânicas. Em 18 de dezembro de
1939, a Royal Air Force (RAF) planejou um ataque à base naval germânica
situada em Wilhelmshaven. Stein-hoff decolou com seu Staffel
para interceptá-los e termi-nou por abater dois dos bombardeiros
britânicos, sendo condecorado com a Cruz de
Ferro de 2ª Classe. |
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No entanto, "Macky" - como era chamado pelos amigos - permaneceria
pouco tempo nesta unidade, sendo transferido em fevereiro de 1940 para
o 4./JG52 (4º Staffel da Jagdgeschwader
52), onde ele permaneceria du-rante a Blitzkrieg
que varreu os Países Baixos, Bélgica e França na primeira metade de
1940, bem como du-rante a Batalha da Inglaterra.
No entanto, Steinhoff teve uma participação discreta nestes teatros
de guerra, a despeito de suas qualidades de líder já se mostrassem evidentes.
Mas, como tantos outros de seus colegas Steinhoff atingiria seu ápice
como piloto de caça durante a Campanha na Rússia.
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Inicialmente, designado como Staffelkapitän
do 4./JG 52, enfrentando um inimigo mal preparado, seu número
de abates cresceu rapidamente e, em 30 de agosto de 1941, Steinhoff
foi agraciado com a Cruz de Ca-valeiro da
Cruz de Ferro após abater seu 35º avião inimigo. Anos mais
tarde, ele relembraria os combates contra os soviéticos e a dura
luta na frente oriental:
"Os soviéticos eram disciplinados, motivados e razoavelmente
inteligen tes, mas eram bem treinados em táticas. Eles eram bravos
em grande parte mas, ao contrário dos britânicos e americanos,
eles desistiam do combate após apenas alguns minutos e um par
de voltas. O piloto sovi ético não era um lutador nato no ar.
Bem, depois, os soviéticos melhoraram. Na verdade haviam alguns
de seus melhores pilotos formaram as famosas unidades da Bandeira
Ver melha, que tinham alguns dos grandes pilotos do mundo. Eu lutei
con-tra eles na Criméia e nos Cáucasos, mais tarde.
Provavelmente, o mais importante era saber que se você fosse
abatido ou ferido e se tornasse um prisioneiro de guerra - isto
é, se eles não o |
matassem primeiro - você seria muito maltratado. Não havia respeito
mútuo. Você somente estava à salvo em suas próprias linhas. Os soviéticos
não tratavam os nossos homens bem depois de capturá-los."
Em fevereiro de 1942, Steinhoff foi nomeado Gruppenkommandeur
do II/JG52 (Gruppe II da JG 52) e
promovido a Hauptmann. Seis meses depois,
em 31 de agosto de 1942 ele alcançaria a marca "mágica" das 100 vitórias
aéreas, razão pela qual ele se tornou o 115º soldado da Wehrmacht
a ser condecorado por Hitler com as Fo-lhas de
Carvalho de sua Cruz de Cavaleiro. Foi assim que ele teria seu primeiro
encontro com o Führer, ao re-ceber sua condecoração de suas mãos, em
02 de setembro de 1942. Os combates prosseguiriam e, em 02 de fevereiro
de 1943, Steinhoff derrubou seu 150º avião adversário.
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Em março de 1943, Johannes Steinhoff foi transferido para o teatro
de operações do Mediterrâneo a fim de assumir o posto de Geschwader-kommodore
da JG 77, após a morte de seu antigo líder, Joachim
Mün-cheberg, que caiu durante um combate contra os americanos.
Ele lide raria esta unidade por mais de um ano, primeiro na retirada
pela Sicília e Itália e, finalmente, na Defesa
do Reich. De novo, Steinhoff nos con-ta como foi combater,
novamente, na frente ocidental:
"Assim que eu assumi o comando da JG 77 eu fui derrubado em
mi-nha primeira missão, enquanto atacava uma formação de B-24
Libera-tors, e então soube imediatamente que aquela era uma
guerra total-mente diferente daquela de 1940. Eu compreendi, enquanto
meu avião perdia o controle e eu saltava com o pára-quedas (pela
primeira e últi-ma vez) o quanto eu tinha esquecido. Eram coisas
diferentes lutar con tra os soviéticos e contra uma força combinada
anglo-americana, mes mo com os russos nos superando numericamente.
Os aliados ociden- tais tinham aperfeiçoado seus equipamentos,
que já eram de primeira linha. Eu tinha também esquecido como
eles poderiam ser flexíveis e como podiam alterar suas táticas
de acordo com a situação."
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Mas o combate nunca endureceu Steinhoff. Em certa ocasião, enquanto
testava um dos Bf 109 de sua base em Foggia
(Itália), ele e alguns outros poucos pilotos foram atacados por um grupo
de cerca de 100 caças a-liados, principalmente P-38
Lightnings. Junto com seu ala, Steinhoff virou-se e atacou os caças
vindo de fren-te. Atirando como um louco, ele conseguiu atingir dois
dos atacantes e pode observar um dos pilotos america-nos saltar de seu
avião. Feito prisioneiro, o americano ficou surpreso em receber um convite
do Geschwader-kommodore
para jantar em sua barraca, regada com muito vinho italiano.
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Nesse ínterim, em 28 de julho de 1944, o então Oberstleutnant
Joha-nnes Steinhoff retornaria ao quartel de Hitler para receber
as Espadas de sua Cruz de Cavaleiro (foi
o 82º soldado a recebê-las), após obter sua 167ª vitória confirmada.
Também já havia recebido o seu Badge
de Ferido em Ouro e o Clasp de Vôo de
Caça Diurno em Ouro. Nesta oca-sião, Steinhoff estava envolvido
na Defesa do Reich contra os bombar-deiros aliados que já estavam
transformando a Alemanha em um inferno de fogo e escombros.
Entra em cena o revolucionário caça à jato Me
262 Schwalbe. Após a morte de Nowotny
em novembro de 1944, o seu antigo esquadrão (Kdo. Now.) foi integrado
ao III/JG 7 e Steinhoff foi designado seu Geschwa-derkommodore.
Atuando junto ao III Gruppe,
Macky conseguiria êxito ao pilotar a nova aeronave, vindo a se
tornar um dos primeiros ases da era do jato da His tória, tendo
abatido seis aeronaves inimigas (incluindo quatro bombardei ros
quadrimotores).
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No entanto, após a malfadada Operação
Bodenplatte, onde os pilotos da Luftwaffe foram lançados em um ata-que
inútil e sangrento contra as forças aliadas, houve um levante entre
os pilotos líderes das Geschwadern
contra Göring e o Oberkommando
der Luftwaffe. Liderados por Galland,
Steinhoff, Lützow, Trautloft
e outros, os sobreviventes tentaram impor sua visão ao Reichsmarschall
mas não foram bem sucedidos e o levante falhou.
Como conseqüência, Galland foi exonerado
de seu cargo de General der
Jagflieger (sendo sucedido pelo impo-pular Gordon
Gollob) e Lützöw e Steinhoff literalmente
exilados na Itália. Em Fevereiro de 1945, Adolf
Galland forma a Jagdverband
44 (JV 44), que seria um "Dream Team" da Força Aérea de qualquer país:
criada para pro var a eficiência do novo jato como um Caça por excelência,
reunia boa parte dos ases alemães ganhadores da Cruz
de Cavaleiro que tinham sobrevivido até aquele momento. Assim, neste
lendário esquadrão juntamente com o agora Oberst
Johannes Steinhoff voaram Günther Lützöw (108
vitórias), Gerhard Barkhorn (301 vitórias),
Heinz Bär (221 vitórias), Walter
Krupinski (197 vitórias), além do próprio Galland
(104 vitórias) e de vários ou-tros ases.
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A carreira de Johannes Steinhoff durante a II Guerra Mun dial
chegou a um final abrupto em 18 de abril de 1945. Nesse dia, um
acidente terrível mudou para sempre a vi-da deste piloto mas,
ao mesmo tempo, demonstrou a for ça de vontade descomunal existente
neste homem.
"Eu estava decolando em formação em 18.04.1945. Ga-lland estava
liderando o vôo, que incluía além de mim Gerhard
Barkhorn, Klaus Neumann, Eduard Schallmoser e Ernst Fahrmann
. Deveríamos voar em formação e en-gajar um grupo de bombardeiros
americanos. Nosso campo havia sofrido alguns danos nos últimos
dias em razão de bombas e tiros dos aviões aliados e, enquanto
meu jato estava ganhando velocidade para decolar, a ro-da esquerda
do trem de pouso caiu em um buraco na pis ta que não havia sido
corretamente tampado. Eu perdi a
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roda e o avião pulou cerca de um metro no ar e então eu tentei levantar
a roda direita. Eu estava muito baixo para tentar abortar a decolagem
e não havia velocidade suficiente para alçar o vôo. Eu sabia, à medida
que pista de rolagem chegava ao fim, que eu ia sofrer um acidente.
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O Me 262 bateu em um único grande
choque, e o fogo irrompeu no cockpit enquanto o avião escorregava
pela pista. Eu tentava soltar o meu cinto de segurança quando
uma explosão sacudiu todo o avião e eu senti um calor intenso.
Meus 24 foguetes R4M tinham explodido e o combustível estava me
queimando vivo. Eu me recordo de abrir a capota da cabina e saltar
para fora, com chamas ao redor de mim. Eu caí e então comecei
a rolar. As explosões continuaram e a concu-ssão era ensurdecedora
, derrubando-me toda vez que tentava correr. Eu não posso descrever
a dor que sentia."
Levado a um hospital, poucos acharam que sobreviveria. Steinhoff
so-freu várias queimaduras por todo o corpo e, principalmente,
no rosto. Dessa forma, quando a guerra acabou, em maio de 1945,
ele ainda lutava por sua vida em uma cama de hospital para queimados.
Para se ter uma idéia da extensão de seus ferimentos, apenas em
1969 é que uma cirurgia feita por um médico britânico lhe reconstruiria
as pál pebras (usando um enxerto de pele retirado do antebraço).
Até então, Steinhoff simplesmente não podia fechar os olhos.
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Dez anos após esse terrível acidente - boa parte deles de-dicados
à fisioterapia e inúmeras cirurgias de reconstru- ção-, "Macky"
Steinhoff, voltaria às Forças Armadas ale-mãs, sendo reintegrado
na Bundesluftwaffe no fim de 1955 com o posto de Oberst.
Ele seria o principal "recrutador" da época, sendo responsável
por trazer de volta à ativa vá rios dos antigos ases, entre eles
Gerhard Barkhorn, Gün-ther
Rall e Erich Hartmann.
Nessa segunda fase de sua carreira ele foi treinado nos EUA para
pilotar os jatos F-84 e F-104 Starfighter, sendo promovido a Generalmajor
em 1958. Nos anos 60 se tor-nou Comandante das Forças Aéreas da
OTAN na Europa Central e Inspetor-geral da Luftwaffe, até sua
aposentado-ria em 31 de março de 1974 como General. Após sua apo-
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sentadoria, ele permaneceria um membro ativo das Organizações de Veteranos
de Guerra da Alemanha.
Um dos grandes líderes da Luftwaffe em todos os tempos, Johannes "Macky"
Steinhoff voou 993 missões de combate, ao longo das quais abateu 176
aviões inimigos (sete com o lendário jato Me
262, incluindo três quadrimotores), veio a falecer em 21 de fevereiro
de 1994 em Wachtberg-Villip, Alemanha, sendo enterrado em sua cidade
natal.

Bf 109D-1 - Oblt. Joahannes Steinhoff, 10(N)/JG 26 - Alemanha - dezembro, 1939
Bf 109G-2 - Hptm. Johannes Steinhoff, Kommandeur II./JG52 - Krymskaya/URSS
- fevereiro, 1943

Me 262A-1a - Ob. Johannes Steinhoff - JV 44 - München-Reim/Alemanha - abril, 1945
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