Oberst
St.G2
2.530 missões de combate, 9 vitórias (7 caças em combate)
+519 tanques destruídos, 800 veículos de todos os tipos, 150 peças de
artilharia,
inúmeras pontes, 70 embarcações anfíbias, um encouraçado,
um cruzador, um destroyer
"Você é o maior e mais corajoso soldado que o povo alemão jamais teve",
disse Adolf Hitler para aquele filho de um pastor protestante em 1º. de
janeiro de 1945. Seu nome: Hans-Ulrich Rudel, um nome que se tornaria
lenda e sinônimo de uma bravura quase insana da Luftwaffe.
Hans-Ulrich Rudel começou sua surpreendente
carreira de piloto em 1939, durante a campanha
da Po-lônia. Do primeiro ao último dia de guerra na frente oriental
(1941 a 1945), de Leningrado a Stalingrado e de-pois de Moscou até Berlim,
Rudel bateu-se incessantemente contra os russos, e foi um dos raros pilotos
a atravessar seis anos de combates aéreos. Não foi por acaso que ganhou
a fama de piloto "indestrutível". Aba-tido em cerca de trinta ocasiões,
o fim do Conflito o encontrou pilotando um Fw 190D-9,
com uma perna am-putada e outra engessada!
Rudel nasceu em Konradswaldau, Silésia, numa parte da Alemanha
que hoje pertence à Polônia, em 02 de julho de 1916. Sempre foi
tido como um garoto tímido e assustado e sua professora lembrava-se
dele como "uma criança adorável mas um estudante terrível".
Sua falta de habilidade nos estudos era compensada pelo seu interesse
em atividades espor-tivas.
Quando o Partido Nazista assumiu o poder em 1933, Rudel ainda era
um adolescente. Ele ingressou na Juventude Hitlerista (Hitlerjugend),
tornan-do-se líder de esquadrão (Scharführer) - uma ótima forma
de escapar da escola. No entanto, após deixar esta Organização ao
completar 18 anos, ele não se filiou ao NSDAP, ao contrário do que
normalmente se afirma. Em 1936, aos 20 anos de idade, após completar
seus estudos em Schweidnitz e Görlitz, ele juntou-se à Luftwaffe
como Fähnrich (aspirante-à-oficial).
O principal atrativo, foi a possibilidade de poder continuar praticando
seus esportes, notadamente o atletismo.
Após concluir seu curso de piloto, em 1939, Rudel prestou os exames
para treinamento avançado na Sturzkampffliegerschule (Escola de
Pilotos de Mergulho) mas, surpreendentemente, aquele que se tornaria
o mais fa-moso piloto de Stuka foi recusado.
Ao contrário de sua vontade, ele seria
treinado como piloto-observador. Deste modo, quando a guerra eclodiu, em
setembro de 1939, o então Leutnant Rudel
efetuou missões de reconhecimento de longo alcance durante a Campanha da
Polônia, recebendo sua Cruz de Ferro de 2ª Classe
em 11 de outubro de 1939.
Rudel nunca desistiu de sua aspiração e, após várias tentativas,
ele finalmente foi admitido para treinamento em maio de 1940. Durante
toda a Campanha da Fran-ça, o já Oberleutnant
Rudel permaneceu na Sturz-kampffliegerschule próxima a Stuttgart.
Em setembro daquele ano, ele seria transferido para o 1./St.G 2
"Immelmann" (1º Staffel da Stukageschwa-der
2) e voaria suas primeiras missões à bordo do avião durante a invasão
da Ilha de Creta - embora não tenha estado na zona de batalha.
À esta altura da guerra, a Luftwaffe operava o mais famoso avião da Blitzkrieg:
o bombardeiro de mergulho Junkers Ju 87 Stuka.
Assim, nos comandos desta aeronave o jovem Rudel mergulhava sobre o alvo
como uma águia de rapina, em um ângulo de quase 90º, lançando sua bomba
com uma precisão cirúrgica.
Nas preparações para a Operação Barbarossa, a
unidade de Rudel foi transferida para a Frente Oriental e, em 23 de junho
de 1941, às 3:00hs da manhã, ele voou sua primeira missão de combate em
um ataque de mergulho. Nas 18 horas seguintes, Rudel voaria um total de
quatro missões. Em 18 de julho de 1941, ele seria condecorado com a Cruz
de Ferro de 1ª Classe.
Mas seu primeiro grande momento na guerra ainda es-tava por vir.
Em 23 de setembro de 1941, os dois Staffeln
do I/St.G 2 (Gruppe I do St.G
2) atacaram a frota sovi-ética ancorada no porto de Kronstadt (na
área de Lenin-grado), defendido por mais de 1.000 armas antiaéreas.
Entre os navios lá ancorados, estava o encouraçado "Ma-rat", de
26.500 toneladas - um dos dois únicos navios de grande porte da
esquadra vermelha. Mais tarde, Rudel se recordaria:
"Foi terrível. Havia explosões por todos os lados. O céu parecia
estar repleto de cascalhos. Eu estava me sentin-do muito mal e o
vôo foi uma tortura. (...) O mergulho, num ângulo de 70º a 80º,
tirou o meu fôlego. Eu tinha o "Marat" em minha mira, ele se aproximava
cada vez mais
mais rápido. O navio se tornava cada vez maior. Eu via as bocas
de suas armas antiaéreas apontando ameaçadora-mente para mim. (...) Não
havia tempo para me preocupar com o fato de que um tiro direto de flak
poderia me partir em pedaços. O "Marat" já preenchia completamente meu visor.
Os marinheiros corriam pelo deck do navio, alguns carregando munições. Um
dos canhões virou em minha direção e começou a disparar. Neste momento eu
apertei o botão que liberava a bomba. Puxei o manche para trás com toda
minha força, na tentativa de tirar o avião do mergulho, já que minha altitude
era de apenas 300 metros. A bomba de 1.000kg que tinha acabado de soltar
não poderia ser lançada de uma altitude inferior a 1.000 metros sob o risco
de destruir o bombardeiro. Mas eu não estava me importando com isso. Eu
queria atingir o "Marat" - nada mais.
Embora eu puxasse o manche como um louco, eu tinha a sensação que
o avião não estava me obedecendo. Eu estava quase perdendo os sentidos.
Havia uma sensação terrível em minha cabeça e estômago, quando eu escutei
a voz excitada de meu artilheiro-de-ré: 'Herr Oberleutnant, o navio explodiu!´
Eu me virei lenta-mente. Lá estava o "Marat" atrás de uma nuvem de fumaça
quase impenetrável de 400 metros."
Ao finalizar seu mais bem sucedido ataque, Rudel, descendo dos
céus em um ângulo de 90º, saiu do mergulho a apenas 4 metros da
superfície da água! "Somente nesse momento eu percebi que ainda
estava vivo" - ele afirmou bem depois.
Este feito poderia ter dado a Rudel uma condecoração, mas isso
não ocorreu. Hauptmann Steen, que
comandou todo o Gruppe que participou
daquele ataque disse a ele: "eu tenho certeza que você compreenderá
que eu não posso condecorar um único homem depois desta corajosa
missão na qual o Gruppe inteiro tomou parte (...) eu considero o
valor da equipe como um time, o que é mais importante do que recomendá-lo
para a Cruz de Cavaleiro".
Além do encouraçado "Marat", Rudel e seu Ju
87 afundariam um cruzador, um destroyer e cerca de 70 embarcações
anfíbias e ainda danificaria o encouraçado "Revolução de Outubro"
(irmão do malfa-dado "Marat"), até o fim da guerra.
Na véspera do Natal de 1941, Rudel voou sua 500ª missão e, seis dias
depois, em 30 de dezembro, ele foi condecorado com a Cruz
Germânica em Ouro pelo General
der FliegerWolfram von Richthofen,
quando já havia sido designado Staffelkapitän
do 9./St.G2. Depois disso ele seria enviado para Graz (Áustria) para atuar
como instrutor de novas tripulações de Stuka.
Em 06 de janeiro de 1942, o Oberleutnant
Hans-Ulrich Rudel foi, finalmente condecorado com a merecida Cruz
de Cavaleiro da Cruz de Ferro, mas ele somente retornaria à
frente de batalha - devido à sua insistência - em junho de 1942.
Em setembro de 1942 ele receberia o comando do 1./St.G 2, operando
na área de Stalingrado, em apoio às tropas do 6º Exército alemão,
sob comando do Gene-raloberst Friedrich von Paulus que tentava conquistar
aquela cidade. Nesta ocasião a utilização de bombas contra os tanques
soviéticos foi percebida.
A idéia de utilizar aeronaves armadas com canhões de grande calibre
contra blindados data desta época. No final daquele ano os alemães
criaram o "Versuschskommando für Panzerbekämpfung" (Comando Especial
para Combate a Blindados), posteriormente conhecido como "Panzerjagd
kommando Weiss", em homenagem a seu comandante, Oberst
Otto Weiss. Depois de uma série de testes com várias aeronaves na localidade
de Rechlin (Alemanha) - das quais Rudel participou - decidiu-se pelo emprego
do Junkers Ju 87D-3 equipado com dois canhões Rheinmetall-Borsig
Flak 18, com seis projéteis de 37mm cada um.
O "Panzerjagdkommando Weiss" foi enviado à frente em fevereiro de 1943.
No dia 10 daquele mesmo mês Rudel voou sua 1000ª missão de combate e se
tornou um herói para a imprensa alemã. Quase imediatamente ele foi designado
para atuar na nova unidade, então sediada em Briansk. As primeiras unidades
foram primeiramente utilizada contra barcaças de transporte de tropas
anfíbias no Mar Negro e, no espaço de três semanas, Rudel destruiu 70
destes barcos.
Em 16.03.1943, durante uma batalha de tanques na região de Belrogod,
Rudel destruiu seu primeiro tanque com seu Stuka equipado com os
canhões de 37mm: "meu artilheiro -de-ré disse que o tanque explodiu
como uma bomba e que tinha visto seus pedaços voando logo atrás
de nós", recordou-se Rudel.
Mais tarde, a maioria dos Ju 87D-3 foram convertidos para destruidores
de tanques e redesignados como Ju 87G-1, quase sempre sendo apelidados
de "Panzerknacker" (Des truidor de Tanques) ou de "Kanonenvogel"
(Pássaro Can-hão), sendo que tal conversão estava completa em outu-bro
de 1943.
Em 14 de abril de 1943, Hans-Ulrich Rudel foi condecorado por Hitler
com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro
(o 229º soldado agraciado) e, pouco depois, promovido a Hauptmann.
Em 05 de julho de 1943, durante a Operação Zitadelle - a derradeira ofensiva
alemã em Kursk, que seria a maior batalha de tanques da História - os
dois primeiros Staffeln equipados com
as novas configurações de Stukas encontravam-se em operação: o Pz.J.Sta./St.G
1 e Pz.J.Sta./St.G 2 (Panzerjagdstaffel do Stukageschwader 1 e 2).
Totalizando apenas nove aviões, o Staffel de Rudel fora designado para
atuar em apoio à 3ª Divisão SS "Totenkopf". No primeiro dia da Operação,
em sua primeira missão, ele destruiria sozinho quatro tanques e, antes
daquele dia terminar, seu score havia subido para doze. Depois ele diria:
"Nós todos nos sentíamos contaminados pela gloriosa sensação de ter
evitado um maior derramamento de sangue do povo alemão com cada tanque
destruído."
Ao mesmo tempo, em razão do sucesso de seus esqua-drões, novos
Panzerjagerstaffeln foram formados. Baseado em suas experiências,
Rudel desenvolveu novas táticas para seus aviões. Ele descobriu
que o melhor método de atingir os tanques era, voando a baixa altitude,
atirar em sua parte de trás (o motor do T-34, o principal blindado
russo, era montado na traseira e seu sistema de arrefe-cimento não
permitia a instalação de uma blindagem mais espessa).
O aspecto interessante era que, atacando da retaguarda, ele sempre
estaria voando em direção às suas próprias linhas - o que é interessante
se seu avião estiver avariado. Outro ponto fraco do T-34 eram as
laterais.
Usando esta tática e voando um avião que não ultrapassava meros 350 km/h
(o que o tornava um alvo fácil para os inimigos), Rudel destruiria um
número fantástico de blindados: 519 tanques soviéticos, o equivalente
a cinco regimentos completos!!! Uma "oração" era muitas vezes feita por
soldados alemães na Frente Russa quando os tanques T-34 avançavam em direção
às suas linhas: "Meu Deus, nos envie Rudel!". E ele quase sempre vinha...
e nunca um único homem causou tamanho dano sobre um inimigo, chegando
a destruir 17 tanques em um único dia - não é por acaso que os russos
ofereceram pela sua cabeça um prêmio de 100.000 rublos.
Além disso, também totalizaria 150 canhões anti-tanques e antiaé-reos,
abateria nove aviões inimigos e, em seis ocasiões, aterrissaria
atrás das linhas soviéticas para resgatar outras tripulações de
Stukas abatidos.
Em 17 de julho de 1943, Rudel tornou-se Gruppenkommandeur
do III/St.G 2 e, em 25 de novembro do mesmo ano, ele mais uma vez
diri-giu-se à presença de Hitler para se tornar o 42º soldado em
toda Wehrmacht a receber
as Espadas da Cruz de Cavaleiro da
Cruz de Ferro. No início de março de 1944, ele voou sua 1500ª
missão de combate.
Rudel não bebia e não fumava e, em vez de sair com os amigos de
sua Geschwader para divertir-se,
ele aproveitava seus raros momentos de folga para treinar arremesso
de dardo e sempre que possível, cor-ridas de longa distância (10.000
metros). Essa sua eterna paixão por esportes viria a salvar sua
vida.
Durante uma missão em 21.03.1944 para bombardear uma ponte sobre o rio
Dniestr, seu esquadrão foi atacado por caças Lavochkin
La-5. O ala do então Major Rudel foi
forçado a aterrissar atrás das linha inimigas. Rudel também pousou para
resgatar seus amigos, mas foram quase que imediatamente cercados por tropas
soviéticas, sendo que a neve fofa impediu o seu avião de decolar.
Os quatro soldados tiveram que realizar sua fuga a pé. Mas logo
o rio bar-rou seu caminho, sendo que eles tiveram que atravessá-lo
a nado. Seu artilheiro veio a falecer nas águas gélidas, embora
Rudel tenha nadado de volta para ajudá-lo. Os outros dois homens
também não resistiram e morreram vítimas dos perseguidores russos.
Mas Rudel continuou. Após percorrer 50 km a pé e descalço, ferido
no om-bro por um tiro e perseguido por tropas montadas e cães, ele
atingiu as linhas alemãs. Alguns dias depois, ele estava voando
sua 1.800ª missão, razão pela qual Hans-Ulrich Rudel se tornou,
em 29 de março de 1944, o 10º soldado alemão a ser condecorado com
a Cruz de Cavaleiro com Fo-lhas de Carvalho,
Espadas e Diamantes pelo próprio Hitler, que ficou fas-cinado
com a bravura do jovem piloto.
Nesse ínterim, Rudel destruía cada vez mais tanques, à medida que
as forças alemãs recuavam para dentro do III Reich. Em 28 de março
de 1944 ele acumulava 202 tanques destruídos, número que havia aumentado
para 300 em 06 agosto. Em novembro de 1944, enquanto voava próximo
a capital húngara (Budapest), ele foi ferido na perna, mas
retornaria ao servi-
ço alguns dias mais tarde - com sua perna engessada - para atingir a marca
de 463 blindados destruídos em 23 de dezembro daquele ano.
Nesta ocasião foi comunicado que ele estava sendo proibido de voar
em missões de combate, o que Rudel não estava disposto a aceitar.
Já havia conseguido evitar esta ordem outras vezes, mas nesta ocasião
Hitler parecia irredutível. Para ele, o jovem Oberst já havia feito
o suficiente. Foi então que Rudel disse:
"Mein Führer, eu não aceitarei esta condecoração e a promoção
se não me for permitido que continue a voar com minha Gesch-wader!"
Um longo silêncio se seguiu. Ninguém contrariava Hitler!!! O Führer
olhou-o por um longo período e finalmente disse: "Muito bem.
Se você realmente precisa voar... vá em frente. Mas se cuide. Eu
preciso de você. O povo alemão precisa de você".
Cinco semanas depois, a sorte de Rudel acabou. Atingido na parte
em sua coxa direita por um tiro de uma bateria antiaérea de 40mm,
em 09 de fevereiro de 1945, próximo a Frankfurt am der Oder, ele
sangrou quase até a morte com seu osso estilhaçado. Pousando em
aeródromo alemão e levado rapidamente a um hos
pital de campo, sua perna direita foi amputada na altura do joelho. Levado
posteriormente a um hospital em Berlim, lá ele receberia uma prótese. Mas,
mesmo assim, Rudel não desistiu.
Ele voltaria a voar antes do final da guerra utilizando sua prótese,
destruindo mais 13 outros tanques e co-mandando a mais antiga e
mais conhecida das unida-des de apoio terrestre: a Schlachtgeschwader
2 "Immel mann", já equipada com os novos Fw
190D-9.
Em 08 de maio de 1945, quando a Alemanha se ren-deu, Oberst Rudel,
que estava na região da Bohemia, voou sua 2530ª e derradeira missão,
em direção às tropas americanas situadas no aeroporto de Kitzingen,
próximo a Wurzburg, escapando pela última vez à cap-
tura pelos soviéticos. Seu derradeiro ato, foi destruir os aviões à medida
que iam pousando, mediante uma aterrissagem forçada.
Rudel seria interrogado primeiro na Inglaterra e, posteriormente, na
França, retornando finalmente a um hospi-tal na Bavária, para convalescer
de seus ferimentos. Após sua alta em 1946, ele trabalhou por um tempo
co-mo empreiteiro no negócio de transporte de cargas e, em 1948, ele emigrou
para a Argentina, onde trabalhou para o governo daquele país como assessor
da Força Aérea, mas estendendo seus negócios também no Para guai e Brasil.
Neste último, onde esteve por várias vezes na região
de Santa Catarina e passou alguns de seus últimos dias de vida, o mais
bem sucedido piloto da Luftwaffe e de toda a Segunda Guerra Mundial só
deixou ótimas recordações: "O Sr.Rudel esteve
inúmeras vezes aqui em nossa região, era uma pessoa explendida."
- Anônimo.
Rudel retornou para a Alemanha nos anos 50, envolvendo-se na política
onde não foi muito bem sucedido devido à suas posições excessivamente
conservadoras, ainda atreladas ao pensamento totalitário dos anos 30.
Ele escreveu sua biografia, chamada "Trotzdem", que foi traduzida para
oito línguas (inclusive o português, "Piloto de Stuka") e se tornou um
dos grandes clássicos da literatura sobre aviação da II Guerra Mundial.
Mas mesmo em tempos de paz, Rudel continuou prati-cando esportes.
Esquiava, corria e chegou a escalar o monte Llullay-Yacu na Argentina
(6.902 mts). Ele tam-bém era muito respeitado nos EUA, onde foi
entrevistado em várias ocasiões por militares americanos durante
o desenvolvimento do avião A-10 Wartog (um novo tank-buster, movido
a jato e equipado com um canhão rotativo Gatlin de 20mm - muito
usado na Guerra do Golfo). Suas atividades só diminuiriam após um
derrame em 1970, que o deixou com o braço direito paralisado.
Ainda assim, apoiar Rudel podia se revelar algo muito perigoso.
Em 1976, durante o encontro de veteranos do St.G 2 Immelmann com
os jovens pilotos alemães da mesma unidade da Bundesluftwaffe, Rudel
foi levado à reunião e realizou um bem sucedido discurso para os
pre
sentes. Criticado duramente, Rudel foi publicamente defendido pelo então
General Walter Krupinski - que foi sumariamente
demitido.
O balanço matemático de sua carreira é formidável: Rudel voou 2530 missões
de combate (das quais 400 foram a bordo de um Fw 190D-9),
sendo abatido em cerca de 30 ocasiões. Em seis anos, ele destruiu cerca
de 150 peças de artilharia, 519 tanques e aproximadamente 1000 veículos
variados. Além do couraçado "Marat", ele afundou dois cruzadores e um
destróier e danificou seriamente outro encouraçado, como já foi descrito.
Sob outra perspectiva, devemos ainda considerar que seus vôos cobriram
uma distância de mais de 600.000km e usaram mais de 5.000.000 de litros
de combustível. Em adição a estes números, Rudel despejou mais de 1.000.000kg
de bombas, disparou mais de 1.000.000 de projéteis de metralhadoras, e
efetuou mais de 150.000 disparos de 20mm e mais de 5.000 disparos de 37mm.
Sem sombra de dúvida, a despeito de sua controvertida figura, é
ine-gável que Hans-Ulrich Rudel foi um piloto experiente, que amava
voar e combater. Ele odiava estar em licença ou em repouso médico
e mesmo quando teve sua perna amputada, ele não se deixou deprimir
e continuou a voar e destruir.
Ele demonstrou um poder, firmeza, destemor e determinação sem paralelos,
mas nenhuma das imagens que temos dele durante a gue-rra nos mostra
qualquer sinal das difíceis situações vividas em com-bate em seu
rosto. Sua bravura pessoal está, portanto, além de qual-quer questionamento,
e seu lugar na história da aviação militar é plenamente merecido.
Hans-Ulrich Rudel, o soldado mais condecorado de toda Wehrmacht
morreu aos 66 anos de idade, em 18 de dezembro de 1982. A seu pedido,
todas as suas condecorações foram doadas por sua viúva pa-ra um
Museu Alemão, onde repousam até esta data, já que Rudel não queria
vê-las leiloadas nos Estados Unidos.
Mas, como não podia deixar de ser, mesmo seu funeral foi controvertido.
Embora a Bundesluftwaffe tenha proibido a presença de pilotos em seu funeral,
vários pilotos apareceram para uma última homenagem. No momento em que
ele era colocado no local de seu repouso definitivo, dois caças McDonnel
Douglas F-4 Phantom da Luftwaffe fizeram uma saudação a baixa altitude
como um último adeus perante a cova aberta. Os autores desta última e
merecida homenagem nunca foram identificados...