| Quando a II Guerra Mundial
começou, a Luftwaffe podia se vangloriar de ter os melhores e mais experientes
pilotos da Europa e, talvez, do mundo. A Guerra
Civil espanhola havia se mostrado uma oportunidade única para muitos pilotos
e vários haviam se tornado Experten naquele
conflito, isto é, já possuíam cinco ou mais vitórias confirmadas - nada mal para
uma força que nem existia até 1935. Mas, entre todos estes pilotos, alguns atingiram
uma aura quase mítica para o povo alemão e acabaram se tornando fontes de inspiração
para os mais jovens, tal como havia ocorrido na I Guerra
Mundial com Manfred von Richthofen,
o Barão Vermelho, e os homens de seu lendário Circo Voador. E, entre a nata destes
homens, estava Günther Lützow, que foi definido por Adolf
Galland como "o mais extraordinário líder da Luftwaffe".
| Lützow é o nome de uma das mais tradicionais
famílias mi litares prussianas, sendo que seus serviços remontam à I-dade Média.
Membros de sua família lutaram contra Napo-leão e esse nome foi dado à cruzadores
da Marinha em ambas as guerras mundiais. Logo, a carreira militar foi u-ma escolha
lógica para Günther Lützow, nascido na cida-de portuária de Kiel, Alemanha, em
04.09.1912. Conhecido pelos amigos como "Franzl", ele teve uma edu- cação
extremamente privilegiada, estudando em um mos-teiro beneditino. Além disso, na
onda do vôo planado que varreu a Alemanha dos anos 20, rapidamente tornou-se a-depto
da aviação, tendo obtido o breve de piloto de plana- |
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nador antes dos 20 anos de idade. Obviamente, esse talento não passou
despercebido do Reichswehr, que tentava construir uma Força Aérea em segredo.
Desta época data sua amizade com homens como Adolf Galland,
Werner Mölders e Walter Oesau.
Assim, em 1931, Lützow foi convidado a se juntar à escola de vôo mantida
em segredo pelos alemães em Lipetsk, que ficava em território soviético. Após
a conclusão deste curso, ele foi incorporado como um Leut-nant
a um regimento de infantaria do Exército enquanto aguardava o ressurgimento oficial
da Força Aérea.
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Com a ascensão de Hitler ao poder em 1933, o desenvolvimento da Luft-waffe
foi acelerado consideravelmente e, em 1934, Lützow foi designado para servir junto
ao I/JG132 (Gruppe I da Jagdgeschwader
132), mantendo o posto de Leutnant, e pilotando os biplanos Arado
Ar 64. Neste mesmo ano, ele também participaria de um curso de reciclagem
na Fliegerschule de Schleissheim. Mas foi com a eclosão da Guerra
Civil Espanhola em 1936 e a conseqüente formação da Legião Condor que Lützow
sentiria o gosto dos combates aéreos e onde se revelaria não só como um ótimo
piloto de caça, mas um grande organizador e líder nato. Lützow permaneceria
na Espanha entre março e setembro de 1937, atuan do como Staffelkapitän
do 2./JGr88, conhecido como "Marabu Staffel". Aí ele obteria cinco vitórias confirmadas
e, ao final do conflito, ele receberia a Cruz
Espanhola em Ouro com Diamantes, a mais alta condecoração ale-mã deferida
naquele conflito. Em novembro de 1938, já vislumbrando as nuvens da guerra, o
Alto Comando da Luftwaffe acelerou o programa de
formação de pilotos e, "Franzl", com a experiência adquirida nos céus es- panhóis,
foi designado como instrutor da Jadgfliegerschule 1 (Escola de Aviação de Caça-1).
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| Promovido a Hauptmann,
Lützow ainda atuava como ins-trutor quando a guerra começou em setembro de 1939,
e a tarefa de defender os céus de Berlim foi confiada a ele e a seus alunos, o
que realizou sem grandes problemas, mantendo essa função até maio de 1940, quando
foi no-meado Gruppenkommandeur
do I/JG 3 (Gruppe I da Jagd
geschwader 3). Com essa unidade ele atuaria à frente do feroz avanço
alemão sobre os Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo e França a partir de 10.05.1940.
Suas primeiras vitórias na II Guerra Mundial viriam em 14. 05.1940, quando
Lützow derrubou dois caças Hawk 75A franceses, seguido
de outro Hawk no dia seguinte e de um Hurricane
da RAF no dia 19.05.1940. Piloto experien-te e atirador hábil, "Franzl" se revelou
um adversário im-placável nos céus da França: no dia 31.05.1940 outros |
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dois caças Morane 406 tombariam sob o fogo
de suas armas; a estes somaram-se, ainda, outro Hawk 75A
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(em 03.06.1940) e dois bombardeiros Blenheim
da RAF (em 06 e 08.06.1940). Assim, ao fim da Campanha
da França, em 22 de ju nho de 1940, Hauptmann
Lützow já acumulava um total de nove vitórias confirmadas. Mas, quase que
imediatamente, iniciou-se a campanha que ficaria conhecida como a Batalha
da Inglaterra: a luta pela supremacia aé- rea sobre as ilhas britânicas e
o Canal da Mancha. No auge dos combates, o Reischsmarschall
Hermann Göring resol-veu retirar do comando das unidades
de caça os veteranos da I Guer ra Mundial, colocando
os jovens ases em seus lugares. Como resul-tado, em 21.08.1940, o Major
Günther Lützow se tornou Kommodore da
JG 3. Lutando contra os bem treinados e motivados pilotos da RAF, Lützow
continuaria a acrescentar vitórias à seu escore pessoal. Co mo resultado, em 18
de setembro de 1940, quando somava um total de 15 abates confirmados (além de
suas cinco vitórias na Espanha), ele seria condecorado com a Cruz
de Cavaleiro da Cruz de Ferro. |
| Lützow e sua unidade permaneceria no Canal da Mancha
até junho de 1941, quando foram transferidos para o leste para tomar parte na
invasão da URSS, que se iniciou em 22.06.1941.
Atuando implacavelmente na destruição da Força Aérea Soviética, o Major
Lützow acumularia uma seqüência invejável de vitórias contra os mal treinados
e equipados pilotos soviéticos. Como resultado, em 07.07. 1941, Lützow abateu
seu 42º adversário e, em 20 de ju-lho de 1941, ele se tornou o 27º soldado da
Wehrmacht a receber das mãos de Hitler
as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro. Por
outro lado, além de participar de combates violentos, a partir de 16.09.1941,
Lützow - um líder extraordinário - passou a acumular o comando também da JG 51
(cujo Kommodore, Friedrich Beckh, havia
sido ferido em com- |
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bate em 16.09.1941), além de continuar na liderança da JG 3. Desenvolvendo
uma competição com outro vete-rano dos tempos da Espanha, Walter
Oesau, ambos tentavam alcançar a marca mágica de 100 vitórias - na tentativa
de igualar-se ao único que havia feito isso até então: o Oberst
Werner Mölders.
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Ele se empenharia com dedicação nos combates, obtendo várias
vitó- rias múltiplas (como cinco aviões soviéticos no dia 08.10.1941),
alcan- çando sua 92ª vitória em 11 de outubro de 1941, ocasião
em que foi a-graciado novamente por Hitler, desta vez com as Espadas
da Cruz de Cavaleiro (o 4º soldado a receber essa honraria).
Por fim, "Franzl" "ganharia" a corrida, abatendo seu 100º inimigo
em 24. 10.1941 (em um combate onde derrubou três caças I-16),
tornando-se o segundo piloto da História a atingir essa marca.
Oesau chegaria ao mesmo resultado dois
dias depois.
As habilidades de Lützow como organizador e líder, tornaram-se
tão evi-dentes que, em 11.08.1942 ele foi designado como Inspektor
der Tagjä- ger West (Inspetor da Força de Caça Diurna no Oeste)
e, em novembro deste ano Kommandeur da 1. Jagddivision. Esses
cargos de cunho bu-rocrático afastaram-no dos combates, e terminaram
por torná-lo uma pessoa cética em relação à forma como a Luftwaffe
vinha sendo dirigida pelo cada vez mais ausente Hermann
Göring.
| As mortes de Ernst
Udet (Diretor do Departamento Técnico da Luftwaffe) e de Werner
Mölders, em novembro de 1941, já tinham abalado sua confiança no Reichsmarschall
e, diante das dificuldades que presenciou no teatro
de operações do Mediterrâneo - que praticamente anularam o poder de ataque
da Luftwaffe - só deixaram Lützow cada vez mais frustado. A antipatia era mútua,
já que Göring, pelo que consta, detestava o jovem
oficial, tanto pela sua origem aristocrática, quanto pela sua competência e suas
opiniões francas.
| Em janeiro de 1944 Lützow assumiria o comando
da 4. Fliegerschuledivision (Quarta Divisão de Escolas de Ca- ças), mas a pressão
sofrida - que prejudicava o treinamen to dos pilotos - somada às acusações feitas
pelo já dese-quilibrado Göring aos pilotos da Força
de Caças (havia di to que eles haviam se tornado "covardes e acomodados"), levaram-no
a aderir ao que ficou conhecido como o "Motim dos Pilotos" em janeiro de 1945,
liderado por ele próprio, Galland, Maltzahn
e Steinhoff entre outros, e que foi uma tentativa
de afrontar as ordens insanas do OKL
(entre ou-tras, a insistência de usar o revolucionário Me262
como um caça-bombardeiro). Em uma reunião que terminou a-bruptamente com uma discussão
acalorada, Göring foi cla ro ao afirmar a Lützow - que fazia as vezes de "porta-voz"
dos jovens oficiais - que "você será fuzilado". |
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Göring não chegou a tanto, mas baniu Lützow
para a Itália como Jagdfliegerführers (Líder dos Caças na região) Mas este "exílio"
não durou muito. Em março de 1945, Lützow foi chamado por Galland
para integrar a hoje lendária JV 44 (Jagdverband
44), uma unidade composta unicamente por caças a jato Me262
e pelos melhores pilotos da Luftwaffe que haviam sobrevivido até aquele estágio
da guerra. Com essa unidade, Lützow alcança-ria suas duas últimas vitórias confirmadas
(109ª e 110ª vitórias).
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Em 24 de abril de 1945, o Oberst Günther Lützow
decolou em mais u-ma missão para interceptar uma formação de bombardeiros com
o seu jato Me 262. Ele jamais retornou daquele
vôo, sendo considerado ofici-almente "desaparecido em ação" desde então, embora
haja relatos de testemunhas oculares que viram seu avião explodir - mas, a esta
altu-ra, com o III Reich desmoronando, pouco tempo havia para se procurar evidências
dos restos mortais. Uma das hipóteses é narrada no livro "The Messerschmitt
Combat Diary Me262" de Foreman e Harvey, onde descrevem um ataque con-duzido por
quatro jatos contra uma formação de bombardeiros B-26´s
do 17th Bomber Group. Nessa ocasião, um dos atacantes contornou o grupo de bombardeiros
e foi seguido por caças P-47 do 365th Fighter Group.
Durante a tentativa de evadir-se o jato perdeu controle e cho-cou-se contra o
solo a uma velocidade de cerca de mais de 900 km/h. Acredita-se que tratava-se
de Lützow, pois foi o único Me 262 perdido naquele
dia. De todo modo, sua morte - ocorrida duas semanas antes do fim da guerra -
foi um tremendo choque para a JV 44 e para toda a Luftwaffe. | Ao
morrer, o Oberst Günther Lützow tinha voado mais de 300 missões de combate e abatido
110 aviões inimi gos (cinco na Espanha, 20 na Frente Ocidental e 85 na Frente
Russa) - mas, mais do que isso, havia entrado para a História da Luftwaffe como
um de seus grandes líderes e mais habilidosos pilotos de caça do último conflito.
Bf 109E-4 - Hptm. Günther Lützow, Stab I./JG 3 - Berneui/França - Junho, 1940

Bf 109F-2 - Maj. Günther Lützow, Stab/JG 3 - URSS, 1941

Bf 109F-2 - Günther Lützow, Kommodore/JG51 - URSS - outubro, 1941
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