| Bernhard Jope foi, durante a II Guerra
Mundial, um dos mais bem sucedidos dentre os pilotos de bombar-deiro da Luftwaffe,
ligando seu nome para sempre a algumas das ações mais ousadas conduzidas pelos
ale-mães e ao emprego das primeiras “armas inteligentes” da história. Nascido
em 10 de maio de 1914 na cidade de Leipzig, Alemanha, Jope foi fascinado pelo
vôo desde muito jovem e, após freqüentar o curso de piloto comercial e obter seu
brevê, tornou-se comandante na Lufthansa. Quando do início da II Guerra
Mundial, Jope foi convocado para o serviço na Luftwaffe, a qual passou a integrar
como Leutnant, sendo designado para servir
no 2./KG 40 (2º Staffel da Kampfgeschwader
40), equipado com o famoso Focke-Wulf Fw 200 “Condor”.
Com es-sa unidade, Jope participaria com destaque da invasão
da Polônia (setembro de 1939) e a campanha da Blitzkrieg
(abril a junho de 1940), recebendo a Cruz de Ferro
de 2ª Classe. Com o início da Batalha
da Inglaterra em julho de 1940 - quando foi condecorado a Cruz
de Ferro de 1ª Classe -, a KG 40 de Jope, ficou sediada em Bordeaux-Merignac,
no sul da França, a partir de onde passou a atacar os comboios de navios mercantes,
além de atuar na orientação dos U-Boats para a localização de seus “alvos”. | |
Foi
em uma dessas missões que Jope ganhou fama pela primeira vez. No dia 24.10.1940,
enquanto estava em patrulha armada de longo alcance, Jope e sua tripulação avistaram
o transatlântico inglês transformado em transporte de tropas “HMS EMPRESS OF BRITAIN”,
de 42.348 BRT (toneladas brutas) ao sul de Donegal. Em um ataque ousado com suas
bombas, Jope danificou de tal modo o navio que ele foi abandonado e afundou. Promovido
a herói na Alemanha, o Oberleutnant Jope
foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de
Ferro em 30 de dezembro de 1940.  | Jope
continuaria a atuar com a KG 40 no ano seguinte, sendo que sua unidade acumulou
390.000 BRT de navios afundados apenas entre janei-ro e março de 1941. A despeito
do aumento das defesas antiaéreas ins-taladas nos navios ter dificultado as operações
durante o restante de 1941, os Kondor atuaram de modo eficiente o bastante para
receber o apelido de “Flagelo do Atlântico” de Churchill.
Promovido a Hauptmann,
Jope tornou-se Gruppenkommandeur
do IV/KG 100 em 12.06.1943, mas permaneceu pouco tempo à frente dessa unida de,
pois, em 28.07.1943, foi designado para comandar o III/KG 100, en-tão operando
no Mediterrâneo. E foi liderando essa unidade
que ele efe-tuaria um dos mais famosos ataques que a Luftwaffe executou na II
Guer ra Mundial.
Em 10.09.1943, os Italianos, já fartos da guerra, anunciaram
a sua capi-tulação às forças aliadas. Como parte do acordo, naquela manhã a frota
italiana composta pelos novos encouraçados “Roma” e “Itália” zarparam do porto
de La Spezia para se juntar à marinha britânica, a fim de comba | ter
seus antigos aliados. Contudo, os alemães estavam cientes do plano e o comandante
da Luftwaffe na regi- ão, Generalfeldmarschall
Wolfram von Richthofen ordenou que o Major
Jope impedisse que o plano se concreti zasse.
Comandando nove bombardeiros
Dornier Do217 do III/KG 100, Jope decolou de Istres
(sul da França) para inter ceptar a frota italiana. Sob a asa de estibordo, entre
o motor e a fuselagem, cada um dos nove Dornier trans-portava uma única bomba
Fritz X. Esta arma, altamente secreta, era uma bomba-voadora de 1.500 kg, tendo
na cauda um dispositivo que permitia o controle pelo rádio de toda a parte final
de sua trajetória. Quando
as belonaves italianas encontravam-se no estreito entre as ilhas de Sardenha e
Córsega, foram avistadas por Jope e o ata que começou. Quando os Dorniers lançaram
suas bombas Fritz-X os italianos não tiveram a menor chance. O primeiro petardo
lança do por Jope atingiu o encouraçado “Roma” a estibordo do mastro traseira,
destruindo sua sala de máquinas, reduzindo sua velocida de. Poucos minutos
depois, um segundo míssil atingiu o navio, entre a ponte de comando e a torre
de canhões “B”. O navio incendiou-se, atingindo o depósito de munições e, em segundos,
o “Roma” explodiu, dobrando-se ao meio e afundando com quase toda sua tripulação.
Depois, seu navio irmão, o “Itália” foi atingido na proa e inundado com
cerca de 900 toneladas de água, mas conseguiu escapar, chegando a Malta, onde
permaneceu em reparos por vários me-ses. Mais tarde, Jope declarou: | |
"Nós
não vimos o ‘Roma’ explodir. Isso aconteceu depois que nós deixamos o local. Nós
apenas vimos as ex-plosões das bombas que o atingiram, mas quantas vezes antes
não tínhamos visto algo semelhante com o navio sobrevivendo ao ataque e retornando
danificado ao porto?”  | No
mesmo dia, tropas americanas desembarcaram em Salerno, próximo a Nápoles. Esse
era o momento pelo qual Richthofen estava
esperando, envi-ando suas tropas contra a cabeça-de-ponte aliada. A concentração
de navios aliados no litoral, dando suporte às tropas terres tres, era muito grande
e os homens de Jope, novamente, realizaram ata-ques com os mísseis teleguiados.
Nas semana seguinte ao ataque ao “Ro ma”, eles danificaram seriamente o encouraçado
“HMS Warspite” e os cru-zadores “HMS Uganda” e “USS Savannah”. Embora os
navios não tenham sido afundados, para ter uma idéia da des-truição ocasionada,
o HMS Warspite foi atingido por três bombas, sendo que a primeira penetrou por
seis decks antes de explodir e as outras duas atingiram compartimentos laterais.
Uma das salas de caldeiras foi destruí da e quatro das outras cinco foram inundadas.
Para sorte dos britânicos, não houve incêndio, mas o navio estava com 5.000 toneladas
de água em seu interior. |
Em razão do grande sucesso nessas
operações, o Major Jope foi nomeado Geschwaderkommodore
da KG 100 em 10.09.1943, e, finalmente, em 24 de março de 1944, foi chamado à
presença de Hitler para receber de suas mãos as Folhas
de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, tornando-se o 431º soldado da Wehrmacht
a receber essa honraria. Jope permaneceria liderando a KG100 até 20.08.1944,
quando assumiu o comando da KG 30. Promovido a Oberstleutnant,
ele ficaria à frente dessa unidade até o final da guerra. Tendo sido capturado
pelos aliados, ele foi libertado em 1946, retornando à vida civil. No início dos
anos 50, com o ressurgimento da Lufthansa, ele vol-tou a reintegrar seus quadros,
tornando-se piloto comercial. O Oberstleutnant Bernhard Jope, um dos maiores
pilotos da II Guerra Mundial, faleceu de causas naturais em Königstein im Taunus
(Alemanha), em 31 de julho de 1995, aos 81 anos de idade. |