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Hans-Joachim "Hajo" Herrmann
é, de todos os veteranos ainda vivos, com certeza, o mais controvertido.
Ele sempre criou polêmicas com seus projetos de combate audaciosos (outros
podem chamar de bizarros) e com sua personali dade nem sempre amigável
- Adolf Galland o considerava "... o segundo
maior criminoso de guerra da Alemanha", perdendo apenas para o próprio
Göring, enquanto que Johannes
Steinhoff o achava "um bom homem... " - , mas ninguém contesta sua
bravura em combate e sua excepcional carreira dentro da Luft-waffe.
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Nascido na cidade portuária de Kiel em 01 de agosto de 1913, Hajo
Herrmann iniciou sua carreira militar como membro da Landespolizei
(equivalente à nossa Polícia Militar) de Hamburgo, no início dos
anos 30. Treinado secretamente para ser piloto de combate - mas
sob o dis farce de aviador comercial - foi transferido, em seguida,
para o Exérci-to.
Finalmente, com a oficialização da Força Aérea alemã, Herrmann
foi incorporado a partir de 01 de agosto de 1935 à Luftwaffe, com
a paten te de Leutnant. No início
de 1936 ele foi designado para servir junto ao 9./KG 4 (9º Staffel
da Kampfgeschwader
4), quando especializou-se como piloto de bombardeiros. Falando
fluentemente francês e espa-nhol - e treinado também como intérprete
- , Herrmann foi um dos pri-meiros escolhidos para participar da
Legião Condor, que participaria da Guerra
Civil na Espanha para onde foi enviado em agosto de 1936. Lá
chegando, Herrmann foi escolhido (em razão de suas habilidades com
línguas) para instruir as tropas nacionalistas do General Francisco
Franco no manejos das baterias antiaéreas de 20mm.
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Trabalhando à noite, Herrmann não apenas conduzia as aulas como desenvolveu
um manual para futuros ins-trutores de baterias antiaéreas. Além disso,
sem ser poupado, Hajo Herrmann efetuou várias missões durante o dia, primeiramente
no transporte de tropas fascistas do Marrocos Espanhol para a Península
Ibérica e, poste riormente, em bombardeios contra Bilbao, Cartagena, Madrid
e Santander, à bordo de Junkers Ju52. Retornan-do
à Alemanha e à sua antiga unidade em abril de 1937, Herrmann foi condecorado
com a Cruz Espanhola com Espadas em Ouro.
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O já Oberleutnant Herrmann
voaria com o III/KG 4 (Gruppe
III da KG 4) durante as Campanhas da
Polônia, Noruega e França, culminando com as operações contra
as tropas anglo-francesas sitiadas no porto de Dun querque no final
de maio de 1940. Seguiu-se, então a sangrenta Bata-lha
da Inglaterra, onde os Heinkel He111
e Junkers Ju88 da unidade de Herrmann
foram duramente castigados pela RAF, sofrendo pesadas bai xas. Por
essa época Herrmann começou a desenvolver suas técnicas de ataque
às embarcações, além de liderar vários ataques em território britânico.
Por seus feitos durante a Campanha, Herrmann foi condecora do com
o Ehrenpokal em 28 de setembro de 1940
e, finalmente, com a Cruz de Cavaleiro da
Cruz de Ferro em 13 de outubro de 1940.
Após o fiasco da Batalha da Inglaterra,
Hajo Herrmann, agora promovido a Hauptmann,
foi transferido no final de fevereiro de 1941 para o teatro
de operações do Mediterrâneo, onde tornou-se Gruppenkommandeur
do III/KG 30, voando o Junkers Ju88. Atacando
incessantemente os combo ios aliados em direção à Malta e Tobruk,
Herrmann alcançaria um suce-sso notável na noite de 06-07 de abril
de 1941, quando liderou um ata-que de Ju88
e Dorniers Do17-Z ao porto grego dos Pireus
em Atenas,
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então apinhado de navios aliados. Neste ataque, os alemães atingiram o cargueiro
"Glen Fraser", carregado com 250 toneladas de munições gerando uma explosão
gigantesca que não apenas afundou 11 navios (num total de 42.000 toneladas
brutas) mas também arrasou o porto. Durante o inverno de 1941-42 ele permaneceria
no Mediterrâneo, operando os Ju88 a partir de bases na Sicília.
Na primavera de 1942, Herrmann e o III/KG 30 foram transferidos para
a Noruega, de onde passaram a operar em missões de ataque aos comboios
de suprimentos anglo-americanos enviados à URSS. Sob seu comando, em combates
lendários sobre as águas gélidas do Oceano Ártico, a KG 30 afundaria vários
navios, notabilizan do-se pelos hoje históricos ataques aos malfadados
comboios PQ 13 (entre 27-31.03.1942) e o PQ 17 (22 navi os afundados entre
27.06 e 12.07 de 1942), totalizando cerca de 142.000 toneladas brutas.
Como resultado, Herrmann foi condecorado com a Cruz
Germânica em 05 de junho de 1942.
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Promovido a Major, Hajo Herrmann
foi chamado à Berlim no início de 1943, assumindo um departamento
de táticas de combate junto ao Oberkomman
do der Luftwaffe (OKL). Foi na capital alemã, que Herrmann pôde
constatar a ineficácia dos radares alemães contra os ataques noturnos
levados à ca-bo pela RAF. Na verdade os britânicos haviam desenvolvido
uma simples contramedida eletrônica que levou à pane completa o
sistema defensivo cri ado pelo General Josef
Kammhuber: jogando milhões de pequenos peda- ços de papel-alumínio
os radares alemães enlouqueciam com a interferên-cia. Era chamado
de Window (janela).
Em uma medida desesperada, Herrmann propôs ao OKL
a utilização de ca ças monomotores (Bf109
e Fw190) - em lugar dos bimotores equipados
com radares de bordo e que estavam "cegos" devido ao sistema Window
- que seriam direcionados ao local onde havia a maior concentração
de pa-péis, pois este seria o local onde estariam os atacantes.
Uma vez no local o piloto seria auxiliado na localização de seu
alvo com ajuda dos holofotes de terra. Herrmann chamou a tática
de Wilde Sau - Javali Selvagem.
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Visto como uma alternativa emergencial - até a implementação
de novos radares imunes ao Win-dow -, o Wilde Sal foi colocado em
prática naquele verão, criando-se uma unidade específica: a JG 300
(Jagdgeschwader 300),
liderada pelo próprio Herrmann e formado por voluntários retirados
de escolas de vôo. O sucesso foi satisfatório - o próprio Hajo
Herrmann abateu nada menos que nove quadrimotores aliados durante
as 70 missões que voou como piloto de caça, alcançando su a primeira
vitória na noite de 3-4 de julho de 1943 - e levou o OKL a criar o
30º Fliegerkorps, que |
cuidaria do desenvolvimento e coordenação dos esquadrões que empregariam
a tática do Wilde Sau. Ao mes-mo tempo, em razão de sua iniciativa e sucesso
pessoal em combate Herrmann tornou-se, em 02 de agosto de 1943, o 269º soldado
da Wehrmacht a ser condecorado por
Hitler com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro.
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Pouco depois, Herrmann seria transferido da JG300 para assumir
o co-mando do próprio 30º Fliegerkorps,
tornando-se, simultaneamente, Inspe tor dos Caças Noturnos. Nesta
posição, ele seria, ainda, agraciado com as Espadas
da Cruz de Cavaleiro, em 23 de janeiro de 1944, quando tor-nou-se
o 43º soldado da Wehrmacht
a receber tal honraria das mãos de Hitler. Com a extinção de seu
Fliegerkorps, Herrmann, agora com a pa-tente de Oberst,
foi designado para servir como Kommandeur da 1ª Jagd-divison até
esta também ser dispersada em outubro de 1944. A seguir, e le juntou-se
ao Stab do Fliegerkorps II e, a
partir de janeiro de 1945, foi designado para servir como Kommandeur
da 9ª Fliegerdivision.
Nos dias finais do Reich, Herrmann, a pedido de Göring,
desenvolveu a tática do "Rammjäger", ou seja, o choque dos caças
contra os bombar-deiros aliados uma vez finda a munição. Embora,
teoricamente, a idéia fosse de que o piloto devesse saltar minutos
antes do choque, nada ga-rantia a sobrevivência do piloto. Mas a
idéia foi levada a sério a ponto do OKL ter designado Herrmann para
a unidade experimental Rammkom-mando "Elbe". No entanto, à essa
altura da guerra, com os aliados já dentro do Reich, esta unidade
não atingiu o status operacional e esta es tratégia não foi implementada
em grande escala.
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Poucos dias antes do termino do conflito, em maio de 1945, o Oberst
Hajo Herrmann partiu para uma missão atrás das linhas soviéticas, em busca
de um amigo que havia sido abatido. Para sua infelicidade, o avião de
Herrmann foi atingido pelo fogo antiaéreo dos russos e ele teve de fazer
um pouso forçado atrás das linhas ini-migas. Capturado pelos comunistas,
Herrmann passaria 10 anos em cativeiro soviético, sendo um dos últimos
prisioneiros de guerra alemães a ser libertado em outubro de 1955.
Após sua libertação, Herrmann ingressou na Faculdade, formando-se em
Direito em 1965, com especialização na área Penal, construindo uma carreira
jurídica muito bem sucedida. Casado com uma ex-cantora de ópera, e assíduo
freqüentador dos encontros de veteranos (principalmente da JG300) Herrmann
vive ainda hoje na Ale manha, onde goza de boa saúde a despeito de estar
próximo de completar 90 anos de idade.
Ao longo da guerra, o Oberst Hajo Herrmann voou 320 missões de combate
como piloto de bombardeiro e 50 missões como piloto de caça noturno, durante
as quais abateu nove quadrimotores aliados.

Fw 190A-6 - Maj. Hajo Herrmann, Kommodore JG300 - 1943
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