Hauptmann JG52 e JG53 825 missões
de combate, 352 vitórias Prisioneiro de guerra (08/05/1945)
"De
todas as realizações que eu alcancei durante a guerra, a que mais me orgulha
é o fato de nunca ter perdido um ala."
Erich Hartmann
Outubro de 1955. Os sinos tocavam na cidade
de Friedland, que abrigava um dos muitos campos montados para receber os últimos
prisioneiros de guerra ainda em cativeiro. Trens e mais trens chegavam da União
Soviética, com vários ex-soldados alemães que não viam seu país há, pelo menos,
dez anos. Tudo era muito bem organizado: cada um recebia um número e, quando chamados,
recebiam dinheiro, comida e cigarros. Roupas novas eram entregues e, mais uma
vez, estes soldados organizavam-se de acordo com suas patentes.
"Seu nome", disse a velha senhora com um crachá da
Cruz Vermelha. "Hartmann...Erich Hartmann". Os olhos da mulher olharam
por cima dos finos aros de seus óculos e observaram o rosto pálido e magro de
um homem ainda jovem mas que trazia consigo a marca de dez anos de cativeiro russo.
"Erich Hartmann, major, aposentado... isso foi há muito tempo... o que é passado
é passado", ele completou. "Meu filho sempre falava de um piloto chamado
Hartmann. Um com muitas vitórias. Lem brei-me disso assim que li seu nome".
O veterano olhou para a velha senhora com interesse: "Eu fui um piloto de caça".
A senhora continuou, perguntando se ele não seria o mesmo Hartmann do qual seu
filho falava tanto e com quem ele pretendia um dia voar. "Bem, talvez um dia
pos-samos nos falar, não é mesmo?", ele respondeu. "Meu garoto foi morto
pouco antes do fim da guerra", ela disse mas, sentido o embaraço do recém
chegado piloto, ela apressou-se em lhe confortar. "Mas eu estou feliz por ter
tido a chance de falar com você. Meu filho me dizia que o senhor era o mais bem
sucedido piloto de todos. E você teve as mais altas condecorações, se não me recordo...".
Ela olhou para o lugar onde, certa vez, o piloto ostentou sua Cruz
de Cavaleiro com Folhas de Carvalho, Espadas e Diamantes. "Sim, acredito
que a senhora pode dizer isso".
Erich "Bubi" Hartmann, conhecido como "O Ás dos ases" sem dúvida alguma
foi um dos maiores ases da Se-gunda Guerra Mundial e de todos os tempos,
conseguindo o maior número de vitórias entre todos os pilotos. Possui em
seu currículo 352 vitórias confirmadas, sendo 345 delas contra aviões soviéticos
e 7 americanos num total de ~1.400 sortidas (todas a bordo de um Messerschmitt
Bf 109G), durante os quais participou de
825 combates aéreos contra aviões inimigos sendo abatido
18 vezes! Por seus êxitos ele foi pessoalmente condecorado por Adolf
Hitler com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro com folhas de Carvalho,
Espadas e Diamantes. Em maio de 1945 ele se entregou à força aérea
americana sendo em seguida transferido para a União Soviética, onde
passou dez anos num campo de prisioneiros. Ao retornar à Alemanha
(Ocidental) em 1955, ele voltou a servir novamente na recém formada
Luftwaffe.
Nascido em Weissach, Estado de Württemberg (Alemanha), em 19
de abril de 1922, Erich Hartmann foi um ótimo piloto de planadores na sua adolescência.
Como filho de um médico, dizia-se que ele possuía uma "doença heredi-tária" cujo tratamento era o vôo. Explica-se: sua mãe era uma extraordi-nária aviadora,
uma das pioneiras na Alemanha, tendo conseguido seu breve pilotando planadores.
Todo domingo ela podia ser vista sobrevoan-do o aeródromo de Böblingen com seus
dois filhos a bordo. Assim, nada mais natural que o jovem Erich se tornasse um
admirador e entusiasta do vôo.
Embora tenha, a princípio,
tentado seguir a carreira de seu pai, Hartmann abandonou a Faculdade de Medicina
e juntou-se à Luftwaffe como um oficial-cadete em outubro de 1940. Ele passaria
por um intensivo treinamento de quase dois anos, freqüentando a Luftkriegsschule
II (Escola de Combate Aéreo, até outubro de 1941); a Jagdflieger-Vorschule II
(Escola Preparatória de Pilotos de Caça, de outubro de 1941 a fevereiro de 1942)
e a Jagdfliegerschule II (Academia de Pilotos de Caça, entre fevereiro e julho
de 1942). Finalmente, depois de passar pela Ergänzungsgruppe Öst (julho a outubro
de 1942), o então Leutnant Hartmann foi designado
para a sua primeira unidade no front, o 7./JG 52 (7º Staffel
da Jagdgeschwader 52), aonde chegou
em 10.10.1942.
No dia 25 de
outubro de 1942, Hartmann acabara de chegar a principal base da III./JG 52 em Maykop,
225 km a noroeste do Monte Elbrus no Cáucaso. Subitamente uma voz desesperada
ressoou no alto-falante do rádio receptor: "Preparar para a aterrissagem. Fui
atingido! Eu já posso ver a pista e tenho que pousar imediatamente!" e segundos
depois, "A-gora meu motor está em chamas...! Um brilho avermelhado surgiu
no céu, então um Messerschmitt Bf 109G apareceu, seguido por uma tri-lha de fumaça
negra. Instantes depois, ele tocou o solo, tombou e ex-plodiu violentamente em
chamas. O recém chegado Leutnant estava pasmo.
"É Krupinski!"
gritaram alguns. De repente um homem todo chamusca-do, como que saído das chamas
do inferno, surge em direção a eles. Ele parou em frente ao seu Kommodore,
Major Dietrich Hrabak, rosto pálido e ferido mas ainda
sorridente: "Fui atingido por alguns tiros da bateria anti-aérea inimiga".
"Krupinski, esta noite nós comemoraremos seu aniversário", disse o Kommodore,
e inclinando-se para o jovem Leu tnant recém chegado: "Sempre quando um piloto
passa por uma situa- ção difícil, nós comemoramos seu aniversário". "E quando
um piloto é morto?", perguntou o jovem Hartmann. "Então nós fazemos um
brinde em sua homenagem", respondeu o oficial comandante.
Erich Hartmann ficou sob os cuidados do LeutnantAlfred Grislawski, um veterano do 9º Staffel - conhecido
como "Karaya Staffel" - liderado por Hermann Graf. Grislawski
era um homem vigoroso, filho de minerador e que alcan- çou grande sucesso combatendo
a força aérea vermelha, atingindo, até ser ferido em 1944, a marca de 133 vitórias
- pelo que foi condecorado com as Folhas de Carvalho
da Cruz de Cavaleiro. Foi ele, algum tempo depois, quem co-locou o famoso
apelido de "Bubi" no jovem Hartmann.
O início de carreira de Hartmann
foi medíocre, comparado ao que ele se tornaria futuramente. Se não fosse pelo
seu instrutor e líder, Major Walter Krupinski, Hartmann
teria deixado de ser piloto de caça.
Ele realmente chegou a apresentar-se para ser transferido à infantaria
devido a sua péssima performance nos primeiros combates aéreos em que participou.
Tanto que em seu primeiro confronto contra os aviões soviéti-cos, o afoito novato
quase abateu o seu ala, o OberfeldwebelEdmund Rossmann (detentor da Cruz de Cavalei-ro da Cruz de Ferro, com 93 vitórias),
confundindo-o com um inimigo - fato que o levou a ser repreendido furio-samente
pelo Gruppenkommandeur Major Hubertus von
Bonin. Felizmente para a Luftwaffe, Krupinski, Grislawski e o próprio Rossmann
acreditaram em Hartmann e em suas habilidades.
Sua primeira vitória aconteceu no dia 5 de novembro de 1942, durante sua 19ª
missão, diante de um Il-2 Shturmovik da força aérea soviética,
que explodiu após ser atingido no radiador. Mas, pouco depois, em 07.11.1942,
ele foi internado com febre amarela, retornando à ativa no início de dezembro.
À esta altura, Hartmann aprendera que a sobrevivência e vitória no Front
russo dependiam de uma única regra: aprender com seus erros e não mais repeti-los.
O seu avião, agora, era um dos poderosos Bf 109G
- os "Gustav" - que ele voaria nas versões G-4, G-6, G-10 e G-14, esta última
a sua preferida. Seguindo uma tradição que remontava à I
Guerra Mundial, Hartmann personalizou seu avião, que exibia uma "tulipa negra
estilizada no nariz e um grande coração na fuselagem (próximo ao cockpit), sob
o qual se lia "Karaya" (símbolo do Staffel) e, dentro do qual, havia outro nome:
"Ursel", apelido de Ursula, namorada do jovem piloto desde os tempos de colegial.
No seu retorno ao combate, Erich Hartmann estava mudado.
Conservava toda a coragem e a ousadia do piloto que quase abateu o próprio ala,
mas também exibia agora um controle frio e preciso, visão tática e espírito de
liderança. Sua segunda vitória viria em 27.01.1943, contra um MiG-1.
Ao encerrar o mês de abril, após ter completado 100 missões de vôo, o leme
de seu avião já ostentava 11 vitórias e, em 18.5.1943, quando Hartmann tornou-se
Staffelkapitän do 7./JG 52, ele cumulava
16 vitórias confirmadas, alcançadas durante sua 158ª missão de combate.
Nesse período, Hartmann havia desenvolvido suas próprias táticas de com
bate, onde se destacava a ousadia de disparar à queima-roupa contra o inimigo,
de distâncias nunca superiores a 100 metros, o que literalmente desintegrava o
adversário - com isso não era raro que o seu avião voltasse dos combates com marcas
dos estilhaços de suas vítimas. Como resulta do, em pelo menos sete ocasiões,
Hartmann foi obrigado a fazer pousos forçados porque os destroços das aeronaves
inimigas perfuraram seu radi ador.
Seria com o início da batalha de Kursk em 05 de julho de 1943, que
sua estrela finalmente brilharia. Nesse dia ele derrubaria nada menos que quatro
aviões russos, aos quais somaram-se outros sete em 07.07.1943 e mais quatro no
dia seguinte. Ao todo, apenas no mês de julho de 1943, Hartmann derrubaria nada
menos que 24 adversários, elevando seu total para 42 vitórias confirmadas.
Mas agora o jovem Hartmann não sabia o que era fracassar. O mês de agosto de
1943 se revelaria fatal para seus adversários, com ele abatendo nada menos que
49 aviões soviéticos, incluindo
cinco aviões nos dias 1º, 4, 5 e 7 e quatro aeronaves nos dias 3, 8, 9 e 17, a grande maioria sendo caças LaGGs. No final do mês, Hartmann havia acumulado um total de 90 vitórias confirmadas.
Porém
os combates eram sempre arriscados e o jovem Hartmann - cuja fama já havia chegado
também ao inimigo, que o chamava de "Diabo Negro da Ucrânia" e colocara um prêmio
de 10.000 rublos àquele que o capturasse, vivo ou morto - sabia muito bem disso.
Um exemplo do espírito combativo e sangue frio de Hartmann ocorreu em 20.08.1943,
durante uma ofensiva soviética em Donezbecken.
Em uma de suas missões,
Hartmann destruiu dois Il-2 mas os estilhaços do último
atingiu seu avião - o Bf 109G-6 Werknummer
20485 - que, avaria do, forçou-o a um pouso atrás das linhas russas.
Ao avistar soldados soviéticos se aproximando - a fuga seria loucura,
já que seria baleado com facilidade - ele começou a se fingir de seriamente ferido.
Os soldados soviéticos levaram-no para seu quartel-general, onde o conhecimento
de medicina dele manteve o logro até diante o médico que o examinou. Decidiram
levá-lo para um hospital de campanha mas, no caminho, o caminhão foi atacado por
Stukas e Hartmann conseguiu saltar e fugir
através de um campo de flores. Perdido na "terra de ninguém" por mais de um dia,
ele finalmente conseguiu alcançar as linhas alemãs, onde finalmente se encontrou
a salvo.
Após esse episódio, Hartmann apreciaria uma breve
pau-sa nos combates, retornando à frente de batalha no início de setembro. Designado
Staffelkapitän do 9./JG 52 - sua
antiga unidade - ele seria condecorado com o Ehrenpokal
em 13.09.1943, e somaria outras 15 vitórias ao seu total de abates nesse mês,
incluindo sua 100ª vítima, derruba-da no dia 20. Em outubro de 1943, Hartmann
derrubaria outros 33 aviões soviéticos.
Em 29 de outubro de 1943, após
abater um LaGG-7 e um P-39 Airacobra
sobre Kirovograd, suas 147ª e 148ª víti mas, o Leutnant
Erich Hartmann foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro
da Cruz de Ferro. Ele permaneceria em licença durante o mês seguinte, retornando
ao front em dezembro, quando foi condecorado com a Cruz
Ger-mânica em 06.12.1943. Sua 150ª vitória foi alcançada no dia 13 do mesmo
mês.
Lutando desesperadamente contra as forças soviéticas cada vez mais
numerosas, Hartmann sempre procurava preservar seus homens, colocando-os à frente
de suas ambições pessoais. Mesmo assim, seu número de vitórias continuava a subir
de modo meteórico. Em 30.01.1944 ele derrubou seis aviões inimigos, chegando a
183 abates confirmados e, no dia 01.02.1944, ele derrubaria outros cinco adversários
(suas 186ª a 190ª vítimas).
Em 26 de fevereiro de 1944, nada menos de 10 adversários
tombariam sob o fogo de suas armas, com o que Hartmann atingiu a marca de 202
vitórias confirmadas. Nesse mesmo dia, ele receberia um telegrama de Adolf Hitler
informando-o que havia se tornado o 420º soldado da Wehrmacht
a ser agraciado com as Folhas de Carvalho da Cruz
de Cavaleiro. Alguns dias mais tarde, ele dirigiu-se ao "Ninho da Águia"
de Hitler - sua casa construída nos Alpes bávaros - , juntamente com Walter
Krupinski, Gerhard Barkhorn e Johannes
Wiese para receberem suas condecorações. Pouco depois, em 18.03.1944, Hartmann
foi promovido a Oberleutnant.
Seguiu-se, então a desesperada retirada das forças alemãs da Criméia. Dando
apoio às tropas terrestres, a JG 52 viu-se mais uma vez envolvido em inúmeros
combates, atuando mais como uma "brigada de incêndio". Ele chegaria a 217 vitórias
confirmadas, derrubando seis adversários no dia 05.05.1944.
Depois disso, Hartmann seria enviado com sua unidade para a Ro mênia,
onde atuaria na defesa dos campos petrolíferos daquele país, contra as incursões
da 15ª Força Aérea americana, onde permaneceria até o final de junho de 1944.
Enquanto estava nesta localidade, em 04 de junho, Hart-mann travou um combate lendário contra os caças de escolta americanos.
Um mês depois, quando
contava com 269 vitórias, Erich Hartmann encontraria o Führer mais uma vez, na
Wolfs-schänze (A Toca do Lobo), o quartel de Hitler na Frente Oriental em 02.07.
1944, para se tornar o 76º homem a ser agraciado com as Espadas
da Cruz de Cavaleiro.
Mais uma vez, o mês de agosto
se mostraria extremamente bom para Hartmann, que derrubaria nada menos que 29
aviões inimigos, incluídos aí suas 284ª a 291ª vítimas, derrubadas no dia 23.
No dia 24 de agosto, logo após o almoço, Hartmann decolou para enfrentar uma grande
formação de caças soviéticos. Em 25 minutos ele abateu 6 aviões inimigos, e mais tarde, 5 caças foram abatidos em 20 minutos - suas 292ª a 302ª
vitórias.
Seus companheiros desenharam um grande número
"300" em um bo-lo, já que o posto de comando, que monitorava as comunicações dos
caças, confirmara sua 300ª vitória. Havia se tornado o primeiro homem a atingir
esta marca e, um telegrama enviado por Hitler naquela tarde, informava-o que ele
havia se tornado o 18º soldado da Wehrmacht
a re ceber a Cruz de Cavaleiro com Folhas de Carvalho,
Espadas e Diaman tes. Em 01.09.1944, Hartmann foi promovido a Hauptmann.
Durante sua licença, em 09 de setembro de 1944 outro acontecimento muito
mais relevante para o jovem ás, teve lugar: Erich Hartmann ca-sou-se com a sua
noiva Ursula, tendo como uma de suas testemu-nhas, o amigo e MajorGerhard Barkhorn, colega da JG 52 e segundo maior ás
de todos os tempos. Ele permaneceria até outubro no Erpro-bungskommando
262, onde foi treinado para pilotar o revolucionário jato Me
262, mas não veria combate nessa aeronave: em 01.10.1944 ele seria designado
Staffelkapitän do 4./JG 52, que seria transferido para a Hungria no final daquele
mês. Quando o ano de 1944 chegou ao fim, Erich Hartmann já acumulava um total
de 331 vitórias.
Nos meses de janeiro e fevereiro de 1945 ele atuaria como Kommandeur
interino do I./JG 53, onde permane-ceria até ser nomeado Kommandeur
do I./JG 52, sob comando do veterano BrillantenträgerHermann Graf, localizada na Alta Silésia. Mais uma vez,
outro período de treinamento com o Me 262 se seguiria
em março de 1945 em Lechfeld.
Hartmann finalmente atingiria a marca inigualável de 350 vitórias confir-madas
em 17 de abril de 1945 e sua 352ª e última vítima - um Yak-9 -, seria abatida
no último dia da guerra em 08 de maio de 1945, na lo-calidade de Brünn enquanto
o piloto russo fazia acrobacias para come-morar a vitória já anunciada dos Aliados.
Neste dia, Hartmann e Graf receberam ordens de se dirigirem com seus aviões até
Dortmund onde deveriam se entregar aos britânicos. Mas eles recusaram, já que
em sua base haviam cerca de 2.000 fami-liares dos soldados que serviam na JG 52
- e eles não podiam abando-ná-los aos russos. Em vez de cumprirem as ordens, eles
se entrega-ram aos americanos da 90ª Divisão Blindada do Exército, estaciona-dos
em Pisek, Tchecoslováquia.
Tudo parecia ter dado certo até que, em 25 de
maio de 1945, seguindo um acordo firmado entre os aliados, os americanos entregaram
todos os alemães sob seus cuidados - inclusive a JG 52 inteira - aos soviéti-cos.
É lógico que Erich Hartmann receberia um tratamento "especial". Sua
primeira prisão foi um campo de trabalhos forçados próximo à Kirov, onde permaneceu
até outubro de 1945. À essa altura os demais aliados começaram a libertar os seus
prisioneiros mas os soviéticos não tinham esta intenção. Ele passaria por uma
dezena de prisões e campos de trabalho forçados, incluindo vários sob o controle
da polícia política NKVD, em Ivanovo e Sverdlovsk.
Embora tenha sido convidado várias vezes a atuar como
colaborador comunista, Hartmann sempre negou toda e qualquer oferta para trair
seus companheiros - o que atraía um ódio ainda maior dos soviéti-cos. Como resultado,
um "julgamento" forjado pelos russos lhe vale-ram a acusação de crimes de guerra
e a condenação a 25 anos de trabalhos forçados.
Finalmente, após uma visita
do chanceler alemão Konrad Adenauer à URSS, os soviéticos concordaram em devolver
os prisioneiros remanescen-tes que ainda estavam em seus campos. Assim, em 15 de
outubro de 1955, Erich Hartmann era finalmente libertado, após dez anos e meio
de cativeiro. Tinha 33 anos e pesava apenas 45 quilos. Só então ficou sabendo
que seu primeiro filho, nascido em 1945, não sobreviveu às agruras do pós-guerra
e tinha falecido em 1948.
Visitado por vários colegas do tempo de guerra,
ele foi convidado a se juntar à nova Luftwaffe. Hartmann que, com a sua idade,
não tinha mais chances de iniciar uma nova carreira em outra área, aceitou o
convite, embora sem muito entusiasmo. No outono de 1956 ele foi efetivado como Major e, apóspassar por um treinamento em bases
alemãs e americanas, Hartmann assumiu o comando da JG 71 "Richthofen" - a primeira
unidade de caças à jato da Alemanha Ocidental.
Mas Hartmann era um piloto de combate e não um político e acabou se tornando
famoso por seus confrontos com superiores que eram "administradores" ao invés
de "soldados". Embora sua unidade tenha se tornado a melhor de toda a OTAN, devido
à sua liderança incontes-tável, as promoções eram constantemente atrasadas e,
enquanto ou-tros ases colegas seus alcançaram o generalato, Hartmann aposen-tou-se
da Luftwaffe em 30 de outubro de 1970, com a patente de Oberst
- era, então, o soldado alemão mais condecorado ainda na ati-va. Nos anos seguintes
ele podia ser encontrado no Aeroclube de Her-renberg, onde ministrava gratuitamente
aulas de vôo. Manteve, assim, uma vida tranqüila ao lado da esposa e da filha.
O que fez de Erich Hartmann o "Ás dos Ases" é difícil de dizer. Ele era
um notável atirador e soberbo piloto. Porém, outros pilotos possuí am estes mesmos
talentos. "Bubi" era conhecido por ser verdadeira-mente fantástico em avaliar
as perspectivas de um combate iminente. Ele escolhia suas lutas muito sabiamente
e somente atacava o inimi-go quando as circunstâncias estavam inteiramente a seu
favor, sempre deixando uma saída em caso de dificuldades. Durante os anos em que
combateu na frente oriental, nunca chegou a perder um ala sequer.
Tendo voado 825 missões de combate, ao longo das quais alcançou 352
vitorias confirmadas (345 aviões sovié ticos e cinco norte-americanos) e foi abatido
18 vezes, o maior ás da Luftwaffe e de todos os tempos, o Oberst Erich Hartmann,
faleceu de causas naturais em 19 de setembro de 1993, aos 71 anos de idade, em
Weil im Schönbuch, na Alemanha.
Cronologia
19/04/1922: Nasce em Wiessach (próximo
a Stuttgart)
10/10/1940: Entra para a Luftwaffe servindo no Ausbildungsregiment
10 (10º regimento aéreo) em Neukuhrn/ Ostpreussen
(Prússia Oriental)
01/03/1941: Escola de guerra aérea,
LKS2, Berlin-Gatow 01/03/1942: Conclui o curso na Jagdfliegerschule
II , Zerbst-Anhalt 31/03/1942: Promovido a Leutnant
??/10/1942: Transferido para o 7./JG52 na frente oriental.
05/11/1942:
Conquista sua primeira vitória aérea diante de um Il-2
maio /1943: Nomeado Staffelführer do 7./JG52
07/07/1943: Derruba
11 aviões soviéticos num único dia
agosto/1943:
Nomeado Staffelkapitän do 9./JG52
20/08/1943: Depois de abater
dois Il-2, é derrubado atrás das linhas inimigas. Capturado,
consegue fugir e chegar as linhas alemãs.
20/09/1943: Alcança sua 100ª vitória
29/10/1943: Recebe a Cruz de Cavaleiro depois de 148 vitórias
02/03/1944: Recebe as Folhas de Carvalho depois de 202 vitórias
04/07/1944: Recebe as Espadas, (75º soldado a receber) depois de
239 vitórias
24/08/1944: Derruba 11 aviões soviéticos
alcançando sua 301ª vitória (o 1ª a passar da marca de
300)
25/08/1944: Recebe os Diamantes (17º ou 18º a receber)
01/10/1944: Nomeado Staffelkapitän do 6./JG52 01/12/1944:
Nomeado Gruppenkommandeur do I/JG53
fevereiro/1945: Nomeado Gruppenkommandeur
do I/JG52
março/1945: Enviado ao Versuchsgruppe 262 em
Lechfeld por quatro semanas
17/04/1945: Alcança sua 350ª
vitória
08/05/1945: Rende-se aos norte-americanos em Pisek
25/05/1945: Entregue aos russos como prisioneiro de guerra
15/10/1955: Libertado depois de passar dez anos em cativeiro
Bf 109G-6 (W.Nr.20499)
- Lt. Erich Hartmann, 9/JG52 - Novo Zaporozhe/URSS - Outubro, 1943
Bf 109G-6 (W.Nr.166221) - Oblt. Erich Hartmann, Staffelkapitän 9/JG52 - Baranov/Rússia
- Agosto, 1944
(Com este avião, ele abateu onze aviões soviéticos em
24/08/1944, suas vitórias de número 291 a 301)
"Eu
nunca combateria os russos num dogfight.
Surpresa era minha tática. Subir
o máximo que puder, e se possível, atacar a favor do Sol... 90% dos meus
ataques foram de surpresa."