Talvez
Beerenbrock seja um dos mais misteriosos e controversos pilotos da Luftwaffe,
sendo que tal descrição não se refere a seus pedidos de vitórias ou mesmo técnicas
de combate, mas sim devido às sua ações enquanto prisioneiro dos soviéticos.
Franz-Josef Beerenbrock nasceu em 09 de abril de 1920 na cidade Datteln,
situada na província de Westfalen (Alemanha), filho de pai alemão e mãe russa.
Em 01 de outubro de 1938, ele ingressou na Luftwaffe onde tornou-se integrante
de uma unidade de bateria anti-áerea (Flak). No ano seguinte, Beerenbrock juntou-se
à Jagdwaffe e, concluindo seu treinamento
na Jagdfliegerschule, foi designado,
em março de 1941, para atuar junto ao 10./JG 51 (10º Staffel
da Jagdgeschwader 51). Nessa
unidade, servindo como Rottenflieger
do ás (e também ganhador das Folhas de Carvalho)
Karl-Gottfried Nordmann, Beerenbrock alcançaria sua
primeira vitória no dia 24 de junho daquele mesmo ano, apenas dois dias após o
início da Operação Barbarrossa. Poucos meses
depois, em 15 de setembro de 1941, com 30 vitórias creditadas em seu score, Beerenbrock
foi agraciado com o Troféu de Honra da Luftwaffe.
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Em um ritmo alucinante, Beerenbrock prosseguia aumentando sua
lista de abates e, após alcançar sua 42ª vitória confirmada, em
06 de outu-bro de 1941, foi condecorado com a Cruz
de Cavaleiro da Cruz de Ferro , consolidando sua fama de piloto
habilidoso e imbatível. Finalmente, em 17 de junho de 1942, ele
recebia outra condecoração por seus atos de bravura naquele front:
a Cruz Germânica.
Mas, seu grande feito, pelo qual Beerenbrock entrou para a história
do 10./JG 51, aconteceu em 01 de agosto de 1942. Em um combate
contra caças soviéticos, ele abateu nada menos que nove aeronaves
soviéticas, o que levou sua contagem a ultrapassar a "marca mágica"
das 100 vitórias obtidas.
Graças a este feito, dois dias mais tarde, em 03 de agosto de
1942, Beerenbrock deixava seu Staffel
para se encontrar com o Führer e se tornar o 108º soldado da Wehrmacht
a ser agraciado com as Folhas de
Carvalho da Cruz de Cavaleiro. Voltando a sua unidade, ele
contava com 102 vitórias, e era então o mais bem sucedido piloto
de toda JG 51.
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Contudo, durante o resto do ano, o então Leutnant
Beerenbrock, simplesmente diminuiu vertiginosamente seu número de abates, talvez
em razão das novas aeronaves soviéticas ou dos novos pilotos (mais bem treinados)
que os russos colocavam na linha de frente. Durante o outono daquele ano, ele
somaria "apenas" mais 16 aviões ao seu score. Nessa época Beerenbrock também completou
400 missões como piloto de caça.
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Em 09 de novembro de 1942, Franz-Josef Beerembrock interceptou uma formação,
numericamente superior de caças soviéticos, na região norte de Welish. Naquele
combate extremamente violento, ele abateu três adversá rios. Porém, no
mesmo confronto, seu Bf 109F-2 "doze branco"
(werkrnummer 6779) foi atingido por outro
caça, obrigando-o a aterrissar em um território dominado pelos russos. Logo depois
de efetuar esse pouso forçado, ele foi imediatamente feito prisioneiro por soldados
do exército vermelho. Dessa data em diante, ocorrências estranhas foram
vistas pelos pilotos ale mães, inclusive os próprios colegas da JG51. Pilotos
soviéticos, quando en gajados em um dogfight, utilizavam técnicas de combate alemãs
ou até mesmo algumas típicas do próprio Beerenbrock. Em pouco tempo, seus
amigos deduziram que ele poderia ter passado pa- ra o lado inimigo, suspeita essa
que era reforçada devido à sua ascendên-cia materna. | Atualmente,
não há certeza se Beerenbrock foi realmente um traidor, mas tem-se como
certo que ele, junta-mente com o General von Seydlitz e outros prisioneiros pró-soviéticos,
tenha ajudado a formar a organização "Bund Deutscher Offizier", cujo objetivo
era a doutrinação soviética entre os prisioneiros e seu uso como propa ganda de
guerra.
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Anos
depois do término do conflito, mais precisamente em dezem-bro de 1949, Beerenbrock
foi libertado. Algo muito incomum, pois a maioria dos prisioneiros que estavam
sob cativeiro russo, como Erich Hartmann, Hajo Hermann e
outros, retornariam à Alemanha somente em 1955.
Vindo a se fixar na Alemanha Ocidental - então sob controle dos
Aliados Ocidentais -, Beerenbrock não se juntou à Bundsluftwaffe
quando da formação desta nos anos 50, principalmente devido às
suspeitas que pairavam sobre sue época como prisioneiro de guer-ra.
Atuando na iniciativa privada, manteve-se reservado e, normalmen-te,
recusando-se a falar sobre seus tempos de piloto de caça duran
te o resto de sua vida. Um suposto livro de memórias, que foi
até aguardado nos anos 90, nunca veio à luz. Por fim, ele faleceu
de causas naturais em 13 de dezembro de 2004, aos 84 anos de ida-de,
na cidade de Morsbach, na Alemanha.
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Traidor ou não, Beerenbrock revelou-se, indiscutivelmente, um exce lente
piloto de caça. Em toda sua carreira ele havia voado mais de 400 missões
de combate ao longo das quais abateu 117 aviões da força aérea
verme-lha.

Bf 109F-2 - Obfw. Franz-Josef Beerenbrock, Stab IV./JG 51 - Dugino/URSS - Agosto, 1942
| Ficha
do Piloto | |
Unidades: |
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