Franz-Josef Beerenbrock
(1920 - 2004)

Leutnant
JG51
~400 missões de combate, 117 vitórias
Prisioneiro de Guerra (09/11/1942)


Talvez Beerenbrock seja um dos mais misteriosos e controversos pilotos da Luftwaffe, sendo que tal descrição não se refere a seus pedidos de vitórias ou mesmo técnicas de combate, mas sim devido às sua ações enquanto prisioneiro dos soviéticos.

Franz-Josef Beerenbrock nasceu em 09 de abril de 1920 na cidade Datteln, situada na província de Westfalen (Alemanha), filho de pai alemão e mãe russa. Em 01 de outubro de 1938, ele ingressou na Luftwaffe onde tornou-se integrante de uma unidade de bateria anti-áerea (Flak). No ano seguinte, Beerenbrock juntou-se à Jagdwaffe e, concluindo seu treinamento na Jagdfliegerschule, foi designado, em março de 1941, para atuar junto ao 10./JG 51 (10º Staffel da Jagdgeschwader 51).

Nessa unidade, servindo como Rottenflieger do ás (e também ganhador das Folhas de Carvalho) Karl-Gottfried Nordmann, Beerenbrock alcançaria sua primeira vitória no dia 24 de junho daquele mesmo ano, apenas dois dias após o início da Operação Barbarrossa. Poucos meses depois, em 15 de setembro de 1941, com 30 vitórias creditadas em seu score, Beerenbrock foi agraciado com o Troféu de Honra da Luftwaffe.

Em um ritmo alucinante, Beerenbrock prosseguia aumentando sua lista de abates e, após alcançar sua 42ª vitória confirmada, em 06 de outu-bro de 1941, foi condecorado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro , consolidando sua fama de piloto habilidoso e imbatível. Finalmente, em 17 de junho de 1942, ele recebia outra condecoração por seus atos de bravura naquele front: a Cruz Germânica.

Mas, seu grande feito, pelo qual Beerenbrock entrou para a história do 10./JG 51, aconteceu em 01 de agosto de 1942. Em um combate contra caças soviéticos, ele abateu nada menos que nove aeronaves soviéticas, o que levou sua contagem a ultrapassar a "marca mágica" das 100 vitórias obtidas.

Graças a este feito, dois dias mais tarde, em 03 de agosto de 1942, Beerenbrock deixava seu Staffel para se encontrar com o Führer e se tornar o 108º soldado da Wehrmacht a ser agraciado com as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro. Voltando a sua unidade, ele contava com 102 vitórias, e era então o mais bem sucedido piloto de toda JG 51.

Contudo, durante o resto do ano, o então Leutnant Beerenbrock, simplesmente diminuiu vertiginosamente seu número de abates, talvez em razão das novas aeronaves soviéticas ou dos novos pilotos (mais bem treinados) que os russos colocavam na linha de frente. Durante o outono daquele ano, ele somaria "apenas" mais 16 aviões ao seu score. Nessa época Beerenbrock também completou 400 missões como piloto de caça.

Em 09 de novembro de 1942, Franz-Josef Beerembrock interceptou uma formação, numericamente superior de caças soviéticos, na região norte de Welish. Naquele combate extremamente violento, ele abateu três adversá rios.

Porém, no mesmo confronto, seu Bf 109F-2 "doze branco" (werkrnummer 6779) foi atingido por outro caça, obrigando-o a aterrissar em um território dominado pelos russos. Logo depois de efetuar esse pouso forçado, ele foi imediatamente feito prisioneiro por soldados do exército vermelho.

Dessa data em diante, ocorrências estranhas foram vistas pelos pilotos ale mães, inclusive os próprios colegas da JG51. Pilotos soviéticos, quando en gajados em um dogfight, utilizavam técnicas de combate alemãs ou até mesmo algumas típicas do próprio Beerenbrock.

Em pouco tempo, seus amigos deduziram que ele poderia ter passado pa- ra o lado inimigo, suspeita essa que era reforçada devido à sua ascendên-cia materna.

Atualmente, não há certeza se Beerenbrock foi realmente um traidor, mas tem-se como certo que ele, junta-mente com o General von Seydlitz e outros prisioneiros pró-soviéticos, tenha ajudado a formar a organização "Bund Deutscher Offizier", cujo objetivo era a doutrinação soviética entre os prisioneiros e seu uso como propa ganda de guerra.

Anos depois do término do conflito, mais precisamente em dezem-bro de 1949, Beerenbrock foi libertado. Algo muito incomum, pois a maioria dos prisioneiros que estavam sob cativeiro russo, como Erich Hartmann, Hajo Hermann e outros, retornariam à Alemanha somente em 1955.

Vindo a se fixar na Alemanha Ocidental - então sob controle dos Aliados Ocidentais -, Beerenbrock não se juntou à Bundsluftwaffe quando da formação desta nos anos 50, principalmente devido às suspeitas que pairavam sobre sue época como prisioneiro de guer-ra.

Atuando na iniciativa privada, manteve-se reservado e, normalmen-te, recusando-se a falar sobre seus tempos de piloto de caça duran te o resto de sua vida. Um suposto livro de memórias, que foi até aguardado nos anos 90, nunca veio à luz. Por fim, ele faleceu de causas naturais em 13 de dezembro de 2004, aos 84 anos de ida-de, na cidade de Morsbach, na Alemanha.


Traidor ou não, Beerenbrock revelou-se, indiscutivelmente, um exce lente piloto de caça. Em toda sua carreira ele havia voado mais de 400 missões de combate ao longo das quais abateu 117 aviões da força aérea verme-lha.

 



Bf 109F-2 - Obfw. Franz-Josef Beerenbrock, Stab IV./JG 51 - Dugino/URSS - Agosto, 1942

 

Ficha do Piloto
Unidades:
- Jagdgeschwader 51  
Aeronaves:
 - Messerschmitt Bf 109F
Campanhas:
  - Frente Oriental
Promoções:
 
Condecorações:
- 03.07.1941 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 18.07.1941 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 15.09.1941 - Troféu de Honra
- 06.10.1941 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro...................................(345º)
- 17.06.1942 - Cruz Germânica em ouro.................................................(2/65)
- 03.08.1942 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ..........................(108º)


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