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Quando falamos dos grandes ases alemães
da II Guerra Mundial, os nomes que nos vêm à mente são a-queles que
os historiadores já trataram de consagrar, como Adolf
Galland, Erich Hartmann, Werner
Mölders, Hans-Joachim Marseille e Walter
Nowotny. Entretanto, poucas vezes cita-se a pessoa do Major
Wilhelm "Willi" Batz, ganhador das Espadas da
Cruz de Cavaleiro e detentor da impressionante marca de 237 vitórias
aéreas, o que lhe assegura a posição de 6º maior ás de todos os tempos.
Isso se torna algo difícil de se entender quando vislumbramos que
a sua carreira foi muito peculiar se compa-rada a de outros ases de
sua época. Afinal de contas, de seu total de vitórias, 222 inimigos
foram abatidos no curtíssimo espaço de tempo compreendido entre março
de 1944 e maio de 1945, o que, por si só, já é uma amostra irrefutável
das habilidades deste piloto quando em combate.
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Wilhelm Batz nasceu em Bamberg, Alemanha em 21 de junho de 1916.
E-le, assim, como tantos outros de seu tempo, cresceu duran te
uma época em que, devido às restrições impostas pelo Tratado
de Versalhes, a forma de vôo mais difundida era o planado.
Foi assim que tanto Batz, como milha res de outros jovens alemães
das déca-das de 20 e 30, ganharam o gosto pela aviação, tendo
em mente a imagem dos combates heróicos da I
Guerra Mundial.
Nada mais natural que o jovem de 19 anos, após concluir o ensino
médio, tenha optado por se juntar à recém-nascida Luftwaffe, onde
ingressou em 1º de novembro de 1935. Embora tenha se graduado
na escola de vôo com facilidade, Batz não combateu na Legião Condor,
durante a Guerra Civil
Es panhola. Esse seria o principal fator que o diferenciaria
dos demais ases, posto que Batz levaria muito mais tem po para
entrar em combate do que os demais ases da sua geração. Isto porque,
durante seu próprio treinamen to, descobriu-se que Batz tinha
a habilidade natural de ser um espetacular instrutor - algo que
a Luftwaffe necessitava urgentemente.
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Promovido a Leutnant em 01 de novembro
de 1940, Batz serviria como instrutor de vôo durante os três primei-ros
anos da guerra, sendo que seus constantes pedidos para ser transferido
para uma unidade de combate fo ram ignorados. Para ele não poderia haver
nada mais frustrante: com mais de 5.000 horas Batz não se envol-veria
nos anos de ouro da Blitzkrieg,
na Batalha da Inglaterra e muito menos
no início da invasão da União So viética.
Embora, para ele, voar fosse tão natural quanto caminhar, sua oportunidade
surgiria apenas no final de 1942, quando a necessidade de oficiais na
Luftwaffe tornou-se imperiosa.
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Deste modo foi tão-somente em dezembro de 1942 que Batz foi transferido
para uma unidade de combate no Front russo, tendo se juntado à
famosa Jagdgeschwader
52 (JG 52). Assim, embora sua primeira tarefa não tenha sido muito
glamorosa, seria de extrema importância para sua formação como
piloto de combate, ao ser designado Adjutant
do então Gruppenkommandeur
do II/JG 52, Jo-hannes Steinhoff.
Entretanto, a despeito de ser um piloto fabuloso, Batz simplesmente
não conseguia abater nenhum inimigo! "Eu fiz centenas de milhares
de buracos no ar enquanto apontava em aeronaves inimigas",
disse em tom de brin-cadeira, alguns anos depois. A situação começou
a dei-xá-lo preocupado, pois somente depois de quase quatro
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meses em um dos fronts mais ativos da guerra, com inúmeros alvos e voando
várias missões, é que Batz conseguiria abater sua primeira vítima em 11.03.1943.
Ele até mesmo requisitou uma transferência para uma unidade de bombardeiros,
o que foi negado.
Quando Batz foi nomeado Staffelkapitän
do 5./JG 52 (5º Staffel da JG
52), ele era o único oficial nessa posi- ção em toda a frente oriental
que não era um "ás". Mas isso não parecia preocupá-lo: "...eu ganhei
essa pro moção não porque eu era um bom piloto de caça, mas porque eu
era o mais velho. Eu tinha 27 anos de ida-de - muito velho para ser
um piloto de caça. A maioria deles tinha por volta de 21 anos, e eu
era um ´velho' perto deles. Eu era um bom ajudante mas um caçador ruim,
e meu comandante me disse isso. E eu concor dei com ele."
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E o pior é que sua situação não parecia melhorar. Em junho de
1943 ele der rubaria seu segundo oponente e, no fim daquele ano
Batz somava apenas 15 vitórias confirmadas, a despeito de ter
sido condecorado com o Troféu de Honra
(Ehrenpokal) em 14 de novembro de 1943. Mesmo esta condecoração
não melhorou sua moral.
Então, em fevereiro de 1944, Batz adoeceu e ficou impedido de
voar por du as semanas. Nesse período, ele pôde assistir vários
combates aéreos do so lo, com a devida calma, estudando as manobras
dos pilotos - esta experiên cia renovou completamente sua perspectiva.
Ao retornar ao combate, ele acreditava que nada mais poderia dar
errado e não apenas se tornou extre-mamente bem sucedido, mas
sim, excepcionalmente eficaz.
O ano de 1944 foi um ano terrível para a Luftwaffe. A escassez
de aviões era gritante, tendo em vista que muitas unidades foram
transferidas para a Defe-sa do Reich
contra os bombardeiros anglo-americanos que estavam minan- do
a capacidade industrial da Alemanha. Na Rússia, as forças alemãs
trava-
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vam uma luta violenta enquanto recuavam em direção ao Oeste, enfrentando
um inimigo que apresentava uma superioridade de não raro 12 para 1.
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Nesse mesmo período, o já Oberleutnant
Batz colecionaria duas ou três vitórias por dia, sendo condecorado
com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro
em 26 de março de 1944, quando superou a marca de 70 vitórias
confirmadas. Continuando sua escalada meteórica, Batz derrubaria
15 aviões inimigos em 30 de maio de 1944, ao longo das sete missões
separadas de vôo naquele dia.
Em maio de 1944, com a transferência de Günther
Rall para a Frente Ocidental, ele seria designado para servir
como Gruppenkommandeur
do III/JG 52 (Gruppe III
da JG 52). Na companhia de nomes como Erich
Hartmann (352 vitórias), Fritz Obleser (120 vitórias) e Walter
Wolfrum (137 vitórias), a competição era ainda mais acirrada.
Pouco depois, em 20 de julho de 1944, o agora Hauptmann
Wilhelm Batz se tornaria o 526º soldado da Wehrmacht
a receber as Folhas de Carvalho da Cruz
de Cavaleiro das mãos de Hitler.
Curioso observar que, assim como vários outros pilotos alemães
que lu taram na frente russa, o que mais apavorava Batz não era
a morte no combate aéreo, mas sim a possibilidade de ser feito
prisioneiro pelos
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soviéticos, caso tivesse que fazer um pouso forçado atrás das linhas inimigas.
E isso era uma preocupação constante na vida destes homens, como o próprio
Batz relembrou:
"Junto com Gerd Barkhorn, eu fui enviado
em uma missão de reconhecimento atrás das linhas soviéticas. Nós estávamos
procurando por bases russas atrás do front. A distância das bases era
de 200-250 km. Nós estávamos na distância máxima, cerca de 250 km, e
voando a 6.000 metros quando meu motor apagou! To-do o horror de ser
capturado e aprisionado pelos soviéticos inundou minha mente. Meus sentimentos
eram de terror, enquanto minha aeronave descia em vôo planado.
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Quando eu estava a 2.000 metros de altitude eu o-lhei para
baixo dentro do cockpit e vi que minha bomba de gasolina estava
desligada. Eu acionei o interruptor. Depois de cinco segundos,
o motor co-meçou a funcionar e, para mim, era como se fosse a
própria vida. Nunca mais senti tamanho sentimen to de alívio."
Em janeiro de 1945, o Major Batz
foi indicado para atuar como Kommandeur
do II/JG52, então estacio-nado na Hungria, enfrentando seus inimigos
soviéti-cos e combatendo algumas vezes os aliados ociden tais,
o que o levaria a obter suas quatro únicas vitó- rias contra pilotos
anglo-americanos por essa época Já próximo do fim, em 21 de abril
de 1945, Wilhelm
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Batz torna-se o 145º. soldado a receber as Espadas
da Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro, quando somava mais de 230 vitórias
confirmadas.
A transferência para o território húngaro foi providencial. No final
da guerra, em 08 de maio de 1945, Batz lide raria seu Gruppe numa fuga
através da Áustria para entregar-se às forças americanas e escapar do
Exército Vermelho. Com esta manobra, o Major Batz, ao contrário de seus
colegas dos dois outros Gruppen e do Stab
da JG 52 - incluindo Erich Hartmann e Herman
Graf -, conseguiu escapar dos soviéticos, sendo solto pelos norte-americanos
em 1947. Batz retornaria ao serviço militar em 1956, quando foi convidado
a ingressar na recém criada Bundesluftwaffe, onde permaneceu até dar
baixa como Oberst, em 30 de setembro
de 1972.
Em sua relativamente curta carreira como piloto de combate, Batz voou
cerca de 440 missões, abateu 237 adversários (todos, à exceção de cinco,
na frente oriental) e foi ferido em três ocasiões. Consagrado como o
sexto maior ás da Luftwaffe e de todos os tempos, Wilhelm Batz faleceu
de causas naturais, aos 72 anos de idade, em 11 de setembro de 1988,
na localidade de Mauschendorf-Unterfranken, então Alemanha Ocidental.

Bf 109K-4 - Maj. Wilhelm Batz, Kommandeur II./JG 52 - Neubiberg/Alemanha - Maio, 1945
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Esta página
contou com a colaboração do Sr. Donald Pearson dos E.U.A
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