Gerhard Barkhorn
(1919 - 1983)

Major
JG2, JG52, JG6 e JV44
1.104 missões de combate, 301 vitórias
Prisioneiro de Guerra

Gerhard "Gerd" Barkhorn, o 2º maior ás da História da aviação, certa vez foi assim descrito pelo seu amigo (e um dos maiores pilotos da Luftwaffe durante o último conflito, com 176 vitórias), o Oberst Johannes Stein-hoff: "Gerd Barkhorn é a minha escolha entre todos os pilotos na II Guerra Mundial. Ele era o melhor, ou esta-va entre os melhores, e extremamente confiável. Sempre que fazia uma reivindicação por uma vitória não havia dúvida sobre esta. Eu nunca soube de uma alegação de vitória de Barkhorn que não fosse confirmada."

Gerd foi um piloto "do primeiro ao último dia": lutou durante toda a II Guerra Mundial, tendo sobrevivido às mais duras provações. Nascido em 20 de março de 1919 em Königsberg, Prússia Oriental, Alemanha, Barkhorn beneficiou-se de uma excelente educação durante sua infância e adolescência, aprendendo a falar fluentemente o inglês, sendo que sua habilidade com os estudos o aju-dariam muito ao longo de sua carreira militar.

Barkhorn havia se tornado cadete (Fahnenjunker) da escola de pilotos de caça da Luftwaffe em novembro de 1937, sendo designado para o 3./JG 2 "Richtho-fen" (3º Staffel da Jagdgeschwader 2) após a conclusão do seu curso, em se tembro de 1939 - o mesmo mês em que se iniciava a Segunda Guerra Mundi-al.

Ele permaneceria nesta unidade durante as Campanhas da Blitzkrieg, quando os alemães derrotaram a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França em apenas dois meses (maio-junho de 1940).

Entretanto, já como Leutnant, ele seria transferido para o 6./JG 52 em 01 de agosto de 1940 - Geschwader que se tornaria a mais eficiente de toda a Luftwaffe, terminando a guerra com mais de 11.000 aviões abatidos. Sua ligação com esta unidade duraria até janeiro de 1945. Embora tenha participado da Batalha da Inglaterra - pilotando um Bf 109E - Barkhorn não conseguiu alcançar nenhuma vitória confirmada contra a RAF nos épicos combates realizados durante aquele verão.

Na verdade, a primeira vitória de Barkhorn somente viria após ele ter voa do mais de 120 missões, em 02 de julho de 1941. À esta altura, a Ale-manha havia invadido a União Soviética, iniciando o maior ataque da His tória. Deste modo, assim como tantos outros pilotos de seu tempo, o sucesso só viria para Barkhorn com a Operação Barbarrosa, quando en frentaram um inimigo ainda destreinado e mal equipado.

Mesmo assim, o início, para Barkhorn, foi um tanto lento se bem que constante - ele simplesmente estava amadurecendo em pleno combate. Ao longo da guerra, ele revelaria sua preferência pelos caças Bf 109 - que sempre carregavam o nome de sua namorada e futura esposa, Christl - mesmo sobre modelos mais avançados como o Fw 190 e o Me 262. Notadamente, a versão F do caça de Messerschmitt seria aquela que mais agradou ao ás: "O Me 109F podia mergulhar e fazer curvas como o demônio. Ele era mais leve do que qualquer outro dos 109´s, e era especialmenmente bom quando equipado com a metralhadora MG151 de 15 mm. Eu sentia que podia fazer qualquer coisa com ele."


Com o novo modelo de caça nas mãos, Barkhorn finalmente se revelou um matador implacável. Em 01 de março de 1942 ele se tornou Staffelkapitän do 4./JG 52.

Algum tempo depois, em 20 de julho de 1942, pouco após abater seu 56º adversário, ele receberia o Troféu de Honra da Luftwaffe. No entanto, cinco dias mais tarde, ele foi ferido em combate enquanto pilotava seu Bf 109F-4, o que lhe valeu algum tempo no hospital.

Após seu retorno, o já Oberleutnant Barkhorn continuaria a derrubar mais caças durante a ofensiva de verão alemã na URSS. Em razão de seu suce-sso como piloto e líder, Barkhorn seria condecorado com a Cruz Germânica em Ouro em 21 de agosto de 1942 e finalmente agraciado com a Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 23 de agosto de 1942, quando somava um total de 64 vitórias confirmadas.


Agora suas vitórias tornaram-se mais constantes: em 19 de de-zembro de 1942 Barkhorn alcança a marca "mágica" dos 100 a viões abatidos e, em 11 de janeiro de 1943, se torna o 175º sol-dado a receber as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro, quando já havia somado outras 20 vitórias ao seu total. Por esta época ele conhece um novo subordinado com cara de criança, recém chegado à JG 52, do qual se tornaria um grande amigo, até o fim de sua vida: Erich Hartmann - que, ao fim da guerra, havia se tornado o maior ás da História, com 352 vitórias.

A amizade excederia os limites do campo de batalha a ponto de Barkhorn ser o padrinho de casamento de Hartmann em a-gosto de 1944. Mais tarde, Hartmann relembraria:

Erich Hartmann e Gerhard Barkhorn - os dois juntos somam  653 vitórias e são os únicos pilotos a ultrapassarem a marca de 300 vtórias aéreas.

"Gerd Barkhorn realmente ficava feliz com o sucesso dos outros pilotos. Poucos homens eram como ele. Quando eu o ultrapassei, ele veio até mim e me parabenizou de modo sincero. Ele era um homem e um líder que realmente conseguia levar seus homens ao inferno. Todos ficariam satisfeitos em se sacrificar por este lí der. Ele era o comandante de caça com que todo piloto sonha: líder, amigo, camarada, pai - o melhor que eu já encontrei."

Enfrentando a cada vez mais poderosa Força Aérea Soviética e com a Wehrmacht sendo forçada a constantes retiradas, a situação começava a se tornar grave para os pilotos da Luftwaffe: por mais que abatessem os soviéticos em grandes números, sempre haviam muito mais a serem enfrentados. Neste panorama, o Hauptmann Gerhard Barkhorn se torna Kommandeur do II./JG 52. Ele nunca obteve um grande número de vitórias em um mesmo dia ou mesma missão, como outros ases da Frente Russa. Sua melhor marca em uma única missão foram quatro abates e, em um único dia, sete adversários derrubados.

Durante a Batalha pela Península da Criméia, período que vai de dezem-bro de 1943 a maio de 1944, a única unidade de caças alemã existente na região era o II./JG 52, liderado por Barkhorn. Este Gruppe tinha combatido contra as melhores unidades que os russos puderam mobilizar. Tais unidades contavam com nomes de peso, como o famoso "Sasha" Pokryshkin (59 vitórias), e Komardinkin, do 274º Regimento de caças, que abateu 19 aviões da Luftwaffe em 19 missões sobre a aquela região entre abril e maio de 1944.


Contudo, as baixas soviéticas foram bem maiores. En-tre dezembro de 1943 a maio de 1944 os alemães rei-vindicaram 604 aeronaves soviéticas abatidas na regi ão. Somente os caça-bombardeiros Focke-Wulf Fw 190 da SG 2 foram responsáveis pela destruição de 247 aviões russos. Nesse ínterim, "Gerd" Barkhorn abateu quase 70 aviões soviéticos sobre a Criméia, alcançando sua 200ª vitória em 30 de novembro de 1943 e a de número 250 no dia 12 de fevereiro de 1944.

Em 02 de março de 1944 ele, mais uma vez, se dirigiu ao quartel-general de Hitler (ver foto) para receber as Espadas de sua Cruz de Cavaleiro, tornando-se o 52º soldado da Wehrmacht a receber tal honraria.

No dia 31 de maio de 1944, a unidade de Barkhorn foi escalada para fazer a escolta dos bombardeiro Ju 87 Stukas da SG 2, sob comando do lendário Hans-Ulrich Rudel. Seu número total de vitórias chegava a 273, e ele estava extremamente ansioso procurando uma oportunidade de alcançar a mágica contagem de 275 aba-tes. Essa ansiedade quase lhe custou a vida quando ele não percebeu a chegada de um caça soviético em sua retaguarda.

"Eu recebi uma mensagem que havia caças russos na re-gião, mas eu estava cansado e fui negligente. Eu não olhei atrás de mim. Eu tinha 273 vitórias naquela época, e eu me recordo de pensar em alcançar 275 e, talvez 300 mais tarde. Mas eu é que fui a vitória de outra pessoa."

Seu Bf 109G-6 havia sido alvejado impiedosamente e tal distração custou ao jovem de 25 anos de idade quatro me-ses no hospital.

Nesse meio tempo, Barkhorn perdia a "liderança" na "cor-rida por vitórias" que disputava com Hartmann, que o ultra-passou em caráter permanente.


Seu retorno à JG 52 seria curto. Promovido a Major, Barkhorn alcan çou sua 300ª vitória em 04 de janeiro de 1945 e a sua última vitória confirmada no dia seguinte.

Em 16 de janeiro de 1945, se tornou Kommodore da JG 6, atuando contra os aliados ocidentais. Mas Gerd não ficaria muito tempo nesta unidade, sendo convidado por Johannes Steinhoff, em abril daquele ano, para integrar a famosa JV 44 (Jagdverband 44) - a unidade de elite equipada com jatos Me 262, liderada pelo Generalleut Adolf Galland.

No entanto, sua carreira no cockpit deste revolucionário avião foi cur-ta. Em 21 de abril de 1945, durante sua segunda missão com o jato, Barkhorn foi perseguido por Mustangs durante seu pouso.

Tendo deixado a capota do cockpit aberta para facilitar sua saída do avião, esta terminou por deslizar contra seu pescoço. Para ele a guer ra estava acabada, passando o resto da guerra no hospital.

Barkhorn e sua esposa Christl com o bebê.

Barkhorn saindo de seu  Fw 190D-9.

Ao longo do conflito, Gerhard Barkhorn havia voado 1.104 missões de combate e abatido 301 aviões inimigos, todos na frente oriental. Havia sido abatido em nove ocasiões - tendo saltado em uma ocasião - e foi ferido em três ocasi ões.

Após a guerra, Barkhorn foi um dos pouco pilotos de gran-de sucesso da Frente Oriental a não ser entregue aos so-viéticos - ao contrário do que aconteceu com Hermann Graf e Erich Hartmann, entre outros. Capturado pelos ame ricanos, Barkhorn ficaria em cativeiro até setembro de 1945. Em 1955 foi convidado a integrar a nova Bundes-luftwaffe, sendo enviado aos Estados Unidos para treina-mento em jatos. Após seu retorno seria designado para atuar como Kommodore da Jagdbombergeschwader 31 (Ja

boG) "Bölcke". Ele seguiria uma carreira brilhante no pós guerra, atingindo o posto de Generalmajor antes de aposentar-se em 30 de junho de 1975.

Em 06 de janeiro de 1983, Gerhard Barkhorn e sua esposa Christl foram surpreen-didos por uma tempestade de inverno durante uma viagem de carro a Colônia, quan do sofreram um sério acidente.

Christl morreu no próprio local, mas Gerd, um velho lutador, somente viria a falecer dois dias depois, em 08 de janeiro de 1983, aos 63 anos de idade, sendo enterrado com todas as honras militares em cerimônia assistida por muitos de seus ex-com-panheiros de guerra. Em suas memórias, seu antigo companheiro, Hartmann, relem braria o grande ás:

"Ele era muito honesto para a nova Luftwaffe, mas permanece como um dos poucos comandantes sobre o qual os homens continuam a falar trinta, quarenta, cinqüenta anos depois, com respeito e afeição. Gerd Barkhorn foi um homem inesquecível."

Barkhorn na Bundesluftwaffe nos anos 60.

 


Bf 109G-6 - Hptm. Gerhard Barkhorn, Stab II./JG 52 - Bagerovo/Russia - novembro, 1943


Fw 190D-9 - Maj. Gerhard Barkhorn, Stab/JG 6 - Sorau/Alemanha - fevereiro, 1945


Ficha do Piloto
Unidades:
- Jagdgeschwader 2 "Richthofen"  
- Jagdgeschwader 52 - Staffelkapitän 4./JG 52 (1.03.42)
- Kommandeur II./JG 52 (1.9.43 - 15.1.45)
- Jagdgeschwader 6 "Horst Wessel" - Kommodore (16.1.45 - 10.4.45)
- Jagdverband 44  
Aeronaves:
Messerschmitt Bf 109
Focke-Wulf Fw 190D
Messerschmitt Me 262
Campanhas:

Batalha da Inglaterra
Frente Oriental

Promoções:
 
Condecorações:
- 23.10.1940 - Cruz de Ferro de 2ª classe
- 03.12.1940 - Cruz de Ferro de 1ª classe
- 20.07.1942 - Troféu de Honra
- 21.08.1942 - Cruz Germânica em ouro.................................................(8/99)
- 23.08.1942 - Cruz de Cavaleiro da Cruz de Ferro...................................(529º)
- 11.01.1943 - Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro ..........................(175º)
- 02.03.1944 - Espadas da Cruz de Cavaleiro ..........................................(52º)

Barkhorn em seu Fw 190D-9 (720x452 pxs - 44 kb) Bf 109G-6 de Barkhorn (780x456 pxs) Bf 109G-6 de Barkhorn (683x437 pxs) Hptm. Barkhorn em seu Bf 109G-5 (700x359)



Principais Ases
Principais Aviões