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Gerhard "Gerd" Barkhorn, o 2º maior ás
da História da aviação, certa vez foi assim descrito pelo seu amigo (e
um dos maiores pilotos da Luftwaffe durante o último conflito, com 176
vitórias), o Oberst Johannes
Stein-hoff: "Gerd Barkhorn é a minha escolha entre todos os pilotos
na II Guerra Mundial. Ele era o melhor, ou esta-va entre os melhores,
e extremamente confiável. Sempre que fazia uma reivindicação por uma vitória
não havia dúvida sobre esta. Eu nunca soube de uma alegação de vitória
de Barkhorn que não fosse confirmada."
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Gerd foi um piloto "do primeiro ao último dia": lutou durante toda
a II Guerra Mundial, tendo sobrevivido às mais duras provações.
Nascido em 20 de março de 1919 em Königsberg, Prússia Oriental,
Alemanha, Barkhorn beneficiou-se de uma excelente educação durante
sua infância e adolescência, aprendendo a falar fluentemente o inglês,
sendo que sua habilidade com os estudos o aju-dariam muito ao longo
de sua carreira militar.
Barkhorn havia se tornado cadete (Fahnenjunker)
da escola de pilotos de caça da Luftwaffe em novembro de 1937, sendo
designado para o 3./JG2 "Richtho-fen" (3º Staffel
da Jagdgeschwader 2) após
a conclusão do seu curso, em se tembro de 1939 - o mesmo mês em
que se iniciava a Segunda Guerra Mundi-al.
Ele permaneceria nesta unidade durante as Campanhas da Blitzkrieg,
quando os alemães derrotaram a Bélgica, Holanda, Luxemburgo e França
em apenas dois meses (maio-junho de 1940).
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Entretanto, já como Leutnant, ele seria
transferido para o 6./JG52 em 01 de agosto de 1940 - Geschwader
que se tornaria a mais eficiente de toda a Luftwaffe, terminando a guerra
com mais de 11.000 aviões abatidos. Sua ligação com esta
unidade duraria até janeiro de 1945. Embora tenha participado da Batalha
da Inglaterra - pilo-tando um Bf 109E - Barkhorn
não conseguiu alcançar nenhuma vitória confirmada contra a RAF nos épicos
combates realizados durante aquele verão.
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Na verdade, a primeira vitória de Barkhorn somente viria após ele
ter voa do mais de 120 missões, em 02 de julho de 1941. À esta altura,
a Ale-manha havia invadido a União Soviética, iniciando o maior
ataque da His tória. Deste modo, assim como tantos outros pilotos
de seu tempo, o sucesso só viria para Barkhorn com a Operação
Barbarrosa, quando en frentaram um inimigo ainda destreinado
e mal equipado.
Mesmo assim, o início, para Barkhorn, foi um tanto lento se bem
que constante - ele simplesmente estava amadurecendo em pleno combate.
Ao longo da guerra, ele revelaria sua preferência pelos caças Bf
109 - que sempre carregavam o nome de sua namorada e futura esposa,
Christl - mesmo sobre modelos mais avançados como o Fw
190 e o Me 262. Notadamente, a versão
F do caça de Messerschmitt seria aquela que mais agradou ao ás:
"O Me 109F podia mergulhar e fazer curvas como o demô nio. Ele
era mais leve do que qualquer outro dos 109´s, e era especial-menmente
bom quando equipado com a metralhadora MG151
de 15 mm. Eu sentia que podia fazer qualquer coisa com ele."
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Com o novo modelo de caça nas mãos, Barkhorn finalmente se revelou
um matador implacável. Em 01 de março de 1942 ele se tornou Staffelkapitän
do 4./JG52 e seria condecorado com a Cruz Germânica
em Ouro em 09 de julho de 1942.
Algum tempo depois, em 20 de julho de 1942, pouco após abater seu
35º adversário, ele receberia o Troféu de Honra
da Luftwaffe. No entanto, cinco dias mais tarde, ele foi ferido
em combate enquanto pilotava seu Bf 109F-4,
o que lhe valeu algum tempo no hospital.
Após seu retorno, o já Oberleutnant
Barkhorn continuaria a derrubar mais caças durante a ofensiva de
verão alemã na URSS. Em razão de seu suce-sso como piloto e líder,
Barkhorn seria finalmente agraciado com a Cruz
de Cavaleiro da Cruz de Ferro em 23 de agosto de 1942, quando
somava um total de 59 vitórias confirmadas.
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Agora suas vitórias tornaram-se mais constantes: em 19 de de-zembro
de 1942 Barkhorn alcança a marca "mágica" dos 100 a viões abatidos
e, em 11 de janeiro de 1943, se torna o 175º sol-dado a receber
as Folhas de Carvalho da Cruz de Cavaleiro,
quando já havia somado outras 20 vitória ao seu total. Por esta
época ele conhece um novo subordinado com cara de criança, recém
chegado à JG52, do qual se tornaria um grande amigo, até
o fim de sua vida: Erich Hartmann - que,
ao fim da guerra, havia se tornado o maior ás da História, com 352
vitórias.
A amizade excederia os limites do campo de batalha a ponto de Barkhorn
ser o padrinho de casamento de Hartmann em a-gosto de 1944. Mais
tarde, Hartmann relembraria:
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"Gerd Barkhorn realmente ficava feliz com o sucesso dos outros pilotos.
Poucos homens eram como ele. Quando eu o ultrapassei, ele veio até mim
e me parabenizou de modo sincero. Ele era um homem e um líder que realmente
conseguia levar seus homens ao inferno. Todos ficariam satisfeitos em
se sacrificar por este lí der. Ele era o comandante de caça com que todo
piloto sonha: líder, amigo, camarada, pai - o melhor que eu já encontrei."
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Enfrentando a cada vez mais poderosa Força Aérea Soviética e com
a Wehrmacht sendo forçada a
constantes retiradas, a situação começava a se tornar grave para
os pilotos da Luftwaffe: por mais que abatessem os soviéticos em
grandes números, sempre haviam muito mais a serem enfrentados. Neste
panorama, o Hauptmann Gerhard Barkhorn
se torna Kommandeur do II/JG52.
Ele nunca obteve um grande número de vitórias em um mesmo dia ou
mesma missão, como outros ases da Frente Rus-sa. Sua melhor marca
em uma única missão foram quatro abates e, em um único dia, sete
adversários derrubados.
Durante a Batalha pela Península da Criméia, período que vai de
dezem-bro de 1943 a maio de 1944, a única unidade de caças alemã
existente na região era o II/JG52, liderado por Barkhorn. Este Gruppe
tinha comba-tido contra as melhores unidades que os russos puderam
mobilizar. Tais unidades contavam com nomes de peso, como o famoso
"Sasha" Po-kryshkin (59 vitórias), e Komardinkin, do 274º Regimento
de caças, que aba teu 19 aviões da Luftwaffe em 19 missões sobre
a aquela região en-tre abril e maio de 1944.
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Contudo, as baixas soviéticas foram bem maiores. En-tre dezembro
de 1943 a maio de 1944 os alemães rei-vindicaram 604 aeronaves soviéticas
abatidas na regi ão. Somente os caça-bombardeiros Focke-Wulf
Fw 190 da SG2 foram responsáveis pela destruição de 247 aviões
russos. Nesse ínterim, "Gerd" Barkhorn abateu quase 70 aviões soviéticos
sobre a Criméia, alcançan-do sua 200ª vitória em 30 de novembro
de 1943 e a de número 250 no dia 13 de fevereiro de 1944.
Em 02 de março de 1944 ele, mais uma vez, se dirigiu ao quartel-general
de Hitler (ver
foto) para receber as Espadas de
sua Cruz de Cavaleiro, tornando-se o 52º soldado da Wehrmacht
a receber tal honraria.
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No dia 31 de maio de 1944, a unidade de Barkhorn foi escalada para fazer
a escolta dos bombardeiro Ju 87 Stukas da SG2,
sob comando do lendário Hans-Ulrich Rudel. Seu
número total de vitórias chegava a 273, e ele estava extremamente ansioso
procurando uma oportunidade de alcançar a mágica contagem de 275 aba-tes.
Essa ansiedade quase lhe custou a vida quando ele não percebeu a chegada
de um caça soviético em sua retaguarda.
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"Eu recebi uma mensagem que havia caças russos na re-gião, mas
eu estava cansado e fui negligente. Eu não olhei atrás de mim. Eu
tinha 273 vitórias naquela época, e eu me recordo de pensar em alcançar
275 e, talvez 300 mais tarde. Mas eu é que fui a vitória de outra
pessoa."
Seu Bf 109G-6 havia sido alvejado impiedosamente e tal distração
custou ao jovem de 25 anos de idade quatro me-ses no hospital.
Nesse meio tempo, Barkhorn perdia a "liderança" na "cor-rida por
vitórias" que disputava com Hartmann,
que o ultra-passou em caráter permanente.
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Seu retorno à JG52 seria curto. Promovido a Major,
Barkhorn alcan çou sua 300ª vitória em 05 de janeiro de 1945 e a
sua última vitória confirmada no dia seguinte.
Em 16 de janeiro de 1945, se tornou Kommodore
da JG6, atuando contra os aliados ocidentais. Mas Gerd não ficaria
muito tempo nesta unidade, sendo convidado por Johannes
Steinhoff, em abril daquele ano, para integrar a famosa JV44
(Jagdverband 44) - a unidade
de elite equipada com jatos Me 262, liderada
pelo Generalleut Adolf Galland.
No entanto, sua carreira no cockpit deste revolucionário avião
foi cur-ta. Em 21 de abril de 1945, durante sua segunda missão com
o jato, Barkhorn foi perseguido por Mustangs
durante seu pouso.
Tendo deixado a capota do cockpit aberta para facilitar sua saída
do avião, esta terminou por deslizar contra seu pescoço. Para ele
a guer ra estava acabada, passando o resto da guerra no hospital.
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Ao longo da guerra, Gerhard Barkhorn havia voado 1.104 missões
de combate e abatido 301 aviões inimigos, todos na frente oriental.
Havia sido abatido em nove ocasiões - tendo saltado em uma ocasião
- e foi ferido em três ocasi ões.
Após a guerra, Barkhorn foi um dos pouco pilotos de gran-de sucesso
da Frente Oriental a não ser entregue aos so-viéticos - ao contrário
do que aconteceu com Hermann Graf e Erich
Hartmann, entre outros. Capturado pelos ame ricanos, Barkhorn
ficaria em cativeiro até setembro de 1945. Em 1955 foi convidado
a integrar a nova Bundes-luftwaffe, sendo enviado aos Estados Unidos
para treina-mento em jatos. Após seu retorno seria designado para
atuar como Kommodore da Jagdbombergeschwader
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boG) "Bölcke". Ele seguiria uma carreira brilhante no pós guerra, atingindo
o posto de antes de aposentar-se em 30 de junho de 1975.
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Em 06 de janeiro de 1983, Gerhard Barkhorn e sua esposa Christl
foram surpreen-didos por uma tempestade de inverno durante uma viagem
de carro a Colônia, quan do sofreram um sério acidente.
Christl morreu no próprio local, mas Gerd, um velho lutador, somente
viria a falecer dois dias depois, em 08 de janeiro de 1983, aos
63 anos de idade, sendo enterrado com todas as honras militares
em cerimônia assistida por muitos de seus ex-com-panheiros de guerra.
Em suas memórias, seu antigo companheiro, Hartmann,
relem braria o grande ás:
"Ele era muito honesto para a nova Luftwaffe, mas permanece
como um dos poucos comandantes sobre o qual os homens continuam
a falar trinta, quarenta, cinqüenta anos depois, com respeito e
afeição. Gerd Barkhorn foi um homem inesquecível."
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Bf 109G-6 - Hptm. Gerhard Barkhorn, Stab II/JG52 - Bagerovo/Russia - Novembro,
1943

Fw 190D-9 - Maj. Gerhard Barkhorn, Stab/JG6 - Sorau/Alemanha - Fevereiro,
1945
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