Indubitavelmente, o Junkers Ju 88 foi um
dos aviões mais versáteis da Luftwaffe, senão de todas as aerona ves em
combate na Segunda Guerra. O seu projeto tinha, inicialmente, como principal
objetivo o desenvolvi-mento de um bombardeiro ágio que pudesse combater
na linha de frente. Entretanto, com o desenrolar da guerra, o Ju 88 foi
cobrindo as mais variadas lacunas: caça pesado, caça noturno, bombardeiro
estratégico, avião de reconhecimento, avião antinaval e até mesmo míssil
balístico nos dias desesperados do III Reich.
Ao lado do DeHaviland Mosquito e do Bristol
Beaufighter, o Ju 88 era um avião grande e lento, mas extrema-mente eficiente
em qualquer função que desempenhava. Ao todo foram fabricadas 14.676 unidades
desta ver-dadeira lenda, incluindo 104 protótipos de cerca de 60 variantes
diferentes.
O Nascimento do Junkers Ju 88
O Ju 88 foi concebido, inicialmente, como um bombardeiro nos moldes
do DeHaviland Mosquito. Em meados de 1935, a Luftwaffe apresentou um requerimento
para o desenvolvimento de um Schnellbomber ("bombardeiro rápido" em alemão)
capaz de desenvolver a velocidade de 500km/h e carregar 800kg de bombas.
Era parâme-tros muito avançados para sua época, considerando que os caças
biplanos de então estavam longe desta per-formance e que o futuro avião
seria até mesmo mais rápido do que as primeiras versões do Bf
109.
A concorrência foi aberta e, surpreendentemente, os principais fabricantes
começaram apresentar suas opçõ- es ainda em 1935. A Henschel foi a primeira
delas com o modelo Hs127, a Junkers chegou à corrida
com dois aparelhos, o Ju 85 e o Ju 88 e a Messerschmitt trouxe o Me
162. Embora os candidatos fossem aviões exce-lentes, o vencedor era
mais do que claro: o Ju 88.
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O desenvolvimento do projeto da Junkers foi entregue ao Chefe de
Design daquela empresa, o genial Ernst Zindel. O primeiro protótipo
do Ju 88 (denominado de Ju 88 V1 - matrícula D-AQEN) realizou o
primeiro vôo em 21 de dezembro de 1936.
Essa primeira ave era construída inteiramente em me-tal, sendo
que sua estrutura foi desenhada por dois en-genheiros norte-americanos
especialmente contratados por Hugo Junkers.
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O V1 era dotado também de um pequeno, mas funcional cockpit. A aeronave
era propulsionada por dois moto-res Daimer-Benz DB 600Ae de 1000 hp (746kW)
com radiadores anelares, dando-lhe a falsa aparência de pro-pulsores radiais,
instalados á frente da asa. Por causa do formato peculiar dos radiadores,
os primeiros Ju 88 foram apelidados de Dreifinger ("três dedos").
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Infelizmente, o Ju 88 V1 acidentou-se antes de comple tar os testes
de desempenho, mas as poucas caracte-rísticas examinadas pelos técnicos
da OKL, demons-travam que o novo aparelho teria um futuro bastante
pro missor. O Ju 88 V3 teve a motorização modificada, pas sando
a receber dois Junkers Jumo 211, o qual desen-volvia uma potência
final semelhante ao DB600Ae.
O quarto protótipo, o Ju 88 V4 teve o cockpit totalmen te modificado,
recebendo um grande número de peque-nas janelas transparentes, assim
como uma gôndola ventral logo abaixo do nariz, onde seria instalada
uma metralhadora MG 15 de 7,92mm. Já o
Ju 88 V5 estabe
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leceu os recordes de performance da série. Em 09 de março de 1939, este
avião desenvolveu a velocidade fi-nal de 517km/h num circuito fechado de
1.000 m e carregando uma carga adicional de 2.000kg.
Com base nos resultados desses primeiros testes, o Alto
Comando da Luftwaffe tomou decisões vitais a res-peito do Ju 88. Uma
vez que a guerra estava próxima de eclodir, o projeto ganhou prioridade
máxima dentro da Junkers. Em 15.10.1939, a diretoria do desenvolvimento
do Ju 88 foi entregue ao Dr. Heinrich Koppenberg, o qual passou a ter
autoridade para requerer qualquer unidade de produção aeronautica para
a fabricação do no-vo avião.
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Inicialmente, a Luftwaffe tinha interesse em transformar o Ju 88
em um caça pesado, categoria muito utilizada na Europa. Desta forma,
em meados de 1939, a Jun-kers utilizou o Ju 88 V7, avião que havia
levantado vôo em 27.09.1938 para os testes de performance.
O protótipo foi modificado, sendo armado frontalmente com dois
canhões MGFF de 20mm e outras duas me-tralhadoras
MG 17 de 7,92mm, alocados no nariz do
avião, agora coberto por chapas de metal ao invés das janelas envidraçadas.
A torre inferior foi removida, redu-zindo a tripulação para três
soldados. Ele era propulsio nado por dois Junkers Jumo 211B-1 de
1200hp (895 kW) cada e a velocidade final ficou muito semelhante
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a do Messerschmitt Bf 110. A adaptação não agradou
muito à Luftwaffe e um pequeno número foi encomenda-do.
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No entanto, novas modificações foram requeridas. Per-to do início
do conflito, o OKL, impressionado pelo su-cesso do Junkers
Ju87 Stuka na Guerra
Civil Espanho-la, ordenou que o Ju 88 também fosse capaz de
de-sempenhar o papel de bombardeiro de mergulho. A nova decisão
obrigou que os engenheiros inserissem freios de mergulho no aparelho
e reforçassem as estru turas alares, provocando um substancial aumento
do peso, compromentendo a velocidade e a manobrabilida de.
Além disso, ordenou-se que a carga de bombas fosse aumentada, introduzindo-se
suportes externos e inter-nos para quatro cargas de 500kg. Esse
novo impasse no projeto foi solucionado com grande destreza pelos
técnicos: adotou-se um sistema automatico de mergu-
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lho para um ângulo limite de 60º, o que tornava a operação muito fácil de
ser realizada, como demonstrou o protótipo Ju 88 V6.
Um total de 10 protótipos foram fabricados antes que a pré-série Ju 88A-0
saísse das linhas de montagem no início de 1939. A ordem de produção foi
dada quase simultaneamente à Invasão
da Polônia, em setembro de 1939, quando o Ju 88A-1 entrou em serviço
ofical na Luftwaffe.
Histórico das Versões "A" e "B"
O Ju 88 foi utilizado principalmente como um bombardeiro horizontal,
auxiliando os demais de seu tipo, como o Heinkel He111
e o Dornier Do17. Mas, com o desenrolar do conflito,
esse fantástico avião tomou as mais diversas formas. Essa trajetória iniciou-se
antes mesmo da Invasão da Polônia.
Entre julho e agosto de 1939, um pequeno grupo de aeronaves da série
A-1 foi selecionado e convertido para operações experimentais. Denominados
de Ju 88C-0, os aviões vieram a equipar o Zerstörerstaffel da KG 30 e
combateram durante o mês de setembro de 1939, realizando missões de apoio
terrestre.
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A experiência foi tão bem sucedida que a variante Ju 88C-1 logo
entrou em produção. A versão C-1 era equi-pada com dois motores
BMW 801MA, radiais, refrige-rados à ar e com potência máxima de
1600 hp. O mo-delo seguinte, o C-2 recebeu os Jumos 211B-1, com
refrigeração à água e que desenvolviam 1200hp com seus radiadores
anelares. Por motivos técnicos a ver-são derivada do Ju 88C-1. A
C-3, foi abandonada e, de-vido ao fato dos propulsores BMW 801 terem
sido re-servados aos caças Focke-Wulf
Fw190, apenas a série C-2 entrou em produção regular.
Os Ju 88C-2 eram equipados com um canhão MG FF de 20mm e três metralhadoras
MG 17 de 7,92mm posi cionados num novo nariz de metal. A maioria
dos apa-
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relhos da versão C foram destinados à esquadrões costeiros, sendo utilizados
em missões de reconhecimento marítimo e ataques anti-navais.
No entanto, a versão mais famosa do Ju 88 foi a variante A. Em virtude
da quantidade insuficiente de bombar-deiros de nível, o avião de Hugo
Junkers foi utilizado como tal. Os Ju 88A cumpriram essa missão, apesar
de seu armamento defensivo bastante inadequado paras incursões no território
inimigo. Além disso, vários proble-mas técnicos surgiram quando a aeronave
operava nessas condições.
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O Ju 88A-1, quando carregado com a carga
máxima de bombas e outros armamentos, apresentava grande difi-culdade
na decolagem, sendo comum ocorrer a impos-sibilidade dessa. As sub-variantes
seguintes procura-ram reverter esse problema das mais variadas formas.
O Ju 88A-2 foi equipado com foguetes auxiliares nas asas, os quais
poderiam ser acionados pelo piloto quando a operação de decolagem
requeresse. Entretan to, modificar todos os aviões em linha com o
dispositi-vo demonstrou-se extremamente caro, logo as soluçõ- es seguintes,
apresentadas no Ju 88A-3 foi a adoção de um comando de vôo duplo,
cuja eficácia deixou mui to a desejar nos testes. A resposta definitiva
ao proble ma apenas apareceria no modelo A-4. |
O Ju 88A-4 trouxe inovações extremamente importantes. Em primeiro lugar,
os propulsores foram substituídos por outros mais potentes, os Jumo 211J.
Em adição, a envergadura foi aumentada, assim como o comprimen-to da fuselagem.
Os problemas da decolagem foram resolvidos, mas os novos motores Jumo
superaqueciam quando durante vôos muito longos. O Ju 88A-5 trouxe asas
completamente remodeladas, solucionando defini-tivamente a questão do
empuxo, mas os motores continuaram os mesmos.
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Durante a Batalha da Inglaterra,
vários Ju 88A-5 foram modificados para cortarem fios de aço suspensos
por balões (arma muito utilizada pelos britânicos), dando origem
à variação A-6. Outros aviões da série A-5 fo-ram convertidos para
treinamento. Mas, mesmo assim, o Ju 88A-4 foi a variante mais usada
na função de bom-bardeiro.
Em meados de 1940, os Ju 88A-4 entraram em ação logo no início
da Batalha da Inglaterra. Durante os pri meiros combates contra
os caças da RAF, o armamen to defensivo dos bombardeiros Junkers
mostrou-se completamente ineficaz contra os interceptadores.
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As tripulações da Luftwaffe experimentaram diversas combinações
de armas, mas a configuração mais co-mum constituía na instalação
de uma MG81 de 7,92 mm na porção direita
da cabina, sendo operada pelo piloto. Ela era auxiliada por outras
duas MG81 (ou uma única MG 131 de 13mm)
nos painéis transparen es traseiros do bombardeador. A mesma opção
era dada ao operador do armamento da gôndola ventral abaixo do nariz.
Como carga ofensiva, o Ju 88A-4 era capaz de levar 2000Kg de bombas
nas asas e outros 500Kg em trilhos internos.
As sub-variantes da versão A chegaram a um total de 17 tipos distintos
(do Ju 88A-1 ao Ju 88A-17). Não há diferenças técnicas muito bruscas
entre as sub-versõ es A-8 e A-17, apenas meros detalhes.
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O Ju 88A-12 e o Ju 88A-16 eram aviões de treinamen-tos. O Ju 88A-8
e o Ju 88A-14 eram cortadores de cabos de aço. O Ju 88A-11 era um
modelo tropical, com filtro de areia nas tomadas de ar dos motores.
O Ju 88A-17 era na verdade um A-4 adaptado para carre gar dois torpedos
de 765kg e o Ju 88A-15 um bombar deiro com a capacidade de bombas
ampliada para 3000kg.
No final de 1942, a Luftwaffe efetuou um novo contrato com a Junkers,
agora encomendado mais 8.000 aviõ- es do modelo Ju 88. Paralelamente
os engenheiros da fábrica estavam desenvolvendo uma nova variante,
a série B. O primeiro aeroplano da nova versão havia levantado vôo
ainda em 1940, sendo dotado de dois
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BMW 801MA, radiais de 1600 hp, mudança que melhorou a performance da aeronave
em relação ao Ju 88A. As características externas também foram modificadas,
ficando a cabina maior e mais envidraçada. Entretan-to, encerrar a produção
do Ju 88A, construir novas máquinas para a série B atrasaria a entrega das
8000 uni-dades, algo que a OKL não aceitaria. Desta forma, apenas 10 exemplares
da pré-série Ju 88B-0 foram feitas.
Histórico da Versão "C"
Os Junkers Ju 88 tinham uma performance semelhante a dos caças pesados
de sua época. Por essa e outras razões, o RLM ordenou o desenvolvimento
da série C ainda antes da guerra começar. Como já foi afirmado anteriormente,
o Ju 88C-1 não foi bem sucedido em razão da fábrica da BMW destinar sua
produção do BMW 801MA aos caças Fw190, iniciando-se, portanto, a sub-variante
C-2.
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O Ju 88C-2 era, na realidade, um Ju 88A-1 convencio-nal com algumas
mudanças na fuselagem. Seu arma-mento ofensivo era composto por
três metralhadoras MG 17 e um canhão MGFF alocados no nariz da aero
nave, agora não mais envidraçado e sim coberto por painéis metálicos.
As armas defensivas eram compos tas por duas metralhadoras MG 15
de 7,92mm.
Ao todo foi produzido um total de 130 caças pesados Ju 88C-2 e
eles começaram a operar em unidades de caça noturna entre o final
de 1940 e começo de 1941. Muitos foram utilizados em missões de
"Intruder" so-bre as bases de bombardeiros da RAF.
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A série "C" continuou a ser produzida ao longo da guerra. Como
os aviões da sub-versão "C-2" eram nada mais do que bombardeiros Ju 88A-1
convertidos para o papel de caças pesados, o RLM ordenou a produção de
um genuíno modelo para desempenhar a função. A primeira tentativa da Junkers
foi o Ju 88C-3 propulsiona do por dois potentes motores radiais BMW 801D
de 1700hp (1268 kW) cada, mas apenas uma unidade foi construída para testes.
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O verdadeiro caça da família Ju 88 veio com a sub-variante "C-4".
Esse modelo trazia a configuração alar do Ju 88A-4 e os motores
Jumo 211J de 1340hp (1000 kW), disponíveis em quantidades sufi cientemente
grandes. A série foi seguida pela sub-versão "C-5", também equipada
com os motores BMW, que teve apenas uma tiragem de 10 exemplares
antes da cessão da produção.
O Ju 88C-6 começou a ser produzido após a conclusão de apro-ximadamente
100 unidades do Ju 88C-4. Esses novos modelos constituíam-se também
em caças pesados de longo alcance, mas muito mais bem armados e
muito mais resistentes.
Os Ju 88C-6 desempenhariam um papel de extrema importância contra
os bombardeiros pesados da RAF durante a noite, sendo equipados
com os famosos radares "Lichtenstein". O novo avião foi tão bem
sucedido que 3.759 exemplares foram construídos e entregues às unidades
de caça noturna.
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Outras Variantes - R, D, G, H, P, S, T
O desenvolvimento do Junkers Ju 88 não seguiu uma ordem alfabética quanto
à nomenclatura das suas versõ- es, como era regra estabelecida pelo RLM.
Depois da conclusão dos projetos da variante C, surgiu o modelo Ju 88R.
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O Ju 88R-1 era, na realidade, uma aeronave com o mesmo armamento
do Ju 88C-6b, mas utilizando pro-pulsores BMW 801MA radiais, cuja
disponibilidade era razoavelmente grande. Em seguida, apareceu o
Ju 88R-2, idêntico ao seu irmão mais velho, mas adotan-do motores
BMW 801D.
Com a conclusão do desenvolvimento da série "R", re-tornou-se a
seqüência original com a variante "D". Os aviões dessa série eram
aparelhos de reconhecimen-to, baseados nos Ju 88A-4 e foram fabricados
mais de 1.500 unidades entre os anos de 1941 e 1944, perí odo em
que viu ação em todos os teatros de operaçõ-
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es. As sub-variações Ju 88D-1 a Ju 88D-5 se diferenciavam apenas quanto
à motorização e a pequenos deta-lhes técnicos.
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Novamente fora de ordem, foi desenvolvida uma nova versão, intitulada
de Ju 88G. A variante "G" - iniciada com o Ju 88G-1 - era pautada
nos projetos da série "R". Nela, os canhões frontais do Ju 88R-2
foram re-movidos e foi adicionado um radar Lichtenstein, assim como
antenas Flensburg nas asas. O modelo "G" foi seguido de várias sub-variações,
todas elas utilizando os propulsores BMW 801D.
O Ju 88G-4 foi o primeiro aparelho da família a fazer uso do sistema
schrage Musik, isto é, a instalação de dois canhões MG151
na porção traseiro-superior da aeronave, o que possibilitava o disparo
contra a região
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ventral dos bombardeiros. A variante "G" terminou com o Ju 88G-7c, sendo
que as diferenças entre os mode-los eram dadas ou pelo armamento ou pela
motorização
O desenvolvimento da versão Ju 88D de reconhecimento aéreo resultou na
série "H". O Ju 88H combinava os propulsores do Ju 88G-1 com a fuselagem
do Ju 88D-1. Tomadas foram inseridas acima e abaixo das asas e a envergadura
foi aumentada de 3,25m, indo para 17,65m. Em adição, foram instalados
tanques de combus-tível suplementares, proporcionando ao Ju 88H uma autonomia
de 5150km.
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Um total de dez Ju 88H-1 foram produzidos, assim como
outros dez Ju 88H-2. Ao contrário do Ju 88H-1, a sub-série "H-2" não
era constituída por aviões de reconhecimento, mas sim por caças pesados
de lon-go alcance. As câmaras fotográficas e o radar do na-riz foram
retirados em prol da instalação de seis ca-nhões de 20mm MG 151. A
despeito do pequeno nú- mero de Ju 88H-2´s construídos ser bastante
peque-no , esses aparelhos realizaram missões de patrulha no Atlântico
e, pelos registros, foram muito bem suce-didos nessa função. |
No entanto, uma das construções mais interessantes do Ju 88 veio em meados
de 1943. Nessa época, vários Ju87 "Stuka" foram convertidos para serem
equipados com os canhões BK-37, originando a
famosa versão Kanonenvogel. No final de 1942, um Ju 88A-4 foi convertido
para ser um caçador de tanques. Foi instalado um obus KwK 39 de 75mm montado
numa baia ventral, podendo disparar horizontalmente para baixo. A nova
ver-são ficou conhecida como Ju 88P (de Panzerjäger)
e um pequeno número de Ju 88P-1 foi encomendado. A sub-variante "P-1"
era armada com um canhão PaK 40 de 75mm, uma metralhadora MG 81 de 7,92mm
- utili-zada pelo piloto para armar o grande obus - e o restante do armamento
padrão do Ju 88A-4. Outros modelos apareceram, como o Ju 88P-2, o Ju 88P-3
(equipado com dois canhões BK-37 de 37mm) e o Ju 88P-4 (com um canhão
BK5 de 50mm). Um total de 32 aviões da série Ju 88P foram entregues às
unidades de combate.
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Em meados de 1942, a performance dos bombardei-ros Ju 88 começou
a se demonstrar insuficiente peran te os novos caças aliados. Assim,
a série Ju 88S co-meçou a ser projetada como solução desse quadro.
O novo avião foi equipado com dois motores BMW 801D radiais de 1700hp
(1268kW) cada, o que promovia uma velocidade final de 535km/h.
Uma pré-produção da série "S" foi requisitada pelo RLM, sendo seguida
pela sub-série Ju 88S-1 em mea dos de 1943. O modelo "S-1" era equipado
com dois BMW 801G-2 de 1730 hp (1290kW) a uma altitude de 1525m.
Para melhorar ainda mais a performance, o ar
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mamento foi simplificado para uma única metralhadora MG 131 de 13mm na porção
traseira e uma injeção de óxido nitroso foi instalada, a qual, quando ativada,
possibilitava que o Ju 88S-1 atingisse a velocidade final de 610km/h a 8000m.
Outras duas sub-variantes - Ju 88S-2 e Ju 88S-3 - foram construídas,
e eram dotadas dos motores Jumo 213A também com injeção de nitrogênio.
O artefato possibilitava um salto de potência para 2.125hp (1585kw) em
cada motor, resultando numa velocidade máxima de 615km/h. Um pequeno número
de aviões da série S foi fabricado no início de 1944, assim como poucos
exemplares do Ju 88T, um aparelho de reconhecimento de alta velocidade.
Essa breve revista dos modelos mais importantes do Junkers Ju 88 traz
uma boa dimensão do que esse avião representou para a Luftwaffe. Ao longo
de nove anos de produção, cerca de 15.000 aeronaves deixaram a linha de
montagem e, boa parte delas, equipou centenas de unidades alemãs.
Caçadores da Noite
A partir de maio de 1940, a RAF começou a lançar ataques noturnos contra
as cidades alemãs. Até então, a única defesa do período da noite eram
as baterias anti-aéreas instaladas próximas aos pontos estratégicos. Entretanto,
por mais bem equipadas que fossem as unidades FLAK,
elas não eram suficientes para se defen-der das pesadas formações inimigas.
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Em julho desse mesmo ano, o Zerstörerstaffel do KG 30 foi reforçado
com unidades adicionais do caça pe-sado Ju 88C-2 e redesignado para
o II/NJG 1 - Gruppe II da Nachtjagdgeschwader
1 -, equipando a mais nova arma da Luftwaffe, a Nachtjagdwaffe
sob o comando do General Josef Kammhuber.
Essa unidade específica, realizava missões noturnas especiais -
ao contrário dos pilotos do I/NJG 1 de Wol
fang Falck, incumbidos de defender os céus da Alema nha -, as
quais constituíam-se em ataques aos bom-bardeiros ingleses em pleno
território britânico, os cha mados intruders.
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Em 11.09.1940, o Gruppe foi redesignado para I/NJG 2. Entretanto, a tática
de combate dos intruders pouco se mostrou eficaz, principalmente quando
o Alto Comando comparava o grande número de tripulações perdi-das com
os danos contra o Comando de Bombardeiros Britânico. Assim, o próprio
Adolf Hitler ordenou o fim dessas operações naquele teatro, transferindo
o I/NJG 2 para a Sicília, onde realizaria o mesmo tipo de mis-são,
mas agora sobre a Ilha de Malta.
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Simultaneamente, a Junkers estava desenvolvendo um novo tipo de
Zerstörer, o Ju 88C-4. A
série "C-4" era muito parecida com a sub-variante "C-2", mas com
um acréscimo de 1,63m na envergadura (indo de 18,37m para 20,0m).
Outras modificações incluíam uma aumento da blindagem e a adição
de uma outra metralhadora MG15 de 7,92mm na gôndola traseiro-ventral.
A produção do "C-4" foi relativamente baixa quando comparada aos
bombardeiros Ju 88A-4. Um modelo mais aperfeiçoado veio com o Ju
88C-6, os quais equi param o V/KG 40 a partir de setembro de 1942.
Es-ses aviões foram inicialmente usados para interceptar os bombardeiros
da RAF que caçavam U-boots na Ba
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ia de Biscay. Mais tarde, o Gruppe foi absorvido pelo ZG 1 (Zerstörergeschwader
1) e debandado em junho de 1944. Outros "C-6" foram usados como caçadores
de trens na Rússia.
No início de 1942, os novos radares FuG 212 C-1 "Lichtenstein" foram
instalados em quatro caças Ju 88C da NJG1. As grandes antenas e todo o
equipamento operacional do novo sistema de localização de alvos preju-dicou
um pouco o desempenho do avião e as tripulações se demonstraram, inicialmente,
contrárias a adoção dos radares. No entanto, o número de bombardeiros
aliados derrubados com os novos equipamentos aumen tou consideravelmente.
A introdução do "Lichtenstein" fez surgir uma nova sub-variação, a Ju
88C-6b, enquan to a designação Ju 88C-6a ficou para os caças pesados diurnos.
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Aos poucos, a presença do Ju88 nas fileiras da Nacht jagdwaffe
foi crescendo, não se restringindo mais às missões de intruder sobre
Malta. Agora, eles eram usados largamente nas técnicas de'"Zahme
Sau". Os aparelhos mais utilizados na chamada "linha 'Kamm-huber"
eram as versões Ju-88C-6b e Ju 88R-1, as quais se tornaram, a partir
de abril de 1944 os princi-pais aviões da caça noturna.
No entanto, em julho de 1944, os radares FuG 212 C-1 foram substituídos
pe-los FuG 220 SN-2, em razão da adoção do sistema de defesa "Window"
dos bom-bardeiros britânicos.
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As táticas de "Zahme Sal" constituíam-se no direcionamento do avião por
um radar no solo. No entanto, na noite de 24/25.07.1943, os britânicos
lançaram grandes quantidades de papel alumínio picado em quadrados "Window".
Isso criava interferência nos radares de solo e os dos caças noturnos,
desnorteando os intercepta-dores. A solução permitia que ambos os aparelhos
- de solo e de bordo - operassem em freqüências de rádio diferentes.
Os caças noturnos Ju 88C-6 foram os aviões preferidos de muitos pilotos
da caça noturna, como o schwerten
träger Heinrich-Alexander Prinz
zu Sayn-Wittgenstein, o eichenlaubträger Paul
Zorner, o Major Rudolf
Schönert e entre outros grandes pilotos.
Operações Anti-Navais
Um dos papéis mais importantes assumido pelo Junkers Ju 88 foi o de avião
anti-naval, principalmente na região do Atlântico Norte. A partir de agosto
de 1941, várias Kampfgeschwaders
sediadas na costa da Norue ga ficaram incumbidas de atacar embarcações
aliadas dos mais diversos tipos. Essas operações se desen-volveram até
o final da guerra, porém uma delas se destacou das demais, o ataque ao
comboio PQ-17 em junho de 1942.
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Desde do início da Operação Barbarrossa,
os britâni-cos e os norte-americanos (esses, a partir de dezem-bro
de 1941) começaram a organizar comboios maríti-mos de suprimentos
para abastecer os russos. Os na-vios de carga chegavam aos portos
da URSS através do Oceano Ártico e eram interceptados tanto por
aviõ es como por submarinos.
Até o primeiro trimestre de 1942, esses ataques não causaram grandes
danos aos aliados e as unidades da Luftwaffe na área ganharam um
grande reforço para tais missões.
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Mesmo assim, em março desse mesmo ano, o comboio PQ-16 conseguiu chegar
à URSS com a perda de apenas sete navios, mostrando a ineficácia da feroz
investida de mais de 150 aviões alemães.
Diante desse catastrófico resultado, o próprio Hitler ordenou que os
próximos comboios fossem atacados com toda a força disponível. Em pouco
tempo as unidades de costa receberam um enorme lote de suprimentos: 80
Junkers Ju 88A-4, 45 Heinkel He111H-6, algumas
unidades do Focke-Wulf Fw200 e mais vários aviões
de reco nhecimento marítimo. Em auxílio da Luftwaffe, a Kriegsmarine
foi acionada, colocando de prontidão diversos U-boots, o encouraçado Tirpitz
e as belonaves Lützow, Admiral Scheer e Admiral Hipper.
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Nos primeiros dias de junho de 1942, os aliados, mal suspeitando
dessa incrível força inimiga, organizou um novo comboio - denominado
de PQ-17 - contando com 33 navios mercantes, protegidos por uma
escolta de 4 cruzadores, 4 corvetas e 6 contratorpedeiros, além
da cobertura dos aviões ingleses nos 800km ini-ciais da trajetória.
Os navios se agruparam na Islândia e, no dia 27.06.1942, zarparam
do porto de Hvalfjord.
Poucas horas depois, um avião de reconhecimento alemão sobrevoou
a frota e transmitiu a notícia às unidades terrestres, dando início
à Operação Goldene Zange (pente fino). O primeiro ataque foi conduzido
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em 02.07.1942 por um esquadrão de hidroaviões Heinkel
He115 e demonstrou-se ser mais uma sondagem do que um bombardeiro.
Com a melhora do tempo no dia seguinte, as demais unidades foram alertadas
e a maciça investida combina-da da Luftwaffe e da Kriegsmarine começou.
Como a escolta era fraca, os navios de guerra alemães estaciona dos nos
fiordes Noruegueses foram lançados ao alto mar.
| No dia 04.07.1940, o almirantado britânico
ficou saben-do que a Frota de Alto Mar Alemã, liderada pelo Tirpitz
havia deixado os portos noruegueses á caça do PQ-17. Com receio de
que a escolta fosse aniquilada pelos na vios alemães, o Alto Comando
Aliado ordenou o retor-no da sua escolta aos portos ingleses, deixando
os car gueiros á deriva de sua própria sorte. Uma mensagem seguinte
orientava que os agora solitários navios mer-cantes se separassem
em diversas rotas diferentes pa ra a URSS, tornando-se alvos fáceis
para os alemães. |
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Um avião de reconhecimento da Luftwaffe presenciou toda a manobra e comunicou
o Alto Comando. O genera-lato reagiu corretamente a essa inacreditável
notícia: foi ordenado o retorno da Frota Naval de superfície para os fiordes
e o PQ-17 foi deixado aos cuidados da Luftwaffe e dos submarinos. O dia
05.07.1942, o céu ama-nheceu claro, prometendo excelente visibilidade
aos pilotos e o permitindo o início dos ataques incessantes.
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A unidade que mais participou da Goldene Zange foi a KG 30 (Kampfgeschwader
30), a qual reunia um grande número de verdadeiros ases dos bombardeiros,
entre eles Werner Baumbach (Kommandeur
do I/KG30) e Ha jo Hermann (Kommandeur
do III/KG 30). O KG 30 na re gião era inteiramente equipado com
o Junkers Ju 88A-4, confirmando o largo uso desse modelo na Operação.
Em 12.06.1942 os sobreviventes do PQ-17 chegaram à URSS. O saldo
para os Aliados era muito mais do que terrível: 24 navios mercantes
haviam sido afundados pe los alemães, totalizando um número de mortos
e desa-
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parecidos assustador. Em 17.08.1942, o então Hauptmann
Werner Baumbach foi agraciado com as
Espadas da Cruz de Cavaleiro por ter, com
o ataque, elevando para 300.00 BRT seu score de embarcações afundadas.
Mas o PQ-17 não foi o único triunfo dos Ju 88´s nas missões antinavais.
Na noite de 06/07.04.1941, o III/KG 30, liderado por Hajo
Hermann atacou o porto de Pireus em Atenas. Os Ju 88´s atingiram o
cargueiro "Glen Fraser" carregado com 250 toneladas de munições, gerando
uma explosão tão grande que foi capaz de levar consigo mais 11 navios
vizinhos. Além disso, devemos contar com o malfadado comboio PQ-13 , o
qual per-deu 11 navios entre 27.03.1942 e 31.03.1942 sob as bombas dos
aviões de Hugo Junkers.
A composição Mistel
Em maio de 1916, uma caça Bristol Scout foi levado a uma altura de 305m
no centro de um dirigível Porte Ba by a fim de testar a possibilidade
de um zeppelin alemão carregar caças de escolta em seus raids sobre Lon-dres.
Vinte e dois anos depois, os irmãos Short voaram uma bizarra composição
de duas aeronaves denomina da de Mayo, constituída por um grande dirigível
carregando, em seu ventre, um hidroavião quadrimotor.
| Inicialmente a idéia pareceu loucura, mas
ela foi res-suscitada pelos alemães em 1943, quando se testou a possibilidade
de um pequeno avião monomotor ser capaz de carregar um planador. Mais
tarde, os enge-nheiros foram mais longe ainda: eles experimentaram
se era possível encaixar um bombardeiro Junkers Ju 88, com seu equipamento
de vôo retirado e repleto de explosivos em um caça de um único motor,
como um Fw190 ou
um Bf109. Nesse caso, o piloto
do caça pilotaria todo o conjunto até o local do alvo e liberaria
toda a carga de explosivos. Esse bizarro conjunto ficou conhecido
como Mistel. |
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A primeira composição testada foi uma combinação entre um Ju 88A-4 e
um Messerschmitt Bf 109F e de-monstrou-se bastante eficaz. O RLM observou
as demonstrações e logo encomendou um lote de 15 Ju 88A "Mistel", num
programa de codinome "Beethoven". Os Ju 88´s convertidos pouco se pareciam
com o projeto original. Além de terem o equipamento de vôo retirado, a
seção dianteira foi removida em detrimento da instala ção de um bico delgado
com 3800kg de explosivos.
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A primeira operação envolvendo o Mistel
deu-se no ver ão de 1944, quando quatro navios aliados foram ataca
dos durante a noite. Todos foram atingidos pelos arte-fatos, mas nenhum
deles chegou a afundar. Mesmo assim, a Luftwaffe se empolgou com os
resultados e requereu que mais 75 aparelhos Ju 88G-1 fossem con vertidos.
Paralelamente, o avião condutor foi substituí- do pelos Fw190A-6 e
Fw190F, originando a combina- ção Mistel 2. Infelizmente, os Fw190´s
decolavam com grande excesso de peso, o que freqüentemente causava
acidentes nas decolagens. |
Em dezembro de 1944, a Luftwaffe planejou um ataque envolvendo 60 Mistel
contra a base da Frota Inglesa em Scapa Flow. Entretanto, a baixa velocidade
de cruzeiro das combinações - não mais do que 380km/h - tornava-as alvos
extremamente vulneráveis para os caças noturnos da RAF. Felizmente, na
noite do ataque, o tempo estava péssimo e os aviões ficaram impossibilitados
de deixar as bases na Dinamarca.
O próximo assalto foi agendado para Março de 1945, agora contra as fábricas
de armamento dos soviéticos. Foram selecionados 100 Mistel para a Operação,
mas os pilotos abandonaram as bases em virtude do avanço russo.
Nunca foram realizadas grandes missões com essas montagens, apenas ataques
esporádicos contra posiçõ es aliadas e, mesmo assim, os esquadrões responsáveis
sofreram muitas baixas. Apesar disso, o desenvol-vimento continuou com
conversões a partir dos modelos Ju 88G-10 (com caças Fw190A-8) - (designado
de Mistel 3A) e com a dupla Ju 88H- 4/Fw190A-8 (mistel 3C).
Um último modelo de Mistel chegou a ser fabricado com o Ta
152H e o Ju 88G-7e voou nas semanas finais do conflito. No total,
foram produzidos cerca de 250 combinações e seus detalhes técnicos ainda
são desconheci dos para os historiadores.
Conclusão
Sem dúvida alguma o Junkers Ju 88 foi o avião mais versátil de toda a
guerra. Ao longo de nove anos de produ ção contínua (de 1936 até 1945),
essa aeronave de linhas elegantes e de incrível performance desempenhou
os mais variados papéis, desde bombardeiro horizontal até de míssil numa
estranha montagem (Mistel).
Além disso, foi um excelente caçador noturno, um ótimo interceptador
de navios e um confiável bombardeiro que era capaz de até realizar pequenos
mergulhos. Embora tenham sido produzidos quase 15.000 desses belos aviões,
apenas dois podem ser vistos atualmente em perfeito estado de conservação,
um Ju 88R-1 "D5+EV" do RAF Museum em Hendon/Inglaterra
e um Ju 88D-1 "AF-105" do USAF Museum em
Dayton/EUA.
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