| Soldados e civis que participaram
e presenciaram a invasão alemã na Europa, principalmente durante os primeiros
meses da Blitzkrieg, descreviam que,
durante aos bombardeiros em suas cidades, um certo avião mergulhava, em ângulos
quase retos (90º), sobre os prédios despejando bombas e terror. Essa verdadeira
hecatombe era acompanhada com o estrondo agudo de uma sirene. Indubitavelmente,
a impressão que essas pessoas tinham é que o próprio demônio estava mergulhando
dos céus. Mas não era nada de sobrenatural, e sim o famoso STUKA. O
Stuka não foi só uma simples arma de guerra, cujo propósito era destruir seu alvo,
mas também uma ferramenta bélica com o objetivo psicológico de aterrorizar um
adversário desacostumado ao novo conceito de guerra relâmpago. Sem dúvida,
durante os primeiros anos da Blitzkrieg - e mesmo
antes, durante a Guerra Civil Espanhola -
o Stuka desempenhou um papel vital para as vitórias alemãs na Polônia, Países
Baixos, França e no início da Operação Barbarossa. Tal
desempenho, não apenas consolidou o sucesso desta aeronave, como também
infligiu uma notável seqüência de derrotas aos aliados (não contamos a Inglaterra),
a ponto de transforma-la em lenda. O Nascimento do
StukaO início da década de 30 foi um período de grande conturbação política
e econômica no mundo, principalmente na Alemanha. Nesses anos, o país germânico
era sufocado pela repressão econômica e pelas imposições do Tratado de Versalhes
que, entre outras coisas, impossibilitava a criação de um exército acima de 100
mil homens e de uma Força Aérea.
Em 1931 Ernst Udet (1896-1941),
o segundo maior ás alemão da Primeira Guerra - com 62 vitórias -, participava
de uma corrida de aviões em Cleveland (EUA) e presenciou a demonstração de um
novo caça-bombardeiro americano, o Curtiss Hawk. Udet
logo se impressionou com a excelente performance do aparelho e dois anos mais
tarde, ele - com o apoio de seu amigo, o Ministro do Reich Hermann
Göring - importou dois aviões deste modelo para a Alemanha. Göring, à esta
altura (1933), já idealizava secretamente uma nova força aérea e imediatamente
iniciou os testes com o Curtiss. Durante esses vôos, o Curtiss era capaz de mergulhar
em ângulos quase retos, soltando sacos de areia exatamente no centro de um pequeno
espaço demarcado. Após a consolidação dos nazistas no poder, Göring iniciou
a concreti-zação de seu sonho e imediatamente providenciou o desenvolvimento de
um projeto semelhante ao norte-americano, sendo que tal trabalho foi designado
para a fábrica de aviões Junkers. Durante o desenvolvimento do avião, surgiu um
novo conceito de bombardeiro, o de picada, que partia do pressuposto que tal método
de ataque faria com que os aviões bombardeassem com maior precisão, sem a dispersão
de bombas (o que ocorria no bombardeiro horizontal) e as maiores chances de acertos
nos | |
ataques a alvos menores (como blindados e concentrações de tropas). Da
abreviação de seu nome germânico, surgiria seu lendário nome: Sturzkampfflugzeug.
 | Finalmente,
em abril de 1935, o engenheiro Pohlmann e toda a equipe técnica da Junkers, já
apresentava o primeiro protótipo do Ju 87, denominado V-1. O modelo era um tanto
bizarro, possuía linhas pouco ortodoxas: asas de duplo diedro, um trem de aterrissagem
fixo robusto e com carenagem integral até a parte inferior das asas. Posteriormente,
o Ju 87 deixaria de ter a cobertura do trem de pouso integral. No mesmo
ano, a Alemanha divulgava a existência de uma Força Aérea completamente independente:
a Luftwaffe. Ao mesmo tempo, dava continuidade ao desenvolvimento do Stuka. Em
1936, a versão A-1 (com um motor de 640 hp), ainda muito semelhante ao protótipo,
deixava as linhas de montagens para equipar as primeiras unidades operacionais:
as denominadss Stukageschwaders.
| O Apogeu da Lenda
Em 1937, a Guerra Civil Espanhola dividia a Espanha em duas correntes
opostas: os republicanos socialistas (apoiados por brigadas de voluntários
estrangeiros e pela URSS) e os nacionalistas fascistas do Generalíssimo
Francisco Franco. O conflito deu a oportunidade da Alemanha enviar
- por meio da Legião Condor - cerca de 200 aviões, inclusive os novos
Ju 87A-1 da StG163. Os Stukas participaram de diversas operações contra
as forças esquerdistas, lançando bombas contra formações de tropas e prédios
em ataques rasantes ao solo. Neste mesmo ano estiveram envolvidos no triste
episódio do bombardeio à cidade de Guernica, imortalizado por Picasso
em seu quadro de mesmo nome.
Dois anos depois, as forças republicanas se renderam, graças
em grande parte aos Stukas. Em relação às perdas sofridas, que foram relativamente
baixas, a maioria delas ocorreu devido às velocidades alucinantes que os Stukas
desenvolviam durante o mergulho, quando muitos pilotos perdiam a consciência,
o que resultou em vários acidentes fatais. Mas essas falhas seriam corrigidas
pelos instrutores de vôo durante os treinamentos e na nova versão que entrava
em serviço: a B-1. Nessa versão, o Ju 87 trocou a carenagem total do trem de aterrissagem,
por uma parcial, sem contar que novas modificações mecâni- |
|
cas estéticas foram incluídas, entre essas a nova cabina, sem a coluna
de metal que repartia a versão A e o novo motor de 1100 hp. Essa nova variante,
entrou em combate na Campanha da Polônia, a partir de 1º de setembro de 1939,
onde foi utilizada maciçamente, obtendo diversas vitórias contra alvos terrestres
e marítimos. Aliás, um Stuka do I/StG1, pilotado pelo Unteroffizier Frank Neubert
foi creditado como tendo obtido a primeira vitória aérea da II Guerra Mundial,
ao abater um caça polonês P-11 na manhã de 01.09.1939. Passados 27 dias do início
das hostilidades - tempo que levou a derrota das forças polonesas - , a fama do
Stuka já se espalhara por toda Europa.
O Stuka repetiu o mesmo desempenho nas campanhas da Dinamarca,
Países Baixos, Bélgica e França. Equipados com uma sirene que emitia
um uivo tenebroso quando estavam em mergulho - segundo a lenda, uma idéia do próprio
Hitler - formações de Stukas despejavam bombas e mais bombas sobre concentrações
de tropas, ferrovias, pontes, cidades e armazéns, semeando o caos nas defesas
adversárias. O fato que justifica seu estrondoso desempe-nho é, em grande
parte, a situação que as forças aéreas dos países atacados se encon- |
| travam, onde
a maioria delas era equipada com aviões obsoletos datados do início dos anos 30.
Mas a saga do Ju 87 encontraria seu oponente no verão de 1940.
Derrotas e VitóriasCom a derrota da França e o início dos bombardeios
à costa inglesa - numa tentativa de destruir a RAF -, resultou em deslocamento
de mais de 200 Stukas para servir nesse front. Contudo, para infelicidade de Göring,
a RAF provou ser um inimigo tenaz e desafiador.
 | Os
Ju 87, com baixa velocidade de cruzeiro, eram facilmente abatidos pelos velozes
e mo-dernos caças Supermarine Spitfires e
Hawker Hurricanes britânicos. Não só o Stuka, mas
outros aviões alemães como o Messerschmitt Bf 110, demonstraram
uma assustadora inca-pacidade em vencer as defesas inglesas, mostrando-se muito
vulneráveis a nova geração de caças. Com o grande número
de Junkers Ju 87 sendo perdidos, os alemães logo os tiraram daquela Campanha,
em 14 de novembro de 1940. As esquadrilhas remanescentes, foram reestrutu-radas
e reconstruídas, a fim de serem empre-gadas na Campanha dos Balcãs, em 1941. |
Longe dos algozes britânicos, os Stukas, exibiriam um trabalho satisfatório
durante o ano de 1941. Na invasão de Creta, a Operação Merkur, os Ju 87 afundaram
o encouraçado grego Kilkis de 16.500 toneladas e, nos dias 22 e 23 de maio, durante
combates memoráveis, os Stukas da StG 2 afundaram os destróieres britânicos HMS
Greyhound, HMS Kelly e HMS Kashmir, além de danificar os cruzadores HMS Gloucester
e HMS Fiji. Muitas outras embarcações gregas e inglesas também sucumbiram nestes
dias, entre eles o porta-aviões HMS Illustrious, que escapou miraculosamente e
permaneceu quase um ano em reparos. Novos golpes continuaram no teatro do Mediterrâneo
e Norte da África, ainda mais com a adoção da nova versão do Stuka: o modelo D-1,
com novo motor de 1400 hp e maior cadência de tiros nas metralhadoras de defesa.
A Operação Barbarrossa Os Stukas fizeram um bom
trabalho no primeiro ano da Invasão da União Soviética, iniciada em junho de 1941,
recuperando parte de sua aura mitológica. Mas, com a chegada de novas aeronaves
russas, como os Il-2, Yaks e
Migs, os Stukas, mais uma vez, tornaram-se vulneráveis.
Com as constantes derrotas diante dos ingleses e russos entre
1942 e 1943, o Ju 87 revelou-se um aparelho velho e lento, sendo presa fácil para
aviadores inimigos. Nessa época já se pensava em um substituto para os Stukas,
e o Henschel Hs 129 e o Focke-Wulf
Fw 190F tomaram parcialmente seu lugar.
Na Rússia, adotou-se uma
alternativa interessante para os Ju 87 Stukas: eles foram armados com dois canhões
sub-alares de 37mm, do tipo FLAK 18. Cada um levava 12 granadas com poder de penetrar
a blindagem dos temidos tanques T-34. Tal versão, denominada G-2 Panzerjäeger
ou Kanonenwagen mostrou-se extremamente bem sucedida e ocasionou várias derrotas
aos soviéticos. Também se prestaria a consagrar o mais bem sucedido piloto da
Luftwaffe, o legendario Oberst Hans-Ulrich
Rudel que, no comando desta variante, destruiu 519 tanques e inúmeros outros veículos.
Quando utilizados em missões curtas, noturnas, operando em aerodromos improvisados
ou ainda, onde a Luftwaffe tivesse conseguido a superioridade aérea, os
Stukas ainda podiam ser considerados uma máquina de guerra formidavel. |
|
O FimDurante a fase final da guerra, no período
que chamamos de Defesa do Reich, a quantidade de
bombardeiros diminuíram vertiginosamente, e os poucos Stukas sobreviventes eram
utilizados em ataques quase suicidas às forças aliadas que avançavam.
Quando da assinatura do armistício, em 08 de maio de 1945, poucas centenas de
aparelhos Junkers Ju 87 Stuka restavam em condições de vôo. A maioria desses aviões
foi destruída durante o plano de reconstrução da Alemanha. Atualmente,
dos 5.709 Ju 87 fabricados ao longo de quase dez anos, apenas dois encontram-se
preservados, um
Ju 87G-2 "RI+JK" do RAF Museum em Hendon/Inglaterra e um Ju
87B-2/Trop "A5+HL" do Museum of Science and Industry em Chicago/EUA
e menos de 10 estão em fase de restauração ou esquecidos em han-gares. Além da
Luftwaffe, a Romênia, a Itália, a Hungria e a Bulgária utilizaram versões do Stuka.
| Histórico |
| Séries:
| | |
Categoria(s): |
| | Bombardeiro
de mergulho (picado) e ataque ao solo biposto. | |
| Tripulantes:
| | |
Primeiro Vôo: |
|
| 1936 (B): Agosto
de 1938 (D): 1940 | | |
Primeira entrega: |
| |
Última entrega: |
| |
Ficha Técnica - Ju 87A |
| Motor:
| | |
Potência: |
|
|
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... | 13,80
m | |
| Comprimento:..................................... | 10,78
m | | | Altura:................................................. | 03,89
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. | 2.300
kg | |
| Máximo:............................................. | 3.400
kg | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | |
| |
Vel. máxima:...................................... | 295
Km/h (carregado) | |
| Vel. mergulho:.................................... | 450
Km/h | |
| Autonomia:......................................... | 1.000
Km - aproximadamente 2.5 horas | |
| Teto serviço:...................................... | 7.000
m | | |
Rádio: |
|
| FuG VII com canais para R/T |
| |
Armamento(s): |
| | 1 X 7.92 mm fixa
na asa / 1 X 7.92 mm frontal 1 X 250 Kg - mais tarde modificado para receber
1 X 500kg | | |
Ficha Técnica - Ju 87B |
| Motor:
|
| | (B-1)
Jumo 211 A, V-12 invertido de 1.100 hp (B-2) Jumo 211Da, V-12 invertido de
1.200 hp | | |
Potência: |
|
|
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... | 13,80
m | |
| Comprimento:..................................... |
11,10 m | | | Altura:................................................. | 03,90
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. | 2750
kg | |
| Máximo:............................................. | 4250
kg | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | |
| |
Vel. máxima:...................................... | 390
km/h | | |
Vel. mergulho:.................................... | 650
km/h | |
| Autonomia:......................................... |
700 Km - aproximadamente 2 horas | |
| Teto serviço:...................................... | 8.000
m | | |
Rádio: |
|
| FuGVII ou VIIa / Intercomunicador
EiV | | |
Armamento(s): |
| | 2 x MG17 de 7.92
mm fixas nas asas e 1 x MG17 no cockpit traseiro 1 x 500 Kg (no ventre)
ou 1 x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50 Kg (nas asas) | |
| Ficha
Técnica - Ju 87C-1 (Versão Naval) | |
Motor: |
| |
Potência: |
| |
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... | 13,80
m | |
| Comprimento:..................................... |
11,10 m | | | Altura:................................................. | 04,00
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. | 3.650
Kg | |
| Máximo:............................................. | 5.340
Kg (com tanques auxiliares) | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | |
| |
Vel. máxima:...................................... | 344
Km/h | | |
Vel. mergulho:.................................... | |
| |
Autonomia:......................................... |
1.100 Km | |
| Teto serviço:...................................... | 7.000
m | | |
Rádio: |
|
| FuGVII ou VIIa / Intercomunicador
EiV | | |
Armamento(s): |
| | 2 x 7.92 mm fixas
nas asas e 1 x 7.92 mm no cockpit traseiro 1 x 500Kg (no ventre) ou
1x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50Kg (nas asas) | |
| Obs:
| Desenvolvidos para
operarem a partir do porta-aviões alemão "Graf Zeppelin". Com o abandono deste
projeto pela Marinha germânica, os poucos modelos fabricados foram convertidos
para a série B e empregados em operações terrestres. | |
Ficha Técnica - Ju 87D-1 |
| Motor:
| | |
Potência: |
|
|
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... |
(D-1): 13,80 m (D-5): 15,25 m | |
| Comprimento:..................................... |
11,10 m | | | Altura:................................................. | 03,90
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. | 2.800
Kg | |
| Máximo:............................................. | 5.750
Kg | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | |
| |
Vel. máxima:...................................... | 410
Km/h | | |
Vel. mergulho:.................................... | 650
km/h | |
| Autonomia:......................................... |
1.000 Km | |
| Teto serviço:...................................... | 7.300
m | | |
Rádio: |
|
| FuG 16 - intra-comunicador Peil
G-IV | | |
Armamento(s): |
| | 2 x MG17 de 7.92
mm fixas nas asas e 1 x MG17 no cockpit traseiro (dupla) 1 x 500 Kg
ou 1 x 250 Kg (no ventre) e 4 x 50Kg ou 2 x 100Kg (nas asas) | |
| Ficha
Técnica - Ju 87D-8 | |
Motor: |
| |
Potência: |
|
|
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... |
15,00 m | |
| Comprimento:..................................... |
11,13 m | | | Altura:................................................. | 03,88
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. |
3.938 Kg | |
| Máximo:............................................. |
6.607 Kg | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | |
| |
Vel. máxima:...................................... | 400
Km/h | | |
Vel. mergulho:.................................... | 650
km/h | |
| Autonomia:......................................... |
1.585 Km |
| |
Teto serviço:...................................... | 7.500
m | | |
Rádio: |
|
| FuG 16 - intra-comunicador Peil
G-IV | | |
Armamento(s): |
| | 2 X 20 mm fixas
nas asas / 1 X 7.92 mm no cockpit traseiro (dupla) Dois conteineres
com 92 bombas anti-pessoais de 2Kg SD-2 | | |
Ficha Técnica - Ju 87G |
| Obs: | Este
era o destruidor de tanques desenvolvido a partir da série D, mantendo as características
desse modelo, exceto pela colocação de gôndolas para instalação de dois canhões
Flak 18 de 37 mm. Manteve o armamento defensivo padrão; quase sempre possuía um
painel de vidro no piso do cockpit, para permitir observação de forças terrestres.
| | |
|
|