Há
aviões que se destacam dos demais, passando da posição de meras máquinas voadoras
para lendas da aviação mundial. Essa transição envolve os mais variados elementos,
muitas vezes distantes do desempe-nho em combate ou da própria engenhosidade do
aparelho. Ora nesse grupo devemos acrescentar o Messer-schmidt
Bf109, o Focke-Wulf Fw190, as superfortalezas Boeing
B-17 e, obviamente o Junkers Ju 52. Apelidados pelos seus pilotos de
"Tante Ju" - Tia Ju -, esse trimotor de transporte não apresentava um desem-penho
fora do comum ou uma capacidade de infringir perdas irreparáveis ao inimigo, ele
era confiável, de fácil construção e esteve presente em todas as frentes de combate
da Werhmacht, quer lançando os terríveis
pá- raquedistas alemães na Operação Merkur ou evacuando tropas em Kurland. Isso
sem citar sua extraordinária carreira na Aviação Civil na década de 1930 e seu
serviço no pós-guerra. O Nascimento de uma Lenda Na década
de 1920, a Deustsche Lufthansa - Companhia Área Estatal Alemã - era a mais poderosa
empresa área do Globo. Com ela, um rico empresário poderia voar para qualquer
parte do Mundo no mais absoluto con forto e na maior segurança oferecida.
Seus serviços utilizavam uma gama bastante heterogênea de aeronaves, como o J
10, o F 13 e o Ju 46, modelos monomotores de asa baixa,
o que limitava o número de passageiros e a velocidade de cruzeiro.
| Por
volta de 1924, foi apresentado uma nova linha de aviões que se distanciava das
precárias aeronaves, tra tava-se dos trimotores G23 - propulsionado por três
motores de 145 kW - e L.2 - movido por plantas de 75 kW -. Esses dois protótipos,
projetados pela Junkers, foram desenvolvidos e fabricados em Moscou e, devido
às restrições que o Tratado de Versalhes
impôs à avia ção civil alemã e os resultados do desenvolvimento im-pressionaram
os executivos da Lufthansa. A surpresa foi tamanha que rapidamente foram encomendados
alguns G23 para Hugo Junkers, os quais ficaram em serviço na Lufthansa até 1933. |
|
Mas
o ano de 1926 reservaria ainda outras grandes novidades para a aviação, uma vez
foram apresentados dois novos aviões: o trimotor Junkers G 31 e Junkers
W33/34, de grande capacidade de carga. Paralelamente, os engenheiros da Junkers
se empenharam no projeto de um avião que se pautasse no W33/34, surgindo um grande
monomotor, denominado Ju 52/1m (Einmotoren).
 | O
Ju 52/1m (matrícula C/n 4008) tinha um resistente esqueleto metálico e sua fuselagem
foi revestida de chapas de duralumínio ondulado, permitindo um menor arrasto em
vôo. Esse primeiro aparelho fez seu vôo inaugural em 03 de setembro de 1930. O
primeiro protó tipo dessa série foi o Ju 52 BA (matrícula D-1974), pro-pulsionado
por um motor BMW L-88 de 597 kW (800 hp), sendo dotado de uma cabina de 16,70
m³ e de uma capacidade de 1845 kg. Vários testes exaustivos foram realizados com
essa aeronave, antes do protóti-po ser reequipado com um propulsor BMW VII AU
de 563 kW (755 hp), passando a ser designado Ju 52 BE. | O segundo
protótipo foi testado com diversos motores, dentre eles o BMW VII AU (Ju 52 DE)
e o Armstrong Siddeley Leopard Radial de 559 kW (JU 52 DI) e finalmente o Junkers
Jumo 204 de 559 kW (Ju 52 DO). A des peito da motorização simples, os primeiros
aviões da série eram capazes de acomodar facilmente 17 passa-geiros.
| A
aeronave, depois de seus testes foi apresentada pa ra as Forças Armadas Alemãs
em novembro de 1930, recebendo a autorização de produção no mês seguin te. Os
executivos da Junkers ordenaram o início de uma produção de 12 aeronaves, mas
após a exibição do aparelho ao público em Tempelhof (Berlim), os ge-rentes de
venda perceberam que fizeram uma previsão mercadológica errada. A produção foi
interrompida e o único aparelho (também com matrícula D-1974) foi ven dido ao
Canadá. | |
 | Diante
desse novo contexto, Hugo Junkers incumbiu o brilhante engenheiro aeronáutico
Ernst Zindel de liderar uma equipe de projetistas, capazes de desenhar um tri
motor de grande capacidade de carga. Os técnicos a-penas acrescentaram do Ju 52/1m
outros dois propul-sores, realizando as modificações necessárias. Logo, a partir
de um Ju 52/1m (matrícula C/n 4008) adicio-nou-se motores Pratt & Whitney Hornet
de nove cilin-dros e 410 kW (550 hp) cada um, passando a se deno minar Ju 52/3m
(Dreimotoren). |
| Pouco
tempo depois do vôo inaugural, em 07 de março de 1932, o Lloyd Aereo Boliviano
encomendou um lote de sete unidades do Junkers Ju 52/3m. Depois dele, empresas
aéreas da Finlândia, Suécia, Brasil, Argenti-na, Áustria, Bélgica, Bolívia, China,
Colômbia, Checos-lováquia, Dinamarca, Equador, Estônia, França, Grã Bretanha,
Grécia, Hungria, Itália. Moçambique, Norue ga, Peru, Polônia, Portugal, Romênia,
África do Sul, Espanha, Suíça, Turquia e Uruguai adotaram o modelo em larga escala!
| |
Vale
ressaltar ainda que muitos Ju 52/3m foram usados como transportes de tropas na
Guerra do Chaco entre o Paraguai e a Bolivia nos anos de 1932 e 1933.
 | Em
vista do sucesso mundial, a Deutsch Lufthansa en comendou dois aparelhos para
testes no final de 1932. O D-2201 "Boelcke" e o D-2202 "Richthofen" inaugura-ram
as rotas Berlim - Londres e Berlim - Roma respecti vamente. O sucesso foi imediato,
e o Ju 52 tornou-se a espinha dorsal da companhia germânica, a qual che-gou a
operar cerca de 230 unidades. Nesse mesmo ano, foi lançado o Ju 52/3m CE, dotado
de esquis ou de bóias para a operação no ártico ou em rios, versão adquirida tanto
pela Lufthansa como pelas empresas aéreas estatais finlandesa e sueca. |
Viajar
nos Ju 52/3m na Lufthansa da década de 1930 era um privilégio para poucos abastados.
Com uma passagem de 275.000 marcos, o passageiro podia chegar a qualquer lugar
do Mundo, uma vez que os largos flaps proporcionavam uma velocidade de pouso bem
baixa (95 Km/h), possibilitando a operação em pistas precárias. No entanto a cabina
não era pressurizada, limitando o teto de operação, assim os acomodados deveriam
fazer o uso de máscaras de oxigênio, liberadas pelo engenheiro de comunicações,
quando necessá rio. Com esses caracteres, as encomendas cresceram e em 1935, já
havia cerca de 150 aviões em operação no Mundo, sendo 100 deles na Lufthansa.
Os Junkers Ju 52 no Brasil O Brasil não utilizou o Ju 52/3m
como um avião militar, assim como o fez a Bolívia na Guerra do Chaco de 1932.
Na realidade, 24 aparelhos comerciais operaram, com grande confiabilidade, nos
céus nacionais entre os anos de 1933 e 1947. A maior parte deles foi adquirida,
obviamente, pelo Syndicato Condor S/A, o qual reuniu uma frota de 16 aviões desse
tipo. O
primeiro Junkers Ju 52/3m a servir no Syndicato foi um aparelho completamente
novo, adquirido na fábrica. Tratava-se do "Anhangá" (matrícula PP-CAT) comprado
em 1933 e que logo se juntou ao Curupira (matrícula PP-CAX) em 1934, seguindo
mais dois aviões entre-gues no ano seguinte, o Marimbá (PP-CAY) e "Tupan" (PP-CBB).
O Syndicato Condor S/A pôde, com sua frota de F.13 e Ju 52, desbravar localidades
do interior brasileiro antes nunca exploradas. O sucesso foi tão grande, que
em 1937, o Brasil já contava com uma rede aérea cobrindo parte boa parte do litoral
oriental nordestino e parte da Amazônia Brasileira, tudo isso graças à versa- | |
tilidade e robustez dos "Tante Ju". Indubitavelmente, ocorreram acidentes graves em nosso
território, como o desastre com o "Guaracy" (PP-CBC) em 22.05.1938 - ao decolar do estirão do porto de Santos matando o então Ministro da
Justiça Maurício Cardoso - e o acidente com o "Anhangá" em 15.08.1938, com a perda
de todas as vidas a bordo.
O uso dos Junkers Ju 52 no Brasil começou a cair,
quando as hostilidades entre Getúlio Vargas e a Alemanha se intensificaram. Com
o alinhamento brasileiro a Washington, os bravos aeroplanos germânicos foram aos
poucos sendo substituídos pelos Douglas DC-3 norte-americanos. No final de 1943,
tanto a Serviços Aéreos Condor LTDA (nova denominação para o Syndicato Condor
S/A) e a Vasp tinham problemas em manter a frota de trimotores, principalmente
por causa da escassez de peças de reposição. Após vários acidentes, os Ju 52 sobreviventes
da Vasp, Varig e da Condor foram vendidos para outros países da América Latina,
sendo que em 1950 já não havia, praticamente, nenhum desses aparelhos em serviço
no Brasil. Em Serviço na Luftwaffe A saga dos Junkers Ju
52 não passou despercebida para a ainda clandestina Luftwaffe. A Força Aérea de
Goering já havia encomendado bombardeiros para Donier
Flugzeugwerk, no caso, algumas unidades do Do11. Entretanto,
ocorreram problemas com a produção e o desempenho das aeronaves não agradou muito
o Alto Comando.  | Desta
feita, a Luftwaffe encomendou à Junkers vários trimotores dotados de algumas modificações.
Os avi- ões deveriam ser propulsionados por três motores BMW 132 A-1 (na verdade
um Pratt & Whitney Hornet, construído sob licença) de 492 kW (660 hp) cada e ter
adaptações para o uso militar. Assim foi construída a série Ju 52/ 3m G3E. Os
aparelhos foram modificados, a fim de receberem os BMW 132 A-3 de 541 kW (725
hp) e outros detalhes: suportes externos para bombas (três, dispostos eqüidistantes
na fuselagem central e nas asas, mantendo assim o centro de massa no local de
origem) e uma metralhadora MG 15 de 7,92mm disparando,
manualmente, para a ré. |
| O
"G3E" não foi muito bem sucedido, uma vez que a previsão para se carregar bombas
influenciou a leve es trutura do avião, principalmente nos pousos e decola-gens.
Por fim, os engenheiros decidiram manter o avi- ão militar apenas com tanques
sobressalentes aleijá- veis nas asas, aumentando a autonomia de vôo. No en tanto,
ele constituiu-se a primeira águia da série a ser adotada na Luftwaffe, equipando
a Kampfgeschwader 152 "Hindenburg"
(KG 152) em 1937, cujo IV Gruppe foi renomeado
para Kampfgruppe zur besonderen Ver-wendung 1 (KGrzbV 1). Essa última unidade
realizava tanto missões de transporte como de ataque terrestre. | |
 |
O Ju 52/3m teve seu batismo de fogo durante
a Guerra Civil Espanhola. Em 1936, a Luftwaffe enviou 20 apare-lhos
para auxiliar as tropas nacionalistas do General Franco. Inicialmente,
os trimotores germânicos, esta-cionados em uma base em Servilha,
foram usados pa-ra transportar 10.000 soldados marroquinos
nacionalis-tas. Com a formação da Legião Kondor, os Ju 52/3m
fizeram parte de três Staffeln
do Kampfgruppe 88, bom-bardeando portos republicanos na costa
mediterrânea da Espanha e dando suporte na Batalha de Madri.
Tal serviço foi desempenhado até a metade de 1937, quan-do
o KGr. 88 recebeu os primeiros Heinkel
He 111 e Dornier Do 17. |
Em março
de 1939, os Junkers Ju 52 haviam realizado nada menos do que 13.000 horas de vôo
e lançaram cerca de 6.000 toneladas de bombas. No saldo final, oito aparelhos
foram destruídos, sendo cinco deles abatidos pelos caças republicanos e outros
três perdidos no solo. Embora as entregas continuassem para a Lufthansa
e para as outras Companhias Estrangeiras, a Luftwaffe recebeu um lote de 450 aviões
entre os anos de 1934 e 1935. Em 1939 ocorreu a maior entrega de Junkers Ju 52/3m,
cerca de 590 aparelhos. Paralelamente, a Suíça comprou três Ju 52/3m G4E para
servir como transpor tadores de cargas, função desempenhada por eles até o ano
de 1981! Blitzkrieg! Com a Invasão
da Polônia em 1º de setembro de 1939, a Luftwaffe ainda comprou 59 aeronaves
dos estoques da Lufthansa e utilizou-os para despejar os temíveis pára-quedistas
alemães (fallschmirjager) atrás das linhas polonesas. A medida que a Werhmacht
foi avançando pela Europa, no período da Blitzkrieg,
os Junkers Ju 52 continuaram sendo o melhor avião de transporte disponível, quer
lançando as forças aerotransportadas, quer entregando suprimentos às tropas na
linha de frente. Em
abril de 1940, quando os generais de Hitler decidi-ram invadir a Noruega, organizou-se
uma força de 571 Ju 52/3m das seguintes unidades: KGzbV 1, 101, 102, 103, 104,
105, 106 e 107, no que seria a primeira opera ção aerotransportada de vulto da
Luftwaffe. Desse nú- mero, destacou-se a presença de pequeno grupo de trimotores
equipados com bóias para o desembarque anfíbio, conhecidos como Wasser. A
Wermacht tomou Copenhague em poucos dias e, um mês depois, invadiu-se os Países
Baixos, agora uti lizando 430 trimotores da Junkers. Nesta última opera ção, os
alemães perderam cerca de 162 aeronaves de transporte (cerca de 35%), muitas delas
futuramente reformadas e devolvidas ao front meses depois. | |
 | De
um outro lado, os Ju 52 não desempenharam ape-nas missões de transporte. Durante
a guerra, os ingle-ses se empenharam em atacar a Marinha de Guerra Alemã (Deutsch
Kriegsmarine), fazendo o uso de mi-nas magnéticas, que circulavam pelos mares,
estuári-os e até mesmo rios. Desta forma, a Luftwaffe utilizou vários "Tante Ju",
principalmente da série "G6E", espe-cialmente preparados para detonar estes artefatos.
Os chamados Ju 52/3m MS (Mausi ou Camundongo) possuíam um grande anel de
duralumínio preso abaixo da fuselagem (14,60m de diâmetro), no qual se passa-
| va uma corrente elétrica contínua (oriunda de um gerador
auxiliar). Quando o anel, alimentado por um alta am-peragem, se aproximava da
mina, criava-se um campo magnético, o qual detonava o explosivo da arma ingle-sa.
Essas aeronaves, que voavam a 200km/h a uma altura de 40m, também levavam consigo
cargas explosi-vas, caso precisassem atacar outros tipos de minas e desempenhavam
um papel de extremo risco para suas tripulações dos Minensuchgruppen.
Em
virtude do exaustivo uso na Luftwaffe, foram desen volvidas outras nove versões
do Ju 52. A "G4E" apresentou mudanças consideráveis nos e-quipamentos internos;
já seu sucessor, o Ju 52/3m G5E teve seus motores trocados por três propulsores
BMW 132T de 619 kW (830hp) dotados de um novo sistema de exaustão dos gases, apresentava
trem de pouso substituível (podendo acoplar, quando deseja-do, rodas, bóias ou
esquis) e seu sistema de rádio foi aperfeiçoado . | |
O
Ju 52 G6E era idêntico ao anterior, porém o equipamento de comunicações foi simplificado.
No entanto, a versão "G7E" contava com piloto-automático e a porta lateral traseira
ampliada; já os Ju 52 G8E possuíam uma escotilha adicional na cabina dos tripulantes,
como diferença do "G7E", embora os últimos exemplares contassem com motores BMW
132Z. O Ju 52/3m G9E, por sua vez, apresentava o trem de pouso mais resiste e
ganchos de reboque de planadores de série. Depois do "G9E" produziram-se duas
outras versões de relevância: a "G12E" - com motores BMW 132L - e a "G14E" com
armamento defensivo mais pesado. A Operação Merkur: A Invasão de Creta
A Ilha de Creta fica localizada no Mar Mediterrâneo e caracteriza-se por
um pequeno pedaço de terra de 256 km de extensão e largura variando entre 12 e
56 quilômetros. Logo após o desastre Aliado na Campanha
dos Balcãs, a região passou a ser guarnecida por uma divisão neozelandesa
e cerca de 27.000 soldados retirados da Grécia, após a captura de Atenas em 27
de abril de 1941 pelas forças do Eixo.  | A
tomada da região era uma questão estratégica. Com Creta nas mãos de Hitler, o
triângulo formado pelas bases navais inimigas da baia de Suda (Ale-xandria e Benghazi)
seria desfalcado, comprometendo o poder naval britânico no Mediterrâneo. Desta
feita, o General Kurt
Student, reuniu seus mais experientes oficiais no Hotel Grande-Bretagne em
Atenas, elabo-rando um plano de invasão da Ilha. O projeto constituir-se-ia
na maior operação aerotrans portada até então observada, na qual o Junkers Ju
52 desempenharia um papel de excelência. |
No
dia 20 de maio de 1941, iniciou-se a "Operação Mer cúrio" (Merkur), a qual envolveu
22.750 soldados alemã es. Cerca de 10.000 homens foram lançados de pára-quedas,
sendo a maioria (mais de 90 %) oriundos dos 493 Junkers Ju 52/3m, contanto com
3500 na primeira leva. Contudo a ilha estava fortemente protegida por baterias
antiaéreas - a Luftwaffe fracassara na destruição des-sas - e cerca de 500 fallschimjager
sucumbiram ainda nos céus, da mesma forma que muitos aviões transpor tadores foram
abatidos. | |
A
estabilização da situação alemã apenas se deu no dia seguinte, quando as topas
germânicas tomaram o maior aeroporto da Ilha, localizado em Maleme. Assim, os
aviões da Luftwaffe puderam pousar em Creta numa escala de 20 aeronaves por hora,
abastecendo constantemente os soldados e trazendo mais 5.000 homens para a frente,
sem contar os 7.000 provenientes das divisões de montanha. No dia 28 de maio,
a batalha esta va perdida para os Aliados, mas o resultado para os alemães foi
assustador: além de perdas irreparáveis nas unidades de Student, 271 Ju 52 foram
derrubados ou seriamente danificados na Invasão. Um Triste Fim
Após o ano de 1942, a supremacia aérea germânica começava a mostrar seus
sinais de esgotamento. Afinal, entre esse ano e o seguinte, a Wermacht sofreu
suas principais derrotas, quer na batalha de El-Alemein no Egito, ou em Stalingrado
na URSS. Obviamente essas novas circunstâncias refletiram no papel do Ju 52.
 | Em
18 de abril de 1943, por exemplo, mais da metade de uma força de 100 trimotores
foi abatida por caças da RAF no Cabo Bon, quando resgatava tropas do Afri-ka Korps,
indubitavelmente uma perda irreparável. Em mesma medida, o Ostenfront reservou
surpresas desagradáveis ao avião de Hugo Junkers: em 1941, mais de 500 foram abatidos
ou destruídos em aciden-tes, o que promoveu a inauguração de uma nova fábri ca
em Colombes (França). Um quadro de proporções maiores foi experimentado em Stalingrado.
|
Na batalha, vários aviões Junkers Ju 52, Focke-Wulf
Fw 200 "Condor" e Heinkel He 111 tentaram abastecer
as tropas do marechal de campo Friedrich Paulus entre o final de 1942 e o início
de 1943. Além da rendição do 6º Exército, mais de 490 aviões de transporte foram
perdidos, dos quais 266 eram trimotores Ju 52/3m. Com a derrota em Stalingrado,
os alemães passaram a enfrentar reveses em diversas frentes de combate. A produção
aeronáutica acabou voltando-se para a defesa dos céus alemães, repletos de monstruosas
forma- ções de bombardeiros norte-americanos e ingleses. Assim, a fabricação dos
"Tante Ju" foi diminuindo gradati vamente até sua completa cessão na metade de
1944, quando saiu o último Ju 52 da “Pestszentlörinc Ipari Telepek” de Budapeste
(Hungria). Entre os anos de 1932 e 1944, saíram das linhas de montagem um total
de 4.845 aparelhos trimotores, contando as variações civis e militares. O
Junkers Ju 52 no Pós-Guerra Com o final da Guerra no teatro europeu em
08 de maio de 1945, os Ju 52 continuaram a serem produzidos por diversas nações.
A França, a qual se apossou dos moldes da fábrica de Colombes, construiu 400 apare-lhos
para a companhia aérea "Air France'" e para a nova Força Aérea Francesa, designados
de Amiot AAC.1. Paralelamente, a "Construcciones Aeronáuticas S.A" da Espanha
(CASA) montou mais 170 aviões trimotores do tipo, sendo denominados de CASA 352,
utilizados exaustivamente na Força Aérea Espanhola. Outras dez aeronaves foram
reformadas pela "Short Bros and Harland" de Belfast (Irlanda do Norte), cujo serviço
iniciou-se me 18 de novembro de 1946, na linha Croydon-Liverpool-Londres da "British
European Airways". Atualmente
existem quatro Junkers Ju 52 de fabrica- ção alemã em perfeito
estado de conservação e em condições de vôo. O "D-AQUI"
da Lufthansa e três da Ju-Air da Suíça (HB-HOP,
HB-HOS
e HB-HOT),
além de outros quatro CASA 352L espanhóis, o "ZS-AFA"
da South African Airways, o "N352JU"
da Força Aérea Confederada (EUA), o "AZ+JU" do Amicale Aéronau- tique
de Cerny (França) e o HB-HOY
também da Ju-Air. A maioria deles realizam vôos panorâmicos com muito conforto
e segurança para seus passageiros. | |
Um
último Ju 52 está em reforma em Portugal, devendo em breve se juntar aos seus
irmãos. Trata-se de um quadro muito bom para um avião de mais de 70 anos.
Apelidado
carinhosamente pelos corajosos pilotos de transporte da Luftwaffe de "Tante Ju"
(Tia Ju) e de "Iron Coffin" (Caixão de Aço) pelos seus inimigos, o Ju 52 desempenhou
uma função importante na aviação, quer transportando ricos passageiros pelos céus
da Europa, quer levando ao combate os temíveis pára-quedistas da Luftwaffe. Descrevendo
o Ju 52 Interior Quando dotado de assentos, o Ju 52/3m
podia acomodar 18 passageiros em dois corredores de poltronas de cada lado do
avião, separados por um descanso de braço reinclinável. Retirando-se os assentos,
obtinha-se um grande espaço para cargas das mais diversas espécies.  | A
entrada nesse verdadeiro saguão era realizada por uma porta lateral, a qual podia
ser aberta em vôo, pos sibilitando o lançamento de pára-quedistas e cilindros
de suprimentos com grande facilidade. Na cauda, logo atrás da porta de embarque
havia, no caso das versões militares, a cabina do artilheiro de ré, sendo que
atrás desse tripulante existia um pequeno túnel, o qual termi nava num compartimento
onde se localizava as engre-nagens da cauda. Os primeiros Junkers possuíam
compartimentos inter-nos de bombas, os quais foram muito utilizados pela Legião
Condor e pela França na Guerra de Independên-cia da Indochina (1945 - 1954), mas
a Luftwaffe usou | o Ju 52 no estritamente no papel de avião
transporte até 1943. Nesse ano, vários trimotores foram adotados pelos Kampfgruppen
zur Besondern Verwend (KGrzbV) - ou Grupo de Bombardeiro para Situações Especiais
-. Assim, o sistema de bombas acabou sendo reutilizado. Asas e Cauda | O
projeto do Ju 52 levava consigo a montagem flap/aile ron construída atrás e abaixo
da estrutura da asa. Os ailerons inclinavam-se quando o avião encontrava-se em
baixas velocidades, momento em que os flaps esta vam em ângulo parcial. No entanto,
quando os flaps es tavam posições angulares extremas (máxima e míni-ma), o trimotor
aumentava sua capacidade de STOL (Short Take Off and Landing). Além disso, os
ailerons (e os profundores) serviam como contrapesos para har monizar as forças
negativas ao vôo nivelado. | |
O
conjunto de asa do Junkers Ju 52/3m podia ser facilmente destacado da fuselagem.
Ambas as construções era presas ao chassi do avião por meio oito juntas articuladas,
o que dinamizava a manutenção. Já a cauda e o leme horizontal eram feitos por
várias vigas metálicas, método que unia resistência à leveza. O Trem
de Pouso  | O
Ju 52/3m possuía um enorme e resistente trem de aterrissagem, mesmo sendo um pouco
estreito. A ver são "G5E" tinha previsão para trocar os pneus por es-quis de neve
ou bóias de hidroavião. O trem de pouso era também facilmente removível. A complexa
estrutu-ra de tubos metálicos sujava-se facilmente com areia ou lama, necessitando
de reparos, pois a roda poderia não deslizar, desestabilizando o aparelho na aterrissa
gem. Os primeiros Ju 52 eram dotados de uma bequilha sem o pequeno pneu.
Contudo, em razão da precariedade dos aeródromos germânicos, a roda foi inserida
nos modelos seguintes. |
A Motorização O
Ju 52/3m G5E era propulsionado por um trio de BMW 132T-2 radiais de nove cilindros,
refrigerados a ar. Cada um deles podia atingir a potência de 619 kW (830 hp) e
eram "voltados para dentro", isto é, os dois motores das asas eram montados com
certa inclinação em direção ao chassi do avião, a fim de manter, numa ocasião
de emergência, a linha de propulsão longitudinal. | Em
outras palavras, caso um dos motores fosse dani-ficado e perdido, a inclinação
da nacele compensava a ausência de torque no lado oposto. Nessa mesma nacele,
eram encontradas as aberturas dos tanques de óleo (à frente) e combustível (à
ré). O segundo era armazenado em compartimentos nas asas, posiciona dos logo abaixo
dos motores. Quando a gasolina era utilizada, os gases provenientes da explosão
eram co letados por ductos anelares e exauridos por escapa-mentos nas laterais
das naceles, impedido que a fuli gem atingisse a cabina ou vazasse para o interior
da aeronave. | |
| Histórico |
| Séries:
|
| | 1M
(pré-série) e 3M (A,B,R) | | |
Categoria(s): |
| | Bombardeiro
médio; transporte aéreo para 18 pessoas; avião ambulância com capacidade para
12 macas; rebocador de planadores e aeronave de carga. | |
| Tripulantes:
| | |
Primeiro Vôo: |
|
| 13 de outubro de 1930
Maio de 1932 (3M) | | |
Primeira entrega: |
|
| Última
entrega: |
|
| Verão de 1944 1952
(Espanha) | | |
Obs: |
|
| O Ju 52/1M foi rapidamente
substituído pelo Ju 52/3M que se tornou o avião de transporte civil
e militar padrão da Alemanha. Depois da guerra ele continuou a ser produzido
na França (Amiot AAC.1) e Espanha (CASA 352). | |
| Ficha
Técnica - Ju 52/3M "Tante Ju" | |
Motor: |
|
| 3 x BMW 132 A-3, 9 cilindros |
| |
Potência: |
|
|
Dimensões: |
| |
Envergadura:...................................... | 29,00
m | |
| Comprimento:..................................... | 18,90
m | | | Altura:................................................. | 04,50
m | | |
Pesos: |
|
| Vazio:.................................................. | 5.720
kg | |
| Máximo:............................................. | 9.500
kg | | |
Desempenho: |
|
| Vel. cruzeiro:...................................... | 210
km/h | |
| Vel. máxima:...................................... | 275
km/h à 900m de altitude | |
| Vel. ascensão:.................................... | 18m/min |
| |
Autonomia:......................................... | 1000
km 1300 km (c/ tanques auxiliares) | |
| Teto serviço:...................................... | 5900
m | | |
Armamento(s): |
|
| 1 x MG 15 de 7,92 mm montada na
posição dorsal 1 x MG 15 retrátil no ventre da fuselagem. ~700 kg de bombas
(geralmente seis artefatos de 220 kg) como arma ofensiva. | |
 |
|
| Sobreviventes
- Originais | |
VERSÃO |
MARCAÇÃO |
W.Nr. |
REGISTRO |
CONDIÇÃO |
LOCAL/PROPRIETÁRIO |
OBS | | "D-AQUI" | 5489
| D-CDLH | CV | Lufthansa
Traditionsflug (Hamburg/Alemanha) | | Ju
52/3m g4e | "HB-HOP" | 6610 | A-703 | CV | Ju-Air
(Suíça) | --- |
Ju 52/3m
g4e | "HB-HOS" | 6580 | A-701 | CV | Ju-Air
(Suíça) | --- | | "HB-HOT" | 6595 | A-702 | CV | Ju-Air
(Suíça) | | Ju
52/3m ge | "D-ABIS" | 4043 | PP-CAX
T-159 | EE | Museo
Nacionale de Aeronautica (Buenos Aires/Argentina) | --- | Ju
52/3m g3e | "LN-DAF" | 5664 | 106/6306 | EE | Norsk
Luftfartsmuseum (Noruega) | --- | Ju
52/3m g7e | "OO-AGU" | 5670 | 6309 | EE | Musee
Royal de l'Armee (Bruxelas/Bélgica) | --- | Ju
52/3m g4e | --- | 6134 | 1Z+BY | EE | Hugo
Junkers Museum (Alemanha) | --- | Ju
52/3m g4e | --- | 6657 | CA+JY | EE | Forsvarets
Flysamling Gardemoen (Noruega) | --- | Ju
52/3m g4e | --- | 6693 | DB+RD | EE | Luftwaffen
Museum Wunstorf (Alemanha) | --- | EE
= Exibição Estática / RT = Em Restauração /
RP = Réplica / CV = Condições de Vôo | | |
| Sobreviventes
- Amiot, CASA, outros | |
VERSÃO |
MARCAÇÃO |
W.Nr. |
REGISTRO |
CONDIÇÃO |
LOCAL/PROPRIETÁRIO |
OBS | Amiot
AAC.1 | "4V+GH" | 48? | 6316
| EE | Imperial
War Museum (Londres/Inglaterra) | --- | Amiot
AAC.1 | --- | 222 | 7208 | EE | Yugoslav
Aeronautical Museum (Belgrado/Servia-Montenegro) | --- | Amiot
AAC.1 | --- | 363 | --- | EE | Deutsches
Museum (Munique/Alemanha) | --- | CASA
352L | "AZ+JU" | 24/103 | T.2B-212 | CV | Amicale
Aéronautique de Cerny (La Ferte Alais/França) | --- | CASA
352L | "HB-HOY" | 96 | T.2B-165 | CV | Ju-Air
(Suíça) | --- | CASA
352L | "1Z+AR" | 67 | N352JU | CV | Confederate
Air Force (Midland/Texas/EUA) | --- | | --- | 135 | T.2B-244 | EE | USAF
Museum (Dayton/Ohio/EUA) | | CASA
352L | "ZS-AFA" | 164 | T.2B-273 | CV | South
African Airways (África do Sul) | --- | CASA
352L | "D-CIAD" | 37 | T.2B-237 | EE | Flugaustellung
Museum (Alemanha) | --- | EE
= Exibição Estática / RT = Em Restauração /
RP = Réplica / CV = Condições de Vôo |
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