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A Segunda Guerra Mundial pode ser compreendida
ou definida por diversas óticas. Afinal, durante o maior conflito da História,
a humanidade pôde observar avanços na medicina, aviões alcançando velocidade
perto da do som, o átomo sendo dividido. Não obstante, o homem também
mostrou diabólica criatividade ao criar meios de destruir seu semelhante,
dentre essas ferramentas encontra-se a aplicação efetiva do bombardeiro
estratégico.
Vários historiadores militares atribuem a derrota do III Reich à ausência
de um grande e eficaz bombardeiro horizontal. Porém, ao observar a trajetória
do Heinkel He 177 "Greif" é possível concluir que tal conceito era fisicamente
presente, entretanto tecnicamente falho.
Histórico do Projeto
No ano de 1936, a Escola Militar Germânica encontrava-se suficientemente
solidificada para empregar as táti-cas da Blitzkrieg.
Do ponto de vista global, o Alto Comando conseguiu mesclar os conceitos
de quantidade e dinamismo. Em outras palavras, considerando a Luftwaffe,
não era importante o tamanho dos bombardeiros, e sim sua quantidade.
| Mesmo diante dessas novas táticas, Hermann
Göring então Ministro do Reich, autorizou o desenvolvimento
de um bombardeiro de grandes proporções e autonomi-a, tal projeto
recebeu a designação de "Ural-Bomber", uma vez que se tinha em mente
atingir os parques in-dustriais soviéticos além dos Montes Urais à
leste. Ain da em 1936, foram apresentados dois protótipos: O Dornier
Do 19 e o Junkers Ju 89, mas antes mesmo da eclosão da Segunda
Guerra Mundial, tais aeronaves já se encontravam obsoletas. |
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Desta forma o desenvolvimento foi cancelado em 1937, dando lugar a outro
projeto denominado "BOMBER A". Este contava com um protocolo mais rígido:
o Alto Comando requisitava características específicas do novo avião,
tais como o teto de velocidade de 540 Km/h, capacidade para 2.000 Kg de
bombas e autonomia de 1.600 Km. Além disso, o futuro avião teria que ser
capaz de realizar mergulhos de médio ângulo. Sem dúvida um grande desafio
técnico para a tecnologia alemã da época.
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Com essas tantas dificuldades, a Ernst Heinkel
AG as sumiu compromisso sem nenhuma proposta concorren te. No final
de 1936, o "Projekt 1041" dos irmãos enge-nheiros Günther apresentou
um bombardeiro com ca-racteres inovadores. O mais tarde designado
modelo He 177, envergava uma aerodinâmica espantosamente limpa e moderna.
A fuselagem era parecida com um grande tubo cilíndrico, dotada de
nariz envidraçado e a cauda de mesmo aspecto, onde se encontrava um
arti-lheiro. As asas eram proporcionais em peso e dimen-são quanto
ao tamanho da fuselagem, propiciando um maior desempenho. Na porção
dianteira, encontrava-se um grande compartimento de bombas. |
Com relação aos propulsores, a Heinkel optou por duas configurações:
uma primeira dotada de quatro motores de 1.200 hp ou dois de 2.400 hp.
Entretanto, não havia disponível no mercado nenhuma aparelhagem de 2 400
hp. Uma solução natural seria utilizar os quatro propulsores de 1.2000
hp, mas o peso das peças compromete ria o desempenho exigido pela Luftwaffe.
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Diante desse problema, a equipe de engenheiros apro-veitou um projeto
mais antigo, desenvolvido em parceri-a com a Daimler-Benz, o Heinkel
He 119. Essa aerona ve usava dois motores DB 601. Cada uma dessas
uni-dades era composta por duas plantas V-12 invertidas, dispostas
num mesmo eixo e em sincronia, de modo que se formava um "duplo-propulsor"
numa única nace-le.
Essa audaciosa obra da engenharia, teoricamente ga-rantiria a tão
cobiçada manobrabilidade de mergulho.
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No entanto, o complexo sistema aquecia-se rapidamente. Para resolver o problema,
foi criada uma bizarra so-lução: a umidade condensada nas asas da aeronave
seria canalizada em compartimentos metálicos (seme-lhante à panelas), esta
água era direcionada ao radiador, resfriando-o . Na fuselagem também foram
dispostos quatro trens de pouso: um par sob as nacele de cada motor DB 601.
Na mesa de desenho, também foi esbo- çado o armamento defensivo, o qual
contava com armas no nariz, na gôndola ventral e região anterior da cau-da.
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No início de 1939, o He 177V-1, tomou a
forma defini-tiva. Antes mesmo do primeiro vôo, o protótipo inicial
demonstrou falhas no sistema de recuperação de água para refrigeração,
colocando-o em condição impraticá- vel. No seu lugar, foram adotados
grandes radiadores circulares. O peso extra exigiu um maior quantidade
de combustível, mas a inesperada carga de fluido acarre-tou na perda
de manobrabilidade e de velocidade, crian do um círculo vicioso de
problemas técnicos. |
E não era só. Vale relembrar que o He 177 deveria ser capaz de realizar
mergulhos de médio angulo, assim fo-ram adicionados novos flaps e freios
de mergulho nas asas, agravando mais ainda o problema do peso e fragili
zando as asas. O V-1 levantou vôo em 19 de novembro de 1939 e nesta ocasião
demonstrou ainda resultados aquém do esperado: velocidade máxima foi de
460Km/h e a autonomia insuficiente. Reparos por reparos, a Heinkel foi
obrigada a construir outros sete exemplares, cada um mais pesado que seu
antecessor. Mudanças como um aumento na área da cauda vertical e a substituição
do sistema elétrico das metralhadoras defensi-vas por um manual, foram
tentativas para reduzir o risco de incêndio, já agravado pelos fatídicos
motores. Mes mo assim, o custo do projeto foi caro, uma vez que vários
protótipos foram perdidos durante os testes: o V-2 desintegrou-se numa
explosão, o V-4 acidentou-se no mar e o V-5 incendiou-se em vôo baixo,
explodindo ao chocar-se no solo.
| Em 1939, um total de 35 aviões He 177A-0
da pré-série haviam sido encomendados pela Luftwaffe. Estes mode los
contavam com várias outras modificações: o nariz foi redesenhado para
receber uma tripulação de cinco soldados, o armamento agora dispunha
de uma metra-lhadora MG 81 de 7.92mm na
parte frontal envidraçada e um canhão MGFF
de 20mm na gôndola posterior. A gôndola de ré era protegida por um
par de MG 81Z; a torreta frontal do teto do avião contava com uma
MG 131 de 13mm; por fim a cauda, dispunha
de outra MG 131. Os freios de mergulho foram retirados, pois a es-trutura
estava muito vulnerável à velocidade de picada. Entretanto, os problemas
nos propulsores continuaram mesmo após a mudança desses. |
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O motores foram substituídos pelos DB 606, mas estes também demonstraram
várias falhas: acima de 6000m, o sistema de lubrificação parava de funcionar;
em várias ocasiões os cabos de acionamento elétrico emperravam; em outros
as bombas de óleo e combustível paravam de funcionar, deixando os cilindros
"virar a seco", causando vários incêndios. No entanto, o principal problema
era atrelado à rotação dos motores duplos: observando as grandes hélices
quádruplas (4.2 metros de diâmetro) por de trás do avião, constata-se
duas peças de rotação, sendo que uma virava em sentido anti-horário e
outra em sentido horário. Um falha sequer nessa sincronia, promovia um
inversão no torque, seguido de violenta vibração, fissão no eixo central
da hélice e por fim, fogo nos propulsores.
Em Produção
Mais de 25 exemplares do He 177, dos 35 construídos, foram destruídos
em acidentes aéreos; o restante des-se grupo inicial foi repassado para
a escola de pilotagem de Ludwigslust. Em 1940, a Heinkel almejava a entre
ga da série A-1, até o final do ano. Mas em razão de sua linha de produção
dar prioridade ao modelo Heinkel He 111, a construção
do He 177 foi repassada à Arado.
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Todas as 130 unidades do He 177A-1, fabricados
entre março de 1942 e junho de 1943, eram oriundos da linha de montagem
dessa empresa, a qual tinha de a-poio uma industria aeronáutica de
Mielic na Polônia - responsável pelas caudas e partes da fuselagem.
Algu-mas dúzias de aeronaves foram improvisadas para le-var cerca
de 6000Kg de bombas ou os mísseis teleguia dos Fritz X (FX 1400) e
Hs293. Hitler incumbiu os He 177A-1 de realizar ataques noturnos no
Front Oriental e de escoltar submarinos no Atlântico Norte. |
Em outubro de 1942, a Heinkel aceitou a encomenda de uma produção de
70 unidades por mês do He 177A-3. Embora a fábrica de Oranienburg fosse
capaz de fornecer 3 aviões nesse espaço de tempo, o improvisado A-3 foi
o que melhor erradicou as falhas, ditando um novo caminho a ser seguido
pela linhagem "Greif". Embo-ra permanecesse o antigo motor, DB606 de 2.700
hp , o A-3 sofreu modificações na fuselagem e nas asas, a fim de receber
o novo DB610 - a primeira foi estendida 1.6m e na segunda teve montado
as plantas numa dife-rença de 20cm de comprimento dos modelos anteriores.
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Uma outra característica do A-3 era a aceitabilidade a outros tipos
de armamento, mais precisamente aos fa-mosos kits Rüstsätzen: podia-se
ter várias combina- ções como uma MG 151/20
disparando para trás ou um míssil Hs 293.
O relativo sucesso do A-3, fez com que a Heinkel e a Arado recebessem
um nova encomenda em dezembro de 1943, agora de 261 He 177A-5´s.
O A-5 contava com o novo motor DB 610 de 3.100 hp e teto de opera
ção de 8.000 metros. Os flaps traseiros foram substituí dos por
ailerons normais e a capacidade de carga béli-
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ca foi ampliada: podia-se levar três bombas Hs293 ou duas FX1400 Fritz-X.
Assim como a versão A-3/R-7, o A-5 comportava o torpedo planador LT50, uma
bomba alada capaz de percorrer vários quilômetros antes de atingir o alvo.
Cumprindo o Dever: He177 em Combate
Apesar de apresentar tantos problemas e ser taticamente inviável como
máquina de guerra eficaz, o Heinkel He-177 teve seus momentos enquanto
em batalha. As principais unidades a utilizá-lo em combate foram a KG
40 e a KG 100. Ambas estiveram envolvidas na Batalha do Atlântico e na
Operação Steinbock, sendo que essa tinha o objetivo de bombardear a capital
inglesa nas primeiras semanas de 1944.
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Em 13 de fevereiro desse ano, Göring
ordenou que o 2./KG 100 e o 3./KG 100 decolasse com 14 aeronaves
e atingisse a região londrina. Apenas 13 aviões conse guiram levantar
vôo, no entanto, oito retornaram logo de pois com os motores em
chamas, apenas quatro apare lhos lançaram suas bombas sobre Londres
e um caiu em território inimigo.
No front de Stalingrado, os He-177 foram utilizados, ao lado dos
He 111's e Ju 52´s,
transportando suprimen-tos e evacuando as tropas do Marechal Friedrich
Pau-
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lus. Ainda na Frente Oriental, alguns aviões receberam canhões anti-tanques
BK5 de 37mm. A experiência foi razoavelmente bem sucedida, optando-se agora
pela adição de outro canhão de 75mm (na versão A-3/R5). En-tretanto, a estrutura
não suportava o impacto do recuo.
Outras aeronaves foram improvisadas, como o He177 "Zerstörer": um A-3
dotado de 33 tubos de lançamento de foguetes ar-ar, desenvolvido no desespero
de romper as sólidas formações de bombardeiros anglo-saxões. O projeto
jamais seguiu em frente, em virtude da eficaz escolta norte-americana.
| Os últimos modelos do "Greif" saíram das
linhas de montagem em quantidades muito limitadas. O apare-lho de
designação A-6, era muito semelhante ao A-5, diferenciando-se apenas
pelas opções de armamento e pela cabina pressurizada. As poucas unidades
do A-7, dispunham de um novo motor, o DB 613 de 3600 hp e asas com
maior autonomia (36.6m), porém os novos propulsores não ficaram prontos
a tempo. Mes-mo assim, os japoneses entraram em con tato com o |
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projeto, encomendando uma versão com quatro motores DB600A. O modelo foi
denominado He 277 tendo mui tos protótipos fabricados.
Por fim, vale destacar a unidade experimental He177V-38, provavelmente
um A-5 com o depósito de bombas ampliado. Historiadores acreditam que
esse aparelho voaria da fábrica de Letov até a cidade de Praga, levando,
provavelmente, a "bomba atômica alemã".
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Histórico
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Séries:
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Categoria(s):
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Bombardeiro pesado e patrulhamento marítimo |
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Tripulantes:
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Primeiro Vôo:
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(V1): 19 de novembro de 1939
(A-0): Novembro de 1941 |
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Primeira entrega:
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1940
(A-1): Março de 1942
(A-5): Fevereiro de 1943 |
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Última entrega:
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Ficha Técnica
- He 177A-5/R2
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Motor:
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2 x DB 610A-1/B-1 (Cada uma dessas
unidades era composta por duas plantas V-12 invertidas, dispostas
num mesmo eixo e em sincronia). |
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Potência:
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Dimensões:
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Envergadura:...................................... |
31,44 m |
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Comprimento:..................................... |
22,00 m |
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Altura:................................................. |
06,40 m |
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Pesos:
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Vazio:.................................................. |
16.800 kg |
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Máximo:............................................. |
31.000 kg |
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Desempenho:
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Vel. cruzeiro:...................................... |
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Vel. máxima:...................................... |
470-505 km/h |
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Vel. ascensão:.................................... |
260 m/min |
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Autonomia:......................................... |
5.600 km |
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Teto serviço:...................................... |
8.500 m |
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Armamento(s):
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1 x MG81J (7.92mm) no nariz envidraçado;
1 x MG151 (20mm) na gôndola frontal;
2 x MG81 na gôndola traseira;
2 x MG131 (13mm) na gôndola dorsal;
1 x MG131 na torreta dorsal;
1 x MG151 na cauda.
3.000 kg de bombas
16 x bombas SC 50, ou 4 x SC 250 ou 2 x SC 500;
encaixes externos para 2 x minas marinhas (lançadas por pára-quedas);
1 x torpedo LT 50 ou 2 x mísseis Hs293A ou 1 x FX1400 "Fritz
X" |
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