O Ba-349 Natter (Víbora) foi o primeiro
interceptador tripulado de decolagem vertical do mundo. Essa aeronave
singular era uma solução criativa e radical para um problema desesperador
mas a II Guerra Mundial chegou ao seu fim antes que esta arma pudesse
ser empregada em combate.
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Na verdade foi o famoso Dr. Werner von Braun (1912-1977) - que
depois projetaria as bombas voadoras V-1 e V-2 e todos os primeiros
foguetes da NASA - que primeiro propôs a idéia, já em 1939, mas
seu conceito foi rejeitado pelo Reichluftfahrtministerium (RLM -
Ministério da Aeronáu tica do Reich), considerando-o "desnecessário
e irrealizável". Dr. Bachem, então um engenheiro na fábrica de aviões
Fieseler, acreditava que a idéia tinha seus méritos.
No anos seguintes, ele tentou em vão chamar a atenção para a propos-ta
de um avião-foguete interceptador. Finalmente, durante a primavera
de 1944, a ofensiva de bombardeios aliados sobre as cidades do Reich
começou a afetar drasticamente a economia de guerra alemã e nenhum
dos métodos convencionais empregados pela Luftwaffe para interceptar
as gigantescas formações de bombardeiros parecia surtir efeito.
Desse modo, começou a procura por soluções não ortodoxas. O Escri-tó
rio Técnico do RLM lançou uma concorrência para um caça de custo
reduzido, feito de materiais não essenciais, que pudesse defender
pon-tos estratégicos (fábricas, depósitos, etc.).
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Messerschmitt, Junkers, Heinkel e Erich Bachem subme teram suas
propostas ao RLM, mas seus oficiais perma-neceram apáticos ao projeto
do Dr. Bachem.
Por fim, eles acabaram escolhendo uma proposta mais convencional
da Heinkel (que se tornaria o He162 Sala-mander),
no entanto Bachem recusou-se a desistir.
Ele buscou apoio do SS- Reichsführer Heinrich Himmler, líder da
infame SS (Schutz Staffel). Himmler gostou da proposta de Bachem
e assinou uma ordem para a cons-trução de 150 Natters, usando os
fundos da SS. Assim, foi possível que a SS desenvolvesse uma aeronave
inde-
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pendentemente do RLM de Hermann Göring, encomendando
uma produção de 50 aeronaves e anunciando sua denominação oficial: Bachem
Ba-349.
Um Projeto Radical
O projeto de Bachem era simples e fácil de construir. Trabalhadores semi-profissionais
poderiam produzir uma aeronave completa em cerca de 1000 horas de trabalho.
As asas eram placas retangulares planas de madeira, sem ailerons, flaps
ou qualquer outro controle de vôo. A cauda cruciforme consistia em quatro
estabilizadores
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e controles de superfície. Manobrando esses instrumentos precários
em várias combinações, era possível controlar a direção e rolagem
do avião, a partir do momento em que a velocidade do Ba-349 oferecesse
o fluxo de ar adequado. O controle aerodinâmico era aumentado pelo
uso de hélices -guia conectadas aos quatro controles de superfície.
Bachem posicionou cada uma dessas hélices na saída de exaustão do
motor principal, um foguete Walter
109-509A - o mesmo empregado pelo Messerschmitt
Me 163 Komet.
Dotado de uma única câmara de combustão, alimentada por turbobombas
o foguete Walter 109-509A era uma aparelhagem delicada, sendo que
a câmara de combustão tinha que ser lavada com água corrente antes
da decolagem, para tirar os restos dos reagentes T-stoff (Peróxido
de Hidro-gênio) e C-stoff (solução de Hidrato de Hidrazina em metanol)
utilizados para propulsão. Na decolagem os tanques eram ligados
separadamente, primeiro o que continha o reagente "T" e depois o
tipo "C", que combina-va-se automaticamente, toda a operação ocorrendo
em altas pressões (8 Kg/s), para conter a liberação gasosa que poderia
explodir o intercepta-dor. A combustão era espontânea, gerando 1.700
kp mas, como o BA-349 pesava ~1.800 kg carregado, a decolagem requeria
mais força.
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A solução encontrada por Bachem foi a adição de quatro foguetes de combustível
sólido Schmidding 109-533, que ele montou na parte traseira da fuselagem,
com dois de cada lado. Cada foguete produzia 500kg de empuxo de modo que,
na decolagem, com todos os cinco motores ligados, gerava-se cerca de 3.700kg
de empuxo total, em uma relação empuxo-peso de 1,6:1, suficiente para
uma velocidade de subida aceitável.
Um Procedimento Incomum
A concepção de vôo operacional para Natter era relativamente simples
e pode ser demonstrada através da descrição de uma missão hipotética,
o que será feito a seguir. Uma torre de comando de 24 metros de altura
guiava o foguete durante a decolagem. O avião ficava posicionado verticalmente
em uma catapulta elevada a 87º. Uma vez que os motores eram ligados, os
controles de vôo permaneciam travados na posição neutra até que os foguetes
de combustível sólido se exaurissem, o que ocorria pós 10 segundos da
ignição.
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Uma vez esgotados, esses foguetes eram separados da fuselagem atra
vés de explosivos e os controles eram destravados. Então o piloto
auto-mático "Patin" começava a receber os comandos da torre de controle
através de rádio. O avião continuava sua subida, mas o piloto já
poderia interferir nos comandos a qualquer momento se fosse necessário.
A ra-zão de subida do Natter foi calculada em 11.500m por minuto,
mas os testes não confirmaram esse espantoso desempenho.
As formações de bombardeiros diurnos americanos quase sempre se
aproximavam de seus alvos a uma altitude de 6.250m (20.000 pés).
Des se modo, após o Natter ter subido acima da formação inimiga,
o piloto assumia o comando e, a uma distância de cerca de 1,5 a
3,2 quilôme-tros, ele ejetava o cone do nariz do avião e disparava
uma salva de 24 foguetes Henschel Hs 217 Föhn, potencialmente mortal
contra as forma- ções compactas de bombardeiros.
À essa altura o combustível do foguete já teria quase acabado e
o piloto iniciaria a descida. A cerca de 1.400m (4.500 pés), o piloto
liberaria as presilhas do assento, e dispararia um anel de explosivos
que destacaria
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toda a seção frontal do nariz. Simultaneamente, o tripulante acionaria seu
pára-quedas após um breve intervalo para se afastar dos destroços resultantes
da explosão; a própria desaceleração repentina causada pelo pára-quedas
puxaria o piloto para fora da aeronave. O pessoal de apoio recuperaria o
motor que seria usado em uma nova fuselagem.
Em Teste
Dr. Bachem construiu uma fábrica para produzir seu invento em Waldsee,
na Floresta Negra e, em setembro de 1944, o primeiro Natter estava pronto
para testes em uma configuração de planador. Um bombardeiro Heinkel
He111 rebocou o protótipo a uma altitude de 5.800m e o liberou. Seu
piloto achou que era uma aeronave fácil de se controlar e, a 1.000m, ele
acionou os explosivos sendo que a seqüência de escape funcionou como planejada.
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Um lançamento vertical de um modelo equipado com o fo guete falhou
em 18.12.1944 em razão de problemas no desenho do equipamento de
solo. Quatro dias depois o-correu o primeiro lançamento bem sucedido,
usando ape-nas os foguetes de combustível sólido, porque o motor
Walter não estava pronto. Dez outros lançamentos foram efetuados
nas semanas seguintes.
No início de 1945 o motor Walter chegou à fábrica e o Natter foi
lançado com êxito usando o sistema de propul-são completo em 25.02.1945,
carregando um boneco no lugar do piloto. Tudo funcionou perfeitamente,
inclusive a recuperação do manequim e do motor, faltando apenas
o teste com um tripulante real.
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O primeiro teste com um avião tripulado ocorreu em 28.02.1945.
Nesse dia o Oberleutnant
Lothar Siebert subiu a bordo do Ba 349A e decolou guiado pela torre
de comando. A 500m do solo a capota do Natter des-prendeu-se, atingindo
o encosto da cabeça e aeronave desgovernada chocou-se com o solo
matando Siebert.
A causa do acidente restou desconhecida mas o pessoal de apoio
po-de ter falhado em trancar corretamente a capota que, por sua
vez, pode ter atingido o piloto. A despeito da tragédia, mais pilotos
se ofereceram para voar o Natter e três vôos foram completados em
março de 1945. Mesmo com o fim próximo da guerra, os alemães conseguiram
montar uma bateria de dez Ba 349A em Kircheim, próximo a Stuttgart.
Os pilo-tos permaneceram de prontidão dia após dia, mas nenhum
dos bombar deiros americanos voaram dentro do raio de ataque do
Natter. No final de abril de 1945, o 7º Exército Americano conseguiu
ocupar a região mas os alemães explodiram todos os dez Ba 349A e
seus lançadores antes que a base fosse tomada.
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Conclusão
É interessante especular sobre o potencial e efetividade do Natter.
Qualquer treinamento de vôo era impossível em um avião que destruía-se
após cada vôo. No entanto, em razão da curta duração de uma missão de
interceptação típica ( cinco a dez minutos) e o controle efetuado pela
torre de comando durante a maior parte do tempo, o treinamento poderia
ser consideravelmente facilitado com um simples simulador de vôo terrestre.
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Por outro lado, mesmo que os alemães tivessem conse-guido implantar
um sistema defensivo baseado no Natter, os bombardeiros da Força
Aérea americana poderiam facilmente traçar uma rota que os colocasse
fora do raio de ação do Ba 349A. A precisão da salva de foguetes
também é questionável, lembrando-se que o atacante tinha apenas
uma única oportunidade de desferir seu golpe.
Desse modo, embora a proposta fosse revolucionária, na prática,
o Bachem Ba 349A Natter foi uma má idéia des-de o início e falhou
como caça-interceptador de bombar-deiros. Atualmente, apenas dois
Natters existem preser-vados. O Deutsches Museum, em Munique (Alemanha)
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possui um exemplar restaurado com as cores e marcas de um aparelho de testes
não tripulado. O National Air and Spacial Museum (NASM) nos EUA tem o outro
exemplar, que foi capturado no fim da guerra e embarcado para aquele país
onde examinado antes de ser entregue aos cuidados da entidade em maio de
1949.
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Histórico
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Séries:
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Categoria(s):
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Caça-foguete monoposto semi-sacrificável de curto
alcance (local) |
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Tripulantes:
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Primeiro Vôo:
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Primeira entrega:
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Última entrega:
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Obs:
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Primeiro interceptador tripulado de
decolagem vertical do mundo |
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Ficha Técnica
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Motor:
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1x Walter HWK 109-509C-1 biprolente
de 1700 kp mais,
4 x Schmidding 109-533 de combustível sólido de 500 kp |
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Potência:
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Dimensões:
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Envergadura:...................................... |
3,60 m |
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Comprimento:..................................... |
6,10 m |
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Altura:................................................. |
2,25 m (em posição de vôo) |
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Pesos:
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Vazio:.................................................. |
880 kg |
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Máximo:............................................. |
2.232kg (com foguetes) |
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Desempenho:
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Vel. cruzeiro:...................................... |
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Vel. máxima:...................................... |
800 km/h (ao nível
do mar)
1000 km/h (a grandes altitudes) |
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Vel. ascensão:.................................... |
11100 m/min |
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Autonomia:......................................... |
32-48 km (após atingir a altitude
de ata-que) |
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Teto serviço:...................................... |
7300 m |
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Armamento(s):
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24 x foguetes Föhn de 73mm ou,
33 x foguetes de R4M de 55mm ou,
02 x canhões MK108 de 30mm com 30 cartuchos cada. |
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