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Entre 1919 e 1933 a própria industria aeronáutica alemã era responsavel pela criação e implantação do sistema numérico seqüencial que fosse capaz de designar os novos projetos que estavam sendo desenvol-vidos em suas fábricas. Passada a fase de projeto, iniciava-se a construção dos primeiros protótipos que depois de concluídos e testados eram submetidos às investigações do RLM para ver se atendiam as exigên-cias estipuladas no inicio da concorrência, se fosse o caso. Se aprovados, inciava-se a produção em série. Devido a existência de um grande número de fabricantes, este sistema de designação fez surgir, como já era de se esperar, muitos números repetidos, causando certa confusão. Por exemplo, havia o Heinkel He 58 e o Focke-Wulf Fw 58, o Do 26 e o Kl 26, o He 42 e o Fw 42, entre vários outros. Com a chegada de Hitler ao poder em 1933 e a retomada do rearmamento alemão, quase tudo mudou drastica mente. Entre essas mudanças, estava incluída uma resolução tomada pelo RLM (ReichsLuftfahrtMinis terium) que tinha como objetivo controlar a designação dos projetos de todas as aeronaves civis e militares aprovadas ou não, para serem desenvolvidas e fabricadas. A lista dos números era elaborada pelo Departamento Técnico, Divisão de Desenvolvimento e Aquisição do RLM. Esta Divisão era identificada pelas letras GL/C, e por isso, a lista é conhecida como "Lista GL/C". Os números eram disponibilizados para os fabricantes seqüencialmente em series de cinco ou mais, e podiam ser empregados livremente nos novos projetos Nos documentos oficiais do RLM, os números dos modelos de aeronaves eram sempre precedidos pelo algarismo "8" seguido de um traço "-" (Ex: 8-109, 8-110, 8-87, 8-190), similarmente, motores a pistão usavam o prefixo "9-", e os motores a jato o "109-"). Já nos planadores, que utilizavam números exclusivos, o prefixo era o "108-". No entanto, a forma mais usada e difundida para identificar um determinado modelo de aeronave fabricado na Alemanha entre 1933 e 1945 é aquela composta por duas letras (prefixo do fabricante), um número (fornecido pelo RLM) e uma letra em maiúsculo (sufixo da série). Geralmente, a maioria das referências apresentam o prefixo do fabricante sem o traço ( - ) a sua frente e o número do RLM e o sufixo da série juntos, sem espaço entre eles. Ex: Fw 190A, onde "Fw" é o prefixo do fabricante (Focke-Wulf), "190" é o número fornecido pelo RLM (8-190) e a letra "A" corresponde a série do modelo. Pelo simples fato desta forma de representação não ter sido padronizada, apareceram muitas variações deste esquema. O emprego do prefixo com todas as letras em maiúsculo também podia aparecer, principalmente quando o nome do fabricante era composto por duas palavras. Ex. FW (Focke-Wulf), BV (Blohm und Voß). Contudo, isto é irrelevante para definir se um determinado modelo, no caso o Focke-Wulf 190, era oficialmente designado como: "Fw 190", "Fw190", "Fw-190", "FW 190", "FW190", "FW-190" ou qualquer outra variação destes esquemas. Muito provavelmente todas essas variantes podem ser encontradas em documentos milita-res e industriais da época, o importante é que para o RLM ele sempre foi o "8-190". Logo abaixo, podemos observar
alguns exemplos de representações de nomes de aviões típicas
do III Reich e seus significados logo abaixo.
Surgido a partir de 1933, era fornecido pelo RLM e único para cada modelo. Os projetos subseqüentes que tinham algum tipo de relação com qualquer projeto anterior, geralmente possuíam o mesmo número deste acrescido de cem. Por exemplo, o Me 210, Me 310 e Me 410 eram todos projetos que sucederam o Messerschmitt Bf 110.
b. Prefixo do Fabricante O número do RLM era sempre precedido por duas letras (iniciais do nome) que determinavam o fabricante do modelo em questão ou em alguns casos o projetista responsável pelo desenvolvimento do programa. A primeira letra aparecia sempre em maiúsculo e a segunda em minúsculo. A lista a seguir mostra os principais prefixos de fabricantes e projetistas. Al
- Albatros Flugzeugwerke GmbH
c. Sufixo da Série A letra (sempre maiúscula) que aparecia após o número do RLM era empregada para definir a série do modelo. Essas letras eram normalmente escolhidas em ordem alfabética, consequentemente a primeira versão de série produzida era a "A" , a segunda era a "B" e assim por diante, salvo raras excessões. Podiam aparecer também sufixos especiais, como por exemplo, a letra "R" que era designada para um Rekordflugzeug (avião de recorde, isto é, um modelo especialmente modificado com o propósito especifico de "quebrar um recorde"). A letra "H" era usada para designar um Höhenflugzeug (avião para grandes altitudes). Já os protótipos e aviões de testes usavam exclusivamente o sufixo "V" (veja item g). Até por volta de 1935, esses sufixos eram as vezes escritos em minúsculo, especialmente para os modelos de pré-produção.
d. Versão da Série O sufixo da série era sempre sucedido por um traço, mais um sufixo numérico adicional que era empregado para definir a versão ou subtipo de uma série. O número "0" era geralmente usado para os modelos de pré-produção ou pré-série. Em alguns casos, apenas o sufixo numérico não era o suficiente e uma outra letra (sempre em minúsculo) era acrescentada para distinguir entre duas configurações de um mesmo subtipo. Um bom exemplo disso pode ser visto em duas das muitas versões do Messerschmitt Me 262, o Me 262A-1a "Schwalbe" (caça diurno mo-noposto) e o Me 262A-1b (idêntico ao A-1a mas armado com mais 24 foguetes R4M de 55 mm).
e. Kit de Conversão/Adaptação Algumas vezes, as variações de um determinado modelo eram determinadas pelo kit de conversão ou adapta-ção: "/Un" (U = Umrüstbausatz - kit de conversão de fábrica) ou "/Rn" (R = Rüstsatz - kit de conversão de campanha). Ambos eram utilizados em pequenas séries de modelos de produção especialmente alterados. Geralmente os /Un eram modificações de fábrica e os /Rn eram modificações feitas pela própria equipe de manutenção das aeronaves, mas neste caso, também havia exceções.
f. Versão Tropicalizada Todos os caças Messerschmitt Bf 109 que prestavam serviço no deserto do Norte da África, zonas tropicais, áridas ou semi-áridas eram equipados com um kit tropical. Esse kit incluía um filtro na entrada de ar do turbocompressor e um kit de sobrevivência no deserto e era representado pelo sufixo "/Trop". Outros sufixos muito utilizados eram:
Protótipos e modelos de teste, em vez do sufixo da série, apresentavam a letra "V" (Versuchsflugzeug - aeronave experimental). O número seguinte ao "V" (geralmente sem o traço entre eles) designava a própria aeronave e não o modelo. Por exemplo, o Me 262 V3 era o terceiro protótipo do Me 262 e não o terceiro modelo experimental. Mas o sufixo "Vn" também podia aparecer escrito com um traço entre a letra e o número, como "V-n".
h. Apelido O emprego de "nomes populares" ou apelidos não era muito comum na Alemanha, diferente do que acontecia na Inglaterra e EUA. Algumas vezes o fabricante ou o próprio RLM designava um apelido com o propósito único de promover a aeronave (o He 162 "Volksjäger" é um exemplo típico), mas esses apelidos raramente pegavam, e o avião era geralmente chamado na Luftwaffe pelo seu número do RLM apenas. Por exemplo: o 109, o 190, o 262, etc. Arado Flugzeugwerke GmbHSediada na cidade de Warnemünde e originalmente criada como a subsidiária da empresa Flugzeugbau Friedrichshafen, a Arado foi obrigada - assim como sua matriz - a encerrar suas atividades após a I Guerra Mundial, quando o Tratado de Versalhes estabeleceu uma série de restrições para a fabricação de aviões na Alemanha.
Pouco antes disso, Walter Blume (1896-1964), anteriormente da Albatros, substituiu Rethel. Além disso, Blume trazia a experiência de ser um ás da I Guerra Mundial com 28 vitórias e ganhador da Pour Le Mérite. A Arado atingiu um status proeminente como uma das primeiras fornecedoras da Luftwaffe, com o Arado Ar66, que se tornou o avião de instrução padrão da Força Aérea alem até o início da II Guerra Mundial. A empresa também produziu alguns dos primeiros caças da Luftwaffe, o Ar65 e o Ar68.
Em 1945, após o fim da guerra, a Arado foi fechada e liquidada judicialmente. Um de seus projetos, o Ar96 continuou a ser fabricado por muitos anos após a guerra pela empresa Zlin. Blohm & Voss Flugzeugwerke GmbHEm 05 de abril de 1877 Hermann Blohm e Ernst Voss fundaram a Blohm & Voss Schiffswerft und Maschinen fabrik, destinada à construção de navios e motores de grande porte. Um grande estaleiro foi construído na ilha de Kuhwerder, próximo a Hamburgo, cobrindo 1½ hectares e tendo três docas secas para construção de grandes embarcações.
DFS (Deutsche Forschungsanstalt für Segelflug)A Deutsche Forschungsanstalt für Segelflug, ou DFS (Instituto Alemão de Pesquisa de Vôo Planado) foi criado em 1933 para centralizar toda a atividade relacionada ao vôo de planadores na Alemanha. Sua formação deu-se a partir da estatização da Rhön-Rossitten Gesellschaft (RRG), situada em Darmstadt. A DFS esteve envolvida na produção de planadores de instrução para a Juventude Hitlerista (Hitlerjugend) e pa-ra a Luftwaffe, além de conduzir pesquisas de vanguarda em tecnologias como asas voadoras e propulsão por foguete. Entre os produtos de destaque da DFS encontram-se o planador de transporte DFS230 (mais de 1600 produzidos) e o planador DFS194, que foi a base do projeto que levaria ao Messerschmitt Me163 “Komet”. Dornier Werke GmbHDornier Werke GmbH, também conhecida como Dornier Flugzeugwerke e Dornier Luftfahrt em épocas distin-tas, foi uma empresa fabricante de aviões fundada em Friedrichshafen em 1914, por Claudius Dornier (1884-1969). Durante o curso de sua longa existência, a empresa produziu muitos dos mais notáveis projetos do mercado civil e militar.
Ao final da guerra, em 1945, a produção de aeronaves foi novamente proibida na Alemanha e a Dornier iniciou operações na Espanha e Suíça, onde a empresa trabalhou com serviços de consultoria aeronáutica até poder, mais uma vez, retornar ao território alemão, em 1954. A Dornier rapidamente restabeleceu-se com projetos co-merciais muito bem sucedidos como os transportadores Do27 e Do28. Em 1974 a empresa desenvolveu o Alpha Jet, um projeto combinado com os fabricantes franceses Dassault e Breguet, que se tornou o novo avião de instrução a jato da OTAN. Em 1985 a empresa se tornou membro do grupo Daimler-Benz, tornando-se responsável pelos projetos aeronáuticos da holding. Ao mesmo tempo a Lin-dauer Dornier GmbH foi criada como uma subdivisão dedicada à produção de equipamentos têxteis. Em 1996 a maior parte da Dornier foi adquirida pela Fairchild Aircraft, formando a Fairchild-Dornier. Entretanto a empresa não foi bem sucedida e acabou pedindo falência em 2002. Gerhard Fieseler Werke GmbHA Gerhard Fieseler Werke foi um fabricante alemão de aviões dos anos 1930 e 40. A empresa é mais lembra-da pelas aeronaves militares construídas para a Luftwaffe durante a II Guerra Mundial.
Em 1941, no entanto, um projeto da empresa para uma bomba voadora não pilotada atraiu a atenção do RLM (Reichsluftfahrtministerium - Ministério da Aviação). Esse trabalho levaria ao Fieseler Fi 103, mais conhecido como V1. Embora tenha sido alvo de vários ataques de bombardeiros aliados durante a guerra, a fábrica da Fieseler continuou com a produção ao longo de toda a guerra. Após o fim das hostilidades a empresa continuou ativa por alguns anos, produzindo peças de automóveis. Seus mais famosos produtos, o Storch e a V1, continua-ram a ser produzidos por outras empresas estrangeiras. Focke-Wulf Flugzeugbau AGA Focke-Wulf Flugzeugbau AG foi um dos principais fabricantes de aviões militares da Alemanha, e responsá vel por muitos dos projetos que foram utilizados pela Luftwaffe durante a II Guerra Mundial.
O primeiro helicóptero completamente controlável foi o Focke-Wulf Fw 61, que foi testado com sucesso por Hanna Reitsch em 1936. No ano seguinte, os acionistas retiraram Heinrich Focke da sociedade que, junto com Gerd Achgelis, fundou a Focke Achgelis, que se especializou em produzir helicópteros. Nesse meio tem-po, Tank desenhou e começou a produção do avião de passageiros Fw 200 "Kondor", que podia atravessar o Atlântico sem paradas.
Enquanto isso, a produção restrita de aeronaves foi retomada na Alemanha em 1951 e a Focke-Wulf começou a produzir planadores. A fabricação de aviões motorizados recomeçou em 1955, com a produção de um avião de treinamento para a Bundesluftwaffe (a Força Aérea da Alemanha Ocidental). Em 1961 a Focke-Wulf e a We serflug und Hamburger Flugzeugbau juntaram forças com a Entwicklungsring Nord (ERNO), passando a desen volver foguetes. Três anos mais tarde, a Focke-Wulf formalmente fundiu-se com a Weserflug, tornando-se a Ve reinigte Flugtechnische Werke (VFW). Gothaer Waggonfabrik AGGothaer Waggonfabrik (Gotha, GWF) já era um fabricante de peças de maquinário ferroviário no final do século XIX em Warnemünde. Mas, durante as duas guerras mundiais, a empresa expandiu seu negócio para a fabrica ção de aeronaves.
Enquanto a Alemanha esteve proibida de produzir aviões pelas imposições do Tratado de Versailles, a Gotha retornou ao negócio de peças de equipamentos ferroviários. Entretanto, quando Hitler assumiu o governo em 1933 e deixou o Tratado de lado, a empresa rapidamente retornou ao campo da aviação. A principal contribui- ção da Gotha para a nova Luftwaffe foi o avião de treinamento Gotha Go145, dos quais cerca de 9.500 foram construídos. A empresa também produziu o planador de assalto Gotha Go242. Talvez o mais importante produto da empresa na II Guerra Mundial tenha sido uma aeronave que jamais entrou em produção Gotha Go229. Tratava-se de uma asa voadora propulsionada por motores a jato e desenhada pe-los irmãos Horten. Embora impressionante, não era fácil de ser produzida em larga escala e apenas um único protótipo voou antes da guerra chegar ao fim. Após o término do conflito, em 1945, a Gotha retornou mais uma vez ao seu propósito original, construindo má quinas ferroviárias na antiga Alemanha Oriental, onde se tornou uma empresa estatal. Heinkel Flugzeugwerke AGA Heinkel Flugzeugwerke era uma empresa de fabricação de aviões que recebeu esse nome por conta de seu fundador, Ernst Heinkel (1888-1958), e que tornou-se notável pela sua produção de bombardeiros para a Luftwa ffe durante a II Guerra Mundial e por seus importantes contribuições ao vôo de alta velocidade.
A Heinkel também criou aquele que seria o bombardeiro mais pesado da Luftwaffe, o Heinkel He 177, embora ele nunca tenha sido fabricado em grande número. Mas a empresa teve menos sucesso na construção de ca ças: antes da guerra o Heinkel He112 foi rejeitado em favor do Messerschmitt Bf 109 e a tentativa da compa-nhia de superar o rival com o Heinkel He100 falhou em razão da interferência política do Reichsluftfahrtministe-rium (Reichsluftfahrtministerium - Ministério da Aviação). Entretanto, a empresa conseguiu prover a Luftwaffe com um caça noturno excepcional: o Heinkel He 219. A partir de 1941 até o final da guerra, a empresa esteve associada com a fabricante de motores Hirth, formando a Heinkel-Hirth e dando à empresa a capacidade de produzir seus próprios motores.
Mas esse último nunca atingiu o estágio de produção, já que o RLM queria que a Heinkel se concentrasse na produção de bombardeiros e promoveu o desenvolvimento do caça rival Messerschmitt Me 262. Somente nos últimos meses da guerra é que a Heinkel conseguiu a aprovação de um caça a jato, o Heinkel He162, mas a-pesar de atingir o status operacional ele não chegou a ter influência no decorrer do conflito. Após a guerra, com a proibição de produzir aviões, a Heinkel passou a construir bicicletas, motonetas e até mesmo um microcarro, o Heinkel Trojan. A empresa retornaria por fim ao campo da produção de aviões em meados dos anos 50, vindo inclusive a construir caças supersônicos F-104 Starfighters para a Força Aérea da Alemanha Ocidental. Em 1965 a empresa foi absorvida pela Vereinigte Flugtechnische Werke (VFW) que, por sua vez, foi comprada pela Messerschmitt-Bölkow-Blohm em 1980. Junkers Flugzeug und Motorenwerke AGO nome Junkers é bem conhecido no mundo da história da aviação. Fundada por Hugo Junkers (1859-1935) a empresa produziu alguns dos aviões mais importantes que a Luftwaffe utilizou durante a II Guerra Mundial.
Messerschmitt AGA história da Messerschmitt começa com o Professor Willy Messerschmitt (1898-1978) juntando forças com a Bayerische Flugzeugwerke em 1927, formando um time de projetistas que repetidamente alargaram as frontei-ras da performance da engenharia aeronáutica, com seus principais produtos, o utilitário Bf 108 Taifun e o len-dário caça Bf109 estabelecendo novos recordes e ganhando várias competições na segunda metade da déca-da de 1930.
Em
1968 a Messerschmitt AG fundiu-se com a Bölkow e, um ano mais tarde, o departamento
de aviação da empresa Blohm foi adicionado e a empresa resultante passou a se
chamar Messerschmitt-Bölkow-Blohm. Em 1989 a companhia foi adquirida pela Benz
Aerospace AG, a divisão aeroespacial da Daimler-Benz. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||